Da importância do primeiro voto ao voto consciente

A participação política da juventude e seu papel para o posicionamento crítico de uma nova geração.

Corrupção, CPIs, mandatos cassados e outras polêmicas fazem parte do cenário da política brasileira e, em meio a isso tudo, envolver-se nas decisões políticas é de grande importância para o fortalecimento da consciência política e da democracia. O voto é uma das principais ferramentas de atuação nesse processo.

É importante ressaltar a dimensão de uma das conquistas históricas que permite a participação do povo nas decisões, a democracia. O sufrágio universal garante o direito de votar e ser votado. Nesse sentido é cada vez mais necessário valorizar a democracia representativa. Ultimamente a situação da política do Brasil e no mundo vem sendo bastante debatida na mídia. Acontecimentos que reverberavam o poder do povo enquanto reivindicadores de seus direitos, a situação dos processos e investigação, o impeachment, entre outros.

Para o professor do Curso de Ciências Sociais, Silvio Benevides:

A política profissional enfrenta uma crise de credibilidade não apenas no Brasil, mas no mundo como um todo e diz respeito mais diretamente à democracia representativa. Os modelos de representação política estão enfrentando uma profunda crise de credibilidade e isso reverbera na política, nos partidos e em toda forma institucional da política”.

Ao conceber a necessidade de uma reforma nas eleições 2016, a minirreforma representa talvez também a necessidade de mudanças no modelo atual de democracia.

Eleições 2016

As eleições municipais de 2016 trazem consigo uma série de novidades. As mudanças correspondem ao tempo disponibilizado para a campanha reduzido de 90 dias para 45 dias. Já na televisão, o tempo de veiculação de propaganda eleitoral caiu de 45 dias para 35 dias. A partir de agora somente pessoas físicas poderão fazer doações, houve mudança também sobre coligação e sobre transparência no período eleitoral.

Para quem ainda não está por dentro das mudanças esse vídeo pode ajudar.

Além da nova lei eleitoral, a situação da política no país pode influenciar na hora do voto. Sobretudo pode confundir de quem vai votar pela primeira vez. Em seu artigo 14, a Carta Magna estabelece que “a soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos” e que o alistamento eleitoral e o voto são facultativos para os analfabetos, os maiores de 70 anos e os maiores de 16 e menores de 18 anos. Os jovens, muitos dos quais votam pela primeira vez em outubro deste ano, aparentemente demonstram interesse pela política, porém apresentam desconfianças com relação aos políticos profissionais.

Primeiro voto em 2016

Estou muito ansioso para o meu primeiro voto, pois sei que estarei praticando a cidadania e escolhendo as pessoas que irão representar a minha cidade. Acho que vai ser uma atitude bem difícil, devido às crises políticas que estamos vivendo, mas reconheço a obrigação desse ato, assim como a mudança que ele pode possibilitar”.

 Christian Almeida, 17, com relação a sua expectativa para o primeiro voto.

 Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o número de jovens que votarão nesta eleição cresceu, sobretudo os com idade entre 16 e 17 anos. “O eleitorado na faixa etária de 16 a 17 anos, apto a votar em outubro, atingiu a marca de 2.913.627, sendo 1.157.551 (0,82%) o número de eleitores com 16 anos e 1.756.076 (1,25%) com 17 anos”.

Essa é uma estimativa do TSE e não condiz com a realidade de outros jovens que optaram em não votar esse ano. Alguns deles acreditam que ainda não são capazes de opinar ou pensar sobre esse tema por ser um assunto dito complicado.

Henrique Nunes, 16, não colocou como prioridade o voto e por isso não tirou o titulo de eleitor. Porém, acha que é possível ter crença na política brasileira.

Acredito na política, mesmo estando banalizada e mesmo muita gente não vendo com bons olhos eu ainda acredito que é possível mudar. Porque tudo envolve política no nosso meio. E somos brasileiros”.

Christian também acredita na capacidade de valorização do voto e da ação política, disse que mesmo sabendo da corrupção e tantos outros motivos que nos fazem desacreditar, é muito esperançoso e acredita que a política, se praticada na sua essência, é fundamental para o desenvolvimento do local em questão.

Votar com consciência e sensibilidade é uma das melhores coisas que um eleitor pode fazer para valorizar as suas conquistas históricas. Esse é um dever que a juventude tem não só de ano em ano participando das eleições, mas também é uma responsabilidade que deve ser relembrada durante o ano inteiro.

Apesar do crescimento significativo de jovens votantes, e das mudanças nas eleições 2016, o descrédito no processo eleitoral e na conduta dos políticos marca a insegurança na hora do voto. Uma pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) revela que 5% das pessoas não confiam em partidos políticos. Sendo assim o desinteresse ou descrédito no processo eleitoral não é um fenômeno exclusivo ou específico das juventudes. Contudo, o jovem não está dissociado do restante da sociedade. De uma forma geral existe uma descrença na ação política e certamente os jovens irão partilhar disso. De acordo com o professor Silvio Benevides:

É importante desconstruir a ideia de que jovens não se interessam por política e não costumam participar ou, ainda, não têm consciência política. Isso de fato acontece, mas não apenas com os jovens e adolescentes de 16 anos. Ocorre com a população de uma maneira geral. Sendo assim, a consciência política destes jovens não difere muito da população adulta. A conscientização política de uma população está diretamente ligada a processos educacionais eficazes que considerem não apenas a transmissão de conhecimentos, mas, também, uma educação para o exercício da cidadania. Se esse processo não é eficiente, se tem e enfrenta muitos problemas, não podemos esperar uma conscientização política acentuada de ninguém”.

A participação é um dos principais pontos quando se fala de política, é muito comum associar política a partidos e governo. Mas se ampliarmos a ideia de política ela se baseia na participação coletiva e se observar por esse viés  talvez a juventude seja um dos segmentos mais envolvidos com o assunto.

Engajamento

Uma das formas de se engajar politicamente, na ação coletiva e na participação é através dos meios de comunicação e da internet. Diversos movimentos sociais como o do Passe Livre, Movimentos contra o Impeachment entre outros se deram através da organização virtual. O uso de ferramentas que possibilite um engajamento e participação é um incentivo a quem deseja se informar sobre esses assuntos. Por outro lado, se considerarmos a democracia participativa, vamos perceber que a política está mais viva e pulsante como em poucos momentos históricos já esteve. Benevides afirma que a internet também é local para expressar posicionamentos políticos.

Acho que hoje temos mais possibilidades, por conta das redes sociais. Nesse sentido acho as redes sociais muito importantes. Como os jovens da geração atual adoram viver em rede para estudar, namorar, paquerar se divertir, também para acompanhar a política e a atuação de seus representantes”.

A combinação entre internet e rua é expressiva, tanto que sites especializados em organização coletiva e assuntos correlacionados estão tendo espaço e ganhando cada vez mais seguidores. É o caso do site Vem pra rua, que é um movimento suprapartidário, democrático e plural que surgiu da organização espontânea e tem como bandeira a democracia, a ética na política e um estado eficiente e desinchado. Surgiu no ano de 2014 e apoia diversos movimentos sociais. Já é hora da política ocupar as ruas.

Foi pensando napp JEessa participação do eleitor, no monitoramento da democracia que a Justiça Eleitoral disponibilizou 11 aplicativos para o pleito municipal deste ano. Estão disponíveis para smartphones e tablets que terão a função de auxiliar os eleitores e os servidores.Essas ferramentas possibilitarão o acesso às datas do processo eleitoral, consulta aos locais de votação, denúncias de ocorrências irregulares, informações sobre os candidatos de cada cidade, a apuração da votação e até mesmo ajudar na identificação de problemas no processo de preparação das urnas eletrônicas reportando-os automaticamente ao Tribunal Regional Eleitoral competente.

É a partir do reconhecimento do papel da juventude, da tecnologia, da participação e do  engajamento, através dos mecanismos disponíveis, que o voto será  um ato de legitimo de democracia. Seu voto sua voz.

Imagem de destacada disponível em http://jota.uol.com.br/e-leitor-o-acesso-das-mulheres-a-representacao-politica

 

 

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