Guia do estudante forasteiro

Um guia definitivamente torto para calouros (e veteranos incautos) de como se aventurar pelo CAHL e Cachoeira

Na última reunião de pauta, ficou definido que falaríamos sobre o Recôncavo, então paramos para pensar sobre coisas que ainda não foram ditas, algo que não fosse sobre as festas, gastronomia, pontos turísticos… aquela coisa batida. Bom, o brainstorm foi coletivo, menos para mim. Então surgiu o receio: o que para todos surgiu com obviedade, para mim, uma reles estudante forasteira, pareceu inconcebível.

Afinal, como poderia falar sobre uma coisa que não pertence tanto ao meu senso comum, mas que se trata do espaço em que me inseri? Então pensei, porque não falar sobre minha realidade? Ser uma estudante fora de casa!

Este é um guia definitivamente torto de como viver e se aventurar por Cachoeira/universidade e quase conseguir se passar por uma pessoa nascida e criada em Cachoeira.

A  UNIVERSIDADE

Esteja preparado também para sofrer uma pequena metamorfose. Mas não falo apenas sobre o seu cabelo e roupas, apesar de existir uma possibilidade de você aderindo a um estilo mais good vibes.

Na universidade, você irá se engajar e acabar participando de um coletivo… ou dois… ou mais de dois.

Você irá se tonar um grande apreciador de arte, mesmo que faça Jornalismo, História, ou qualquer outro curso que não seja Artes.

Você vai encontrar arte nas paredes…

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Foto: Arquivo pessoal

Ou até nas cadeiras…

Você irá encontrar arte até nas cadeiras.
Foto: Arquivo pessoal

Você irá descobrir também que existem panelinhas entre os cursos. E o pior, panelinhas dentro do seu próprio curso. E que na realidade existe uma rixa entre os cursos, onde o mais odiado e excluído é Jornalismo, por razões que os próprios aspirantes a jornalistas desconhecem. (Vamos apurar essa informação galera)

ALUGAR UMA CASA

“Eu vejo na TV rua o que eles falam sobre o jovem universitário não é sério, o jovem universitário no Brasil em Cachoeira nunca é levado a sério…”  Parafraseando Chorão e Negra Li, o jovem universitário em Cachoeira não é levado a sério.

Seja lá qual for o motivo da desconfiança, boa parte dos moradores torcem o nariz para alguém que seja do CAHL, por isso, caro calouro (ou veterano distraído) tome cuidado quando alguém te perguntar “você é da universidade? ” Porque isso pode dificultar muito a sua vida na hora de conseguir uma casa, ou até mesmo fazer algum trabalho. Uma simples verdade.

SUPERMERCADOS

Pode parecer óbvio e quase uma regra de mãe, mas saiba que você vai precisar frequentar os dois maiores supermercados da cidade se você quiser sobreviver até o fim do mês com sua ínfima mesada de estudante. Os preços e variedades de produtos variam de um supermercado para o outro e, acredite, você vai acabar visitando os dois. As vezes mais de uma vez no dia, ou todo dia. E no final de semestre, quando sua memória para coisas banais começar a falhar, você irá no supermercado e esquecerá o que pretendia comprar. Acredite, isso vai acontecer mais vezes do que você possa imaginar.

RESTAURANTES

Se você é de fora da Bahia e optar por almoçar nos restaurantes da cidade, você vai ter que lidar com o fato de que todas as sextas-feiras o cardápio, independente de qual seja o restaurante, é comida baiana, (e não tem pra onde correr, porque é tradição). Ou seja, comidas típicas como vatapá, caruru, moquecas de peixe e camarão e maniçoba [vide link se você, como eu, nem sabia o que era Maniçoba].

Vá preparado para encontrar um cardápio limitado se você não consome alguns desses itens. E o principal, se você é alérgico a camarão sempre pergunte se aquela moqueca esperta que parece ser só de peixe não tem camarão. Aliás, pergunte se não tem camarão PARA TODAS AS COISAS QUE VOCÊ FOR COMER. Palavra de quem quase já entrou em choque anafilático comendo uma coxinha, que deveria ser só de frango e um pastel que deveria ser só de carne.

NA 25 DE JUNHO

A praça 25 de junho, conhecida simplesmente como 25, detêm TODA a badalação noturna de Cachoeira. É onde fica a maior concentração de bares da cidade. E quando não estiver na universidade, meu caro estudante… esta será sua segunda morada.

Mas você também irá descobrir que nem sempre o que você faz na 25 permanece na 25. Portanto fique atento a algumas regras de etiqueta (baseadas em fatos reais) e evite o bafão.

1 – Nunca caia no chão da 25, todos irão lembrar no dia seguinte, sejam eles conhecidos ou não.

2 – Cuidado com o treme-treme de Paulo Lomba, estudos apontam que mais de 3 doses pode gerar uma grande ressaca (física e moral).

3 – Cuidado com as pessoas que tomam treme-treme, existe a possibilidade que elas venham a vomitar para cima, jorrando tipo uma fonte.

4 – Não tire a roupa na 25. Vez ou outra você verá alguém pelado por lá, não seja essa pessoa.

5 – E o principal: Nunca seja fotografado na 25, sobretudo se você estiver dormindo com os cachorros da praça.

Aluno do CAHL dormindo com os cachorros da rua Foto: Arquivo Pessoal
Aluno do CAHL dormindo com os cachorros da rua.
Foto: Arquivo Pessoal

 

Foto de capa: Reprodução ufrb.edu

ESTE É UM ARTIGO DE OPINIÃO QUE USA BOM HUMOR E NÃO TEM A PRETENSÃO DE SER A VERDADE DEFINITIVA.

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