A falta de representatividade feminina na política

Por Lucas Almeida

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Em Cruz das Almas atualmente as 15 cadeiras que ocupam o legislativo do município estão preenchidas por parlamentares do sexo masculino, portanto, nenhuma mulher ocupa este espaço, mesmo sendo maioria da população (52%), as negras e negros também ocupam poucos cargos de direção em empresas e órgãos públicos. A situação das cerca de 50 milhões de mulheres negras é ainda mais complicada.

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À direita Camila Moura, pre-candidata a vereadora em Cruz das Almas (Foto Reproducao Facebook) À esquerda vice-prefeita de Salvador, Celia Sacramento (Foto Cheilla GobiJGO)

A presidente do Partido Republicano Brasileiro (PRB) de Cruz das Almas, Camila Moura pretende colocar–se como candidata a vereadora do município de Cruz das Almas, para ela o principal motivo da Câmara Municipal ser ocupado apenas por homens se dá pela cultura machista do Brasil.” Na medida em que formos ocupando os espaços, sejam eles políticos, empresariais ou de notoriedade social, incentivamos outras mulheres a lutarem por mais equidade. Embora o gênero não defina competência de cada indivíduo, essa ocupação de espaço é extremamente importante para o empoderamento das mulheres” ponderou.

Em entrevista coletiva, na Câmara de Vereadores de Barreiras, a vice-prefeita de Salvador Célia Sacramento falou sobre o papel social desempenhado pelas mulheres na sociedade brasileira, mais especificamente sob a ótica da política, em uma sociedade, segundo ela, construída sob a égide do machismo.

“Além do problema do machismo o Brasil enfrenta ainda o racismo. Eu sou a primeira vice-prefeita negra, da primeira capital do Brasil, a cidade mais negra fora da África e sei muito bem o que significa tudo isso, mesmo assim, diante de tantas dificuldades, a mulher tem avançado, embora a passos curtos”, disse Célia.

A falta de representatividade feminina na política nacional não é novidade. Só a partir de 1932, durante o governo de Getúlio Vargas que as mulheres brasileiras puderam ter direito ao voto e a se candidatar-se a cargos públicos. Em 1933, a médica Carlota Pereira de Queirós foi a primeira mulher política a ser eleita como Deputada Federal. Já a primeira senadora do Brasil foi eleita em 1979: Euníce Michiles. A primeira mulher ministra foi Esther de Figueiredo Ferraz, ocupando o cargo no Ministério da Educação e Cultura, entre os anos de 1982 e 1983. No ano de 1995, Roseana Sarney tornou-se a primeira governadora brasileira, representando o estado do Ceará. Por último, a primeira candidata à presidência do país foi Maria Pio de Abreu pelo Partido Nacional (PN) em 1989. Contudo, como se sabe, uma mulher só ocupou esse cargo a partir de 2010.

Os debates sobre a democracia brasileira, por um lado, celebram os direitos políticos, hoje desfrutados por todos os brasileiros e brasileiras; por outro, realçam os desafios para a superação das desigualdades persistentes no Brasil. Em especial, no que diz respeito à participação política, é fato que parte significativa da população, especialmente mulheres e negros, tem representação aquém de seu peso na população total, um padrão que só recentemente começou a ser alterado.

Segundo Bárbara Castilho em um estudo feito mediante a utilização dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) em 2007, no Brasil os cargos mais prestigiados e as posições de poder na política estão tradicionalmente “reservados” aos homens brancos. Enquanto não parece haver barreiras de gênero para que as mulheres acessem e avancem no sistema educacional, fatores discriminatórios agem na inserção no mercado de trabalho, nas suas promoções, admissões e busca por qualificações, de forma adversária sobre elas, limitando seu desenvolvimento profissional.

É inegável que o número de mulheres participando da política no país cresceu ao longo da história brasileira. Os dados apontam um aumento de candidatas em todos os postos eletivos no país. Porém, há uma questão maior que se apresenta: a sociedade como um todo estaria inclinada às questões da mulher? Ou são elas, as mulheres políticas, que se adaptaram ao mundo do poder, ainda hoje, bastante guardado aos homens?

A falta de mulheres na política nacional impede que muitos projetos sejam debatidos e aprovados, como leis de fomento para a construção de políticas públicas de defesa da mulher e leis que garantam igualdade salarial e social.

Ainda segundo o PNAD em 2007 análises apresentadas ao longo do estudo apontaram, portanto, para a inserção desigual no mercado de trabalho brasileiro, indicando que indivíduos de distintas características de sexo e cor ou raça possuem oportunidades desiguais de acesso aos cargos de chefia, os quais são ocupados majoritariamente por homens e brancos. Em 2016 o número permanece desigual.

Segundo um levantamento feito em 2004 pela União Inter-parlamentar (IPU) no Brasil de cada 10 pessoas eleitas para cargos no Executivo ou no Legislativo apenas uma é mulher, e ainda segundo um ranking feito pela mesma instituição em 188 países que mede a participação feminina nos parlamentos o Brasil ocupa a posição de número 156.

Um levantamento da Escola Nacional de Administração Pública revelou que o número de mulheres e negros, apurando a percepção de servidoras(es) públicas(os) sobre as desigualdades raciais e de gênero na ocupação destes cargos. Nas entrevistas, 68% reconheceram que as mulheres são discriminadas no serviço público federal, sendo que 85% das mulheres concordaram com esta afirmação, em contraste com 57% dos homens.

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