O Feminismo mudou a história?

Tarcilo Santana Com o crescimento do movimento feminista, a mulher tem alcançado cada vez mais, apesar de lentamente, lugares antes negados a elas. Essa ascensão permitiu-lhes questionar os dogmas sociais dentro dos quais estão inseridas. Dentro da pesquisa histórica, fatos já dados como verídicos puderam ser questionados. O seu desenrolar, seus protagonistas e suas consequências. Há uma música que diz que “a força deixa a … Continuar lendo O Feminismo mudou a história?

Elas também podem

                                                                                                                                                                                             Natália Lima

Ainda hoje, podemos perceber a forte desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho, principalmente nas áreas de ciências e tecnologias. Como diz a autora Elizabeth Bortolaia, no texto “Des-construindo gênero em ciência e tecnologia”: “É comum se ouvirem explicações simplistas sobre a realidade de que as coisas são do jeito que são em virtude de homens serem homens e mulheres serem mulheres.” A naturalidade com que essa divisão é vista pela sociedade causou profundas conseqüências psicológicas, de comportamento e sociais.

Elas Fundo de Investimento Social, é um projeto que há mais de 15 anos, investe exclusivamente nos direitos e no protagonismo feminino ao doar recursos para grupos informais e formais e organização de mulheres em todo Brasil, além de promover seu fortalecimento institucional. São milhares de mulheres de diferentes etnias, raças, orientações sexuais, histórias de vida e perspectiva direta e indiretamente apoiadas todos os anos em projetos que somam diversidade, transversalidade e inovação.

Entre esses projetos foi criado o “Elas nas Exatas” que tem o objetivo de contribuir para redução do impacto das desigualdades de gênero nas escolhas profissionais e no acesso à educação superior das estudantes. É a primeira vez que o ELAS lança um concurso com foco em educação, ciências exatas e tecnologias.

Lançado no de 03 de agosto de 2015, o concurso recebeu 173 propostas de todo o país. Foram selecionados 10 projetos que serão realizados com alunas do ensino médio de escolas públicas e voltados para estimular as meninas a se envolverem com as ciências exatas e tecnologias, sensibilizando a gestão escolar. Oficina de circuitos elétricos, aula-performace sobre mulheres cientistas, capacitação em robótica, programação com software livre, produção de webseries sobre a atuação de mulheres negras na história das ciências, criação de peixes e hortaliças com uso da técnica aquaponia e capacitação na área automobilística através do desenvolvimento de um veículo são algumas das ações previstas nos projetos aprovados. Cada projeto receberá 30 mil reais. Todas as informações estão na pagina “Elas Fundo de Investimento Social” no facebook.

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Foto tirada da página Nativas Digitais no facebook

Entre os aprovados está o projeto, Nativas Digitais da Fundação Casa Paulo Dias Adorno, localizada em Cachoeira-Ba. Que tem como objetivo especializar meninas na área de ciências exatas e tecnologia. O projeto foi aprovado em 2° lugar, o que sem dúvidas é motivo de grande orgulho para o povo cachoeirano. Em entrevista, Marcelino Gomes de Jesus, diretor da fundação, relatou que foi feita uma parceria com Colégio Estadual da Cachoeira (CEC), onde estão sendo realizadas as aulas, todos os sábados. A seleção foi feita através de um questionário que foi passado em todas as salas de aulas do colégio, onde foram selecionadas 27 meninas, o curso iniciou no dia 12 de março de 2016 e tem a durabilidade de 9 meses. Marcelino concluiu dizendo: “Nosso objetivo é mostrar para essas meninas que elas são capazes de trabalhar onde elas quiseram.”Foto tirada da página Nativas Digitais no facebook

É através de projetos como esse que o mundo pode se tornar mais igualitário. Dando as mulheres a oportunidade de mostrar que elas são capazes de esta onde elas quiserem. E mostrar para a sociedade que a diferença de gênero não interfere nem para melhor, nem para pior nos seus atos. Para Elizabeth Bortolaia “É tempo de mudar a nossa maneira de conceber as diferenças sociais se quisermos que as nossas realidades não sejam totalizadoras e que as nossas vidas reflitam as possibilidades de não-dominação. A questão não é apenas de diferença entre homens e mulheres, mas, sobretudo de desigualdade. A preservação e o cuidado com as diferenças é a parte do projeto de reconstrução de um mundo mais igualitário.”

 

 

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