Projetos sociais incentivam jovens de Cachoeira a se aproximarem da dança

Grupos como GAMGE, EX-13 e Raízes do Ébano possibilitam a integração dos jovens, desenvolvendo sensibilidades e vocações.

Lucas Mascarenhas

Projeto sociais ligados à dança tem se tornado mais uma opção de aprendizagem entre os jovens da cidade de Cachoeira. O incentivo na maioria das vezes parte dos próprios veteranos que, em suas apresentações, compartilham vivências e atraem a atenção de todos aqueles que se passam a se interessar pela dinâmica desta forma de expressão artística.

O grupo Afro GAMGE nasceu com a iniciativa de reunir estudantes do ensino público e aproximá-los da dança. Os jovens ensaiam durante semanas e se apresentam em eventos da própria cidade. Quando ocorrem convites e conseguem patrocínio, as apresentações são levadas para fora de Cachoeira.

Segundo a estudante Marielia dos Santos, 19, a instituição GAMGE sempre despertou nela um certo interesse. “Sempre me identifiquei com a dança, e quando soube que poderia participar de um grupo em uma instituição que eu já conhecia só aumentou meu interesse”. Atualmente o grupo se encontra desativado porque as regras do mesmo não permitem que alunos maiores de 18 anos permaneçam nele.

Grupo EX-13, formado por ex-integrantes do GAMGE. Crédito: Arquivo pessoal.

O amor pela dança pode ter sido desenvolvido durante a passagem pelo grupo GAMGE, mas foi levado para além dele. Os jovens após completarem 18 anos e saírem do grupo resolveram continuar na dança e seguir o caminho que sempre amaram, criando o EX-13, um grupo sem apoio financeiro de nenhum órgão público e formado exclusivamente por ex-membros do GAMGE. Segundo a estudante Jayne Santos Oliveira, 21, a formação do novo grupo surgiu de um interesse coletivo. “Através da nossa saída do GAMGE formamos esse grupo que começou com treze componentes. Foram as pessoas que saíram da instituição após completarem uma certa idade”. Jayne Oliveira também explica como funciona o ingresso de novos componentes no grupo, “O jovem, tendo interesse, fala com alguns dos membros e fazemos uma votação, se for aceito o jovem terá um mês para passar na fase de testes e se tiver se desenvolvendo ele estará no grupo!”.

Outro grupo cachoeirano que se dedica à dança é o grupo Raízes do Ébano, que reúne crianças entre 4 e 12 anos para aprender um pouco mais sobre a cultura do Recôncavo e incorporar na dança elementos Afro. A professora Romélia Lima criou o grupo como forma de estender os conhecimentos aprendidos em sala. “O grupo surgiu depois que trabalhei com cultura numa escola pública. Era basicamente trabalhar com o reconhecimento das raízes, apresentava eles nas comunidades de Cachoeira e quando o projeto acabou na escola os pais começaram a pedir para continuar com o trabalho fora das escolas”.

Grupo Raízes do Ébano durante apresentação no CAHL. Foto: Lucas Mascarenhas

A importância do reconhecimento de suas raízes e o estudo da cultura Afro são alguns dos pontos principais do grupo. O próprio nome veio de uma pesquisa da criadora que pensou na palavra raízes para os jovens entenderem a sua ancestralidade e ébano em referência à árvore africana, valiosa e de cor preta.

A estudante Evelyn Vitória, 10, acredita na importância da dança Afro para as crianças. “Gosto de dançar no grupo, acho importante porque fala sobre os negros e sobre a África, participo e aprendo ao mesmo tempo”. Sobre as reuniões ela explica que os ensaios se intensificam quando o grupo é chamado para apresentações. “A gente se encontra em um galpão e quando tem apresentação é ensaio quase todo dia, saio do colégio e vou direto pra lá”.

No último dia 3 de agosto o grupo se apresentou no CAHL, como parte das programações para o Julho das Pretas – vivências e experiências de fora para dentro da universidade.

Créditos da foto destaque: Állan Maia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *