A ilusio da liberdade afetiva: poliamor, amor romântico e classificações relacionais de gênero

Autores

DOI:

https://doi.org/10.66983/nos.v7i1.5951

Palavras-chave:

Poliamor, gênero, amor romântico, masculinidades, Pierre Bourdieu

Resumo

Este artigo analisa como feminilidades e masculinidades são produzidas, hierarquizadas e reclassificadas em discursos de adeptos do poliamor. Com base em pesquisa qualitativa realizada em ambientes digitais e presenciais aplicativo Feeld, grupos de Facebook, observação participante, etnografia digital, questionário e entrevistas semiestruturadas, o texto examina a tensão entre a crítica poliamorista ao amor romântico e a permanência de disposições generificadas na organização do desejo, do ciúme, da responsabilidade afetiva e do reconhecimento. O referencial teórico articula a sociologia relacional de Pierre Bourdieu, especialmente as noções de doxa, habitus, illusio, capital simbólico, violência simbólica e dominação masculina, com contribuições dos estudos de gênero e da sociologia da intimidade. Argumenta-se que o poliamor desloca a moral da fidelidade sexual para uma moral da comunicação, da negociação e da transparência, mas não elimina automaticamente as classificações androcêntricas que autorizam de modo desigual o desejo múltiplo masculino e feminino. A contribuição do artigo consiste em propor a noção de classificações afetivas de gênero para compreender os esquemas que definem quem pode desejar, quem deve cuidar, quem precisa justificar sua liberdade e quem é reconhecido como sujeito amoroso legítimo.

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Publicado

2026-10-01