A hipermasculinidade dos super-heróis e o (curto) circuito da violência:
análise da prática cosplay por pessoas queer
DOI:
https://doi.org/10.66983/nos.v7i1.5998Palavras-chave:
hipermasculinidade, queer, performatividade, super-her´óis, violênciaResumo
Este artigo analisa como narrativas de super-heróis produzem e reforçam modelos de hipermasculinidade que articulam corpo, dor e violência como tecnologias de gênero. A partir de autores como Judith Butler, Raewyn Connell, Axel Honneth, Paul B. Preciado e Teresa de Lauretis, demonstra-se que a masculinidade hegemônica opera por meio da performatividade, da abjeção e da reificação, convertendo o corpo masculino em objeto de disciplina, prova e espetáculo. A musculatura e a dor funcionam como dispositivos de status que afastam os homens do feminino, do infantil e da homossexualidade, consolidando uma lógica cultural em que a violência é naturalizada como expressão legítima de virilidade. O artigo também evidencia que a cultura dos super-heróis, amplificada pela mídia global, reforça ideais corporais e morais centrados em força, invulnerabilidade e domínio, contribuindo para pedagogias de masculinidade que exigem constante superação e negação da vulnerabilidade. Contudo, ao analisar relatos de cosplayers gays, o estudo revela a possibilidade de um curto‑circuito nesse sistema: ao se apropriarem da estética hipermasculina, esses sujeitos desestabilizam sua função disciplinar e expõem a artificialidade da norma. O cosplay queer transforma a hipermasculinidade em performance lúdica, comunitária e, por vezes, erótica, abrindo espaço para formas alternativas de viver o gênero e rompendo o circuito da violência. Assim, o artigo demonstra que, embora os super-heróis funcionem como tecnologias de gênero que reforçam hegemonias, eles também podem ser reapropriados como ferramentas de resistência e reinvenção identitária.
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