A política da misoginia:

da regulação íntima à radicalização digital

Autores

  • Larissa Pelúcio
  • Bruna Camilo

DOI:

https://doi.org/10.66983/nos.v7i1.6054

Resumo

Este artigo examina a misoginia como operador relacional constitutivo das relações de gênero na contemporaneidade, e não como fenômeno externo a elas. Tomando como fio condutor o caso do assassinato de Ângela Diniz por Doca Street, em 1976, o texto estabelece continuidades entre os mecanismos de legitimação da violência íntima de gênero então mobilizados e as formas contemporâneas de radicalização digital associadas à chamada machosfera. A argumentação articula a distinção proposta por Kate Manne entre misoginia, como sistema de vigilância e punição, e sexismo, como ideologia naturalizadora, à leitura de Raewyn Connell sobre a masculinidade hegemônica e sua crise, e à tradição discursivo-performativa de Joan Scott e Judith Butler, que trata a relacionalidade como mecanismo de produção da assimetria de gênero, e não como seu oposto. O artigo dialoga ainda com Rita Segato, Silvia Federici, Michael Kimmel e Federica Gregoratto, além de mobilizar dados do Censo 2022 do IBGE sobre escolaridade e fecundidade das mulheres brasileiras. Argumenta-se que a persistência da misoginia responde ao enfraquecimento de privilégios masculinos historicamente naturalizados, adquirindo novas escalas e velocidades de difusão no ambiente digital.

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A Política da misoginia: da regulação íntima à radicalização digital – Larissa Pelúcio;

Bruna Camilo – p. 7-28

Página 28

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Publicado

2026-10-01