Animais de rua e a proliferação da leishmaniose em Cachoeira

Nos últimos 5 anos, já houve 37 casos de leishmaniose nas regiões urbana e rural da cidade, segundo dados da Secretaria de Saúde.

Rachel Mercês

(Foto/Reprodução: Bicho de Apê)

A Leishmaniose é uma doença parasitária transmitida pela picada do mosquito flebotomíneo, popularmente conhecido como mosquito-palha. Trata-se de uma doença sistêmica grave, agressiva, de curso lento e crônico. Ela provoca feridas abertas e dolorosas na pele, que podem levar a deformações permanentes. É uma doença infecciosa não contagiosa, sendo contudo, o cachorro, o hospedeiro intermediário. Se não tratado, o paciente pode vir a óbito em 90% dos casos.

A cidade de Cachoeira possui cerca de seis mil animais em seu território, estando a maioria deles presentes na área rural. A parte esmagadora desses animais se encontra em situação de rua, estando enfermos psicologicamente e fisicamente. Visto que Cachoeira é uma cidade endêmica e a quantidade de animais abandonados só cresce a cada dia, é preciso se atentar para o fato de que o abandono de animais nas ruas é uma questão de saúde pública, como ressalta Lívia Karla Gomes, Agente Comunitária de Saúde do município. “Cachoeira é uma cidade endêmica mesmo, e existe a questão forte da Leishmaniose. O cachorro contaminado é o vetor da transmissão da doença, é um hospedeiro intermediário. A doença mesmo é transmitida com a picada do mosquito”. De acordo com o Ministério da Saúde, há cerca de 700 mil cachorros infectados em todo o país.

A proliferação da doença se dá por conta da falta de higiene ambiental e do acúmulo de resíduos orgânicos, já que o mosquito se instala em ambientes não regularmente limpos.
A partir de pesquisa feita no ano de 2009 pela Associação dos Geógrafos Brasileiros, que analisou o território do Recôncavo, Cachoeira contava com 50 casos de contaminação da doença, estando em primeiro lugar frente a outros municípios. Atualmente, a cidade não mais ocupa o primeiro lugar no ranking, contudo, os números ainda expressam que a situação da leishmaniose no município é uma calamidade e precisa ser tratada. Só neste ano de 2017 já se contabilizam três casos, estando mais dois aguardando aprovação para tratamento. “A gente tem tentado controlar o número de casos da Leishmaniose, mas faltam muitos recursos. Não tenho como fazer tudo sozinha, falta muito apoio do Estado nessa questão e com isso temos um problema sério porque a cada dia tem mais animais abandonados nas ruas e cada vez menos a gente tem condições de cuidar dos pacientes que chegam aqui”, diz Cátia Fernandes, Secretária de Saúde do município.

A questão da leishmaniose em Cachoeira é uma pauta de saúde pública urgente e latente pois implica diretamente no bem estar de toda a população que se encontra suscetível à doença. É preciso se atentar para o fato de que o abandono dos animais está diretamente ligado com a qualidade de vida da população cachoeirana e dessa forma, é necessário que medidas ágeis sejam tomadas pela gestão atual a fim de suspender os casos da doença no município, bem como criar estratégias para cuidar dos animais abandonados nas ruas já que cuidar dos animais também é cuidar da cidade e sua população.

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