Belém de Cachoeira tem mais de três séculos de história

Karlos Vynícius

Cachoeira – O distrito de Belém, localizado a 7 Km de Cachoeira, surgiu no século XVII, estabelecido  pelos jesuítas, os quais  construíram e fundaram  na localidade, em 1686, a Igreja Católica de Nossa Senhora de Belém, a qual funcionou como o 1° internato para meninos na América lusitana. Por sua idade tricentenária, a vila  é considerada uma das mais antigas do Recôncavo da Bahia.

Frequentou a localidade por cinco anos, entre 1752 e 1757, Frei Antônio de Sant’ana  Galvão, o qual tornar-se-ia o primeiro santo brasileiro. Em Belém dedicou-se a fazer o primeiro carneiro hidráulico, com o objetivo de bombear água para a região.

Com o passar dos anos, a localidade sobreviveu e ainda sobrevive da agricultura de mandioca, fumo, frutas e avicultura, além de possuir uma fabrica de  derivados de leite. Em termos de estrutura pública,  Belém possui  uma unidade de saúde, escola de nível fundamental I e II, além de uma filarmônica em processo de implantação.

Belém de Cachoeira, possui uma comunidade bastante hospitaleira e acolhedora, a exemplo de Gilson da Oficina de bicicleta e Dona Angelina Cordeiro, popularmente chamada  como ‘Dona Neném’, a qual é  ampla conhecedora da história local, além de ser uma grande liderança da comunidade, pois foi a primeira vereadora eleita de Cachoeira na década de 1970.

Dona Neném, mãe de 13 filhos ainda vivos, junto com sua equipe é responsável por produzir licor de diversos sabores, os quais são feitos utilizando-se frutos naturais colhidos, sempre preocupando-se com a preservação ambiental e livres de conservantes. Estes licores são comercializados para diversas cidades como Salvador e Feira de Santana, além de outros estados como, por exemplo, Sergipe.

Patrimônio histórico, artístico e religioso do Recôncavo tem mais de três séculos de existência.
Patrimônio histórico, artístico e religioso do Recôncavo tem mais de três séculos de existência. Foto: internet.

A comunidade aparenta ser um local extremamente sossegado, apesar de haver alguns casos de furtos, relatados por moradores. “Para mim, isso aqui é o paraíso, apesar de tudo  é sossegado. Pego meu livro vou ler, pego meu terço, vou rezar.” comenta Dona Neném, que demonstra também a forte religiosidade do povo local, que ainda preserva costumes ditos “esquecidos” como pedir “bença tia Neném” ao vê-la na sua varanda.

Apesar da intensa religiosidade local, a Igreja de Santo Antônio de Santana Galvão, padroeiro da comunidade, encontra-se em elevado estado de deterioração, devido à falta de investimentos em conservação do patrimônio histórico, como também o peso de seus mais de 3 séculos de existência. Porém com a recente elevação do templo da categoria de ‘igreja’ para a categoria de ‘santuário’, imagina-se um maior empenho dos setores públicos locais para a conservação do  espaço. Todos os anos é realizada uma caminhada, partindo da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário em Cachoeira, para a localidade como uma forma de atrair cada vez mais a atenção popular para a comunidade.

Belém ainda preserva seus costumes de ‘vila do interior’ o qual as pessoas sentam nas portas do fim da tarde para ‘prosear’, por isso mesmo, merece maior atenção dos órgãos  públicos quanto a segurança, e investimentos em infraestrutura, que  ajudem a melhorar a qualidade de vida de seus habitantes. A vila é considerada patrimônio histórico, artístico e religioso do Recôncavo, o que atrai inúmeros turistas para a região.

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