Carroça: O desafio de um transporte que ainda sobrevive na cidade entre carros, caminhões e pedestres

Edgard Abbehusen

Cruz das Almas – O superintendente de Trânsito e Transportes de Cruz das Almas, Deraldo Conceição Nunes, anunciou que  medidas estão sendo tomadas para se organizar o trânsito na cidade, inclusive no que se refere ao transporte de tração animal. “Iremos fazer, em breve, uma reunião para orientar e numerar essas carroças, para que haja um maior controle e organização do segmento.”, afirmou.

Enquanto isso, as carroças  vão e vêm pelas ruas da cidade, entre veículos e pedestres. Os carroceiros, que utilizam esse meio como fonte de renda da família,  tem seus serviços requisitados por muitas pessoas, principalmente  para coletar materiais de construção ou entulhos e realizar mudanças.  

Na Rua da Mata, na cidade de Cruz das Almas, próximo ao depósito de uma cervejaria, fica um ponto com aproximadamente dez carroceiros aguardando a sua vez para realizar o trabalho. Estima-se entre eles que mais 20 estejam em outro ponto da cidade, sem contar os que aguardam em casa pelo serviço.

Há nove anos trabalhando como carroceiro na cidade, Nilvando Oliveira do Carmo, 37, diz que essa é a sua única fonte de renda, já que sua mulher não trabalha. No entanto ele tem sofrido com a concorrência, pois o “movimento já foi melhor, mas depois que depósitos de material de construção começaram a colocar carro para  o transporte, a procura caiu”, reclama.

As carroças ainda são problemas para várias cidades brasileiras e até mesmo em algumas capitais. Em uma atitude polêmica, por exemplo, a prefeitura da cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, vai começar a retirar as carroças das ruas no inicio de setembro. Porém, para não deixar desamparados os carroceiros que se sustentam com o trabalho, a prefeitura da cidade desenvolveu um programa que qualifica essas pessoas para buscarem novas ocupações, através de cursos de marcenaria, informática, construção civil, elétrica, artesanato e até mesmo culinária. A ação prevê uma verba total de R$ 18 milhões, com uma parte do financiamento feito pelo BNDS.

 Cuidados com os animais

 

Sobre os cuidados com o animal, o carroceiro Nivaldo afirma que todos os dias alimenta o seu cavalo, porém o calçamento é um dos problemas enfrentado por ambos. “Tem que chapear sempre, tem que andar chapeado.”, diz. Quando mal feitos, o casqueamento (aparar o casco) e o ferrageamento (colocação das ferraduras) interferem em toda a estrutura óssea e na musculatura, causando fortes dores no animal.

Por sua vez, os veterinários apontam outros problemas e afirmam que os cavalos que passam o dia respirando monóxido de carbono, expelido pelos carros, além da desnutrição e verminoses, são alvo fácil para Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que rompe os alvéolos pulmonares.

 

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