Casa de Cultura de São Félix: a história sobrevive

Tarcila Santana

 

O prédio que hoje dá lugar a Casa da Cultura Américo Simas carrega no próprio nome traços da sua longa história. Ele existe desde 1873, quando abrigava uma antiga fábrica de charutos alemã, mas só em 1984 foi adquirido e reformado pela prefeitura da época e transformar-se no que temos nos dias atuais. O espaço recebeu este nome em homenagem a um grande arquiteto nascido na cidade e serve como uma casa multiuso para a comunidade.

No início da sua atuação como Casa da Cultura havia um movimento muito intenso. O governo vigente naquela época foi um incentivador daquele espaço e promovia diversas atividades, que variavam entre oficinas artísticas e cursos profissionalizantes. Mas ao longo do tempo, o imóvel foi se desgastando e passou por diversas reformas, o que começou a alterar a dinâmica de funcionamento do ambiente.

Atualmente o local é utilizado para reuniões e projetos de alguns setores da prefeitura (agricultura e esporte), além de abrigar oficinas de dança, grupos de artesanato e capoeira, e guardar algumas peças símbolos de tradições populares – o bumba meu boi, a cabocla do 2 de julho e a boneca bibizona, criação da casa, são alguns dos objetos utilizados em desfiles e mostras culturais. Há também uma oficina de carpintaria, que fabrica e reforma as cadeiras das escolas. Além disso, a casa realiza, há 14 anos, o tradicional espetáculo da Paixão de Cristo.

O espaço é considerado como uma casa-mãe pela atual diretora, Beatriz da Conceição. Ela viu-se envolvida com o lugar bem antes de ele ser o que é hoje. “Me orgulha muito estar nesta casa, é um misto de orgulho e frustração…no sentido de querer fazer mais por este lugar e deixar ele do jeito que a comunidade merece. Mas esse sonho ainda vai se realizar e eu sei que aqui já deixei o meu tijolhinho de contribuição”, revelou.  A carência de manutenção constante e a contenção de verbas pela prefeitura são alguns dos motivos pelos quais a diretora afirma que a casa não está como deveria ser. Segundo ela, o espaço ainda precisa passar por uma reforma geral de recuperação.

A Casa da Cultura Américo Simas é tombada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) e mantida pela prefeitura desde sua fundação. Seu acervo histórico é bastante acessado por estudantes brasileiros e estrangeiros para pesquisas e estudos sobre a história do Recôncavo e suas vivências, constituindo-se como um dos grandes patrimônios da região.

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *