Cores, gostos e aromas de São Luís

Dos azulejos à culinária, a capital do Maranhão mostra história e cultura para quem passeia nas suas ruas

Por Adrielly Novaes

Quando cheguei em São Luís já era noite, tive que guardar um pouco a ansiedade e adiar para o dia seguinte o encontro com as cores do dia ludovicense. Eu que sou uma amante de cidades coloridas, logo me decepcionei, a cidade estava cinza, as praias são escuras e quando menos esperávamos a chuva caía, uma agonia só.

No entanto, bastou andar no Centro Histórico que o olhar mudou. Um gigante tapete de bandeirolas coloridas decorava as ruas de São Luís, um verdadeiro espetáculo. A Rua Portugal, uma das mais famosas, era um escândalo de beleza. Passou a ser chamada assim por volta de 1906 e ao contemplar os sobrados, é possível observar que na rua se concentravam os estabelecimentos comerciais mais importantes da época de sua construção. Dessa forma, a rua foi um polo de desenvolvimento da cidade.

Sobre as chuvas, me disseram que era assim mesmo e que o céu maranhense não avisa. Quando menos se espera, as nuvens aparecem e as pessoas logo abrem o guarda-chuva. Aí é artista correndo, vendedores guardando material. Mas não demora muito do sol nos saudar novamente.

O Boi: verdadeiro protagonista do São João

A cidade dos Azulejos também é a cidade da festa junina. É irrefutável, São João para os ludovicenses é coisa séria. À primeira vista até é parecido com os demais festejos juninos do nordeste afora. Muita cor, muita música, e gente animada. No entanto, esqueça a fogueira, o protagonista da festa é O Boi.

Narram que Catirina grávida desejou comer a língua do boi mais precioso e bravo da fazenda. Seu marido, Pai Chico, um escravo, matou o boi para satisfazer sua mulher, despertando a raiva do patrão. O enredo da história se encerra com alegria, após o boi ressuscitar. Algumas pessoas contam que a ressurreição se deu com a ajuda de seres mitológicos, outras dizem que foi com auxílio de pajés e curandeiras. O importante é que o boi continua vivo em todo o Maranhão, reunindo pessoas de todas as idades, classes e cores. E põe cor nisso. Toda encenação é feita com muito primor, rostos de todos os tipos contemplam o brilho e as luzes da festa.

O cuxá

Quem passeia pelas barracas dos arraiais se surpreende, o milho aparece bem pouco, paçoca você não encontra, amendoim cozido? Não vi uma casca. A maioria dos pratos dá lugar a receitas feitas com peixe, como a famosa torta de camarão e carangueijo e, se quiser comer canjica, melhor pedir mingau de milho.

Depois da minha chegada a São Luís, não demorou muito para me avisarem: eu tinha que experimentar o prato tradicional do estado. O arroz de cuxá se faz tipo o bolo de rolo de Pernambuco ou o dendê na Bahia, você não pode pisar no estado e sair sem experimentar. O cuxá é basicamente um molho feito à base das folhas de vinagreira. O famoso arroz é preparado com muito camarão seco e cuxá. Experimentei em duas versões, a tradicional e outra um pouco mais cremosa.

O pacote é completo ao degustá-lo com o Guaraná Jesus, refrigerante feito no próprio Maranhão. Este eu dispenso. Muito doce, apesar da cor atrativa e embalagem elegante, que remete aos azulejos da cidade – estaria mentindo se dissesse que não trouxe um pra Bahia. Um bolo de tapioca de sobremesa e pode-se dizer que conhecemos um pouco da Ilha do Amor.

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