Cresce o número de assaltos a transporte alternativo no Recôncavo Baiano

Usuários de vans se assustam com a frequência dos assaltos e procuram outros meios para irem às cidades vizinhas.

Flávia Santos

O índice de assaltos a transporte alternativo da linha COOTAM que circula entre Cruz das Almas e Cachoeira vem crescendo muito. Segundo relatos de alguns motoristas a forma utilizada pelos assaltantes é sempre a mesma: os bandidos entram como passageiros e no decorrer do trajeto anunciam o assalto, saqueando os pertences das vítimas.

No dia 17 de julho, um carro foi tomado de assalto pela manhã, no Sanca, entre Cruz das Almas e Governador Mangabeira onde duas pessoas acabaram sendo baleadas. O cobrador Ygor Brandão foi baleado no rosto, passou por uma cirurgia e seu estado de saúde é estável, e um passageiro de 72 anos, não identificado, levou um tiro na cabeça de raspão e passa bem. Logo após o acontecimento, motoristas fizeram uma manifestação em frente ao quartel da Polícia Militar localizado na entrada da cidade de Cruz das Almas, e foram em seguida até Governador Mangabeira. A mobilização durou cerca de quatro horas, com os trabalhadores da cooperativa reivindicando mais segurança nas rodovias.

Segundo o presidente da Cootam, Reginaldo Souza de Oliveira, que está no posto há quatro anos e seis meses, a manifestação está dando resultados, a polícia já vem se mobilizando, fazendo blitz dentro da cidade e em cidades vizinhas, em horários alternados para tentar inibir os assaltantes. Diz que, infelizmente, os bandidos vem fazendo esses arrastões em transportes pelo fato das vítimas serem “presas fáceis”, já que a maior parte dos usuários são estudantes que deixam celulares e notebooks visíveis.

Ainda segundo Reginaldo, esta foi a primeira vez que os motoristas fizeram uma mobilização com o intuito de pedir mais segurança. Já fecharam a rodovia outras vezes, mas foi numa manifestação contra a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba). Ele conclui dizendo que é importante divulgar os assaltos, registrar a ocorrência, mesmo correndo o risco de que as pessoas possam deixar de utilizar o transporte. Caso esse problema não seja amenizado eles pretendem fazer mais manifestações.

De acordo com estudantes do curso de Comunicação Social – jornalismo da UFRB, do campus de Cachoeira, a partir do momento que eles entram em uma van se sentem muito inseguros, por não saberem quem ao certo irá utilizar o transporte. “Uma sensação de medo e vulnerabilidade a todo instante, há trechos que fico mais apreensiva, é claro que gostaríamos de um transporte mais seguro, mas fazer o que? É orar e pedir proteção a Deus!”, diz Ivana Moreira.

Anaize Rodrigues, também aluna do curso, disse que quando percebe algo estranho dentro do carro e fica desconfiada a única reação dela é de parar no ponto seguinte, e é o que ela faz, tentando se prevenir assim de não ser mais uma nas estatísticas da criminalidade. Ela conclui dizendo que durante a semana após o assalto do dia 17, ela presenciou uma blitz a duas vans da linha COOTAN, próximo ao ponto da Cooplan, na cidade de Cruz das Almas, mas acha que essas abordagens aos carros não irão adiante, que é só uma forma de dizer a população que algo está sendo feito.

De acordo com alguns motoristas eles analisam bem para quem parar o carro, principalmente por volta das 18 horas e vão deixar de fazer paradas, em determinados horários, em pontos considerados mais perigosos como na entrada da VCL, cruzamento do São José, Sanca, Trevo e Portão.

Foto da capa: Flávia Santos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *