Desigualdade de gênero e raça, problema que afeta a mulher negra

A Profª. e Drª. Isabel Cristina F. dos Reis fala que “ O preconceito podo vir até mesmo de quem não se espera tal comportamento.
A Profª. e Drª. Isabel Cristina F. dos Reis fala que “ O preconceito podo vir até mesmo de quem não se espera tal comportamento.

 

A Isabel Cristina disse ser politizada sobre o tema preconceito e que está sempre atenta as sutilezas do racismo à brasileira.
A Isabel Cristina disse ser politizada sobre o tema preconceito e que está sempre atenta as sutilezas do racismo à brasileira.

Fotos: Grazzy Farias

Grazzy Farias

Não é de hoje que as mulheres têm se deparado com as desigualdades nas variáveis raça e gênero. Há séculos esse problema existe e tem tirado o sossego de muitas delas. Com isso surge no final do século XIX e inicio do século XX na Europa o movimento feminista, para derrubar esse problema e tornar possível a igualdade de direitos entre mulheres e homens, garantindo a participação também da mulher nas questões sociais de forma igualitária à do homem.
No século XX, especificamente nos anos 60 surge as lideres negras, para dar força ao movimento feminista e lutar pelos seus direitos e também de outros grupos e minorias.
Conquistas chegaram, mas ainda nos dias atuais, é possível perceber, que mesmo com tantas vitórias a mulher negra ainda enfrenta dificuldades para ocupar seu espaço no mercado de trabalho, em especial no campo universitário. O motivo disso seria as desigualdades de raça e gênero.
Marcio Pochmann ex-presidente do Instituto de Pesquisa e Economia Aplicada Ipea afirma que as desigualdades de gênero e raça são estruturas da desigualdade social brasileira.
Existem fatores que contribuem para esse mal, e segundo Joselina da Silva em Doutoras professoras negras: o que nos dizem os indicadores oficiais (2010), um dos que mais têm alimentado esse problema, é a conseqüente união existente entre o sexismo (descriminação sexual) e o racismo. Problema este visivelmente percebido e causador da diminuição do número de doutoras negras no âmbito acadêmico.

De acordo com Joselina da Silva (2010), no ano de 2005 o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apontava um total de 63.234 docentes no campo da educação universitária brasileira sendo apenas 251 mulheres negras. Ou seja, o número ainda é pequeno se comparado com o número de homens negros e brancos com doutorado.

Rebeca Reichman (1995) fala que o não acesso às estatísticas que documentam as diferenças raciais em especial de meninas e mulheres negras, acaba dando força à ideia de que no Brasil não existe racismo nas formas de subordinação da mulher negra.

Cada vez mais as mulheres têm lutado com firmeza pelo seu espaço no campo universitário, na ciência e na tecnologia. Marilia Gomes de Carvalho em um de seus artigos acrescenta que a presença das mulheres nos centros acadêmicos, nas universidades e nas carreiras científicas se fez a partir de obstáculos e desafios. E que durante anos o homem exerceu exclusivamente a prática científica. Tendo o mundo científico construído apenas códigos androcêntricos (tendência quase universal de se reduzir à raça humana ao termo o homem).

A desigualdade de raça e gênero sempre esteve presente na sociedade, e a mulher negra mesmo com isso sempre buscou a cada dia conquistar seu espaço no mercado de trabalho, inclusive na área acadêmica como é caso da Isabel Cristina F. dos Reis, Drª. em Historia Social pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP, 2007). Atualmente ela é Professora Adjunta do Curso de Licenciatura em História da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (CAHL/UFRB), Professora Permanente do Programa de Pós-graduação em História Regional e Local da Universidade Estadual do Estado da Bahia (PPGHIS/UNEB) e membro do Núcleo de Estudos Afro – Brasileiro do Recôncavo da Bahia (NEAB/UFRB), desenvolve pesquisa sobre afro-descendentes da diáspora, mulher e família negra no tempo da escravidão. Nessa pesquisa reúnem-se pesquisadores, como professores e alunos que atuam nesta área de investigação por meio de diversas perspectivas historiográfica. As reuniões correm a cada duas semanas para debater os textos inéditos dos membros da linha e, ocasionalmente para discussão de textos considerados relevantes para os interesses dos membros da linha.

A Profª. e Drª. Isabel Cristina F. dos Reis é autora da pesquisa “Os africanos livres no Jequitinhonha: Bahia, 1851-1864”, na qual foi produzida sem verba para financiamento de pesquisa. Nesse projeto ela apresenta a experiência de vida familiar dos africanos livres na Bahia, e faz uma abordagem com uns dos principais aspectos da pesquisa realizada em sua tese de doutorado A família negra no tempo da escravidão: Bahia, 1850-1888.

A Isabel Cristina contou que, de 2013 a 2014 realizou seu Pós-Doutorado no Departament of Ethnics Studies – University of Colorado at Denver nos Estados Unidos por meio da bolsa de Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) para Estágio Pós-Doutoral.
Nessa universidade desenvolveu a pesquisa “Uma abordagem comparativa acerca do legado cultural africano na experiência de vida familiar negra na sociedade escravista brasileira e norte-americana”, comparando assim as experiências de vida familiar negra no Brasil e na América escravista.

Ela contou que já sofreu e sofre preconceito e desigualdade racial na carreira científica. Falou ainda que o preconceito e a desigualdade racial acontecem em todos os espaços da vida cotidiana do negro brasileiro. Estando assim impregnado no seio da sociedade, sendo reproduzido ora de forma explicita ora de forma subliminar. Podendo vir de todos os lugares.

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