Efeitos da militarização em Maragojipe

A militarização da escola Plínio Pereira Guedes, tem gerado diferentes pontos de vista.

Por: Liane França

PMs responsáveis pela militarização da Escola Plínio Pereira Guedes. Fonte: maragojipe.ba.gov.br

Diante dos casos de desordem, tráfico de drogas e violência que vem acontecendo em todo país, a militarização das escolas tem sido uma das alternativas buscadas para combater essa realidade. Maragojipe, por exemplo, é a primeira cidade do Recôncavo Baiano a adotar esse método, que segundo o vereador Fernando Luiz Ribeiro, teve resultados bastante positivos nas cidades onde esse sistema já foi implantado.

O modelo disciplinar é um projeto da Polícia Militar que começou a ser aplicado em abril de 2018, na Escola Municipal Professora Altair da Costa Lima, na cidade de Dias D’ávila, região metropolitana de Salvador.

O Vetor Disciplina é uma colaboração das prefeituras municipais com a Polícia Militar, que enxergam o método disciplinar aplicado nas CPMs como fundamental para o melhoramento dos índices educacionais da rede de ensino. As prefeituras bancam a implementação do sistema e gerem as escolas, a Polícia Militar disponibiliza policiais em reserva para atuar no âmbito educacional.

O projeto de implementação do ensino militar em Maragojipe, na escola Plínio Pereira Guedes foi fruto de um termo de cooperação assinado em outubro do ano passado entre a Polícia Militar e a prefeitura de Maragojipe. De acordo com a secretária de educação do município, Marly Medina, o objetivo do acordo é proporcionar a melhora do desempenho escolar dos jovens através do padrão de hierarquia e disciplina já adotado nos colégios da Polícia Militar, sem interferir no conteúdo pedagógico.

No entanto alguns pais tem questionado a eficácia desse sistema de ensino. Uma mãe, que não quis ter seu nome divulgado, afirma que sua filha que é adepta ao candomblé, está revoltada por não poder usar branco nos dias de resguardo. “Acho que, independente das regras e normas de fardamento, ao provarmos que fazemos parte de uma religião e que também temos nossas obrigações, elas deveriam ser respeitadas.” Segundo o tenente Luiz Fernando dos Santos, multiplicador do Vetor Disciplina nas escolas da região que a 27ª CPM abarca, seria mais viável encaminhar essa aluna para outro núcleo de ensino, visto que abrir exceções, ainda que seja por questões religiosas, acaba desarticulando o cumprimento das regras já estabelecidas.

 

Apresentação do fardamento para a população. Fonte: maragojipe.ba.gov.br

De acordo com a professora de Língua Portuguesa Lilian Denise, existe uma grande diferença entre as escolas que já surgiram como instituição militar, onde os alunos já entram sabendo do sistema e as escolas públicas que precisam se adaptar a essa nova realidade. Nestes casos muitos alunos se opõem a esse novo modelo institucional. Para ela essa é a maior dificuldade.

Toda tentativa com o intuito de melhorar a educação deve ser levado em conta, porém, é importante permanecer apenas o que realmente tem funcionado.

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