Estudantes buscam alternativas econômicas para garantirem permanência na universidade

 Discentes criam estratégias para custear seus gastos devido à falta de uma assistência adequada.

Elen Diana

Adailane dos Santos, 23, moradora do povoado de Pernambuco, zona rural de Muritiba e estudante de Comunicação Social /Jornalismo, fala da falta de suporte para obtenção de bolsas no Centro de Artes Humanidades e Letras. Revela o seu desconforto por residir em outra cidade e necessitar do auxilio para pagar despesas como xerox, transporte e alimentação, visto que é de família humilde e precisa do Programa de Permanência Qualificada – PPQ.

Trata-se de um programa para alunos que se encontram em condições de vulnerabilidade e comprovam pouca renda. Entretanto, é um planejamento insuficiente tendo em vista que, a cada ano que se passa, o número de vagas diminui e muitos discentes não conseguem a bolsa. Em 2016 eram vinte vagas, agora são somente cinco. A discente afirma que vem procurando adequar-se ao programa, já tendo participado de duas seleções, mas que ainda não conseguiu. Diz que sua renda como revendedora da Jequiti [conhecida marca de cosméticos] é pouca, por isso conta com a ajuda de sua mãe, única em sua casa que recebe proventos, mas que, sendo hipertensa, tem contínuos gastos com remédios.

Maria Cristina da Graça, assistente do setor administrativo da PROPAAE, assegura: “A vulnerabilidade é apenas a porta de entrada para a seleção. O importante é olhar o aluno por inteiro, visando o que tem mais dificuldade e que o educando não se esqueça dos seus direitos e deveres, ou seja, como pode fazer para melhorar seu trabalho, fazendo as atividades, não faltando às aulas e mantendo seu desempenho excelente”. Diz ainda que alguns estudantes não têm dado a mínima atenção aos procedimentos, porque, uma vez que só entram alunos e não saem, não tem como abrir uma nova seleção para os novatos; que um pequeno número de acadêmicos estende o curso que era para concluir em quatro anos para mais de cinco anos, ocupando a vaga de outro. “Devido aos cortes do governo, as bolsas dentro da universidade têm sido reduzidas, por isso inclui os mais desprotegidos’’, alega Edilene Silva, também funcionária do setor.

Portanto, uns se organizam como podem, fazendo/criando bazares, vendendo lanches, revistas de cosméticos no intervalo das aulas. Já outros se sentem obrigados a abandonar os estudos nos primeiros meses por carência de uma assistência adequada.

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