Estudantes quilombolas e indígenas temem cortes de bolsas

Ivana Moreira

Estudantes quilombolas e indígenas que ingressaram nas universidades federais de todo Brasil neste ano de 2018, aguardam pela abertura das inscrições do Programa Bolsa Permanência (PBP) do governo federal.

O auxílio financeiro mensal é pago pelo Ministério da Educação (MEC) e a bolsa equivale ao valor de R$ 900,00 pois trata-se de uma reparação social amparada pela constituição federal. Este recurso é utilizado pelos alunos para custear seus gastos com alimentação, moradia, transporte, além de ser a única forma de garantir a permanência desses estudantes dentro das universidades.

Como justificativa a suspensão dos novos auxílios o MEC alegou que já chegou no seu teto máximo orçamentário. Em uma última reunião em Brasília, o Ministro da Educação Rossieli Soares da Silva propôs a abertura de apenas 800 vagas. Preocupados com a sua permanência na universidade, os estudantes quilombolas e indígenas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) estão se mobilizando para lutarem pelos seus direitos.

A estudante Hamangaí Marcos melo Pataxó, do povo Pataxó hã hã hae, estudante do terceiro semestre de medicina veterinária, ressalta a importância da articulação estudantil diante dessa situação. “É necessário a união e articulação de nós estudantes indígenas e quilombolas da UFRB. Tivemos um primeiro momento de discussão com representantes indígenas e quilombolas discutindo e dialogando nossa real situação”. Hamangaí afirmou que os estudantes solicitaram apoio do reitor da UFRB Sílvio Soglia e relata que a universidade está disposta a dialogar com os alunos.

A permanência neste espaço de conhecimento que é a universidade está ameaçada com os cortes dessas bolsas. “Não é fácil um indígena chegar até a universidade e muito menos permanecer nesse espaço onde acaba sendo um espaço de disputa de poder” e completa: “Recentemente um estudante de Engenharia Florestal desistiu do curso”.

O estudante de Jornalismo Jelson Júnior, quilombola de São Francisco do Paraguaçu – Cachoeira, está atualmente recebendo o benefício, mas afirmou sentir receio diante desses cortes: “Todos os meus colegas estão recebendo, mas tememos a todo momento que esse corte venha acontecer”.

Já a estudante de Cinema e Audiovisual Ivanessa Moreira, quilombola da Vila Guaxinim- Cruz das Almas, afirma estar buscando formas de enfrentar essa situação:” Estamos com uma petição pública onde buscamos assinaturas. Continuaremos nos reunindo para conseguir novas estratégias”,concluiu a estudante.

 

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