Fotógrafos da Bahia – PERFIS

Catia Lima[1]

Valéria Simões: o Recôncavo por um olhar de artista                       

Figura 1 - Valéria Simões (Foto: Catia Lima. 2014).
Figura 1 – Valéria Simões (Foto: Catia Lima. 2014).

Valéria Simões, fotógrafa baiana, natural de Muritiba, iniciou sua carreira na década de 1990. Graduou-se em Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes da UFBA e ao longo dos seus vinte e poucos anos de carreira participou de mais de 100 exposições individuais e coletivas   em cidades como Salvador, Maceió, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Paris e Montreal. Ela já trabalhou como fotógrafa em vários filmes, tais como os longas Memórias Póstumas de Braz Cubas, Mr. Abrakadabra! e Trampolim do Forte – além de documentários e outros. Também ministrou cursos e palestras, realizou diversas curadorias, dentre elas a da XV Bienal de Arte Fotográfica Brasileira em Cores, realizada em Salvador em 2007.

Em sua trajetória, Valéria Simões recebeu alguns prêmios, como o da II Convocatória Ibero-americana de Fotografia de Arte em Blanco & Negro – Save the Children – Lima – Peru, em 2005 e o Prêmio Aquisição na IX Bienal do Recôncavo, promovida pelo Centro Cultural Dannemann, São Felix – BA, em 2008. Seu trabalho é bastante diversificado, podendo-se destacar os registros de pessoas, eventos, espetáculos, paisagens e aspectos culturais e artísticos diversos. As fotos que tem produzido no Recôncavo da Bahia trazem uma característica marcante do seu trabalho: um apurado olhar para a composição, a valorização do grafismo e, mesmo nas fotos onde privilegia os traços da cultura regional, ressaltando seu interesse pela valorização das cores, das formas e da plasticidade que agregam às suas composições um caráter autoral.

Adenor Gondim: a cultura do Recôncavo em primeiro plano

Figura 2 - Adenor Gondim (Foto: Catia Lima. 2013).
Figura 2 – Adenor Gondim (Foto: Catia Lima. 2013).

Adenor Gondim iniciou sua carreira tirando foto 3 x 4 no sertão da Bahia, como ajudante do pai em sua cidade natal, Rui Barbosa. Depois se mudou para Itabuna em janeiro de 1965. Em 1972 foi morar em Salvador, onde se formou em Biologia pela Universidade Federal da Bahia – UFBA, mas foi a fotografia que ele escolheu como meio de expressão e sobrevivência. Participou de diversas exposições em cidades como Salvador, Recife, Aracaju, Brasília, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Londres. Em 1993 organizou em Salvador o I Seminário da Religiosidade Popular da Bahia. Entre exposições coletivas das quais participou pode-se destacar a Bienal de Valencia, na Espanha, em 2007; a L’exposition Bresil, l’heritage africain, no Musée Dapper de Paris, em 2005; Acts of Faith – Brazilian Contemporary Photography, no Pitt Rivers Museum, da University of Oxford, na Inglaterra, em 2001. Ele também produziu fotos que fazem parte da tradicional Coleção Pirelli-Masp, dos acervos da Pinacoteca do Estado de São Paulo e do Museu Afro-Brasileiro. Seus trabalhos circulam o país e o mundo por meio de publicações em revistas, livros, jornais e pela internet, onde mantém o blog Apenas Bahia, Apenas fotografia.

Atualmente com mais de 30 anos de profissão, ele continua trabalhando como freelancer na área de fotojornalismo e diz não ser artista, intitulando-se retratista. Ao observar sua produção nota-se que ele adotou como tema mais constante e representativo do seu trabalho a religiosidade popular com suas manifestações de fé. Gondim construiu um vasto acervo fotográfico pessoal acerca da religiosidade afro-brasileira, seus enlaces com o catolicismo e o sincretismo. Em 1992 iniciou sua pesquisa sobre a Irmandade da Boa Morte e segue com este trabalho até os dias de hoje. Mas seu trabalho no Recôncavo não está restrito a este tema. Em Cachoeira também realizou diversos registros da Festa da Ajuda e da entrega de presentes para Iemanjá. Fez numerosas fotografias do carnaval de Maragojipe e em Santo Amaro da Purificação registrou as tradicionais festas do Bembé, Procissão de Nossa Senhora da Purificação, as caretas do Acupe (distrito de Santo Amaro) e o nego fugido. Em Saubara realizou fotos diversas da lavagem e Marujada – Fragata brasileira. As imagens que capturou nesses municípios são altamente representativas do recorte que escolheu para seu trabalho, que vem destacando a cultura do Recôncavo em primeiro plano.

 


[1] Estudante do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Integrante do grupo de estudos ARCCO – Arte, Cultura e comunicação. É bolsista PIBIC/UFRB e desenvolve o plano de trabalho Recôncavo baiano: fotografia, arte e cultura. Integra o projeto de pesquisa Recôncavo da Bahia: tradição e contemporaneidade. Arte, cultura e comunicação. Está escrevendo o artigo científico Valéria Simões e Adenor Gondim: olhares distintos sobre a produção fotográfica baiana contemporânea.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *