Falta de manutenção das calçadas provoca insegurança aos pedestres em Cachoeira

Os buracos e os desníveis das calçadas estão entre os principais obstáculos encontrados para um caminhar seguro.

Felipe Coutinho

Andar pelas calçadas da cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, não é uma tarefa fácil. O pedestre encontra buracos, postes, placas e entulhos, entre outros percalços durante seu trajeto, além disso, há ausência de rampas, pisos táteis para deficientes, e até mesmo a inexistência da própria calçada. A má conservação e a falta de padronização do passeio público não são problemas exclusivos de uma rua ou de um bairro. É um problema que se alastra por toda cidade, afetando a mobilidade de quem quer ou precise se locomover a pé. O estudante de jornalismo da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e morador da cidade, Welder Santos, 30, diz em entrevista que se sente incomodado com as condições em que se encontram as calçadas.

“Em alguns pontos da cidade nós pedestres temos que ir para o meio da rua, porque estabelecimentos espalham mesas e placas sobre as calçadas, além de veículos mau estacionados. Sabemos que as casas não foram arquitetadas para conter garagens e os donos dos veículos colocam os carros colados nas paredes de suas residências, impossibilitando os pedestres de passarem, obrigando-os a irem para o meio da rua correndo risco de serem atropelados. Eu acho que o poder público deveria tomar uma atitude muito séria a respeito desse assunto”, diz o estudante.

Pedestre não tem outra alternativa senão a de se desviar do obstáculo na calçada – Foto: Felipe Coutinho

De acordo com o secretário de Obras e Meio Ambiente Edgard Moura, 63, cerca de cinquenta a sessenta por cento dos passeios públicos da cidade estão danificados, e é uma das metas ainda deste ano começar a manutenção dos pavimentos. “Já fizemos um planejamento para recuperação dos passeios públicos para que as pessoas tenham condições de andar despreocupadas em um local seguro, pois da forma que se encontram eles não oferecem segurança para ninguém”.

Segundo o secretário, a cidade contém ainda muitos passeios clássicos com pedras bem antigas. Esses trechos são intocáveis e, para poder fazer qualquer serviço é preciso autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional- Iphan. “Por se tratar de uma cidade histórica a secretaria de obras tem uma dificuldade em poder mudar o planejamento, pois o Iphan, que é um órgão fiscalizador dessas questões históricas, não permite que se façam mudanças nesses aspectos”.

O secretário de transporte e trânsito Eduardo Fonseca, 32, fala que devido às questões históricas da cidade às vezes fica impossibilitado até de fazer um bom trabalho. “Agora, no inicio da gestão, procuramos o Iphan para poder tentar criar faixas de pedestres pintadas nas ruas ou até mesmo faixas móveis, mas não foi permitido”. Ele diz que o trânsito já está municipalizado e que está fazendo a licitação da empresa ganhadora para administrar as questões de monitoramento, as quais a prefeitura pretende implantar. “Se o Iphan permitir, vamos inserir faixas exclusivas, semáforos, sinalizadores e até foto-sensores em alguns lugares”.

O arquiteto do Iphan João Fonseca, 33, diz que existe uma questão de regularização do próprio funcionamento do tráfego de veículos, coisa que já acontece e precisa ser corrigida. “Você tem motos que estacionam nas calçadas, isso é generalizado em toda cidade. Você pode ver até carros em cima das calçadas. Se a gente focar em faixas de pedestres, elas só funcionam se os motoristas forem educados o suficiente para pararem na faixa. A gente tem que começar do que já é um problema: se o pedestre atravessar a calçada e quando chegar no outro lado não tiver pavimento para ele andar, ele vai estar atravessando de onde para onde? A cidade funciona melhor se as calçadas forem bem cuidadas”.
Segundo ele, o órgão tem a tarefa de fiscalizar as obras, mas isso também é um serviço urbano de responsabilidade da Prefeitura. “Sabemos que algumas calçadas da cidade têm materiais antigos, nesse caso nós temos uma responsabilidade maior, mas, mesmo nas outras áreas do centro urbano, quando vemos pessoas fazendo mau uso a gente notifica e assim o indivîduo tem um prazo para responder as notificações”.

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