Futebol também é coisa de Mulher

Por Paula Santos

Seleção Feminina de Futebol do Brasil (Foto: Agência EFE.)

Isso é coisa de homem…

Você está querendo se aparecer…

Só pode ser lésbica…

As mulheres lutam para quebrar os paradigmas de que futebol não é coisa para mulher. E vem conseguindo garantir o seu espaço nesse meio, ainda que continuem ouvindo as mesmas frases machistas desde quando datam sua presença nesse esporte.

O Brasil tem grandes nomes no futebol feminino. Marta e Formiga são exemplos disso, sempre convocadas para representar o Brasil nas competições da seleção feminina.

Sim, existe a copa do mundo de futebol feminino, e isso desde 1991. E sim, poucas pessoas tem essa informação, pela desvalorização que a mesma sofre.

No mês que acontece a copa do mundo de futebol masculino, abrimos um espaço para falar de mulheres que são apaixonadas por futebol, seja como torcedora, jogadora, fundadora de time ou narradora de jogos. Histórias de mulheres que estão no dia a dia, e não são notadas. Estão no anonimato, mas contam belas histórias.

Preconceitos

Cristiana de Menezes, 23 anos, cursa jornalismo, e conta que desde os cinco anos é apaixonada por futebol, amor que nasceu com influência de seu irmão, quando assistiam aos jogos do Bahia juntos. Seu carisma especial era pelo jogador Marcelinho, que para ela foi um grande ídolo do Corinthians.

Determinada desde sempre, ela tinha a convicção de que se não desse certo como atleta, ela faria jornalismo para atuar na área do esporte, e assim aconteceu. Hoje cursando o 8º semestre de jornalismo, também trabalha na rádio web Olha a Pititinga como repórter de campo, já esteve em campo acompanhando a seleção de Cachoeira no intermunicipal e apresenta o programa Passa a Bola, na mesma rádio.

Perfis

Quando ia a campo, Cristiana Menezes, locutora e estudante de jornalismo, conta que percebia os olhares de estranhamento. Faltava credibilidade das pessoas que estavam ali, vendo uma mulher sendo a repórter, narrando à partida. Achavam que ela não entendia de futebol, alguns até colocava em dúvida a sua orientação sexual, mas, ao longo das entrevistas, esse olhar ia mudando, e começou a chegar os elogios ao seu trabalho, graças ao seu empenho em sempre buscar mais conhecimentos na área.

Assim também acontece com a jogadora de futebol Rute Sena, quando ela decidiu convidar algumas amigas para formar um time na comunidade da Tamancas, zona rural de Maragogipe. Ao fundar o time Guerreiras do Gramado ela não imaginava que sofreriam tantos preconceitos, e que muitos deles partiriam de mulheres, que criticavam até mesmo as suas roupas. Hoje, com 22 anos, conta que desde criança no tempo da escola já sentia o machismo com esse esporte, pois quando ela queria jogar com os meninos, ouvia deles que menina tinha que brincar de boneca.

Mas nada disso foi suficiente para impedi-la de ir atrás do que queria. Ao formar o time com as meninas, contou com a ajuda do time masculino, para os treinos iniciais.

Rute sente-se feliz pelos incentivos que recebe, e também por ver que cada vez mais as mulheres ganham o seu espaço na sociedade, e comemora que na sua cidade já tenha um campeonato de futebol feminino. “Além de estar praticando uma atividade física, é o esporte que gosto, e traze-lo para minha comunidade foi iguala-la a muitas outras que já tinha, muitas de nós somos donas de casa, e a vontade de estar em campo vence as dificuldades diárias”.

Um Sonho

Quando criança vascaína, hoje tricolor baiano, e sempre fã do futebol. Luiza Santos de 16 anos, assiste a grandes campeonatos como o premier League e o Champions League e acompanha os grandes jogadores, com o convite de estar em um time amador, ela já se sente realizada, na posição de atacante, ela sabe que pode ir onde quiser, porque confia no seu potencial e sabe dos preconceitos que sofre, mas não se sente atingida com eles. “Um dia me disseram que eu só jogaria no primeiro jogo, que eu não ia aguentar o pique, mais eu me mantive ainda mais forte depois desse comentário, um dos muitos negativos que ouvi.” Completa Luiza Santos.

Hoje, no time amador, mas com a dedicação de quem sonha fazer parte de um time maior, ela se ver nessa posição daqui a uns cinco anos, quem sabe. Assim também pode ter acontecido com Marta, que hoje leva o nome do futebol feminino para o mundo, uma grande jogadora brasileira.

Se você é mulher, deve se espelhar nos grandes exemplos e trilhar o caminho que o seu sonho mandar, com dedicação tudo é possível, driblar todos os preconceitos de cunho machista, principalmente. É tentando que o sucesso acontece.

 

Um comentário sobre “Futebol também é coisa de Mulher

  1. Ótima matéria!
    Realmente em tempos de copa do mundo é legal saber que não existe somente a masculina e que o futebol feminino temos grande nomes. Inclusive Marta ja superou o Rei Pele em questões de Gols marcados.

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