Grandes avanços na ciência graças ao feminismo

Em seu texto introdutório no livro “O feminismo mudou a ciência?”, a autora Londa Schiebinger, trata de indagar que mudanças úteis o feminismo trouxe a ciência. Já em suas primeiras linhas ela afirma que sim, o feminismo trouxe mudanças significativas para a ciência. O fato de termos mulheres ocupando cargos importantes nas grandes empresas e inclusive na ciência é prova de que o feminismo projetou uma transformação não apenas na ciência, mas em várias outras áreas da vida no universo feminino.

Segundo Londa, a exclusão com base em gênero tem sido pretexto para subordinação das mulheres, porém, intervenções feministas têm corrigido paradigmas fundamentais. Chaga ser falta de responsabilidade social pensar que, apenas pelo gênero, pode se julgar que uma pessoa pode ter menor capacidade para desenvolver uma atividade e, portanto, receber menos por isso.

Rosimeire em seu trabalhoEm entrevista, Rosimeire Freitas que aos 41 anos de idade está se formando na sua primeira graduação em Psicologia conta sobre as dificuldades para se cursar uma faculdade ainda hoje como mulher.

“O mais difícil foi conciliar faculdade, o trabalho e a família. Tive que me transferir para outra faculdade, e por princípios religiosos acabei me formando um ano depois do período normal. Era um sonho fazer psicologia, mas iniciei a faculdade só nesse momento porque fui mãe ainda jovem. Mas estou muito feliz e quero continuar”.

Nos dias de hoje a sociedade de um modo geral é a favor da igualdade de oportunidade para as mulheres, mas nem sempre foi assim, em tempos passados o feminismo travou batalhas para alcançar a igualdade na educação, em salários e nas oportunidades.

Londa afirma que embora o feminismo liberal tenha servido bem às mulheres, ele também levou a certos becos sem saída. Na tentativa de estender os direitos do “homem” às mulheres, os liberais tenderam a ignorar diferenças de gênero, ou a negá-las completamente.

E diante dessa situação surgiram algumas complicações. Uma delas é o problema com o feminismo liberal que “procura adicionar as mulheres à ciência normal, deixando esta imperturbada”.

Mas graças à contribuição dada pelo feminismo, hoje às mulheres disfrutam de benefícios nas áreas de saúde, profissional e social que durante muitos anos não tinham acesso. Um exemplo são os cosméticos que buscam valorizar a beleza feminina. Só agora é que o mercado de cosméticos começou a dedicar-se a valorização da beleza masculina criando produtos também para os homens. Talvez mais por questões comerciais. Mas o fato é que esse é apenas um dos muitos exemplos em que há uma ruptura no pensamento arcaico machista.

Hoje milhares de mulheres estão sendo salvas de problemas como câncer de mamas graças aos tratamentos específicos que foram desenvolvidos com o passar dos anos. Algo que há alguns anos não seria possível. Pois, apesar de haver recursos, à medicina não pensava o corpo feminino como sendo diferente do corpo do masculino. Após a evolução da ciência nesse sentido foi que surgiram as pílulas anticoncepcionais para evitar a gravidez e outros tratamentos específicos para as mulheres.

Portanto podemos concluir assim como Londa Schiebinger, que a ciência evoluiu com a ascensão do feminismo. Além disso, as mulheres contribuíam diretamente para a ciência com estudos, porém, como o espaço para a mulher na sociedade era limitado, muito do que elas produziram ficou no esquecimento e não foi registrado pela história.

Roberto Alves

 

Referências:

SCHIEBINGER, Londa. O feminismo mudou a ciência. Bauru, SP. Edusc, 2001.

Disponível em: http://www.bibliotecafeminista.org.br/index.php?option=com_remository&Itemid=53&func=select&id=53. Acesso em: 01/05/2016, 11h43.

 

 

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