Marketing de conteúdo é a esperança para o resgate do jornalismo com ética e qualidade

  Jornalistas estão muito animados com os promissores caminhos apontados para a profissão

                                   Felipe Coutinho, Magno do Rosário, Michelle Brito

O jornalismo, assim como diversos outros segmentos de mercado, move-se diante a adaptação da chamada era da transformação digital. Os jornalistas estão migrando da mídia tradicional para o marketing em estratégias na produção de conteúdo. O brand Journalism ganha cada vez mais popularidade e credibilidade. Agora mais do que nunca, apurar os fatos, editar, fotografar e entregar o conteúdo jornalístico, exige rapidez e habilidade técnica.

O chamado Marketing de Conteúdo (Content Marketing), amplamente adotado pelas empresas, é uma das saídas para os profissionais que querem crescer no mercado da mídia, e já rende frutos para os jornalistas que estão acompanhando a movimentação, tanto é que hoje já se fala no jornalismo de marca (Brand Journalism) como uma das mais promissoras especialidades para os próximos anos.

De acordo com a social media Suzana Salles, de 23 anos, há espaço para todo mundo e, atualmente, existe uma enorme busca por conteúdo online, mas também existe um público consumidor fiel dos veículos tradicionais. “O jornalismo tradicional pode até estar ‘ameaçado’, mas está muito longe de acabar. É completamente possível aliar jornalismo e marketing de conteúdo, inclusive este é um mercado muito promissor para jornalistas que se identificam com os conceitos de copywriter. Acredito que tudo é uma questão de perfil jornalístico, afinal, sempre haverá os eternos apaixonados pela redação tradicional”, afirma.

Em um estudo chamado “Rise of the UK Brand Journalist”, realizado em 2016 pela NewsCred, no Reino Unido, 50 jornalistas e 50 profissionais de marketing responderam questões sobre as pressões que sofrem em busca da criação de conteúdo de qualidade. O estudo mostrou que a criatividade é o trunfo número um para o editor e esse aspecto superou até mesmo habilidades de escrita, afinal, o jornalista não apenas cria conteúdo, mas o faz considerando estratégias comerciais para vender ou engajar mais.

 

Fonte: NewsCred, 2016

Quem pretende trabalhar com marketing de conteúdo deve se familiarizar principalmente com as técnicas de funil de vendas, copywriting e noções de marketing digital. “É interessante que o jornalista que deseja seguir na área de conteúdo desenvolva também interesse por uma grande diversidade de assuntos. O Marketing de Conteúdo abre um leque de áreas de atuação para o jornalista, que pode se direcionar para área de social media ou atuar como produtor de conteúdo de multiplataformas”, afirma Suzana.

 

Fonte: NewsCred, 2016

Para criar conteúdo relevante para a vida das pessoas é necessário buscar fontes e histórias exclusivas, diversificando e criando seu próprio conteúdo de forma diferenciada, que contribua com informações valiosas em seu ramo, mesmo que sejam seus concorrentes. Dessa forma, seu site se tornará referência.

O estudante de Jornalismo Marcus Maia diz que “Ter amplo domínio da língua escrita, análise de dados e poder de síntese, são habilidades fundamentais para aproveitar as oportunidades do Content Marketing. Também é fundamental ter ao menos noção de como são produzidas as peças gráficas para postagens e anúncios”.

As previsões para o marketing de conteúdo em 2020 parecem brilhantes. Ao perguntar Onde você acha que o marketing de conteúdo estará em cinco anos?, as respostas foram as seguintes

Fonte: NewsCred, 2016

Entretanto, mesmo com as previsões positivas, não podemos esquecer que a produção jornalística na rede precisa muito da qualidade, fator essencial para para a sua permanente credibilidade. Jornalistas que querem experimentar o Content Marketing apenas para se realizarem financeiramente devem refletir muito sobre a questão de responsabilidade.

Presentemente, já vemos vários sites que não gozam de nenhum prestígio, seja com o público leitor ou com profissionais jornalistas que sempre se preocupam com a qualidade de suas produções. Portanto, é inevitável que a qualidade seja sempre o norte de todos aqueles que pretendem fazer das redes sociais um canal de informações jornalísticas.

Fact-Checking: o método para combater as notícias falsas

Você já compartilhou, alguma vez, um link de uma notícia sem ler as informações nas suas redes sociais?  Calma, se sim, infelizmente, isso parece ser algo habitual para muitas pessoas. Um estudo realizado pela agência Advice Comunicação Corporativa, por meio do aplicativo BonusQuest, em novembro do ano passado, indicou que 78% dos brasileiros se informam pelas redes sociais. Destes, 42% admitem já ter compartilhado notícias falsas e só 39% checam com frequência as informações antes de difundi-las.

Ocorre que, diante da tela do computador, muitas pessoas acreditam que estarão passando adiante uma informação útil, que vai ajudar ou proteger alguém. Porém, também existem outras que sabem da não realidade da notícia, mas, mesmo assim, se arriscam a brincar com coisa séria, seja por leviandade, maldade ou pelo simples desejo de aumentar o sensacionalismo crescente.

A estudante de psicologia Lenir Carvalho, 22 anos, admite que, recentemente, compartilhou uma notícia falsa: “No ano passado compartilhei em um grupo de amigos uma notícia que dizia que o advogado maranhense, Roberto Elísio Coutinho – que  tinha sido preso após ser flagrado em um vídeo agredindo sua mãe idosa -, tinha sido morto. Então, fui buscar mais informações e acabei descobrindo que se tratava de uma noticia falsa. Imediatamente minha reação foi compartilhar uma matéria que desmentia a anterior”.

Lenir diz ainda que hoje, por conta da crescente difusão dos Fake News, tem todo um cuidado antes de compartilhar notícias em suas mídias digitais. Porém, poucas são aqueles que, ao perceberem o equívoco, apagam o que compartilharam ou procuram, de alguma forma, se retratar.

Então, se você nunca parou para pensar antes de compartilhar uma informação, talvez essa seja a hora de começar. Com o aumento dos usuários da internet, cresce junto a disseminação de notícias baseadas em informações falsas, inventadas ou não verificadas. Apesar de parecer, em alguns casos, inofensivas, há relatos de pessoas agredidas e até assassinadas por conta dessas informações.

Foi o que aconteceu em 2014 com a dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, que foi brutalmente espancada e morta por dezenas de moradores do litoral de São Paulo, onde morava. Segundo a família, ela foi agredida por causa de um boato gerado na página de uma rede social que afirmava que a dona de casa sequestrava crianças para utilizá-las em rituais de magia negra.

O fact-checking, que no português significa “checagem de fatos”, surge da prática com a preocupação da nitidez da informação, certificando se há veracidade na notícia, se ela contêm algum tipo de exagero, escasseamento de dados, fontes, etc.

Atualmente, no Brasil, existem ações contra as fake News. Um exemplo é o Projeto Credibilidade – criado no país inspirado em um projeto internacional chamado The Trust Project, traduzido “O projeto de confiança”-, onde acadêmicos, jornalistas e empresas de mídias brasileiras como Folha de São Paulo, Estadão e O Globo, juntos, veem a importância da responsabilidade na divulgação da informação, tendo como  objetivo reagir em relação as notícias falsas.

O projeto possui objetivos que levam a refletir sobre o compartilhamento das notícias no meio digital, desenvolvendo ferramentas e técnicas para identificar as falsas notícias, assim como promover um jornalismo de índole no meio digital.

A jornalista Talyta Singer fala que a checagem de fatos sempre fez parte da rotina de produção jornalística, e que as grandes redações, principalmente as das revistas, sempre tiveram checadores, pois eles são essenciais para verificar se o que as fontes estão dizendo, por exemplo, é factível. “Em um cenário de um jornalismo em crise, com cada vez menos anunciantes e leitores fieis, as agências de checagem têm um produto de fácil assimilação e alta demanda, principalmente no nosso cenário político conturbado. Dentro dos veículos estabelecidos, as pautas de checagem começam a ganhar espaço e a atenção dos públicos. Com  o início oficial das campanhas eleitorais, ainda vamos ver muita demanda e muita oferta de checagens”, explica Talyta.

A Agência Pública, agência de jornalismo investigativo, trabalha nesse contexto de visualizar a importância de sua contribuição para a imprensa brasileira atual, e acredita que a checagem é uma das formas de qualificar o debate público através do jornalismo. Todas as suas reportagens são feitas com base na rigorosa apuração dos fatos e têm como princípio a defesa intransigente dos direitos humanos. “Entendemos que ter acesso à informação de qualidade é um direito das pessoas e é fundamental para o fortalecimento da democracia. Quando checamos um dado que circula na rede ou na fala de uma pessoa pública que vai formar opiniões dos cidadãos, queremos mostrar para as pessoas o contexto daquela afirmação e fomentar o debate sobre aquele tema”, diz Marina Dias, da equipe de Comunicação da Agência.

Abaixo infográfico com exemplo de método utilizado pela agência Lupa  para checagem de fatos.   

Se você quer saber como surgiu as agência de Marketing de Conteúdo e as agência de checagem de fatos, basta dar um play no vídeo olhar 4.0 que se encontra logo abaixo. 

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