O Cenário Rock no Recôncavo

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Show da Banda NoveMeiaNove no lançamento do cd da Banda The Gins no Fornalha Show Bar.|Foto: Karla Santana

 

Karla Santana

Nem só de axé, pagode e arrocha vivem os baianos. Há aqueles que preferem os chamados estilos musicais alternativos: o rock e suas vertentes. Cruz das Almas é conhecida no meio underground da região como Cidade do Rock devido à grande quantidade de bandas e eventos, onde roqueiros, headbangers e punks se reúnem para curtir seu estilo musical.

O movimento alternativo é conhecido em todo o mundo como sinônimo de rebeldia e revolta. Fazendo jus a estes adjetivos, nos anos 1990, surgiram em Salvador as bandas The Dead Billies, Lisergia, Úteros em Fúria, Inkoma, entre outras, que cantavam as frustrações e repressões de uma geração e serviram de inspiração para muitos grupos que surgiram depois. De lá pra cá, novas bandas foram fomadas, trocaram de integrantes e deram origem a outras. Este cenário se expandiu também pelo  interior do Estado e vários eventos começaram a ser organizados.
Porém, no inicio dos anos 2000, o movimento perdeu força e os poucos festivais anuais que haviam, como o Encontro dos Legionários, em Governador Mangabeira, reunindo fãs da banda brasiliense Legião Urbana, acabou. O Festival Soul do Rock, que era realizado em Cruz das Almas,  também acabou.

Geferson Macena, ex-vocalista da banda Stintos, de Governador Mangabeira, chegou a produzir o Mangabeira Rock Fest, mas devido à falta de patrocínio e  ao preconceito, por parte do dono do espaço, o evento  não foi repetido ficando com só uma edição.

O Rock não morreu.

Em Cruz das Almas, onde o rock é mais forte na região, há sempre pequenos eventos que muitas vezes  são realizados na própria residência dos músicos. Um exemplo disso é o House of Fear, que ocorre na casa do baterista Claudio Batista, conhecido como Dinho Batera. O músico é multi-instrumentista e toca nas bandas NoveMeiaNove, The Gins e Exclusos, conhece bem as dificuldades ao organizar e montar um evento independente. Ele conta que as dificuldades vão desde limpeza do espaço onde acontecem os eventos, antes e depois do som, aos acertos e reforma de equipamentos. São os próprios músicos que montam boa parte da estrutura, da aparelhagem de som, da ornamentação e ainda controlam a portaria e o movimento do bar.

Como ninguém se sustenta financeiramente dos eventos, a maioria dos músicos e organizadores procuram conciliar o tempo disponível com o trabalho e os estudos. No fim, a maior parte das tarefas acaba ficando para os poucos que conseguem uma folga no emprego ou que resolveram “matar as aulas” para dar uma ajuda. Outra coisa que também fica a cargo da organização é arranjar lugar para hospedar as bandas que vêm de fora , além de providenciar também a alimentação  e o local onde guardar os equipamentos.  Muitas vezes  eles também se responsabilizar por acomodar também os fãs que vem de outras cidades da região.

Os eventos podem sofrer intervenções externas por motivo do som alto, por funcionamento irregular do espaço, por causa da aglomeração no local que muitas vezes pode estar localizado em área residencial. E apesar de todos os problemas o movimento do rock está crescendo.  Uma prova disso é o Festival Recôncavo Rock que ocorreu em março de 2013, na Praça Multiuso, em Cruz das Almas, com as bandas Cascadura, Infusa, The Gins e outras, e que já está se movimentando para repetir a dose  este ano, apesar de não ter ainda uma data definida.

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