O status religioso: caminhos e experiências dos estudantes de graduação na UFRB

Por: Leandro Queiroz, Lucas Mascarenhas e Tamires de Jesus

A religião sempre atuou como ponto de apoio do ser humano. Acreditar em uma força superior que rege o mundo e a partir dela seguir crenças e desenvolver ações que não violem a Força Sagrada é algo comum na vida de qualquer pessoa adepta a uma religião. Sendo um dos primeiros processos formativos dos indivíduos na sociedade, a religião possibilita o desenvolvimento de laços afetivos com pessoas fora do ambiente familiar, propiciando um sentimento de reconhecimento e/ou pertencimento a um determinado grupo. O status de religiosa consolida em cada pessoa práticas, doutrinas e estigmas que tencionam a tolerância entre diferentes grupos na sociedade.

A diversidade religiosa que existe transparece as disputas que visivelmente diferentes interesses ocasionam. Apesar de todas as religiões tratarem da relação do ser humano com Deus ou Força Sagrada, o que as diferem são as doutrinas seguidas.

Na universidade o tema religião ainda é um tabu para muitos. Considerando este espaço com uma quantidade diversa de religiões consequentemente se enfatiza os hábitos e crenças diferentes que poderiam gerar conflitos de convivência. Mas, dentro e fora dos muros da universidade a chave para que haja uma boa convivência, entre os diferentes, é o respeito. Entender que cada pessoa tem o direito de escolher, por seus ideais, em que acreditar é fundamental para se alcançar a universalidade, contribuindo para uma boa relação entre pessoas.

 

 

Em todo percurso histórico e desenvolvimento da sociedade, falar sobre religião continua sendo algo polêmico. O fanatismo religioso segue presente na sociedade atual, tanto que é comum acontecer casos de intolerância, como o Massacre do Charlie Hebdo. Por não tolerar críticas e sátiras ou considerar sua religião melhor do que outras, alguns indivíduos não respeitam o outro e isso pode acarretar perseguições e atentados que culminam em consequências trágicas a ambos os envolvidos.

                                                         “Tolerância para mim já é uma palavra difícil de conversar quando toca religião, porque eu não concordo com essa palavra. Para mim nós temos que respeitar e compreender a religião do outro. Para mim é muito tranquilo isso, porque desde sempre eu fui muito curioso em conhecer outras religiões e me dar oportunidades de fato reconhecer nas outras religiões coisas positivas e negativas como tem em qualquer espado de socialização.” Rodrigo Queiroz, estudante de Serviço Social e católico

Pessoas religiosas podem sentir dificuldades ao ingressar no ensino acadêmico pelo sentimento de estranhamento ao novo ambiente. Ao se deparar com a pluralidade religiosa existente na universidade, estudantes se veem num desafio que podem afetar o seu equilíbrio emocional, rendimento e até a sua permanência.

                                         “Acaba de certa forma dando outras alternativas de pensamentos. Em questão materialista também, isso pesa de fato, já que a minha religião foca bastante no lado espiritual e de só ver realmente esse lado. Isso pesa, pelo fato de ver a questão muito materialista, não tem o meio termo. Tentamos manter o equilíbrio. Mas, na universidade estamos sempre focados no materialismo. Não que prejudicasse, mas eu estou tendo mais contato com essa visão materialista do que a espiritualista de fato. Acabou alterando um pouco esse equilíbrio.” Raissa Caldas, estudante de Serviço Social e integrante do Seisho-No-Ie

A materialidade das religiões se concentra nas representações subjetivas por seus seguidores por meio de gestos, objetos e discursos. A contradição ou semelhanças que existem entre os princípios de diferentes vertentes religiosas não podem construir dentro dos muros da universidade um espaço de disputa de poder.

               “Sou absolutamente tolerante para com todas as denominações religiosas, porque eu entendo que a religião seja ela qual for é importante. Se hoje eu estou no espiritismo tem um motivo para tal. Se outras pessoas estão no protestantismo, no catolicismo, na umbanda, no candomblé, cada um tem seu momento. Cada um se descobre no período certo. Isso é importante para a vida. Faz parte do crescimento espiritual de cada um, seja em que religião for. Então eu não tenho nenhum tipo de problema com outras denominações religiosas.” Magno do Rosário, estudante de Jornalismo e espírita

 

Por mais difícil que seja dialogar sobre religião, num componente curricular no ensino básico ou na universidade, a garantia do culto e crenças as diferentes vertentes religiosas devem ser garantidas para que o estado laico de direito no Brasil seja também respeitado. A escolha individual de ser um estudante que atua em determinada religião pode ajudar na permanência, mas, sobretudo, no retorno que esse estudante consegue dar a sociedade com a sua prática profissional responsável e cidadã.

Através do candomblé eu adquiri uma maior responsabilidade, maturidade e fluidez para lidar com situações e pessoas na vida, o que inclui a universidade, e nesse processo me sinto privilegiado porque consigo levar de forma mais tranquila o que para muitos é considerado como uma pressão.” Willer Dias, estudante de Gestão Pública e candomblecista

O status de religioso não é comum a todo estudante universitário. Outra realidade que podemos observar é a presença de ateus e agnósticos nesse ambiente. Isso demonstra que o discurso de garantir a universalidade é concreto e a universidade deve cumprir com afinco a proposta de diálogo aberto sobre o tema.

 

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