Os comportamentos machistas tidos como comuns no dia-a-dia

Josuel Rocha

O machismo no cotidiano

 Nos dias atuais ainda nos deparamos com diversos comportamentos e atitudes de machismo que não são vistos dessa maneira, e sim como algo natural, que é dessa forma porque sempre foi e tem que ser assim, fruto ideias construídas e colocadas na mente das pessoas desde os primórdios da sociedade. E quando há quem resista, imediatamente a sociedade usa de artifícios, que vão desde agressões verbais a corporais, para que a pessoa vista sua “rédea” novamente. Elizabeth Bortoloaia Silva, no texto Des-construindo gênero em ciência e tecnologia lamenta que ainda hoje ouça argumentos simplistas para justificar diferenças entre homens e mulheres e que essas desigualdades provocam problemas psicológicos e sociais.

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Quando alguém resista, são usados meios de calar. Foto: Josuel Rocha

Samile Santos, 20, estudante de história da UFRB, diz que as atitudes machistas, corriqueiras que presencia e observa começa no mau e velho “isso não é coisa para menina/mulher”, ou seja, a clara divisão que há entre os gêneros, como rosa e azul, balé e futebol, por exemplo, mas o que mais a irrita mesmo é o fato de ter que realizar tarefas domésticas para ser considerada verdadeiramente mulher.

“Ouvir Sempre: ‘Você não sabe cozinhar? Assim não vai conseguir casar nunca, tem que ser prendada. ’ Eu particularmente não suporto ouvir isso!” Reclama a estudante.

Um fato curiosamente lamentável que ocorreu justamente no momento em a estudante Samile estava falando a respeito deste tema abordado, foi o de ela estar discutindo com um rapaz sobre o recente caso da jovem de 16 anos que foi estuprada por mais de 30 homens. Para o rapaz em questão, as mulheres de hoje não se valorizam e se usam roupas curtas estão “pedindo” para serem estupradas.

“Meu Deus, está na hora da cultura do estupro acabar! Pare de justificar o que não é justificável e tentar colocar algum tipo de responsabilidade nessa garota, ela é vítima!” Desabafou Samile.

Tatiane Gonçalves, 23, estudante de engenharia civil pela UniJorge, conta que as atitudes machistas corriqueiras que ela percebe e observa são indiretas de muitos homens de que as mulheres não são capazes de realizar algumas tarefas ou gerenciar algo.

“Como se a mulher não fosse capaz de liderar uma obra, ou uma equipe de homens, ou até mesmo ser diretora de uma empresa”. Reclama a estudante de engenharia.

Monique Souza, 20, estudante de psicologia da Faculdade Social da Bahia, reclama que uma mesma situação familiar pode ser vista de mineiras diferentes pela sociedade, dependendo se quem protagoniza a situação é um homem ou uma mulher.

“Quando se é mãe e solteira, a mulher é taxada como irresponsável, puta, não serve para um relacionamento, não merece admiração; já quando se é o pai e solteiro, é visto como herói, um homem exemplar que fez diferente da mãe que abandonou a criança.”  Relata Monique.

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Educação é o melhor caminho para compreensãoFoto: Josuel Rocha

Uma forma de reverter essa realidade seria a educação, pois é através da leitura e pesquisa que compreendemos melhor a realidade a nossa volta e o porquê de está findada dessa forma, e é nesse momento que percebemos o que está errado para, então, fazer o nosso possível para corrigir, essa correção iria desde a reflexão das atitudes pessoais a o que se pode fazer para alterar a sociedade como um todo. Para Elizabeth Bortolaia da Silva é tempo de mudar a nossa maneira de conceber as diferenças sociais se quisermos uma sociedade que reflita das formas de vida da não-dominação.

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