Professores combatem evasão escolar com mutirão

Mutirão promovido por colégios estaduais vai de porta em porta trazendo os alunos de volta às salas de aula em Cachoeira

 

Por Juliana Barbosa

 Um projeto inovador tem se mostrado eficiente para combater a evasão nas escolas estaduais da região do Recôncavo da Bahia. Em sistema de mutirão, gestores e funcionários utilizam-se de recursos próprios para realizar matrícula domiciliar e, munidos dos endereços dos evadidos, estão resgatando os alunos de volta às salas de aula.

Na escola estadual Padre Alexandre de Gusmão, situada no distrito de Belém, pertencente a Cachoeira, a direção afirma ter dobrado o número de alunos em dois anos e meio, com ações específicas para atraí-los, a exemplo da valorização e manutenção do espaço escolar, realização de seminários de educação, reforço escolar, jogos intercolegiais, quermesse junina, festival anual da canção estudantil e a implantação do ensino médio, o que facilita a vida dos jovens que moram distantes, evitando que eles precisem sair dos seus distritos para concluir o segundo grau.

Na Rua da Feira, a escola estadual Edvaldo Brandão Correa, parceira da comunidade e proativa da matrícula domiciliar, resgata os evadidos atraindo-os com os benefícios da educação, bem como a oferta de gincanas e programas que se encaixam na situação dos jovens. “Conceitos dentro da realidade dos alunos”, de acordo com a diretora Mônica Oliveira, que comemora o dobro de frequência estudantil e o aumento na oferta de turmas.

Com a instalação da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, as escolas locais passaram a incentivar ainda mais os jovens a lutar pelo sonho de entrar na faculdade, mostrando as possibilidades que se abriram em seu horizonte.

Evasão é uma questão cultural na região

A evasão entre os jovens de classes populares é uma questão cultural, típica do turno noturno e fruto da desvalorização do estudo e pela participação precoce no esforço pela formação da renda familiar. Esta é a opinião dos gestores das escolas estaduais de Cachoeira sobre o problema.

Na zona rural e distritos, o problema não se resume a turnos e sim às necessidades financeiras dos jovens, que abandonam as salas de aula sem preparo, na ilusão de uma carreira. A culpa também é da distorção entre a série cursada e  a idade destes alunos.

Fora da escola

A evasão escolar é um dos graves problemas nacionais. Crédito: Cristiano Contreiras

Segundo o site do Ministério Público da Bahia, um censo demográfico realizado em 2000 e publicado no Relatório da Situação da Infância e Adolescência Brasileira, através do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mostrou que, no Estado da Bahia, consta o quantitativo de 6,89% de crianças e adolescentes entre sete e 14 anos de idade fora da escola, registrando o alto percentual de 19,49% de não alfabetizados.

Na faixa etária de 12 a 17 anos, o percentual dos que não frequentam escola sobe para 13,95% e 6,98% que não são alfabetizados. Neste sentido, existem projetos de iniciativa do governo federal com o objetivo de resgatar estes alunos, a exemplo do Educação para Jovens e Adultos (EJA), que visa qualificar aqueles que não tiveram oportunidade ou mesmo não possuem mais idade escolar.

A diretora Mônica Oliveira comemora aumento de frequência estudantil e oferta de turmas. Crédito: Cristiano Contreiras

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