Sua arte pode atravessar lugares e conquistar pessoas

O jornalista e escritor Edgard Abbehusen fala sobre o poder de conquistar o mundo criando caminhos imaginários através da literatura

Jucira Fraga

Foto Arquivo Pessoal/Divulgação

Com mais de 600 mil seguidores na internet, o escritor baiano Edgar Abbehusen, 33 anos, nascido na cidade de São Félix, possui entre suas publicações textos, poemas, crônicas e postagens que falam sobre mulheres. O muritibano, que se formou em Jornalismo pela UFRB, atualmente mora em Salvador com sua mulher Jéssica Leite (Designer de Moda) e o seu filho Mateo. Participa como apresentador do programa “Deixa eu te contar, Edgar”, na rádio Salvador FM, onde aborda temas sobre relacionamento humano, com participação de psicólogos e terapeutas. Colunista no jornal os domingos, posta textos no Twitter, onde são abordados poemas sobre religião, amor, nomes, amizade. Nesta entrevista, ele conta um pouco sobre sua trajetória:

1- Quem lhe incentivou a ser escritor?

E: O escritor Edgard não nasceu de repente. Ele foi construído pela vida, por esse meu jeito de observar as coisas. De procurar entender os problemas. De tentar me colocar no lugar do outro. Levou uma época que me fechei. Tive um final de infância e início de adolescência tímido. Me apaixonava por colegas de escola e de sala e tinha medo de conversar com elas. O que eu fazia? Escrevia. Nas aulas de Matemática, de Física ou Química, matérias que eu nunca fui simpático, eu escrevia cartas de amor. Foram essas cartas, escritas por um Edgard que tinha medo do mundo, do amor e conversar com as pessoas, cartas que nunca foram lidas porque nunca foram entregues. O que se tornou a base para o meu perfil no Instagram foi er criado, no dia 8 de maio de 2016, uma página para atender uma demanda para a faculdade. O Fotocitando era uma pesquisa que virou trabalho. Que me deu norte. Até aquela data eu tentei tudo. Por ter me tornado pai muito cedo, comecei a trabalhar quando todos os meus colegas do ensino médio estavam entrando na faculdade.

2- Quais áreas você atuou durante a carreira?

E: Quando Letícia nasceu, em 2007, o menino do interior teve que morar na capital e apostar na sorte. Eu fui fotógrafo, fui produtor de eventos, arrendei um quiosque em Itapuã. Lembro que morava num quarto e sala no caminho de areia, na Cidade Baixa. Saia do quiosque onze da noite, muitas vezes vendia apenas R$ 40,00. Chegava em casa quase 1h da manhã para estar em Itapuã no outro dia 7 da manhã. Foram meses difíceis. Não suportei a pressão e voltei para Muritiba. Me aproximei do prefeito na época, em 2009. Entrei na área de assessoria, de comunicação, de cultura. Entrei na faculdade de Jornalismo em 2011, e de repente estava eu candidato a vereador, em 2012. Perdi essa eleição, Graças a Deus. Abri empresa de assessoria, comecei a fazer estágio com os meus colegas da Faculdade. Tranquei o curso mais duas vezes, e voltei com tudo em 2016, para me formar, finalmente. Pelo menos eu acreditava nisso. O Fotocitando engoliu este plano. O perfil cresceu, o trabalho de pesquisa virou um projeto de uma vida.  Desde 2014, fui diretor Comercial, Assessor de Comunicações na Prefeitura de São Félix (2013 a 2014). Trabalhei na Assessoria de Comunicação (onde) de (2011 a 2013). Tenho formação Acadêmica – Jornalismo (2011 a 2017) na UFRB de Cachoeira. Na literatura consegui 481 mil seguidores. Saí das plataformas digitais para entrar no mundo físico, totalmente diferente, isto é uma coisa, jeito de fazer arte do nosso tempo.

“Tudo que sou e me tornei, e todos os sonhos que tenho, estão ligado à minha cidade Muritiba.”

3- De que maneira você começou a escrever?

E: Comecei a escrever na faculdade em 08/05/2016, todo dia publicava um texto, e em 08/2016, já estava com 10 mil seguidores, já trabalhava e pesquisava as redes sociais, chegar ao número desses de uma forma orgânica, alguma coisa tem ali que poderia dar certo, preciso tratar isso com mais seriedade, aí comecei a fazer mais publicações a me dedicar mais, foi aí que me descobri como escritor. Em fevereiro de 2017, recebi um e-mail em menos de um ano de perfil criado, de uma editora do Rio de Janeiro, convidando para fazer uma publicação de um livro físico com o título Quem tem como me amar, não me perde em nada. Livro que retrata muito a minha vivência no Recôncavo, os contos são histórias reais. Orgulho grande da cidade de Muritiba e de todo Recôncavo.

4- De que maneira Muritiba (município a 136 Km da capital) agregou em sua trajetória?

E: Crescer em Muritiba foi um privilégio. O meu olhar atento, a minha visão de mundo, de afeto e de amor nasceram lá. Interior é um presente. A vida pacata, os amigos dos seus pais são seus tios. Os avós de seus amigos são os seus avós. Os vizinhos entram na sua casa sem bater na porta. Quando alguém precisa de um socorro todo mundo acode. Foi assim que eu cresci. Rodeado de amor.

5- O que te motiva na escrita?

E: Em casa, vi meus pais cuidarem de minha irmã Aline, que sofreu uma lesão motora grave quando era bebê após um erro médico e ficar em cima de uma cama, com estado vegetativo. Aline, dizia os médicos, iria viver até os cinco anos. Depois, quando fez aniversário de nove anos, eles afirmaram que ela viveria até no máximo 18. Aline hoje tem mais de 30. E que milagre é esse? O amor. O carinho. O cuidado. Não tem outra explicação. Por isso a fé e a superação também estão presentes no que escrevo. Saber que as pessoas querem ler o que você escreve nos seus livros. Saber que as pessoas querem escutar o que você tem a dizer nas palestras, nas feiras literárias, isso é muito forte. Hoje eu estou com uma coluna em um dos principais jornais do Nordeste, o Correio* e um programa de rádio em uma das principais rádios da capital Baiana. Eu virei um compositor. E saber que foi o meu dom, talento ou apenas, a minha inspiração que proporcionou tudo isso, é uma música bonita de se escutar.

6- Como foi esse processo até aqui?

E: “A inspiração das minhas histórias que resultavam nos textos que eu postava fazia com que as pessoas me contassem as suas histórias. A inspiração foi ganhando outras fontes. Mais pessoas se identificando. Mas de cem mil pessoas seguindo, contrato com livraria. Até que veio o primeiro livro, Quem tem como me amar, não me perde em nada, viagens, feiras literárias, palestras. Duzentas mil pessoas, 500 mil. Novo livro, O que tiver de ser, amar, um milhão de seguidores. Terceiro livro. Acredite na sua capacidade de superar. Desta vez através de um dos maiores grupos editoriais do mundo, a Editora Planeta. Escrever me levou por lugares que eu jamais imaginei que percorreria. Me levou para o sofá da Fátima Bernardes. O que eu escrevia chegava em vários lugares do Brasil e do mundo. Abraçava pessoas que estavam tristes. Doidas. Serviu para abraçar Marilia Mendonça, Isis Valverde, Paola Oliveira, Solange Almeida…. Serviu para um Ministro da República mandar indireta para o Presidente do Brasil. Meu nome foi parar no Jornal Nacional. A gente nunca imagina uma coisa dessa. O tamanho que sua arte pode tomar e o poder que sua arte tem de atravessar lugares e conquistar pessoas.

“Meu nome foi parar no Jornal Nacional. A gente nunca imagina uma coisa dessa. O tamanho que sua arte pode tomar e o poder que sua arte tem de atravessar lugares e conquistar pessoas.”

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