Tradição do charuto movimenta economia do Recôncavo

 

Produção do charuto na cidade de São Félix
Produção do charuto na cidade de São Félix

 

Gabriela Nascimento

O Recôncavo da Bahia está recheado de riquezas históricas e culturais, como o cultivo da folha de tabaco e a tradição de mais de 450 anos de produção de charuto na região. O produto é consolidado e reconhecido no Brasil e no mundo, devido a sua qualidade e originalidade. Nos últimos anos as empresas aumentaram as importações, principalmente para países da Europa e para a China.

As fábricas produtoras ficam espalhadas pelas cidades de Cachoeira, São Félix e São Gonçalo dos Campos. O produto possui características específicas que garantem sua notoriedade no mercado, é o que afirma Fabíola Sampaio, secretária do Sindicato da Indústria do Tabaco no Estado da Bahia (Sinditabaco), “As características de solo, clima e o tipo de tabaco Brasil- Bahia é o que torna o charuto produzido no Recôncavo da Bahia, único no mundo e pertencente a essa região. O setor tabagista é o que tem maior empregabilidade na região. Alcança cinco mil empregos diretos e vinte mil indiretos”.

A produção do charuto é totalmente artesanal, uma charuteira produz cerca de 200 charutos por dia, elas se orgulham de saber que o resultado do seu trabalho vai para outros países. “Primeiro a gente enrola o charuto, coloca uma capa e ele vai para uma estufa por 15 dias, depois ele volta, recebe outra capa e passa por outros processos, vai para outra estufa por mais 15 dias. Por fim, ele demora cerca de um mês para ficar pronto para o consumo”, explicou a charuteira Divaldi da Paixão. Segundo a charuteira Cristiane Silva “A tradição do charuto aqui é ótima porque dá emprego para gente e leva o nome do Brasil para o mundo todo”.

Um dos desafios das empresas tabagistas aliadas ao sindicato que as representa, o Sinditabaco, é conseguir que a Anvisa estabeleça as diferenças entre o cigarro e o charuto. Entre elas, os defensores destacam o fato de o charuto não conter componentes químicos e não causar vício. Por isso merece regulamentação e tratamento diferenciado.

Com a geração de emprego, a indústria tabagista movimenta a economia da região. A Câmara de Dirigentes Lojistas de Cruz das Almas reconhece a importância da atividade para o comércio. O presidente da entidade, José Carlos, disse que “A CDL entende a importância que é a produção do charuto na nossa região, como também o que representa os empregos diretos nessa mesma região. Isso ajuda a valorizar o nosso comércio”.

A internacionalização do charuto cresceu nos últimos anos, segundo o Diretor Executivo do Sinditabaco, Marcos Augusto. “A iniciativa da exportação para o pequeno produtor e para o maior produtor é muito importante porque consegue gerar mais emprego especializado, mais mão de obra, e consequentemente mais emprego e renda para a região”.

 

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