Transformações sertanejas, modificando culturas

  

 O ritmo sertanejo tem sofrido várias modificações no seu gênero musical, o que tem gerado discussões sobre o que de fato seria  essa música caipira como também é conhecida,  e uma das principais  questões é como essas mudanças definiriam as formas de expressões artísticas do gênero, serão registradas ao longo da sua sua história.

A música sertaneja é uma das manifestações da diversidade artística, cultural e regional do Brasil, mas que vem sofrendo mudanças ao longo da sua história. Inicialmente em 1910, esse estilo de música era propagado por diversas duplas, na qual seu principal instrumento era a viola e a voz aguda dos cantores e um falsete típico, o que se manteve por décadas. Com destaque para dupla Tônico e Tinoco, considerados por críticos da música, produtores e jornalistas uma das maiores referências da música caipira, conhecidos como os gargantas de ouro do Brasil.

O estilo vocal perdurou por décadas, mas o ritmo, a instrumentalização e a melodia passou a incorporar elementos dos principais gêneros disseminados pela indústria cultural, o que fez com que o ritmo original adotasse mudanças significativas na sua musicalidade e estilo. Essas mudanças aconteceram gradativamente, adequando-se aos diferentes momentos, culturais, históricos e sociais, com isso o ritmo ruralista presente nas músicas de Tônico e Tinoco, Milionário e José Rico, que já havia levado suas canções para um lado mais melódico foi ganhando uma padronização mais urbana.

As transformações nas canções do campo não pararam de crescer a partir da década de 90, geração marcada pelas duplas: Zezé di Camargo e Luciano, Chitãozinho e Xororó e Leandro e Leonardo que não só introduziram novos elementos nas suas músicas, que emplacaram grandes sucessos como “É o amor”, mais também adotaram a moda country no seu modo de vestir parecidos com as roupas de Cowboy, o que remetia a ideia dos grandes rodeios, mas as suas músicas já possuíam características urbanizadas.

Mas foi no ano 2000 que o estilo ganhou uma roupagem totalmente diferente do campo com a retirada dos tradicionais acordeões e violões e passou-se usar sintetizadores e guitarras elétricas, e uma mistura do sertanejo clássico, com o arrocha e o estilo brega nascia uma nova vertente do estilo Sertaneja o chamado “Sertanejo Universitário.” E foi justamente nessa época que os artistas do sertanejo  da cultura de massa, que surgiram na década anterior como:  Edson & Hudson  e Guilherme & Santiago, emplacaram grandes sucessos como Dormi na Praça e Vida Vazia da dupla Bruno & Marrone.

 Veja essas transformações abaixo:

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Sertanejo Universitário

CapturarO sertanejo universitário traz consigo elementos pop, com uma linguagem voltada para o público jovem, diferente das gerações anteriores, com uma musicalidade simples que fala de amor, traição e ostentação tem sua fase marcada não só pelas duplas: João Bosco e Vinícius, César Menotti e Fabiano, os pioneiros do novo ritmo sertanejo, mas também pela individualidade de Luan Santana e Michel Teló que emplacaram sucessos como “Meteoro” e Ai se eu te pego” respectivamente, que introduziram em suas canções gírias utilizadas pelo seu público, o que promove uma identificação juvenil, tornando o sucesso quase inevitável.

Esse novo estilo sertanejo teve seu principal crescimento no meio universitário, já que ter sua batida forte marcante passou a ser ouvidos nas festas universitárias e nos espaços frequentados principalmente por jovens o que resultou em um grande crescimento  desse ritmo musical. É notável que essa fusão da música caipira com marcas da contemporaneidade vem se consolidando como a nova música popular brasileira,  de acordo com lógica da indústria cultural.

 

 Confira o top10+

O Sertanejo Universitário e a presença feminina.

As mulheres vêm ganhando espaços no meio sertanejo e ganhando destaque em um cenário que era predominante masculino e trazendo novidade ao estilo musical, que agora contam com a  presença de vozes femininas, dando uma nova cara para o ritmo universitário, somam milhares de visualizações no Youtube e estão entre as mais tocadas nas rádios do Brasil. Conheçam alguns desses destaques:

 maxresdefault (1)As irmãs Maiara & Maraisa são dois dos novos nomes do sertanejo universitário atualmente, conseguem levar multidões aos seus shows em todo o país o seu hit de sucesso é10%“, é uma das mais tocadas do gênero em portais de Streaming e já alcançou a marca 47 milhões de visualizações no Youtube.

Marília Mendonça tem se tornado um dos nomes mais fortes da nova geração do sertanejo universitário, o que muitos não imaginam é que canções como “É Com Ela Que Eu Estou“, gravado por Cristiano Araújo, “Cuida Bem Dela e “Até Você Voltar“, que fizeram sucessos nas vozes de Henrique & Juliano, são composições dela. Mas somente no ano passado ganhou destaque como intérprete da canção “Infiel”, que é uma das músicas mais tocadas nas rádios do país.

Paula Mattos é considerada uma das grandes compositoras do sertanejo universitário. O sucesso Que Sorte A Nossa“, que giram o país nas vozes Matheus & Kauan é de sua autoria. Veja a sua versão da música:

Simone & Simaria  optaram por fazer uma mudança em seu repertório que estava centrado no forró, ganhou a roupagem do novo estilo sertanejo e despontou no último ano com o sucesso Meu Violão e o Nosso Cachorro“.

Confira aqui os sucessos do ritmo na voz  Feminina

 

O Sertanejo e sua penetração na festa junina

O sertanejo tem se organizado e projetado nos diversos espaços da sociedade, depois de todas as transformações ao longo da história. Hoje com letras de fácil sucesso, essas músicas grudam na cabeça das pessoas.

Todas essas mudanças e características tem feito com que esse estilo, ganhem forças nas participações das festas culturais, no São João do Recôncavo, o ritmo sertanejo está sendo  cada vez mais inserido nas festas populares.

Toda essa inserção da cultura sertaneja universitária tem gerado problemas de identificação cultural nos festejos juninos da região, já que essas festas tinham como características principais o tradicional forró arrasta pé, no entanto o ritmo tem perdido seu espaço musical. Os organizadores desses eventos tem dado prioridade aos ritmos de preferência dos  jovens,  já que eles são seu público principal.

Cleiton dos Santos, amante do forró tradicional alega que para ele o São João está perdendo a graça, a sua cultura, e toda sua tradição e se as coisas não mudar a festa vai acabar.

 Eu já não vou mais curtir o arraiá, não sou obrigado a mudar o meu gosto musical, por causa da inserção de novos ritmos, não sou contra a inserção do sertanejo no São João do Recôncavo, apenas acho que isso deveria ser feito de maneira moderada disse ele.

 O cantor de forró Ito Vilela, da cidade de Governador Mangabeira também falou sobre o inicio da sua carreira, e as transformações  e essa perca  de espaço  do forró de raiz na região ouça o que ele disse:

Ito Vilela também deu expressou sua opinião sobre a crescente penetração do sertanejo no São João escute:

Já  para Marilane de Alcântara estudante do sétimo semestre de biologia da UFRB, essa inserção do sertanejo  no são João é perceptível, não só na região baiana, mas em todo o Brasil.

Essa mistura de ritmos tem trazido para a região durante a época junina artistas como Daniel Vieira, Jorge e Mateus, Luan Santana e Michel Teló. Esse e ano o tradicional Arriaiá da cidade de Cruz das Almas terá atrações como Romeu & Renato e  Marcus & Bellutti na sua grade, as duplas se apresentarão respectivamente nos dias 24 e 25 de junho.

Foto de capa: Reprodução Reinaldo Canato/UOL

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