Turismo de portas fechadas

Falta de verbas impede o funcionamento de pontos turísticos aos finais de semana

Deise Almeida

Cachoeira é conhecida por sua beleza e é considerada uma das poucas cidades que preservam a arquitetura barroca. Tendo sua história construída às margens do Rio Paraguaçu, peça fundamental que complementa e enriquece ainda mais o seu encanto, a cidade atraí turistas de diversas cidades do Brasil e também de outros países, tanto em dias comuns como em período de festas. Além de ser o destino de excursões para realização de aulas práticas de colégios e universidades da região.

Todo ano um grande número de turistas visita a cidade de Cachoeira e se encanta com a energia emanada pela natureza, cultura e monumentos arquitetônicos. Por meio de trajetos extensos, os turistas procuram conhecer locais que fizeram e que fazem parte da história e da cultura cachoeiranas. É quando se deparam com espaços – igrejas e museus – ironicamente fechados nos finais de semana quando o fluxo de visitantes é maior. É o caso do professor de história Rosiel, que veio da cidade de Brejões, na Chapada Diamantina, com uma caravana de alunos buscando conhecer os pontos turísticos de Cachoeira. Eles só conseguiram o acesso a esses locais por terem entrado em contato com o guia da cidade, com antecedência, caso contrário ficariam impossibilitados de conhecê-los.

O guia turístico José Antônio afirma que, para a realização desses roteiros, a associação de guias precisa solicitar as chaves aos responsáveis por esses monumentos e abri-los, evitando assim que os turistas se decepcionem por não poderem seguir o roteiro de passeio previsto.

Com exceção do Museu da Câmara Municipal e da Fundação Hansen Bahia que se mantém aberto todos os finais de semana, a Igreja da Matriz e a Igreja da Ordem terceira do Carmo abrem um dia do final de semana só no turno da manhã, o que impossibilita o acesso a quem deseja fazer a visita pela tarde. Os demais monumentos estão fechados integralmente no sábado e no domingo.

O secretário de cultura e turismo da Prefeitura de Cachoeira, Cleidson do Rosário, informa que o motivo de estarem fechados é por não haver pessoas qualificadas para cuidar desses espaços. Pensando em solucionar esse problema, idealizou uma parceria com a UFRB para que estudantes do curso de museologia e história possam estagiar – sem remuneração – e manterem em funcionamento esses pontos turísticos. Porém, os responsáveis das igrejas exigiram que além de estagiários tivessem seguranças em cada uma delas, e como não possuem verba suficiente para pagar a esses funcionários, os locais permanecem fechados.

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