A estética dos extremos: notas sobre a relação entre a arte rupestre e a reprodutibilidade técnica em Theodor Adorno

Autores

  • Jéverton Soares dos Santos Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
  • Robson da Rosa Almeida Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)

DOI:

https://doi.org/10.31977/grirfi.v14i2.704

Palavras-chave:

Reprodutibilidade Técnica; Arte Rupestre; Imanência Mítica.

Resumo

O artigo propõe uma aproximação entre dois campos de pesquisa distintos, mas com notórias afinidades eletivas: o campo da arqueologia e o da estética filosófica. Pretende-se saber de que modo, no interior do pensamento dialético de Adorno, articulam-se os conceitos de pré-história e proto-história, tendo como fio condutor a temática da arte rupestre e a sua contrapartida moderna, isto é, a reprodutibilidade técnica. Tal aproximação tem como ponto de partida um instigante parágrafo da obra póstuma de Adorno, “Ästhetische Theorie”, presente na subseção assim classificada por Rolf Tiedmann como "Moderne Kunst und Industrielle Produktion", no qual Adorno afirma que há uma convergência entre a arte rupestre e a câmera fotográfica, que se daria na objetivação (Objektivation), isto é, na ação de separar o ato subjetivo do objeto que é visto. A partir desta constatação, a contribuição maior deste artigo estaria em identificar uma espécie de proto-história da reprodutibilidade técnica no mundo pré-histórico. Deste modo, numa perspectiva radicalmente dialética pode-se dizer que o progresso virtual e tecnológico sentido nas últimas décadas não representa algo qualitativamente novo na história humana, sendo apenas um desdobramento de uma tendência já contida na pré-história, algo que nos leva a crer que não conseguimos ainda superar o estado de imanência mítica denunciado amplamente por Adorno e Horkheimer na “Dialektik der Aufklärung. Para demonstrar isto o presente artigo almeja reconstruir as principais linhas de força da "Dialética do Esclarecimento", centrando na categoria de mito (Seção 1). Após, pretende apresentar a relação entre pré-história e proto-história no contexto do pensamento adorniano, especialmente nas obras e nos ensaios do período intermediário de sua bibliografia, tais como “Minima Moralia” e “Prismen” (Seção 2). Por último, deseja apresentar algumas reflexões de Adorno sobre a arte rupestre e a reprodutibilidade técnica presentes na Teoria Estética (Seção 3).

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Biografia do Autor

Jéverton Soares dos Santos, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)

Doutorando em filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Rio Grande do Sul – Brasil. Bolsista CAPES.

Robson da Rosa Almeida, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)

Doutorando em filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Rio Grande do Sul – Brasil. Bolsista CAPES.

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Publicado

2016-12-18

Como Citar

SANTOS, J. S. dos; ALMEIDA, R. da R. A estética dos extremos: notas sobre a relação entre a arte rupestre e a reprodutibilidade técnica em Theodor Adorno. Griot : Revista de Filosofia, [S. l.], v. 14, n. 2, p. 427–452, 2016. DOI: 10.31977/grirfi.v14i2.704. Disponível em: https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/704. Acesso em: 18 ago. 2022.

Edição

Seção

Artigos