Do Jardim do Éden ao martírio do estado civil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31977/grirfi.v14i2.727

Palavras-chave:

J.-J. Rousseau; Estado natural; Cristianismo.

Resumo

Sem a ambição de expor todas as aproximações e contradições entre o Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, de Jean Jacques Rousseau, e o Livro da Gênesis Bíblica, o presente texto tem por finalidade realizar um estudo comparativo entre essas duas obras, visando propor uma reflexão em torno do mito do jardim do Éden, assim como se encontra exposta tal história na Bíblia, em contraponto com a obra do iluminista Jean-Jacques, ressaltando os elementos de identificação, a proposição do sujeito autônomo sem valer-se do princípio de autoridade além dos limites da racionalidade. Se Rousseau foi leitor assíduo da Bíblia, isso não significa a exigência de uma discussão sobre a fundamentação dogmática e transcendental quando se discute a tentativa de definição das origens do ser humano. Tal proposta desperta teses e argumentos em torno das afinidades e distanciamentos entre o estado de natureza e as origens bíblicas. Assim, pretende-se responder se Rousseau efetivamente propõe um ponto de vista racional/naturalista dos sentimentos cristãos, servindo-se do tema para estabelecer suas duras críticas à religião e suas práticas.

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Biografia do Autor

Genildo Ferreira da Silva, Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Doutor em filosofia e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Bahia – Brasil.

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Publicado

2016-12-18

Como Citar

SILVA, G. F. da. Do Jardim do Éden ao martírio do estado civil. Griot : Revista de Filosofia, [S. l.], v. 14, n. 2, p. 36–47, 2016. DOI: 10.31977/grirfi.v14i2.727. Disponível em: https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/727. Acesso em: 26 jun. 2022.

Edição

Seção

Artigos