Ensino de filosofia, formação e interdisciplinaridade

Palavras-chave: Modernidade; Fragmentação cultural; Interdisciplinaridade; Ciências humanas.

Resumo

O texto apresenta e discute o tema da interdisciplinaridade com foco especial sobre as ciências humanas a partir de dois movimentos articulados. (a) Na primeira parte dedicamo-nos à elaboração do problema da fragmentação cultural (que nos leva ao desafio da interdisciplinaridade) por alusão à “ambiência moderna” como modo historicamente determinado de relação com a cultura e o saber, particularmente motivado pelo que Thomas Kuhn chama de “ciência normal”. (b) Na segunda parte, e à luz de tais considerações históricas e epistemológicas da subjetivação moderna, importa apontar os desafios implicados no projeto de uma formação interdisciplinar e ao mesmo tempo sinalizar para alguma estratégia de enfrentamento do problema da fragmentação cultural – encarado na condição de fenômeno histórico profundamente ancorado. A ampla fragmentação cultural, que as estratégias múltiplas de abordagem “interdisciplinar” pretendem combater no cenário da formação escolar, é especialmente experimentada como compartimentalização disciplinar do currículo em geral e das ciências humanas aqui miradas. Neste contexto, sustentamos que o componente curricular de filosofia, mas também o espírito filosófico pedagogicamente dilatado compõem respectivamente formação e estratégia epistemológica promissoras para o enfrentamento da fragmentação cultural no registro da interdisciplinaridade.

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Biografia do Autor

Cícero Oliveira, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)

Professor adjunto do curso de licenciatura em Filosofia do Centro de Formação de Professores (CFP) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Bahia – Brasil.

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Publicado
2018-06-19
Como Citar
OLIVEIRA, C. Ensino de filosofia, formação e interdisciplinaridade. Griot : Revista de Filosofia, v. 17, n. 1, p. 193-203, 19 jun. 2018.
Seção
Artigos