Griot : Revista de Filosofia https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot <p>A&nbsp;<strong>Griot : Revista de Filosofia&nbsp;</strong>é um periódico quadrimestral do Curso de Filosofia da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, câmpus de Amargosa/BA, Centro de Formação de Professores (CFP), cujo objetivo é&nbsp;divulgar pesquisas de doutorandos e doutores na área de filosofia e promover debates e discussões filosóficos de forma ampla, independentemente da linha e filiação filosóficas dos autores.&nbsp;</p> <p><strong>Ano de criação</strong>: 2009 | <strong>Área de publicação:</strong> Filosofia |&nbsp;<strong>e-ISSN:</strong> 2178-1036 |&nbsp;<strong>Qualis:</strong> B1</p> Universidade Federal do Recôncavo da Bahia pt-BR Griot : Revista de Filosofia 2178-1036 <p>Os autores que publicam na&nbsp;<strong>Griot : Revista de Filosofia</strong>&nbsp;mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a&nbsp;<a href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/">Creative Commons Attribution 4.0 International License,</a>&nbsp; permitindo compartilhamento e adaptação,&nbsp;&nbsp;mesmo para fins comerciais, com o devido reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.&nbsp;<a id="cell-25-path-details-button-5b1d7fbd47b43" class="pkp_controllers_linkAction pkp_linkaction_details pkp_linkaction_icon_" title="Ver item" href="https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/35/_0">Leia mais...</a></p> Foucault e as heterotopias: espaço, poder-saber https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1503 <p style="text-align: justify;">Este artigo trata do tema e problema da heterotopiaa partir do pensamento de Michel Foucault, noção essa pouco explorada por ele, no entanto, potencialmente profícua para o pensamento filosófico contemporâneo. Nele mostramos o que o filósofo francês chama de heterotopia (utopia localizada/espaço outro) e o modo como ela implica as noções de espaço, poder e saber. Para tanto abordamos textos foucaultianos especialmente da década de 1960 e 70. Interpretamos e nos reportamos assim às heterotopias que fazem parte dos estudos e trajetória de Foucault: fábrica-convento, cidade operária, asilo psiquiátrico, prisão e Universidade Experimental de Vincennes. Compreendemos que a prisão e seus mecanismos constituem o exemplo paradigmático de uma heterotopia moderna que ainda diz muito sobre nós. Isso indica, vale notar, a complexidade e ambivalência da noção foucaultiana de heterotopia, na medida em que esta pode abarcar uma série de dispositivos nem sempre afins: por vezes, então, uma instituição disciplinar e um espaço biopolítico, outras vezes, uma universidade experimental.</p> Fabio Batista Copyright (c) 2020 Fabio Batista http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-06-12 2020-06-12 20 2 1 16 10.31977/grirfi.v20i2.1503 O que é hermenêutica para Paul Ricoeur? https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1526 <p>O conceito possivelmente que resume melhor o pensamento filosófico de Paul Ricoeur (1913-2005) é hermenêutica. No entanto, diferentemente do que acontece com o maior nome da tradição hermenêutica, o filósofo alemão Hans-Georg Gadamer (1900-2002),&nbsp; a definição do termo hermenêutica em Ricoeur não se dá de maneira unívoca. Sendo assim, faz-se necessário trilhar um caminho em algumas de suas obras para compreender os sentidos de um dos conceitos mais fundamentais para tal filósofo francês. Pretende-se, assim, com o presente artigo analisar a definição tripla de hermenêutica, como interpretação, método e reflexão, que é apresentada em <em>A Crítica e a Convicção</em>, com uma metodologia análoga ao do próprio Ricoeur, que está presente em <em>A Memória, a História e o Esquecimento </em>e em <em>O Percurso do Reconhecimento</em>. A partir disso, busca-se compreender tais sentidos analisados, percorrendo o caminho sugerido em <em>Escritos e conferências 2: hermenêutica</em>, onde se vê mapeados os sentidos que hermenêutica possuiu ao longo da obra ricoeuriana, e destacar o aspecto original desta noção, que se dá através da hermenêutica pensada por meio de uma filosofia reflexiva.</p> Thiago Luiz de Sousa Copyright (c) 2020 Thiago Luiz de Sousa 2020-06-12 2020-06-12 20 2 17 29 10.31977/grirfi.v20i2.1526 Bom dia Teeteto: Por um pensamento imanente https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1472 <p>Esse artigo, de natureza filosófica, tem como objeto de estudo a crítica do modelo de pensamento representacional e dogmático efetivada pelo filósofo Gilles Deleuze. A pesquisa bibliográfica tem como horizonte teórico a filosofia da diferença, com foco no legado deleuziano. O autor apresenta pressupostos que constituem o pensamento representacional na forma de postulados. São oito postulados, a saber: o da Cogitatio Universalis (“pensar naturalmente”), o ideal do senso comum, o modelo da recognição, o elemento da representação, o negativo do erro, o privilégio da designação, a modalidade das soluções e o resultado do saber. Cabe aqui apontar contornos desses postulados que evidenciam a imagem dogmática do pensamento - imagem traidora do que significa pensar. Essa imagem modelar possui fortes ressonâncias no universo educacional contemporâneo. Trata-se, portanto, de efetivar, em sintonia com Deleuze, uma crítica às imagens dogmáticas do pensamento e de seus limites que frequentemente despotencializam o pensar, o pensar a educação e, por extensão, a própria vida.</p> <p>&nbsp;</p> Jose Rogerio Vitkowski Copyright (c) 2020 Jose Rogerio Vitkowski 2020-06-12 2020-06-12 20 2 30 38 10.31977/grirfi.v20i2.1472 A via negativa de Dionísio Areopagita em Tomás de Aquino https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1642 <p>As substâncias imateriais não são compostas de matéria sensível, não partem dos entes; são diretamente inteligíveis. O conhecimento assim precisa de outra via para apreendê-las. Tomás, ainda no artigo 7 da questão 84, parece ver esta via a partir do pensador Dionísio Areopagita&nbsp; que, ao cogitar nomes para Deus, em seu tratado <em>Nomes Divinos</em>, enumerou quais as possibilidades de conhecimento para o intelecto humano ante a substância primeira. São três: o conhecimento por causa, por via de eminência, ultrapassamento ou por negação ou remoção. Em Dionísio, conhecer negativamente Deus significa dizer que tudo o que se pode afirmar a respeito de sua natureza é aquilo que Ele não é. Tomás amplia o princípio para as substâncias imateriais em geral e há a possibilidade de se transpor o modo teológico do Areopagita para um modo gnosiológico, em que as substâncias imateriais, entendendo-as como toda aquela imune a qualquer mudança e movimento da matéria, assumem um possível caráter apofático e ainda assim possam ser afirmadas enquanto noções do entendimento.</p> Saulo Matias Dourado Copyright (c) 2020 Saulo Matias Dourado 2020-06-12 2020-06-12 20 2 39 49 10.31977/grirfi.v20i2.1642 A formulação do problema da dedução transcendental em Opus Postumum: é possível identificar, neste, elementos de uma dedução próxima àquela de 1781? https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1484 <p>Este trabalho tem por objetivo demonstrar elementos argumentativos apresentados por Kant em seu trabalho final: <em>Opus Postumum</em>, que comprovaria a tentativa de Kant em desenvolver ali uma dedução, contudo, demonstraremos que esta dedução em desenvolvimento no <em>Opus</em> articula elementos que a aproximaria significativamente da <em>dedução transcendental</em> de 1781. Com isto, temos a comprovação que no <em>Opus</em> há uma reavaliação da parte subjetiva da <em>dedução transcendental</em> exposta na primeira edição da <em>Crítica</em>, o que incide numa retomada desta investigação subjetiva por Kant, buscando nesta a tentativa de preenchimento da lacuna que ele considera impedir o fechamento de seu sistema.</p> André Renato Oliveira Copyright (c) 2020 André Renato Oliveira 2020-06-12 2020-06-12 20 2 50 60 10.31977/grirfi.v20i2.1484 A reversibilidade ontológica no conceito de imanência https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1655 <p>O estudo que se segue, tratar-se-á, <em>a prima facie</em>, de uma tentativa de justificar a necessidade de Michel Henry em radicalizar o método fenomenológico a fim de conceber a dualidade visível-invisível na Imanência absoluta de um sujeito patético sem, contudo, afastar-se do campo fenomenológico. No entanto, nos será preciso entender que suas considerações se tratam de um projeto onto-fenomenológico pois, segundo o autor, é apenas submetendo toda a ontologia à fenomenologia que o desvelar do Ser é suscetível de dar-se em sua plenitude. Nesta medida, espera-se com esse artigo apresentar-lhes os argumentos principais da Onto-Fenomenologia Material de Michel Henry arguindo, por sua vez, que seu projeto filosófico não se trata de metafísica e, tampouco, de mística. Em sentido oposto, mostraremos em que medida a Filosofia Material de Michel Henry deve ser considerada ontologia e seu método fenomenológico. Para tal utilizaremos como base, em especial, <em>L’essence de la Manifestation</em> e <em>Phenomenologie Materielle. </em></p> Symon Sales Souto Copyright (c) 2020 Symon Sales Souto 2020-06-12 2020-06-12 20 2 61 74 10.31977/grirfi.v20i2.1655 Estado pastoral e governo político dos homens https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1473 <p>Servindo-nos do referencial foucaultiano examinamos aqui o pressuposto básico do ordenamento político moderno e contemporâneo, a saber, a concepção decisiva de que os <em>homens são governáveis</em>. No percurso genealógico aberto por Michel Foucault examinamos a reelaboração política do que fora originalmente o poder espiritual judaico-cristão de governo das almas. Para Foucault, o moderno governo político dos homens está situado no cruzamento de dois conjuntos de poderes prefigurados no cristianismo primitivo: a) a arte pastoral de conduzir condutas deslocada da destinação escatológica das almas à gestão calculada da vida biológica (biopolítica) e b) a dupla produção do conhecimento necessário ao bom governo; a <em>produção utilitária da verdade</em> que serve à própria arte pastoral governo e a <em>manifestação pura ou aletúrgica da verdade</em> a propósito dos governáveis.</p> Cicero Josinaldo Silva Oliveira Copyright (c) 2020 Cicero Josinaldo Silva Oliveira 2020-06-12 2020-06-12 20 2 75 87 10.31977/grirfi.v20i2.1473 Pensar a melancolia: dos humores de Hipócrates ao pessimismo revolucionário de Walter Benjamin https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1734 <p>O presente artigo tem como objetivo apresentar o aspecto revolucionário do pessimismo e da melancolia de Walter Benjamin. Para tanto, realizamos um resgate histórico do conceito de melancolia, desde a teoria hipocrática dos humores, passando pelo "Problema XXX" de Aristóteles, até "Luto e Melancolia", de Freud. Em seguida, realizamos uma exposição de um excerto da obra "Origem do drama trágico alemão", onde Walter Benjamin apresenta uma breve análise da noção de melancolia no período Barroco, sobre o qual seu texto se detém. Finalmente, analisamos o ensaio "O surrealismo: o último instantâneo da inteligência europeia", de autoria de Walter Benjamin, onde cremos estar presente a gênese dos elementos que virão a ser a base do entendimento do autor sobre a melancolia, fundamentalmente a ideia de uma necessária organização do pessimismo, visando à revolução. Ao distanciar-se das noções sobre o sentimento melancólico previamente concebidas, Walter Benjamin inaugura uma nova visão sobre a melancolia, não mais apática, mas ativa e revolucionária.</p> Marcos Lentino Messerschmidt Copyright (c) 2020 Marcos Lentino Messerschmidt 2020-06-12 2020-06-12 20 2 88 98 10.31977/grirfi.v20i2.1734 Dos milagres ou das crenças causais ilegítimas, em David Hume https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1486 <p>Abordaremos aqui as crenças causais em milagres a partir do método experimental usado por Hume a fim de saber se tais crenças podem ser ditas legítimas ou não. Dessa forma, teremos duas possibilidades: ou os critérios usados para julgar crenças causais confirmam a legitimidade de milagres, e então teremos que assumir que tais critérios são demasiados falhos ao dar conta da natureza dos milagres – uma vez que são contrários à experiência. Ou, então, os critérios usados para julgar crenças causais não permitirão conferir um estatuto de legitimidade aos milagres, e assim teremos uma base razoável para julgar crenças causais legítimas. Defenderemos, a partir dos textos de Hume, esta segunda hipótese com o seguinte argumento: uma crença para ser dita legítima tem que ter o estatuto de prova, a crença em milagre jamais poderá ser uma prova, logo, a crença em milagre jamais poderá ser dita legítima.</p> Rubens Sotero Santos Copyright (c) 2020 Rubens Sotero Santos 2020-06-12 2020-06-12 20 2 99 108 10.31977/grirfi.v20i2.1486 Acerca de la naturaleza del “yo” narrativo en Dennett https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1742 <p>Dennett elabora una concepción del “yo” entendido como un <em>centro de gravedad narrativo</em>. Uno de los obstáculos principales para valorar esta propuesta radica en que resulta dificultoso entender cuál es la naturaleza del concepto dennettiano de “yo”: concretamente, cuáles son los compromisos ontológicos y epistemológicos que cabe atribuir al fenómeno en cuestión. En este artículo defendemos que el mejor modo de realizar una reconstrucción interpretativa de su noción de “yo” es apelando a la distinción elaborada por Reichenbach entre tres clases de entidades, <em>Concreta</em>, <em>Abstracta</em> e <em>Illata</em>, y entendiendo a los centros de gravedad narrativos como un caso de <em>Abstracta</em> reichenbachiano. Sostenemos que resulta pertinente e iluminador entender los centros de gravedad narrativos como <em>Abstracta </em>en el sentido de Reichenbach, apoyándonos en que: i) aunque no la aplica directamente al problema de la naturaleza del “yo”, Dennett sí emplea la distinción de Reichenbach en otras partes de su obra; ii) Dennett traza explícitamente una analogía del “yo” con los centros de gravedad que son, justamente, uno de sus ejemplos de <em>Abstracta</em>; iii)&nbsp; este modo de entender al “yo” permite dar sentido y entender mejor ciertos aspectos de la teoría narrativista dennettiana. Además de permitirnos clarificar las metáforas empleadas por Dennett en la elaboración de su teoría narrativa, dicha elucidación conceptual permite comprender mejor la distinción entre las tres clases de psicología intencional trazada por Dennett (1987) y es útil para sugerir a cuál de estos tres tipos pertenece el concepto de “yo”.</p> Malena Leon Copyright (c) 2020 Malena Leon 2020-06-12 2020-06-12 20 2 109 128 10.31977/grirfi.v20i2.1742 Humanismo tecnocientífico e metafísica realizada https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1735 <p>A cabal organização técnica do mundo corresponde à era da metafísica consumada –como a viu Heidegger, mas não Habermas– e à instrumentalização do pensamento que automatiza a existência humana, tornando-a inteiramente dependente do cálculo que move a disponibilização de tudo em conformidade com a <em>vontade de poder</em> da “armação” (Gestell). A tecnificação da vida, com os constrangimentos que derivam da rigidez de sua própria lógica, não se apresenta como mero produto ou desdobramento de necessidades naturais do humano tornado “sujeito” da técnica. A esse respeito, a metafísica do humanismo –e seu braço operativo, a ciência moderna enquanto tecnociência– consiste na antropologia da determinação técnica do mundo pela volição humana.</p> Antônio José Nascimento Copyright (c) 2020 Antônio José Nascimento 2020-06-12 2020-06-12 20 2 129 139 10.31977/grirfi.v20i2.1735 Considerações sobre o método por exemplos de Ludwig Wittgenstein https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1774 <p>Em sua segunda filosofia, Ludwig Wittgenstein apresenta um método por exemplos com o intuito de resolver de vez os problemas filosóficos. De acordo com Wittgenstein, em vez de buscar a essência definidora dos conceitos, como Sócrates demandava de seus interlocutores, caberia aos filósofos dar exemplos dos conceitos a fim de responder às questões tradicionais da filosofia, como “O que é o conhecimento?”, “O que é a amizade?”, “O que é o justo?”. Neste artigo, não apenas se argumenta que o método por exemplos de Wittgenstein nunca poderia resolver de vez os problemas filosóficos porque diferentes pessoas dão diferentes exemplos de um conceito, sendo impossível decidir objetivamente quais são os exemplos certos e quais são os exemplos errados, como se analisa o fato de que Wittgenstein desconsiderou esse empecilho ao sucesso de seu método ao elaborá-lo. Além disso, reitera-se neste texto o dever dos filósofos de buscar a essência definidora dos conceitos.</p> Gustavo Augusto Fonseca Silva Copyright (c) 2020 Gustavo Augusto Fonseca Silva 2020-06-12 2020-06-12 20 2 140 153 10.31977/grirfi.v20i2.1774 Political praxis, social analysis and western modernization: a theoretical-political route for critical social theory https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1475 <p>This paper criticizes the emphasis placed by contemporary social theory and political philosophy on institutionalism as the basis for the understanding, legitimation and changing of institutions, or social systems, and society as a whole. The more impactful characteristic of institutionalism is its technical-logical structuring, based on an impartial, neutral and formal proceduralism that autonomizes social systems in relation to political <em>praxis</em> and social normativity, depoliticizing these social systems. Here, they are no longer depoliticized, but assume political centrality as the fundamental social subjects of the legitimation and evolution of institutions and society. The paper’s central argument is that it is necessary to re-politicize the institutions and the social subjects or social classes in order to ground and streamline a direct political <em>praxis</em> and the civil society’s social-political subjects as the basis for framing and legitimizing the current process of Western modernization. Recovering the politicity and the carnality of institutions, of social classes and of the evolution of society, is the fundamental task for a contemporary critical social theory that faces the strong institutionalism based on systemic theory. Such politicization is the unforgettable teaching of Karl Marx and Erich Fromm: the institutions have political content and political subjects, they are the result of social struggles for hegemony between opposed social classes which are political. Now, such politicity-carnality must be unveiled and used for an emancipatory democratic political <em>praxis</em> as the route for social analysis and political change, in opposition to the technical-logical understanding both of the institutions and of the social subjects.</p> Leno Francisco Danner Fernando Danner Copyright (c) 2020 Leno Francisco Danner, Fernando Danner 2020-06-12 2020-06-12 20 2 154 173 10.31977/grirfi.v20i2.1475 Cálculo e medida na transição de o nascimento da tragédia para Humano, demasiado humano: as paixões como questão https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1795 <p>O presente artigo discute as noções de cálculo e medida na obra de Nietzsche, mais especificamente na transição do seu período inicial para o período intermediário. Com isso, nossa intenção é explicitar como tais noções que soam tão pouco dionisíacas – e consequentemente, nietzschianas – podem fazer parte do conjunto da obra de Nietzsche e, mais ainda, serem essenciais para a compreensão de seu pensamento. Para que esse objetivo fosse alcançado, foram necessários os desdobramentos de conceitos como paixões e criação na obra nietzschiana, fazendo reaparecer características do conceito de apolíneo, que são praticamente despercebidos uma vez que o filósofo combina seus dois conceitos anteriores. Porém, ao fazer isso, ele compartilha conosco sua ideia de “criar a si mesmo como obra de arte”. Por fim, tentamos deixar claro que quando introduzimos tais noções como cálculo e medida em sua filosofia, isso jamais o faz parecer um filósofo racionalista ou moralista, isto é, alguém que busque apresentar e estabelecer determinadas regras e normas de conduta consideradas apropriadas.</p> Paulo Cesar Jakimiu Sabino Copyright (c) 2020 Paulo Cesar Jakimiu Sabino 2020-06-12 2020-06-12 20 2 174 189 10.31977/grirfi.v20i2.1795 A arte como expressão da vida como vontade de poder em Friedrich Nietzsche https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1726 <p>O presente artigo pretende investigar a arte como um emblemático exemplo da vida como vontade de poder, segundo a perspectiva de Friedrich Nietzsche. Segundo Nietzsche a vida é um constante criar e recriar sem uma teleologia pré-definida. É justamente por este aspecto que a arte expressa de forma mais transparente o que a vida é, pois, a arte é justamente o processo de criação e recriação sem uma finalidade para além da própria criação. A arte na perspectiva do artista está sempre inconclusa e por isso ele não cessa de criar, é como se o artista de alguma maneira captasse o que a vida é, e revelasse isso em sua arte e no processo de criação. A arte além de ser como tudo o mais, movida pela vontade de poder, na medida em que ela mesma é uma pulsão pelo constante criar, revela de forma muito peculiar o <em>pathos</em> que é a vida como vontade de poder que sempre supera a si mesma. Portanto, o verdadeiro artista ao perceber contra a corrente do mundo a forma como conteúdo e o conteúdo como forma, percebe o mundo invertido, e essa inversão no olhar o possibilita brincar com a vida, criando e transformando o atual em novo. Além disso, na medida em que os valores contrapostos pelo artista são uma mentira necessária para suportar a existência, em sua inversão da realidade encontra a verdadeira realidade em suas inúmeras realidades criadas. Os valores criticados exemplificados pela ação do artista é a concepção de verdade inaugurada pelo Socratismo e Platonismo, que de certa forma é fundamentada em uma espécie de divinização da racionalidade em detrimento do <em>pathos</em>. Nosso filósofo em explícita inversão do Platonismo afirma que a verdade racional-conceitual-metafísica tem menos valor que a irracionalidade do <em>pathos </em>artístico.</p> Ricardo Evangelista Brandão Copyright (c) 2020 Ricardo Evangelista Brandão 2020-06-12 2020-06-12 20 2 190 201 10.31977/grirfi.v20i2.1726 A superação da concepção liberal de liberdade em Hannah Arendt https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1801 <p>Este artigo pretende confrontar duas noções acerca da noção de liberdade, temática central na Filosofia Política. De um lado, partiremos de algumas reflexões do liberalismo político, onde no primeiro momento, exploraremos a obra <em>Dois Conceitos de Liberdade</em> (<em>Two Concepts of Liberty</em>), de Isaiah Berlin. Para esse autor a liberdade negativa <em>(negative liberty</em> - “<em>estar livre de”) </em>e<em>,</em> não a liberdade positiva (<em>positive liberty</em> - <em>“estar livre para</em>”), deve ser a maior preocupação dos corpos políticos, ou seja, o Estado deve existir para evitar que a liberdade individual seja reduzida pela própria interferência do Estado ou de outros sujeitos. De encontro a essa ideia, e ancorados em Arendt, desejamos sustentar que um dos grandes problemas do liberalismo político é a não ação (<em>negative liberty</em>), isto é, a falta de participação do cidadão nos assuntos e nas decisões políticas. Ao mostrar isso, defenderemos em Arendt o papel central da liberdade positiva <em>(political freedom)</em> da ação e da fala, e, consequentemente, a possibilidade de um republicanismo cívico como alternativa ao isolamento e apatia políticas gestados pela liberdade burguesa, uma vez que, para Arendt, a aposta de Berlin e da tradição liberal são insuficientes para pensarmos os acontecimentos da política contemporânea.</p> <p><strong>Palavras-chave</strong>: Política; Liberdade; Liberalismo; Cidadania; Arendt.</p> Edson kretle Santos Ricardo Corrêa de Araujo Copyright (c) 2020 Edson kretle Santos, Ricardo Corrêa de Araujo 2020-06-12 2020-06-12 20 2 202 214 10.31977/grirfi.v20i2.1801 O retorno ao pensamento do ser na filosofia de Heidegger https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1520 <p>O objetivo deste artigo é apresentar como o filósofo alemão Martin Heidegger propõe um retorno ao pensamento do ser. Em primeiro lugar, ele indica a importância de uma questão fundamental, a qual ficou esquecida pela tradição metafísica. Seu argumento revela que o pensamento do ser consiste na essência do pensar. Diante das ciências e da técnica, Heidegger defende a necessidade de resgatar pensamento do ser como uma tarefa primordial da existência humana e que nos possibilita fazer as perguntas em torno do sentido que os entes, o Ser em geral e nós mesmos possuímos.</p> Ana Carla de Abreu Siqueira Copyright (c) 2020 Ana Carla de Abreu Siqueira 2020-06-12 2020-06-12 20 2 215 223 10.31977/grirfi.v20i2.1520 A constituição hermenêutica filosófica das ciências humanas em Hans-Georg Gadamer https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1777 <p>O presente artigo tem como objetivo analisar, a partir da obra <em>Verdade e Método</em>, as principais perspectivas que dão fundamentação para a tese gadameriana de uma hermenêutica filosófica inerentes as ciências humanas. A hipótese principal é que Gadamer desenvolve uma reflexão não-metodológica para as ciências humanas guiada pela relação inextricável entre hermenêutica crítica e a linguagem, entendida como o modo de ser dialógico da interpretação. Para desenvolver tal hipótese, três momentos são relevantes: primeiro momento apresenta o caminho não-metodológico de Gadamer a partir da apropriação dos conceitos de tato, do jogo e da arte. No segundo momento, avança sobre o amadurecimento gadameriano da hermenêutica das ciências humanas a partir da noção de hermenêutica da faticidade desenvolvida por Heidegger. No terceiro momento, constitui a aproximação entre hermenêutica e linguagem como ponto de diálogo com a tradição, fazendo-se, assim, aflorar a consciência história efeitual. Conclui-se que a constituição da hermenêutica das ciências humanas tem por objetivo principal preparar para uma consciência hermenêutica.</p> Paulo Thiago Alves Sousa Copyright (c) 2020 Paulo Thiago Alves Sousa 2020-06-12 2020-06-12 20 2 224 243 10.31977/grirfi.v20i2.1777 Nietzsche, Platón y Darwin: vida, creación y nihilismo https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1760 <p>En el presente artículo se abordarán las relaciones entre Nietzsche y Platón, y Nietzsche y Darwin, a partir de las respectivas autocalificaciones nietzscheanas –a saber, su propia filosofía como ‘platonismo invertido’, y su postura ‘anti-Darwin’. A partir de esto, se buscará alcanzar tres objetivos: en primer lugar, establecer que la calificación nietzscheana de ‘Anti-Darwin’ no se sustenta ni en una oposición de tipo ontobiológico, ni en oposición a un carácter teleológico de algún tipo, sino, principalmente, en una ruptura axiológica; en segundo lugar, mostrar la conexión entre la perspectiva nietzscheana y el platonismo, en divergencia con las perspectivas que, o ponen a Nietzsche en completa oposición al platonismo, o encuentran concordancia no con el platonismo, sino con Platón, o hallan plena continuidad entre uno y otro –el ‘Nietzsche metafísico’ heideggeriano. Finalmente, el tercer objetivo consistirá en mostrar que ambas autocalificaciones se hallan estructuralmente asociadas, es decir, que una no es completamente comprensible sin la otra.</p> Alonso Zengotita Copyright (c) 2020 Alonso Zengotita 2020-06-12 2020-06-12 20 2 244 257 10.31977/grirfi.v20i2.1760 Russell e a análise proposicional https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1794 <p>O presente artigo explica o que é e como funciona o método de análise lógica de Russell no contexto do atomismo lógico,&nbsp;apontando os objetivos e preceitos que ele leva em conta quando se propõe a fazer análises proposicionais. Após explorar o desenvolvimento geral da análise em sua obra, examinamos dois exemplos de análise proposicional: o de proposições relacionais e o de proposições que contêm descrições. Nos dois casos, notamos que Russell busca romper com uma lógica restrita à forma sujeito-predicado, que ele pensava ser a origem de uma gramática defectiva e, por isso, também de muitos dos problemas metafísicos tradicionais. Neste sentido, presumindo que pode haver uma ampla variedade de formas, Russell pensa que o objetivo da análise seria justamente identificar qual é a forma lógica e quais são os constituintes de uma proposição, o que serviria para desfazer mal-entendidos da linguagem e dissolver problemas metafísicos. Portanto, no presente artigo, detalhamos sob quais preceitos teóricos Russell realiza esse objetivo nos dois exemplos especificados.</p> Murilo Garcia de Matos Amaral Copyright (c) 2020 Murilo Garcia de Matos Amaral 2020-06-12 2020-06-12 20 2 258 280 10.31977/grirfi.v20i2.1794 Sobre a compaixão na política: o ponto de vista de Arendt https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1877 <p>Quando o tema em questão é o pensamento político contemporâneo, os estudos de Arendt são indispensáveis. Ela se tornou uma referência nesse assunto, desde a publicação da sua obra <em>Origens do totalitarismo</em>. Neste artigo, no entanto, o objetivo não é discutir ou analisar o conceito de política dessa autora e nem relacioná-lo necessariamente a uma determinada teoria ou forma de governo, mas sim apresentar de modo introdutório e elementar, alguns aspectos das suas considerações e dos seus posicionamentos sobre o sentimento de compaixão na política como entendida por ela, especialmente como aparecem em sua obra <em>Da revolução</em>.</p> José João Neves Barbosa Vicente Copyright (c) 2020 José João Neves Barbosa Vicente http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-06-12 2020-06-12 20 2 281 290 10.31977/grirfi.v20i2.1877 As vozes de Wittgenstein: hegemonia, assombração e conflito https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1741 <p>O objetivo deste texto é apresentar e explorar uma imagem de Wittgenstein que ainda permanece nas margens da produção acadêmica de comentários sobre seus escritos: a imagem de um filósofo que não se ocupa de teses e teorias filosóficas, mas de um conflito com sua herança filosófica e com o mundo que habita. Um conflito que não termina, que nos exibe ambiguidades que não são abandonadas através de soluções definitivas para o que assombra o filósofo. As vozes de Wittgenstein nos falam tentações e formas hegemônicas de pensar a filosofia que ainda se fazem presentes, de questões que ainda podem ser colocadas para as comunidades filosóficas, e isso nos leva a pensar que pertinência ainda pode haver em sua demanda por um procedimento terapêutico. Nesse sentido, alguns assuntos serão tratados como: a filosofia como uma forma de terapia antifilosófica, a relação entre a “doença de uma época” e os escritos e aspectos biográficos de Wittgenstein, o desejo de autenticidade e a possibilidade de soluções individuais para os problemas relativos à “escuridão desta época”.</p> Victor Galdino Alves de Souza Copyright (c) 2020 Victor Galdino Alves de Souza 2020-06-12 2020-06-12 20 2 291 308 10.31977/grirfi.v20i2.1741 A díade virtù-fortuna na fundação e manutenção da ordem em Niccolò Machiavelli https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1723 <p>O par Fortuna-Virtù é discutido nas diversas análises críticas do pensamento de Machiavelli e, embora tais termos possuam origens e tradições bem determinadas ao longo do pensamento latino, principalmente específicas considerações antigas e medievais em algumas recepções durante o humanismo cívico, suas características elusivas ao longo das argumentações de Machiavelli são mantidas, possibilitando inúmeros debates acadêmicos. Diante da ambivalência e da ambiguidade da ideia de <em>Virtù</em> perante relevantes e variadas tradições, contínuas buscas por clarificação são feitas ao longo do corpus do secretário florentino, associando o termo a outras importantes e centrais reflexões, e.g., <em>desiderio, stato, forza</em>. A instabilidade política, as forças além do controle humano, a imponderabilidade das ações civis são temas recorrentes nas concepções sobre a Fortuna em variadas argumentações desse autor. Em aberto diálogo com os humanistas cívicos que enfatizam maior participação política e social, mesclando embasamento racional, consideração moral e as discussões sobre as formas dos regimes políticos, esse escritor apresenta uma concepção historiográfica, a revigorar tradições do mundo antigo, na criação de uma ordem civil mediante a <em>Virtù</em>, a qual demanda comprometimento pessoal e público na exaltação das potencialidades e dos limites humanos. Reinserir a relevância da paridade entre Fortuna e Virtù em Machiavelli é um passo relevante no combate a leituras anacrônicas. Assim, analisar-se-ão os exemplos mais significativos dos fundadores e dos sustentadores da ordem civil destacados nos textos discursivos do florentino, e.g., Romulo, Numa, Moisés, Cesare Bórgia, Castruccio Castracani. Ao estudar as imagens da Fortuna, em face das concepções políticas e antropológicas do autor, discutir-se-á a centralidade da díade Virtù-Fortuna no desenvolvimento argumentativo de algumas ideias principais desse famoso pensador político.</p> Jean Felipe de Assis Copyright (c) 2020 Jean Felipe de Assis 2020-06-12 2020-06-12 20 2 309 331 10.31977/grirfi.v20i2.1723 O ensino de filosofia no processo de resistência https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1513 <p>O presente artigo propõe levantar uma série de problemas para tentar pensar as possibilidades do ensino de filosofia como um processo de resistência e luta contra àquilo que Deleuze e Guattari chamaram de ‘inimigos da filosofia: os pós-kantianos,o filósofo alemão Friedrich Hegel e especialmente, o <em>marketing. </em>A partir da crítica desenvolvida, abordaremos também como o ensino de filosofia poderia criar linhas de fuga àquilo que Silvio Gallo chamou de ‘educação maior’. Pretendemos pensar a filosofia e a educação tendo como fio condutor, a filosofia da diferença de Gilles Deleuze e Félix Guattari. A ideia é tratar a filosofia com criadora de conceito a partir da ideia de‘pedagogia do conceito’, o que nos possibilitaria problematizar uma prática de ensino de filosofia estabelecendo enquanto campo de conversação, a filosofia da diferença e seu ensino, ou seja, tal prática formativa pretende agir por brechas, fazendo emergir possibilidades dos estudantes escaparem na medida do possível, das formas e dispositivos de controle.</p> Alex Fabiano correia jardim Adhemar Santos de Oliveira Copyright (c) 2020 Alex Fabiano correia jardim, Adhemar Santos de Oliveira 2020-06-12 2020-06-12 20 2 332 346 10.31977/grirfi.v20i2.1513 Compreendendo a noção de experiência corporal em Merleau-Ponty: contribuições para a educação https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1752 <p>A partir da fenomenologia de Merleau-Ponty podemos perceber que o ponto de vista da corporeidade se relaciona diretamente com o desafio da educação, o corpo não é tomado como um objeto no espaço e no tempo, ou então em movimento, definido exclusivamente como um conjunto de partes. A relação entre filosofia e arte se faz fundamental para pensar a formação humana e a educação nos termos que estamos pesquisando aqui, pois trata-se da própria fundamentação do conhecimento, a partir de uma atitude de experiência perceptiva com o mundo no qual estamos inseridos. &nbsp;Com isso, neste artigo demonstraremos que a arte se aproxima da filosofia e da educação, pois é impossível filosofar renegando a condição humana, posto que essa ação pretende desvelar o sentido original do ser. Portanto, ao invés de negá-la, é necessário assumi-la. Ao final, debruçados nas pesquisas de Merleau-Ponty, poderemos compreender a árdua tarefa que é defrontar o mistério da sensibilidade na esfera da educação, admitir a arte enquanto tarefa infinita e a filosofia como uma reflexão inacabada, além de identificar as ambiguidades e contradições que permeiam nossas vidas.</p> Mauricio Bueno da Rosa Copyright (c) 2020 Mauricio Bueno da Rosa 2020-06-12 2020-06-12 20 2 347 359 10.31977/grirfi.v20i2.1752 Ressentimento e vingança: conservação e desagregação do espaço político em Arendt https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1756 <p>O espaço público é palco para os mais variados conflitos, resultando, em certos casos, em violência. Entretanto, é nesse espaço que os homens experimentam a liberdade, expressando-se frente à pluralidade de opiniões. Por ser um espaço para a livre expressão, nem sempre nossas ações e opiniões são recebidas sem contrariedade, despertando sentimentos rancorosos. Seguindo o pensamento de Arendt, o espaço público é a arena em que todos devem se manifestar espontaneamente, evidenciando-se a partir de sua singularidade diante da pluralidade que caracteriza a comunidade. Por ser um espaço de manifestação do indivíduo, pautado pela liberdade e pluralidade, a ação é irreversível e imprevisível, possibilitando um ciclo de mal-entendidos e violência. Por conseguinte, não há como impedir que emoções conflitantes sejam alimentadas do prejuízo originado da ação política. Segundo Arendt, ressentimentos são estados emocionais peculiares ao ser humano, facilitando o entendimento comum e a convivência. Assim, o ressentimento pode conduzir a atos contra a injustiça, com a punição e o perdão, possibilitando um novo começo. Contudo, há atos que não se coadunam com o perdão, como os crimes perpetrados pelo nazismo, cuja relação estabelecida entre os homens não era humana. Diante do absurdo da situação, sobre a qual não há como julgar, o perdão não tem lugar, fechando as portas para um novo começo. Enfim, este texto pretende explorar o papel do ressentimento enquanto fator que possibilita a sobrevivência do espaço público, mas que também pode conduzir à sua destruição.</p> <p>&nbsp;</p> Ricardo Gião Bortolotti Copyright (c) 2020 Ricardo Gião Bortolotti 2020-06-12 2020-06-12 20 2 360 379 10.31977/grirfi.v20i2.1756 Sobre animais, humanos e máquinas: para onde vai a consciência? https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1889 <p>O artigo discute a relação entre humanos, animais e máquinas, tomando como foco o problema do desacoplamento da consciência implicado no desenvolvimento das inteligências artificiais. ‘Que relação existe entre o progressivo condicionamento dos processos humanos aos processos artificiais (entidades inteligentes e não-conscientes) e a chamada ética animal?’ e ‘O que significa afirmar que a recente preocupação ética voltada para os animais é um fenômeno pós-histórico e biopolítico?’ são algumas das interrogações que o artigo elabora e procura responder.</p> André Brayner de Farias Copyright (c) 2020 André Brayner de Farias 2020-06-12 2020-06-12 20 2 380 392 10.31977/grirfi.v20i2.1889