Griot : Revista de Filosofia https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot <p>A&nbsp;<strong>Griot : Revista de Filosofia&nbsp;</strong>é um periódico quadrimestral do Curso de Filosofia da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, câmpus de Amargosa/BA, Centro de Formação de Professores (CFP), cujo objetivo é&nbsp;divulgar pesquisas de doutorandos e doutores na área de filosofia e promover debates e discussões filosóficos de forma ampla, independentemente da linha e filiação filosóficas dos autores.&nbsp;</p> <p><strong>Ano de criação</strong>: 2009 | <strong>Área de publicação:</strong> Filosofia |&nbsp;<strong>e-ISSN:</strong> 2178-1036 |&nbsp;<strong>Qualis:</strong> B1</p> Universidade Federal do Recôncavo da Bahia pt-BR Griot : Revista de Filosofia 2178-1036 <p>Os autores que publicam na&nbsp;<strong>Griot : Revista de Filosofia</strong>&nbsp;mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a&nbsp;<a href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/">Creative Commons Attribution 4.0 International License,</a>&nbsp; permitindo compartilhamento e adaptação,&nbsp;&nbsp;mesmo para fins comerciais, com o devido reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.&nbsp;<a id="cell-25-path-details-button-5b1d7fbd47b43" class="pkp_controllers_linkAction pkp_linkaction_details pkp_linkaction_icon_" title="Ver item" href="https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/35/_0">Leia mais...</a></p> O paradigma estético de Félix Guattari https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1152 <p>O objetivo deste texto é o de abordar a singularidade daquilo que o pensador Félix Guattari chamou de “paradigma estético”. Por vezes também chamado de paradigma ético-estético ou político-estético, este paradigma tem a pretensão de funcionar como uma proposição, mais que uma proposta, para suscitar nas mais diversas áreas, campos e práticas a problemática da criação ética e da recriação política, ambas, indissociáveis. Assim, cabe investigar o que se entende por “estética”, o que é a arte e quem é o artista deste paradigma. Quais são as motivações, as paisagens e as condições das questões que levaram Guattari a formular esta ideia de um paradigma capaz, a partir da arte, passando pela ética, instaurar um novo modo de pensar a política e de pensar politicamente.</p> Vladimir Moreira Lima Ribeiro ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-02-28 2019-02-28 19 1 1 24 10.31977/grirfi.v19i1.1152 Antropologia histórica como conceito de história natural em Adorno https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1146 <p>O tema geral do presente artigo trata da antropologia histórica encontrada em “<em>The Authoritarian Personality</em>” e fundamentada em “Dialética do Esclarecimento”. Especificamente, abordaremos a conceituação que compreende as movimentações pulsionais (segundo leitura da teoria freudiana) enquanto natureza interna, fundamento da concepção da antropologia aqui debatida. Com isso, ao falarmos de antropologia e de natureza, não estamos nos referindo a concepções imutáveis e “biologizantes”, mas a noções históricas e contextuais. Para tanto, iremos nos voltar à “Ideia de história natural” adorniana, precisamente à dialética entre história e natureza. No texto, Adorno trata de dois movimentos de tal dialética: uma concepção de Lukács, para quem elementos da história se tornam naturalizados enquanto segundo natureza, o que pode ser exemplificado com o esquematismo hollywoodiano promovido pela indústria cultural; o segundo movimento, sob influência de Walter Benjamin, trata da transitoriedade histórica da natureza, quando resquícios arcaicos reprimidos pelo sentido histórico dominante ressurgem, tornando-se possibilidade de outra orientação histórica. Este debate se mostra importante justamente porque se encontra no cerne da relação entre economia-política/sociologia e psicanálise, os domínios teóricos mais relevantes para a primeira geração da Teoria Crítica. Por mais que pensemos que há uma antropologia implícita para Horkheimer e Adorno – que enxergariam o ser humano enquanto naturalmente agressivo e destruidor –, o nosso intuito é mostrar que, se a antropologia e a natureza são históricas, o ser humano age a partir da pulsão de morte justamente porque o meio social que o forma é ele mesmo dominador, violento, reificado e alienante.</p> Virginia Helena Ferreira da Costa ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-02-28 2019-02-28 19 1 25 43 10.31977/grirfi.v19i1.1146 Limiares poéticos do pensamento político de Giorgio Agamben https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/946 <p>O artigo apresenta o livro <em>O fogo e o relato. Ensaios sobre criação, escrita, arte e livros </em>(2018), do filósofo italiano Giorgio Agamben, discutindo alguns dos limiares poéticos do seu pensamento político. Parte-se de alguns dos debates subentendidos de Agamben com Jacques Derrida sobre linguagem e literatura, passa-se pelo ato poético como ato de resistência, define-se a potência inoperante presente em gestos de interrupção discursiva e chega-se à discussão sobre vida e obra em contexto biopolítico. Seguindo a ordem dos capítulos, mas sem pretender esgotá-los, o pressuposto do artigo é de que o italiano, que tem a poesia e a literatura geralmente vinculada a uma espécie de “primeira fase” de sua obra, também na série biopolítica nomeada <em>Homo Sacer</em> lançou mão da poesia e da literatura como forte estratégia de resistência e abertura de limiares ante a lógica que se desenha do poder soberano. Se, por um lado, o livro pode ser lido como formando um círculo hermenêutico, os capítulos, por outro lado, permitem ao leitor perceber as principais linhas em que filosofia, literatura, poesia e política se entrecruzam para o pensador italiano. Por isso, também, recorreu-se à relação direta de alguns argumentos expostos em <em>O fogo e o relato</em> tanto com noções e argumentos presentes em outros livros de Agamben, quanto pontualmente com outros interlocutores.</p> Sandro Ornellas ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-02-28 2019-02-28 19 1 44 64 10.31977/grirfi.v19i1.946 A filosofia política de Martín de Azpilcueta (1492-1586) e a questão da autoridade civil popular https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1154 <p>Neste artigo pretender-se-á estabelecer as bases sobre as quais Martín de Azpilcueta demonstra sua fundamentação da autoridade política no intuito de refletir sobre como este pensador articula sua argumentação no intuito de apresentar o povo como detentor originário, por direito natural, do poder civil. Para que este objetivo possa ser alcançado buscar-se-á apresentar como o autor relaciona e distingue o poder eclesiástico do poder laico ou civil. Em seguida demonstrar-se-á como o pensador espanhol estabelece sua fundamentação da autoridade civil popular ao defender que o poder civil se legitima por ter sua origem em Deus, por ser de ordem natural e ser dado de forma imediata à comunidade dos mortais. A partir disso é possível considerar que a autoridade política laica, conforme o pensamento de Martín de Azpilcueta, tem o povo como seu legítimo depositário e que disso decorre a igualdade original primária de todos os homens na vida pública. Para que se possa realizar o objetivo apresentado neste trabalho estudar-se-á, de maneira específica, a <em>Notabile tertium</em> presente na obra Martín de Azpilcueta chamada <em>Relectio C. Novit de Iudiciis </em>publicada pela primeira vez em Coimbra no ano de 1548<em>.</em></p> Marlo do Nascimento ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-02-28 2019-02-28 19 1 65 75 10.31977/grirfi.v19i1.1154 Jean-Luc Nancy’s notion of singularity https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1153 <p>My article aims to explore Nancy's notion of <em>sense</em> as a key ontological concept because I believe this concept&nbsp; as it appears mainly in his "Sense of the World", opens the possibility of a more profound understanding of his thesis.&nbsp;This will not be an attempt to draw a map or a line in Nancy's theory placing sense either as the starting point or as his central concept. Instead, it is an attempt to show that <em>sense</em> plays a significant role in Nancy's understanding of singularity and finitude and therefore provide an insight into Nancy’s overall theory of being. My argument analyses <em>sense's</em> centrality to Nancy´s discussion on <em>touch</em> and the vital role <em>touch</em> has in the articulation between his comprehension of mitsein/etre-avec and his elaboration of being as singular plural.</p> Yonathan Listik ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-02-28 2019-02-28 19 1 76 95 10.31977/grirfi.v19i1.1153 A escrita como autoformação e resistência: Foucault, Nietzsche e a criação de mundos e histórias https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/995 <p>A ficção corresponde a um estilo de escrita que sustenta a construção de narrativas capazes de arrancar o escritor de si mesmo em um sentido de, por meio do experimento da própria linguagem, constituir-se esteticamente. Quando observamos as obras de Nietzsche, percebemos que há uma pluralidade de estilos literários, compostos, frequentemente, por aforismos que demandam outro performático: a escrita hiperbólica. Por meio da escrita artística, Nietzsche cria um mundo compreendido como vontade de poder em que dá a si mesmo como personagem dentre outros tipos psicológicos. Já na filosofia de Foucault o traço marcante de suas obras é o tom histórico com o qual aborda seus temas. Porém, como o próprio afirma em algumas entrevistas, não escreve outra coisa que não sejam ficções, seleciona e organiza enunciados históricos criando diversos cenários, sujeitos e objetos de seu discurso. Este estilo presente em ambos entra em contato com o exterior provocando um reposicionamento do leitor, que é afetado promovendo, como efeito de subjetivação, um reposicionamento político de insubmissão de <em>não querer mais ser governado dessa forma</em>.</p> Bruno Abilio Galvão ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-02-28 2019-02-28 19 1 96 114 10.31977/grirfi.v19i1.995 A necessidade no processo constitutivo das composições naturais em Aristóteles https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/959 <p>Com este artigo, pretendo examinar a maneira pela qual ocorreria a necessidade natural, em seus diversos aspectos, nos distintos processos gerativos composicionais em Aristóteles. Em um caso, a necessidade natural se daria de um modo "sem mais", ou de um modo absoluto, por meio da qual se geram os agregados. Em outro, a necessidade natural se realizaria a partir de um princípio anterior regulativo ou determinante, que Aristóteles denomina de necessidade <em>ex hupoteseos</em> (sob hipótese), com relação aos processos envolvidos na constituição dos corpos homogêneos inanimados e, dos organismos vivos. No entanto, haveria uma diferença essencial relativamente ao acabamento composicional associado, por um lado, aos corpos homogêneos inanimados e, por outro, aos organismos vivos. Enquanto que o acabamento constituinte das composições homogêneas inanimadas se restringiria apenas ao todo composicional e suas propriedades características, o acabamento dos organismos vivos corresponderia ao todo composicional e as suas propriedades características, bem como este acabamento em vista da realização das atividades orgânico-funcionais, ou vitais.</p> Rodrigo Romão de Carvalho ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-02-28 2019-02-28 19 1 115 126 10.31977/grirfi.v19i1.959 Disciplina e poder: breves considerações sobre a questão do corpo na filosofia de Michel Foucault https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1029 <p>&nbsp;</p> <p>Este artigo tem por finalidade apresentar alguns aspectos relacionados à questão do corpo na filosofia de Michel Foucault. Para isso, a nossa investigação se dará em dois momentos: no primeiro momento analisaremos a relação do corpo com a medicina para percebermos como a visão deste saber sobre o corpo se modificou a partir do século XVII, veremos que há uma relação entre o olhar médico e o corpo em si. O segundo momento será dedicado a uma explicitação acerca da relação entre poder e corpo; será possível notar que as práticas subjetivas são determinadas a partir de dispositivos culturais próprios de uma realidade cultural. No esteio disso, o poder disciplinar, que tem o seu ideal no panóptico, foi elemento preponderante para o projeto de domesticação dos corpos. Enfim, não é possível afirmar uma teoria sobre o corpo, no pensamento do filósofo francês, pois a sua investigação traz à tona a complexidade das estruturas culturais que determinam as diversas percepções a respeito desse corpo.</p> Leandro Sousa Costa Leonardo Nunes Camargo ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-02-28 2019-02-28 19 1 127 138 10.31977/grirfi.v19i1.1029 Ontologia, desejo e política em Espinosa https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1031 <p>No primeiro movimento o artigo analisa, em panorama, a ontologia espinosana. Após, mostra como, do interior dos conceitos presentes na ontologia, derivam os de homem, desejo, alegria e tristeza, esperança e medo, segurança e desespero, ação e paixão. Da relação entre ontologia, homens e desejo – bem como dos demais afetos –, são extraídas, em breves considerações, algumas teses políticas de Espinosa. Levanta-se, neste movimento argumentativo, a hipótese de que as teses políticas espinosanas derivam de sua ontologia e de sua concepção de homem como desejo e variação de potência. O conceito de desejo é analisado à luz da variação de potência e do tema do direito natural, o qual, em Espinosa, se identifica a potência. Quando das breves derivações à política, algumas teses hobbesianas – relacionadas aos temas da multidão, povo, representação, direito natural, estado civil, etc. – são trazidas à argumentação para que se mostre, por contraste, o peso das inovações espinosanas.</p> Luiz Carlos Montans Braga ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-02-28 2019-02-28 19 1 139 158 10.31977/grirfi.v19i1.1031 Las víctimas ante el precipicio de la verdad: una cuestión de justicia tras el debilitamiento de Gianni Vattimo https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1117 <p>El siglo XXI inaugura la era de la post-Verdad como espectáculo visual que favorece las apariencias por encima de todo lo demás. Pero de forma esquizofrénica, la aceptación social de la mentira choca frontalmente con la mantenida idealización de la Verdad como espejo objetivo de los hechos, que continúa siendo la hoja de ruta regulatoria de Occidente y su eurocentrismo. Las víctimas parecen quedar así atrapadas así entre el precipicio del espejo objetivante y el abismo de la post-Verdad espectacularizada, dos formas de absolutización de la Verdad al vaivén de las voluntades e intereses de poder. Este artículo parte de esta bipolaridad paradójica contemporánea, para, a través del debilitamiento epistémico de la Verdad propuesto por el filósofo Gianni Vattimo, atajar la cuestión de dignidad y la justicia de las víctimas. La debilitación epistémica de la Verdad que plantea Vattimo abre efectivamente las posibilidades para una transformación democrática, pero nada garantiza qué ni quiénes vayan a sacar partido de esa apertura debolista. Para ser transformadora, la Verdad deja de ser absoluta, incluso de pretenderlo, pero sin perder por ello la referencia de criterios que habitan las vidas humanas dignas como fuente corporal.</p> Jairo Marcos ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-02-28 2019-02-28 19 1 159 173 10.31977/grirfi.v19i1.1117 Bens irredutivelmente sociais como pressuposto para a defesa de direitos coletivos https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1038 <p>O presente estudo analisa o conceito tayloriano de bens irredutivelmente sociais. Além disso, visa avaliar a possibilidade da existência de bens intrinsecamente sociais, ou se todos os bens, em última análise, devem ser compreendidos apenas como bens originariamente formulados enquanto bens individuais. Caso existam bens intrinsecamente sociais, que consequências podem ser derivadas no que tange à discussão em torno dos direitos coletivos? O tratamento destas questões é levado à cabo no artigo <em>Bens irredutivelmente sociais</em>, de Charles Taylor, onde o filósofo canadense afirma que existem bens convergentes e bens irredutivelmente sociais. Os convergentes seriam aqueles que podem ser decompostos em bens individuais, ou seja, são aqueles que somente indivíduos podem acessar; por outro lado, bens irredutivelmente sociais são aqueles partilhados por um grupo humano ou que possuam um significado comum concedido por um pano de fundo, o que impede que sejam decompostos primariamente em bens individuais. Após essa análise, nos propomos a apresentar as consequências teóricas que podem ser derivadas da defesa de bens sociais.</p> Odair Camati Inácio Helfer ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-02-28 2019-02-28 19 1 174 185 10.31977/grirfi.v19i1.1038 Bildung e segunda natureza: Mcdowell leitor de Gadamer https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1061 <p>Em seu livro Mente e Mundo John McDowell pretende superar a oscilação entre duas abordagens que pretendem mediar à relação entre as mentes e o mundo, de um lado temos o mito do dado dizendo que os pensamentos precisam de uma coerção a partir do mundo exterior, e do outro lado temos o coerentismo que apresenta a ideia de que apenas uma crença pode justificar outra crença. Para defender sua abordagem e naturalizar as capacidades conceituais, situando a espontaneidade na natureza sem reduzi-la no interior do reino da lei. A natureza humana seria então uma segunda natureza que não é só formada a partir das capacidades adquiridas no nascimento, mas que são formadas também a partir da <em>Bildung</em>. Ao lançar mão dessas noções, McDowell traz a discussão das ideias de Han-Georg Gadamer sobre a experiência de abertura para o mundo através da linguagem. Deste modo, a intenção do presente artigo é de discutir sobre as implicações das noções de Bildung e segunda natureza na obra de McDowell buscando um maior esclarecimento a partir da influência e das interpretações de Gadamer.</p> Bruna Natália Richter ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-02-28 2019-02-28 19 1 186 196 10.31977/grirfi.v19i1.1061 Vocação de poeta ou do trágico como tarefa da poesia em Hölderlin https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1132 <p>Esse artigo examina como se define a questão do trágico para Hölderlin, importante poeta alemão do século XVIII. Em 1804, Hölderlin traduz e comenta as peças <em>Édipo-rei</em> e <em>Antígona</em> de Sófocles. Esse artigo se concentra na investigação sobre o trágico que Hölderlin empreende na terceira parte de suas <em>Observações sobre Édipo</em>, nela surgem elementos que são singulares no seu pensamento, como a cesura, a dupla infidelidade e o afastamento categórico do deus. Esses elementos permitem que Hölderlin trate o tema do trágico a partir de uma visão completamente nova para o seu tempo e que propiciou o surgimento de importantes reflexões posteriores na literatura e na filosofia. Duas são as questões principais que norteiam a argumentação neste artigo: a primeira se refere à acepção singular de Hölderlin sobre os paradoxos que comumente constituem o trágico, como o humano e o divino; a segunda, a análise da tarefa poética da modernidade como tarefa possível para toda e qualquer poesia.</p> Solange Aparecida de Campos Costa ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-02-28 2019-02-28 19 1 197 214 10.31977/grirfi.v19i1.1132 A afirmação da finitude como possibilidade para a responsabilização do desejo: notas a partir de Heidegger e Lacan https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1162 <p>O propósito deste artigo é o de evidenciar de que forma a afirmação de ser ser-para-a-morte de Heidegger pode ser entendido como condição de possibilidade para a responsabilização do desejo conforme formulado pela psicanálise lacaniana. Primeiro, descreve-se a estrutura do <em>Dasein</em> heideggeriano, bem como seus existenciais. Em seguida, analisa-se o uso e o sentido da noção de desejo em Lacan.&nbsp; Tanto numa existência autêntica, quanto num final de análise, onde o sujeito sabe lidar com suas perdas, diante da angústia, ele assume um papel de protagonista de sua existência e consegue se responsabilizar pelo seu desejo. A análise, nesse sentido, serve como uma ferramenta que possibilita o sujeito lidar com este sofrimento decorrente da falta, deste nada que falou Heidegger. Evidentemente que a análise não objetiva eliminar esta falta ontológica, mas tão somente desconstruir os fantasmas que o sujeito construiu para afastar o que lhe é mais próprio, constitutivo de sua estrutura ontológica, qual seja, sua finitude. Portanto, tanto para Heidegger, por meio da afirmação da angústia frente à morte, quanto para Lacan, onde o sujeito assumiu a tragédia de sua existência – no final de análise –, é a afirmação da finitude que possibilita a responsabilização do desejo, de ser autêntico ou, se preferir, sujeito.</p> Renato dos Santos Juliana Rodrigues Dalbosco ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-02-28 2019-02-28 19 1 215 225 10.31977/grirfi.v19i1.1162 A filosofia de Ludwig Wittgenstein à luz do diagnóstico de autismo https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1128 <p>Em <em>Meu pensamento filosófico</em>, Bertrand Russell afirma que a segunda filosofia de Ludwig Wittgenstein lhe parecia inteiramente ininteligível e constituída de doutrinas positivas triviais e de doutrinas negativas infundadas. Essas críticas ainda hoje são largamente consideradas como decorrentes do fato de Russell não ter compreendido as ideias tardias de Wittgenstein. Em oposição a esse julgamento, neste artigo argumenta-se que o diagnóstico póstumo de que Wittgenstein era autista suscita uma nova interpretação tanto de suas doutrinas positivas quanto de suas doutrinas negativas, levando a uma revalorização do parecer de Russell sobre elas.&nbsp;</p> Gustavo Augusto Fonseca Silva ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-02-28 2019-02-28 19 1 226 253 10.31977/grirfi.v19i1.1128 A phýsis em Sexto Empírico e a concepção da natureza como guia para a vida https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1136 <p>Este artigo se divide em duas partes. Na primeira seção, após a introdução, mapeamos as diversas ocorrências de “phýsis” ao longo das <em>Hipotiposes Pirrônicas</em> de Sexto Empírico, dividindo-as em 5 categorias: (1) “natureza” como o real, em posição à “aparência”; (2) o “natural” como aquilo que parece próprio, pertencente a algo ou alguém; (3) a “Natureza”, como uma dimensão criadora e regente; (4) o “natural” em oposição ao “antinatural”; (5) a “natureza dos homens”. A forma como esses diversos usos aparecem na obra é invariavelmente crítica, como elementos da argumentação contra os dogmáticos, especialmente os estoicos. Na segunda parte do trabalho, entretanto, mostramos como a “phýsis” aparece também de maneira positiva no início das <em>Hipotiposes</em> com a função de guia para a vida, como parte da resposta à célebre objeção da <em>apraxía</em>. Além disso, defendemos a hipótese de que a “natureza”, da perspectiva de Sexto, não se opõe nem ultrapassa as convenções e os costumes; pelo contrário, a natureza é o que é reconhecido por todos e é mesmo determinada pelas convenções e pelos costumes.</p> Alice Bitencourt Haddad ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-02-28 2019-02-28 19 1 254 265 10.31977/grirfi.v19i1.1136