Griot : Revista de Filosofia https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot <p>A&nbsp;<strong>Griot : Revista de Filosofia&nbsp;</strong>é um periódico quadrimestral do Curso de Filosofia da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, câmpus de Amargosa/BA, Centro de Formação de Professores (CFP), cujo objetivo é&nbsp;divulgar pesquisas de doutorandos e doutores na área de filosofia e promover debates e discussões filosóficos de forma ampla, independentemente da linha e filiação filosóficas dos autores.&nbsp;</p> <p><strong>Ano de criação</strong>: 2009 | <strong>Área de publicação:</strong> Filosofia |&nbsp;<strong>e-ISSN:</strong> 2178-1036 |&nbsp;<strong>Qualis:</strong> B1</p> Universidade Federal do Recôncavo da Bahia pt-BR Griot : Revista de Filosofia 2178-1036 <p>Os autores que publicam na&nbsp;<strong>Griot : Revista de Filosofia</strong>&nbsp;mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a&nbsp;<a href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/">Creative Commons Attribution 4.0 International License,</a>&nbsp; permitindo compartilhamento e adaptação,&nbsp;&nbsp;mesmo para fins comerciais, com o devido reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.&nbsp;<a id="cell-25-path-details-button-5b1d7fbd47b43" class="pkp_controllers_linkAction pkp_linkaction_details pkp_linkaction_icon_" title="Ver item" href="https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/35/_0">Leia mais...</a></p> Breves observações sobre a ideia de esgotamento do quadro-pintura https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1398 <p>Este artigo parte da análise do&nbsp;<em>Impressionismo,</em>&nbsp;do abstracionismo de&nbsp;Kazimir Malevich e dos penetráveis de&nbsp;Hélio&nbsp;Oiticica para pensar o processo de eliminação das bordas do quadro-pintura. A tese de Oiticica é a de que, no momento em que viveu e atuou, o quadro-pintura passa a prescindir das bordas, derramando-se para fora dele e se constituindo como&nbsp;<em>modus vivendi</em>, eliminando, assim, a noção de um&nbsp;<em>fora</em>&nbsp;e um&nbsp;<em>dentro</em>. Com isso, defende a substituição do <em>espectador</em> pela do <em>participador</em>. Perguntamo-nos se o cinema, com suas bordas móveis, também é tocado por essas mudanças. Para tanto, tomaremos O&nbsp;<em>Cinema Novo</em>&nbsp;e o&nbsp;<em>Cinema Marginal</em>. Por fim, pensamos se a instituição escolar, como herdeira dessas questões, tem se inserido nesse debate e qual tem ou seria seu papel. Nesse sentido, fica a pergunta sobre o que se deve esperar dessa instituição depois da diluição do quadro (das grandes narrativas, das certezas modernas) e das vanguardas históricas.</p> Daniel Marcolino Claudino de Sousa ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 1 16 10.31977/grirfi.v20i1.1398 A constituição de sentido como acontecimento: Heidegger e a transformação da fenomenologia https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1402 <p>O conceito de acontecimento é um dos temas centrais do pensamento de Heidegger e oferece um fio condutor para a compreensão de sua obra. Este artigo mostra como a gênese deste conceito está diretamente relacionada à transformação da fenomenologia empreendida por Heidegger ao longo de suas primeiras preleções em Freiburg (1919-1923) e fornece algumas indicações sobre a importância deste tópico para o desenvolvimento da ontologia fundamental em <em>Ser e tempo</em>. Nossa análise se divide em três partes. Em primeiro lugar, abordamos a relação entre a intencionalidade e mundo. O nexo do mundo é o espaço de constituição primário da experiência intencional. Essa relação aponta para a crítica de Heidegger à abstração da ontologia formal e para a estrutura do acontecimento como o modo em que se dá a experiência do eu concreto e histórico. A seguir, analisamos o conceito de fenômeno em Heidegger para distinguir sua filosofia da fenomenologia transcendental de Husserl. O elemento central dessa diferença reside na introdução da dimensão de acontecimento e situação no fenômeno, que não se encontra presente no modelo husserliano da intencionalidade. Por fim, apresentamos uma interpretação da relação entre vida fática, acontecimento e situação, para apontar algumas consequências da introdução do problema da história na fenomenologia.</p> Gabriel Lago de Sousa Barroso ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 17 38 10.31977/grirfi.v20i1.1402 John Rawls: a questão da religião e da razão pratica https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1250 <p>As questões religiosas permeiam o conjunto da obra rawlsiana. O problema é saber como pessoas com diferentes doutrinas compreensivas religiosas podem chegar a um consenso sobreposto. A solução para o&nbsp; problema de como a legitimidade política pode ser alcançada, apesar do conflito religioso, e&nbsp; de como, entre cidadãos de diferentes crenças, a justificação política pode prosseguir sem referência à convicção religiosa é relacionada com a ideia de razão&nbsp; pública<strong>.</strong></p> Elnora Maria Gondim ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 39 50 10.31977/grirfi.v20i1.1250 A dimensão afetiva da existência humana à luz da fenomenologia hermenêutica: o caráter revelador das emoções em Ser e Tempo https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1449 <p>É crescente e plural o interesse filosófico em relação à dimensão afetiva da vida e da experiência humana. Dentre estes interesses destacam-se os recentes e variados esforços em compreender a natureza das emoções, especialmente em sua relação com diversas questões filosóficas envolvendo a agência humana. Na linha destes esforços soma-se a proposta de Goldie (2007) que consiste em um duplo movimento de, por um lado, apresentar um amplo e variado conjunto de fenômenos que precisam ser apreciados por quaisquer teorias da emoção, e, por outro, identificar em que medida as teorias da emoção mais prestigiadas fazem justiça àquela riqueza e complexidade fenomênica. O resultado deste duplo movimento é o diagnóstico crítico de que as teorias da emoção até então mais prestigiadas, a não-cognitivista, a cognitivista e a perceptual são deficitárias desde o ponto de vista explicativo. Curiosamente, apesar de ter reservado uma posição e função decisivas para a afetividade em meio ao projeto de elaboração da ontologia fundamental, o nome de Martin Heidegger não consta nas atas de boa parte dos atuais debates das filosofias da emoção, inclusive no já mencionado diagnóstico crítico de Goldie. O objetivo central deste trabalho consiste em apresentar em linhas gerais a fenomenologia da afetividade conforme desdobrada por Heidegger ao final da década de vinte. Mais especificamente, procura-se mostrar de que maneira a dimensão afetiva em geral, e o humor e as emoções em particular, possuem um caráter de abertura eminentemente revelador, o que inclusive justifica, desde uma perspectiva meta-filosófica, a sua inclusão junto ao programa da ontologia fundamental.</p> Gabriel Henrique Dietrich ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 51 60 10.31977/grirfi.v20i1.1449 Duas concepções de estado de natureza: Rousseau e Buffon https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1303 <p>Em muitos textos, Buffon mostra-se partidário da ideia da existência de um laço conjugal natural entre homem e mulher, retomando, assim, as concepções de Locke sobre o assunto. Por sua vez, Rousseau surge como um grande crítico desta ideia. Ele imagina um estado no qual homens e mulheres viveriam em determinadas condições que não os colocariam em relação uns com os outros e, por conseguinte, não os coagiriam a obrigações e deveres recíprocos, um estado de dispersão e de isolamento absolutos do homem. Buffon precisa, para fundar sua teoria, romper com Rousseau. Assim, elaborar e discutir o conteúdo desta ruptura tornam-se os objetos principais deste artigo.</p> Mauro Dela Bandera Arco Júnior ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 61 70 10.31977/grirfi.v20i1.1303 A naturalização da fenomenologia como proposta de solução do paradoxo da ficção https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1371 <p>Partindo do preceito que emoções precisam ser direcionadas a objetos reais, ou ao menos que se acredite serem reais, o paradoxo da ficção aponta a irracionalidade de emoções provindas de narrativas ficcionais. Visto que metodologias diferentes encontram esse dilema e têm se ocupado de sua solução desde sua identificação, uma possibilidade de resolução seria a de associar descobertas e teorias de diferentes correntes na busca por uma solução mais completa do problema. Pela proposta de naturalização da fenomenologia como auxílio na formulação de uma elucidação, esse artigo investiga a naturalização não como uma substituição das teorias cognitivas na fenomenologia, mas como uma colaboração entre áreas que abordam, por caminhos diferentes, problemas idênticos e que podem facilitar uma resolução do paradoxo. Como resultado da aproximação entre as investigações pela subjetividade e pelo empirismo identifica-se uma oportunidade de <em>design</em> de experimentos que&nbsp; tenciona ampliar o conhecimento necessário para a solução do paradoxo.</p> Gustavo Luiz Pozza ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 71 81 10.31977/grirfi.v20i1.1371 Educação à distância: ampliando o alcance da crítica social https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1308 <p style="margin-bottom: 0.42cm; font-weight: normal; line-height: 150%;" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">A partir de análise da argumentação habermasiana realizada em sua obra “Conhecimento e Interesse” original de 1968, a qual trabalhamos a partir da tradução de 1987; e ancorados nos </span><span style="font-size: medium;">trabalhos dos</span><span style="font-size: medium;"> filósofos brasileiros Durão, </span><span style="font-size: medium;">publicado </span><span style="font-size: medium;">em seu livro “A crítica de Habermas à dedução transcendental de Kant” de 1996 e Hansen, em seu artigo </span><span style="font-size: medium;">publicado na Revista Crítica, intitulado </span><span style="font-size: medium;">“Os riscos da crítica da sociedade” de 1998, refletimos, nesse artigo, sobre como Habermas resgata a Teoria do Conhecimento da maneira desvirtuada que a legou o positivismo comteano, perpassando por Freud e Marx para recuperá-la como uma Teoria Crítica da Sociedade. E, apresentamos o advento da Era da Informação e as facilidades de comunicação que a acompanham, para apresentar o modelo da Educação à Distância como uma forma eficaz de ampliar o alcance da Crítica Social como autorreflexão que torna o conhecimento um instrumento crítico não só do indivíduo, mas também da sociedade.</span></span></p> Vicente E. R. Marçal ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 82 92 10.31977/grirfi.v20i1.1308 Sobre a amplitude do cuidado como virtude moral https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1367 <p>O presente texto discute a ética do cuidado sob a ótica da amplitude prática de seu escopo. Carol Gilligan e, principalmente, Nel Noddings, são apresentadas como defensoras da tese segundo a qual o cuidado exige uma espécie de conexão ou encontro pessoal entre as partes envolvidas, sendo, desse modo, inerentemente “pessoal” e “parcial”. A posição de Cláudia Card é apresentada como crítica dessas teses, especialmente pela lacuna de tal modelo quanto às pessoas que jamais estarão diretamente ligadas a nós, mas que nem por isso deixam de demandar nosso engajamento moral – exigem, portanto, da ética, um espaço destacado para a justiça e para os princípios impessoais. Algumas ideias de Abraham Maslow e Betty Friedan são apresentadas como meios de se avançar nesse impasse, em especial a partir da concepção das chamadas “metamotivações” ou “metanecessidades”, caracterizadas como a abertura da possibilidade, na personalidade da pessoa moral, de se sentir “conectada” (num sentido semelhante ao demandado por Noddings) com certos bens “abstratos” e distantes de si, como os englobados pelas éticas de princípios (nos termos demarcados por Card).</p> Jonas Muriel Backendorf ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 93 105 10.31977/grirfi.v20i1.1367 A noção de “minha natureza” nas “Meditações Metafísicas” de Descartes: sobre um eu-prático no cartesianismo https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1310 <p>Qual o estatuto da noção de “minha natureza” nas “Meditações Metafísicas” de Descartes? Esta é a questão do presente artigo. Para respondê-la, o estudo se divide em duas partes. Num primeiro momento, mais enxuto, trata-se de investigar a referida noção tal como ela aparece, sobretudo, nas duas primeiras meditações, a saber: como a natureza do senso comum, a qual requer ser superada com vistas a dar lugar a uma noção de natureza propriamente filosófica, guiada pelo que se denomina nas “Meditações” por “luz natural”. Num segundo momento do trabalho, mais alongado e seminal, notadamente através da análise da sexta meditação, trata-se de evidenciar que se a noção de “minha natureza” em nada auxilia na tarefa de uma teoria do conhecimento, para uma filosofia prática em específico será justamente a ela que o autor se verá obrigado a recorrer. O que comporta, contudo, algum custo para a metafísica cartesiana de maneira geral. Pois se a sua teoria do conhecimento está inteiramente baseada em elementos a priori (isto é, necessários, universais e inatos), a sua filosofia prática, por sua vez, porquanto fundada numa mistura entre razão e sentimentos, precisará ser edificada quase que inteiramente num solo contingencial e experimental.</p> Bruno Santos Alexandre ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 106 117 10.31977/grirfi.v20i1.1310 A liberdade como causalidade da razão pura: entre o formalismo da lei e a sua aplicação à natureza https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1445 <p>Seguiremos com a leitura da <em>Crítica da razão prática </em>(1788), de Immanuel Kant (1724-1804), buscando apoio em dois eixos centrais: a) a formulação do <em>imperativo categórico</em>; b) a doutrina do <em>fato da razão</em>. A escolha desse percurso sustenta a posição de que, não obstante as inúmeras formulações dadas ao imperativo da moralidade ao longo da <em>Fundamentação</em>, haveria, nos termos da segunda <em>Crítica</em>, uma formulação mais clara e precisa desse princípio. Em relação à doutrina do <em>fato da razão</em>, a mesma será tratada em dois sentidos: de um lado, a partir de uma tentativa de reconstrução das teses originais de Kant, com base no percurso textual do filósofo; de outro, mostrando em que medida essa doutrina representa uma mudança de posição em relação às impossibilidades encontradas na <em>FMC</em>. O objetivo, com efeito, será o de mostrar como Kant deixa de ocupar-se da tarefa de deduzir analiticamente o conceito de liberdade a partir do conceito de vontade, sendo, precisamente, o apelo ao <em>fato da razão</em> o traço distintivo dessa mudança. Disso se concluirá que não apenas a razão pura pode ser prática, <em>mas que só ela, e não a razão restringida empiricamente, é incondicionalmente prática</em>. De saída, falaremos da distinção entre vontade e arbítrio, ressaltando seu significado para a compreensão do conceito de autonomia face à antropologia e à natureza humana.</p> Felipe Rodrigues Simões ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 118 130 10.31977/grirfi.v20i1.1445 Da disciplina à necropolítica, o papel do trabalho e da seguridade em Foucault e na atualidade https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1316 <p>A transição do trabalhador (europeu) da Idade Média para a Moderna forçou os meios de produção burgueses a criarem modos de positivar a cultura do trabalho. Para além das ideologias e da própria miséria como impulsionadores da cultura do trabalho, o que pretendemos neste artigo é jogar luz sobre o papel das previdências como instrumentos de subjetivação e normalização, originalmente disciplinares; utilizando então uma leitura foucaultiana do tema. Partiremos do como as técnicas disciplinares ajustaram os corpos trabalhadores para o trabalho e fixaram-nos com o auxílio das caixas previdenciárias, até chegarmos à compreensão atual das reformas e contrarreformas previdenciárias como resultados disto que tem sido reconhecido hoje como uma <em>necropolítica</em>. A atualidade, não mais apenas dos trabalhadores europeus (mas globais), vista então como algo que em nome de uma biopolítica se converteu nesta ultradefesa da vida. Uma defesa que, no seu limite, justificaria até mesmo a morte de larga parcela da população. Temos então a passagem da biopolítica para a necropolítica. E na mesma ordem, temos a passagem de um sistema previdenciário que não é mais feito para o auxílio ou a fixação do trabalhador, mas para a gestão do uso e do descarte (propriamente a morte) deste mesmo sujeito frente ao mercado de trabalho.</p> José Eduardo Pimentel Filho ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 131 143 10.31977/grirfi.v20i1.1316 O campo como nómos biopolítico da modernidade e a figura do muçulmano https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1317 <p>O presente texto, cujo título é “<em>O campo como nómos biopolítico da modernidade e a figura do muçulmano</em>” tem por objetivo geral examinar a noção de campo como <em>nómos</em> biopolítico presente na modernidade, segundo as afirmações da obra de Giorgio Agamben, destacando a figura do muçulmano como seu habitante e como um paradigma da vida nua (<em>nuda vita</em>) em oposição à forma-de-vida. Para que se possa realizar o objetivo proposto, iniciamos com a abordagem dos conceitos de vida nua e de biopolítica em Agamben, indicando alguns de seus interlocutores, tais como Michel Foucault e Hannah Arendt. Em seguida, analisamos o conceito de campo, que caracteriza o Estado de exceção permanente na modernidade, e a figura do mulçumano, no interior dele. Por último, apresentamos breves considerações acerca da enigmática noção de forma-de-vida, com hífen, enquanto oposta a vida nua, na medida em que uma torna inoperante a politização da vida (<em>zoé</em>), a biopolítica.</p> Lara Emanuele da Luz Eduardo Morello ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 144 153 10.31977/grirfi.v20i1.1317 A tese da transparência do sentido segundo Frege e Dummett https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1324 <p style="margin-bottom: 0.35cm; line-height: 150%;" align="justify"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;">Apresentamos no presente texto</span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"> o papel da tese da transparência do </span><span style="font-family: Times New Roman, serif;">conteúdo</span> <span style="font-family: Times New Roman, serif;">nas concepções de </span><span style="font-family: Times New Roman, serif;">sentido de</span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"> Frege e Dummett, a fim de revelar </span><span style="font-family: Times New Roman, serif;">as</span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"> razões </span><span style="font-family: Times New Roman, serif;">desses autores</span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"> para aderir a </span><span style="font-family: Times New Roman, serif;">tal tese</span><span style="font-family: Times New Roman, serif;">. A primeira parte do texto é dedicada a Frege. Nessa parte mostra-se que a tese da transparência subjaz ao modo como Frege entendeu seus critérios para a igualdade de sentido, e que a transparência do sentido atua como premissa em um de seus argumentos em favor da introdução da noção de sentido. A segunda parte é dedicada a Dummett. De início, veremos como ele reconstruiu um argumento fregeano em favor da distinção entre sentido e referência. Nessa reconstrução a transparência do sentido é caracterizada por oposição à opacidade da referência. No último movimento do texto, descrevemos como, para Dummett, a tese da transparência deve ser entendida à luz da equivalência entre significado e conhecimento.</span></span></p> <p style="margin-bottom: 0.35cm; line-height: 150%;" align="justify">&nbsp;</p> Rafael Ribeiro Silva ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 154 164 10.31977/grirfi.v20i1.1324 Há realmente uma ciência normal no sentido kuhniano do termo? https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1346 <p>Em consideração às posturas de Kuhn e seus críticos, voltaremos nossa atenção para refletirmos sobre a possibilidade de uma ciência normal (no sentido kuhniano). A pergunta motivadora do problema central deste texto será: Há realmente uma ciência normal no sentido proposto por Kuhn? Pretendemos oferecer uma resposta que anuirá parcialmente com o ideal kuhniano de ciência normal.</p> <p><strong>&nbsp;</strong></p> Dayvide Magalhães de Oliveira ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 165 172 10.31977/grirfi.v20i1.1346 A estrutura das revoluções científicas de Kuhn: uma breve exposição https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1336 <p>Como ocorre o progresso científico? Existem critérios para a escolha de teorias científicas? Qual o impacto de valores cognitivos e extra-cognitivos sobre as comunidades científicas? Para tratar de questões como estas, o filósofo da ciência Thomas Kuhn adota uma perspectiva estruturalista com embasamento histórico. Apresentamos a estrutura das revoluções científicas proposta por este pensador. Tratamos, inicialmente, da noção de paradigma, conceito chave da sua explicação do funcionamento da ciência e do progresso científico. Em seguida, expomos as fases pelas quais uma área de pesquisa comumente passa ao longo de sua trajetória: pré-ciência, ciência normal, crise e revolução. Finalizamos o artigo traçando alguns paralelos da posição deste pensador com outras perspectivas epistemológicas do século passado.</p> Marcos Antonio Alves Alan Rafael Valente ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 173 192 10.31977/grirfi.v20i1.1336 Heidegger e a noção de jogo como disposição https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1338 <p align="justify"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">Na filosofia contemporânea, as abordagens </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">d</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">a noção de jogo raramente fazem referência a Heidegger;</span></span></span> <span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">em</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"> preleções </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">ministradas</span></span></span> <span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">no curso de inverno de</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"> 1928/1929, </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">Heidegger</span></span></span> <span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">apresentou</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"> importantes reflexões sobre o que </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">considerava ser</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"> o </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"><em>jogo originário da transcendência, </em></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">as quais </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">exerce</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">ram</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"> influência </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">em</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"> autores que </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">aprofundaram o debate sobre a noção de jogo</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">, tais como Hans-Georg Gadamer, em </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"><em>Verdade e Método </em></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">(1960), e Eugen Fink, em </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"><em>O jogo como símbolo do mundo </em></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">(1960). Este artigo pretende tratar da noção de jogo desenvolvida na obra </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"><em>Introdução à Filosofia, </em></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">a qual</span></span></span> <span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">constitui o</span></span></span> <span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">registro d</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">essas</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"> preleções. </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">A</span></span></span> <span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">meta</span></span></span> <span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">é </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">demonstrar que, </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">p</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">ara Heidegger, </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">antes do jogo, e de qualquer regramento </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">instituído por meio deste</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">, </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">somos movidos por uma disposição </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">(</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"><em>Stimmung</em></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">) </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">relacionada a um</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"> jogar </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">(</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"><em>spielen</em></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">) </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">originário </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">que </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">domina</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"> e impulsiona o</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"> ser-aí </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">ao ser-no-mundo </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">(</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"><em>In-der-Welt-</em></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"><em>s</em></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"><em>ein</em></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">)</span></span></span> <span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">vinculando-o</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"> com su</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">a</span></span></span> <span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">mundanidade </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">(</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"><em>Weltlichkeit</em></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">)</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">. </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">Essa disposição, enquanto </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">estado de ânimo ou </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">tonalidade afetiva</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">, leva o ser-aí a</span></span></span> <span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">constituir mundo como</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"> espaço de jogo </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">(</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"><em>Spielraum</em></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">)</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"> da transcendência. </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">Além disso, é importante destacar que </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">o ser-aí </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">(</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"><em>Dasein</em></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">)</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"> é aquele para quem sempre está em jogo o seu próprio ser, </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">pois reside nele </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">uma abertura peculiar</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"> que </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">é a</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"> base do comportamento </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">vivo e pulsante do</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"> humano em geral;</span></span></span> <span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">porque </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">enquanto abarcado pelo ente no todo, </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">enquanto movido pela </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">transcendência e pela</span></span></span> <span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"><em>compreensão de ser </em></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">(</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"><em>Seins-verständnis</em></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">)</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">, </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">o ser-aí</span></span></span> <span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">est</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">aria</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"> sempre situado</span></span></span> <span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">n</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">um</span></span></span> <span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"><em>jogo da vida </em></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">(</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;"><em>Spiel des Lebens</em></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: medium;">). </span></span></span></p> José Fernando Schuck ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 193 203 10.31977/grirfi.v20i1.1338 Causalidade natural e espontaneidade em Aristóteles https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1342 <p>Em Aristóteles, o processo de constituição dos seres naturais envolve um conjunto de causas, delimitadas de acordo com a teoria da matéria e forma. A matéria é causa enquanto suporte composicional pelo qual os seres são gerados; e a forma é causa enquanto fator responsável pelas características essenciais do ente natural, bem como por originar uma série de movimentos coordenados, que irá resultar na composição substancial. Neste artigo, pretento, em um primeiro momento, argumenar no sentido de que entre os dois tipos de causalidades fundamentais, isto é, por um lado, (i) aquele associado à natureza material, e, por outro, (ii) à natureza formal, haveria uma primazia explanatória relativamente ao segundo, pois em uma explicação mais completa, envolvendo &nbsp;esses &nbsp;dois &nbsp;aspectos &nbsp;causais, &nbsp;a &nbsp;causalidade &nbsp;material &nbsp;seria subordinada e subsumida pela causalidade em termos formal-finais. Em um segundo momento, procurarei estabelecer um contraste entre as causas naturais e a causa espontânea, examinando aos casos nos quais as relações causais não ocorrem devido a uma determinação teleológica, mas por uma mera conjunção de fatores concomitantes. A geração espontânea é um exemplo de eventos como este, pois, neste caso, a constituição do organismo não seria presidida por uma causalidade de tipo formal-final, a qual administrasse um conjunto de séries causais, interdependentemente relacionadas entre si.</p> <p>&nbsp;</p> Rodrigo Romão de Carvalho ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 204 216 10.31977/grirfi.v20i1.1342 Estudo a partir da fundamentação das ciências humanas em Dilthey: implicações para a educação https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1351 <p>Nesse ensaio destacamos alguns elementos do horizonte filosófico diltheyano para pensar a educação. Dilthey se insere no território da educação, via pedagogia, pois considerava que a filosofia representa um instrumento teórico que serve de guia para a ação social do homem ou, em outras palavras, para a atividade pedagógica. Segundo nossa perspectiva, a educação é o principal objetivo da filosofia, pois a formação humana tem culminância no filosofar e este é efeito daquela, além disso, a filosofia diltheyana faz sua reflexão sobre pedagogia e sua cientificidade possível, tendo como contexto o confronto com o positivismo do século XIX e a fundação das ciências do espírito em contraposição às da natureza. É nesse sentido, que o problema da consciência histórica - e sua finitude, articula a autonomia da pedagogia, sem a influência do empirismo científico e as exigências da pedagogia tradicional.</p> Mauricio Bueno da Rosa Rosana Silva de Moura ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 217 227 10.31977/grirfi.v20i1.1351 Romanticismo y alegoría en la cosmología: consideraciones estéticas e ideológicas en el sistema heliocentrico de Nocolás Copernico https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1442 <p>La obra <em>De revolutionibus orbium coelestium</em> (1543) instaló la piedra fundacional de una mentalidad que concibió un nuevo modelo de racionalidad. La hipótesis heliocéntrica ideada por Nicolás Copérnico ha ingresado en la narrativa contemporánea como una de las batallas libradas en contra de la cosmología medieval, lo que se traduce como un enfrentamiento a la hegemonía socio-política que la iglesia católica proyectaba sobre las cuestiones más decisivas de la humanidad. No obstante, la cosmología, vista a través de una mirada hermenéutica propuesta por Ernst Cassirer, nos permite suspender la condición ascendente de la historia para dirigir nuestra atención a la filiación neoplatónica, pitagórica y gnóstica de ciertas cualidades que finalmente<span class="Apple-converted-space">&nbsp; </span>jugaron a favor de la aceptación de la nueva imagen del mundo. Estas doctrinas fueron clave en la articulación de aquella nueva cosmología, y sin embargo, nuestra modernidad no ha sabido reconocer sus aportes a <em>una historia de la ideas</em>. Por estos motivos pondremos en relación la obra con algunos preceptos cosmológicos en el contexto epistemológico del Renacimiento, lo cual arrojará luz sobre ciertas zonas desconocidas de la obra, y también, porqué no, sobre ciertas zonas ignotas del espíritu de nuestra modernidad.</p> Alvaro Jiménez Alvaro ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 228 242 10.31977/grirfi.v20i1.1442 A primazia da música em Schopenhauer https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1354 <p>O presente artigo pretende evidenciar o valor atribuído à arte, em especial à música, por Arthur Schopenhauer. Será articulada a relação do autor com a filosofia de Fichte e Schelling, contextualizando o seu pensamento com o movimento romântico alemão. Ademais, por meio da apresentação da sua hierarquia estética, serão apontados alguns aspectos fundamentais do autor de <em>O mundo como vontade e representação,</em> na medida em que essa dualidade é apontada também ao referir-se aos diferentes estilos artísticos.</p> André Luiz Bentes ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 243 251 10.31977/grirfi.v20i1.1354 A virtude não se ensina, se evoca: uma reflexão sobre arete e paideia em Martin Heidegger https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1350 <p><span style="font-weight: 400;">Atendendo ao chamado de Heidegger por “outro início”, desde o pensamento originário grego, são reconsideradas as noções de </span><em><span style="font-weight: 400;">paideia</span></em><span style="font-weight: 400;"> e de </span><em><span style="font-weight: 400;">arete</span></em><span style="font-weight: 400;">. À </span><em><span style="font-weight: 400;">paideia</span></em><span style="font-weight: 400;"> exaustivamente investigada por Werner Jaeger é imposta a interpretação do próprio Heidegger e de Danielle Montet. Enquanto a </span><em><span style="font-weight: 400;">arete</span></em><span style="font-weight: 400;"> é reexaminada através de uma nova luz lançada pela obra de António Caeiro. Enfim, devidamente preparado pelo pensamento inusual destes pensadores sobre </span><em><span style="font-weight: 400;">paideia</span></em><span style="font-weight: 400;"> e </span><em><span style="font-weight: 400;">arete</span></em><span style="font-weight: 400;">, se reabre o debate sobre a possibilidade ou não da virtude ser ensinada. Concluímos com Sócrates que definitivamente ela não pode ser ensinada, não ao modo pretendido dos sofistas e dos “modernos” pensadores e educadores, mas que sim há certamente possibilidade de uma “</span><em><span style="font-weight: 400;">paideia</span></em><span style="font-weight: 400;"> da </span><em><span style="font-weight: 400;">arete</span></em><span style="font-weight: 400;">”.</span></p> João Cardoso de Castro Murilo Cardoso de Castro ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 252 263 10.31977/grirfi.v20i1.1350 Terza persona : Esposito e a filosofia do impessoal https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1341 <p>Na atualidade, parece não haver nenhuma outra categoria que goze de unanimidade tão generalizada e transversal, quanto o de pessoa. Nenhum discurso que pretenda estar em público de forma teórico, jurídico e politicamente correta coloca em questão sua nobreza, principalmente em seu nexo com o direito. Os direitos da pessoa são justamente sobre o quê não se deve tergiversar. No entanto, há um paradoxo incontornável do nosso tempo: nunca como agora, a nobreza da categoria de pessoa foi tão incensada, mas também nunca como agora, tantas vidas humanas foram tão humilhadas pela fome, miséria, epidemias, exílios, etc. O objetivo desse texto é seguir uma trilha já aberta por alguns pensadores de matriz franco-italiana de crítica a essa unanimidade.</p> <p>&nbsp;</p> Fernando Gigante Ferraz ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 264 276 10.31977/grirfi.v20i1.1341 A reflexão epistemológica de Habermas e a sua proposta de racionalidade comunicativa https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1356 <p>Jürgen Habermas é um pensador moderno que nos apresenta uma racionalidade capaz de criar espaços de liberdade que correspondem aos ideais de emancipação social que sempre cruzaram o horizonte da modernidade ocidental. Através de vários estudos deste autor, incluindo contributos críticos à sua teoria, iremos desenvolver a sua reflexão epistemológica e a sua relevante contribuição para a renovação da teoria crítica alemã. Começaremos por apresentar a sua crítica ao positivismo, para depois convocar a disputa que protagonizou com Gadamer em torno da hermenêutica. Habermas adota a hermenêutica, ainda que com algumas críticas, como facilitadora de autorreflexão que permita revelar às ciências sociais os erros quer da ciência social objetivista, quer da análise vulgar da linguagem. Segue-se a perspetiva deste pensador acerca dos interesses que orientam o conhecimento e, por fim, empreenderemos uma abordagem à teoria da racionalidade comunicativa, que afirma o otimismo universalista de Habermas, assente num saudável pluralismo que permite o consenso humano.</p> Paulo Vitorino Fontes ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 277 288 10.31977/grirfi.v20i1.1356 As ruas, a opinião pública e o processo penal: uma análise a partir do caso Calas https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1359 <p>Jean Calas, formalmente acusado pelo crime de parricídio, foi julgado e condenado sem provas. A ausência da materialidade do suposto ato delituoso foi suprida pela convicção dos magistrados, aliada ao clamor popular das massas que ocupavam as ruas, reivindicando por <em>justiça</em>. Partindo da análise desse julgamento histórico, situado nos tribunais franceses do século XVIII, o artigo pretende chamar a atenção para os riscos decorrentes da influência da opinião pública sobre o curso do processo penal. Utilizando-se de fontes bibliográficas, será demonstrado que a intolerância foi o fio condutor que direcionou o rito processual, acarretando na condenação de um homem inocente. Em tempos de ativismo judicial, podemos aprender com a história, mas não é certo que o faremos.</p> Edimar Brígido ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 289 302 10.31977/grirfi.v20i1.1359 O problema dos direitos humanos em Kant https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1375 <p>Ultimamente surgiram trabalhos que mostram que Kant fundamenta os direitos humanos a partir da liberdade inata, como único direito inato que o homem possui em virtude de sua humanidade. Contudo, a liberdade inata não permite justificar uma teoria dos direitos humanos porque constitui apenas um direito inato sobre o meu e o teu interior que possibilita a posse empírica, ademais, embora um direito humano seja inalienável, deve-se renunciar a ela para ingressar no estado civil; além disso, as quatro derivações analíticas da liberdade inata geram consequências incompatíveis com uma doutrina dos direitos humanos, pois, enquanto direitos humanos se referem à todos, a igualdade inata e a independência inata se aplicam a um número restrito de pessoas; finalmente, há uma diferenciação na interpretação da fórmula da humanidade no direito e na ética, porque, subjetivamente, tratar a humanidade como um fim exige que o agente considere que o fim da humanidade seja o móbil de sua ação na ética, mas, no direito, exige-se apenas que o seu comportamento externo seja conforme o fim da humanidade, e, objetivamente, no direito, tratar a humanidade como um fim produz uma legislação penal contrária aos direitos humanos e o direito da humanidade exige que a integridade inata seja suspensa durante o período da condenação, ademais, esta diferenciação na ideia de humanidade torna-se explícita na imprejudicabilidade inata, pois, na ética, a mentira é a maior violação do dever da humanidade em sua pessoa, mas, no direito, somente viola o direito da humanidade se causar prejuízo para outros.</p> Aylton Barbieri Durão ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 303 313 10.31977/grirfi.v20i1.1375 A dialética das tradições de pesquisa de Alasdair Macintyre https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1448 <p>Conhecido principalmente por seu resgate da ética das virtudes de inspiração aristotélica, Alasdair MacIntyre é responsável pela criação de uma sofisticada teoria da racionalidade e do confronto entre perspectivas rivais, elaborada sobre uma compreensão acerca do conceito de tradições de pesquisa. A visão de MacIntyre claramente se inspira em discussões oriundas da filosofia da ciência, com as quais mostra importantes pontos de convergência, mas se afasta consideravelmente delas em alguns pontos fundamentais, apresentando-se como uma espécie peculiar de dialética das tradições de pesquisa racional, que por si apresenta um escopo de aplicação mais vasto que o das tradicionais teorias da ciência. Tais tradições substituem, para MacIntyre, unidades presentes nos debates correntes, tais como as teorias, os paradigmas, os programas de pesquisa e os esquemas conceituais. Embora lide com temas como o das crises epistêmicas e o das transições entre perspectivas <em>prima facie</em> incomensuráveis, a ênfase de MacIntyre, é sobre o conflito, por vezes contínuo, entre tradições rivais, o que permite uma abordagem diferenciada face a problemas como o do progresso epistêmico. Trata-se aqui de exibir as linhas gerais do programa macintyreano, abordando de modo particular as aproximações e afastamentos em relação aos cânones das discussões referidas.</p> Alberto Leopoldo Batista Neto ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-12 2020-02-12 20 1 314 338 10.31977/grirfi.v20i1.1448