Griot : Revista de Filosofia https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot <p>A&nbsp;<strong>Griot : Revista de Filosofia&nbsp;</strong>é um periódico quadrimestral do Curso de Filosofia da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, câmpus de Amargosa/BA, Centro de Formação de Professores (CFP), cujo objetivo é&nbsp;divulgar pesquisas de doutorandos e doutores na área de filosofia e promover debates e discussões filosóficos de forma ampla, independentemente da linha e filiação filosóficas dos autores.&nbsp;</p> <p><strong>Ano de criação</strong>: 2009 | <strong>Área de publicação:</strong> Filosofia |&nbsp;<strong>e-ISSN:</strong> 2178-1036 |&nbsp;<strong>Qualis:</strong> B1</p> pt-BR <p>Os autores que publicam na&nbsp;<strong>Griot : Revista de Filosofia</strong>&nbsp;mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a&nbsp;<a href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/">Creative Commons Attribution 4.0 International License,</a>&nbsp; permitindo compartilhamento e adaptação,&nbsp;&nbsp;mesmo para fins comerciais, com o devido reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.&nbsp;<a id="cell-25-path-details-button-5b1d7fbd47b43" class="pkp_controllers_linkAction pkp_linkaction_details pkp_linkaction_icon_" title="Ver item" href="https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/35/_0">Leia mais...</a></p> griotrevista@gmail.com (Griot : Revista de Filosofia) griotrevista@gmail.com (César Velame) Tue, 20 Oct 2020 17:50:10 +0000 OJS 3.2.1.1 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 Uma análise da terceira seção da obra Fundamentação da metafísica dos costumes https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1838 <p>O artigo aborda a problemática que envolve a terceira seção da obra <em>Fundamentação da Metafísica dos Costumes</em>, mais precisamente a questão referente à validade sintética <em>a priori </em>do imperativo categórico na determinação da vontade humana. Muito embora a lei moral seja universalmente reconhecida por todos os seres racionais, Kant precisa demonstrar a sua efetividade no que diz respeito à vontade humana, a qual é empiricamente afetada. Deste modo, a estratégia argumentativa kantiana gira em torno de uma tentativa de deduzir a autonomia moral da noção transcendental de liberdade, o que se mostra impossível, pois, nesse contexto, ainda não há como comprovar a validade objetiva de tal conceito. Apesar do esforço empreendido por Kant, todos os argumentos aqui erigidos esbarram na impossibilidade de se conhecer o âmbito inteligível, de modo que tal questão só vai ser levada a cabo na <em>Crítica da Razão Prática</em>. </p> Douglas João Orben Copyright (c) 2020 Douglas João Orben http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1838 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 Butler leitora de Beauvoir: o gênero como ato performativo https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1835 <p>Entre Beauvoir e Butler, questionaremos se o <em>tornar-se mulher</em> instaura a distinção entre sexo e gênero, convertendo-se num modo de aculturação que, aquém dos diferenciais anatômicos, designa uma performance em transformação. De Beauvoir, veremos: situada, a subjetividade se estabelece entre a civilização e as relações intercorpóreas. Assinalando a mulher como o <em>segundo sexo, </em>Beauvoir ratifica a ambiguidade como fator humano, tecendo reflexões à liberdade, opressão, reconhecimento e condição feminina. Disto, é interpelando Beauvoir que Butler interroga os gêneros. Rastreando no <em>tornar-se mulher</em> o uso incipiente do gênero, Butler sugere revisões às noções fenomenológicas de sujeito, corporeidade, situação e diferença sexual. Fomenta uma concepção performática onde o gênero é um constante devir. Descreve como se constituem os gêneros, considerando que não existem gêneros ideais. Assim, tornar-se gênero significa que, enquanto corpo, o dramatizamos e estilizamos. Crítica, esta performance personifica um modo de agir onde repetição, inovação, necessidade e contingência são ressignificáveis.</p> Diego Luiz Warmling Copyright (c) 2020 Diego Luiz Luiz Warmling http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1835 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 Acontecimento e resistência em a Peste de Albert Camus https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1825 <p>A presença dos acontecimentos enquanto fenômeno, e seu contraponto, o hábito, ecoam numa inter-relação contínua ao longo de todo o enredo do romance <em>A Peste</em> (1947) de Albert Camus. O presente artigo consiste na investigação do conceito de acontecimento e suas relações com a noção mediadora de linguagem - do mesmo modo que a ideia de resistência - à luz de uma leitura das reflexões de Gilles Deleuze, Slavoj Zizek e John Caputo acerca desse tema. Para tanto, estarão expostas correlações possíveis entre construção ficcional e filosofia na análise desta obra que é considerada uma das mais simbólicas do século XX.</p> Cicero Cunha Bezerra, Ricardo Itaboraí Andrade de Oliveira Copyright (c) 2020 Cicero Cunha Bezerra, Ricardo Itaboraí Andrade de Oliveira http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1825 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 Sentido e sofrimento no último Nietzsche https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1810 <p>No FP 1888, 14 [89], Nietzsche distingue um sentido trágico e um sentido cristão para o sofrimento. Com esse par conceitual, o filósofo designa o conflito entre duas justificações antagônicas da vida, contrapondo dois tipos de sofredores com anseios contrários. O presente artigo defende a hipótese de que a mencionada distinção ilustra um modo de pensar o sofrimento, característico do período de 1886-1888 da filosofia nietzschiana. Partindo da <em>Genealogia da Moral</em>, ver-se-á como a discussão metodológica envolvida na fluidez de sentido implica uma contraposição à pretensão do ideal ascético de estabelecer um sentido fixo e universal para o sofrimento. Em seguida, será considerado o §370 da <em>Gaia Ciência</em>, no qual a heurística da necessidade fornece a Nietzsche a distinção entre dois tipos de sofredores, bem como a configuração das artes e filosofias em correspondência com seus anseios. Por fim, os prefácios de 1886 serão interpretados como o marco teórico que estabelece o modo de pensar o sofrimento por pares antagônicos, na medida em que, nesse conjunto de textos, Nietzsche narra como aprendeu a ver a distinção entre dois tipos de filosofar: um oriundo da fraqueza e outro, da força. Conclusivamente, serão traçadas considerações para estabelecer a contraposição tipológica de sofredores antagônicos como uma chave de leitura legítima para analisar o sofrimento no período final da filosofia de Nietzsche.</p> Hailton Felipe Guiomarino Copyright (c) 2020 Hailton Felipe Guiomarino http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1810 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 La persistencia de la estética romántica: magia y conocimiento en Jonathan Strange & Mr. Norell https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1811 <p>El presente trabajo intenta reconocer en la novela <em>Jonathan Strange &amp; Mr. Norrell</em> aspectos relacionados con la estética romántica. Creemos advertir, en esta novela sobre la magia inglesa, el legado y subsistencia del espíritu romántico. El objetivo general del ensayo es poner de relieve distintas características de esta novela de Susanna Clarke, las cuales remiten a las consideraciones del romanticismo. Particularmente, nos interesa analizar el personaje de Jonathan Strange, a los efectos de reconocer en su figura tópicos asociados al romanticismo como la fantasía, la imaginación, el amor, la pasión, etc. La figura de Strange parece mostrar el mismo optimismo epistemológico que manifestaban, a fines del siglo XVIII, los románticos. La atmosfera romántica, el marco histórico y el lenguaje utilizado en los diálogos de la novela evidencian que el romanticismo no sólo es un momento histórico, sino una forma cultural que todavía sigue siendo fascinante en la cultura. </p> Naím Garnica Copyright (c) 2020 Naím Garnica http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1811 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 As reviravoltas de um conceito: a crítica do “poder” em Michel Foucault https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1814 <p>Nesse artigo, empreenderemos uma reflexão sobre a analítica do poder em Michel Foucault. Nossa intenção é percorrer a produção foucaultiana a partir de meados dos anos setenta até início dos anos oitenta, buscando compreender os deslocamentos ou “reviravoltas” pelos quais o conceito de poder sofreu ao longo do tempo. Procuraremos mostrar que é possível identificar três momentos na pesquisa de Foucault. Em primeiro lugar, ao tentar se afastar da tradicional compreensão jurídica-discursiva do poder, ele introduz uma análise inédita a respeito da dinâmica do poder disciplinar e dos micropoderes que compõem o campo social. Pode-se considerar esse um deslocamento, de modo geral, em relação à tradição política ocidental. Com o curso <em>Em defesa da sociedade</em> encontramo-nos diante de uma modificação na compreensão do poder, ao identificá-lo como guerra ou luta. Por fim, com a introdução dos conceitos de biopoder/biopolítica, Foucault é levado a uma grande expansão de suas pesquisas, tematizando conceitos que não faziam parte de seu interesse até então, como, por exemplo, o conceito de Estado. É nesse contexto que o conceito de governo fará sua entrada nas reflexões de Foucault. Entendemos que o conceito de governo se configura como um refinamento e, igualmente, deixa mais ampla e complexa sua análise do poder a fim de dar conta do presente político.</p> Renato Alves Aleikseivz Copyright (c) 2020 Renato Alves Aleikseivz http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1814 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 Themata e pathosformeln: quando a história da ciência e a história da arte revelam afinidades conceptuais https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1837 <p>Este artigo apresenta uma análise comparativa de dois conceitos propostos e desenvolvidos em duas áreas muito distintas: o conceito de <em>themata</em>, proposto por Gerald Holton na área de história da ciência para dar conta dos processos de produção e difusão do conhecimento científico, e o conceito de <em>Pathosformeln</em>, proposto por Aby Warburg na área de história da arte para dar conta de importantes continuidades históricas e epocais da produção artística. Apesar dos contextos disciplinares tão distintos em que foram propostos, e apesar das especificidades que naturalmente asseguram a identidade própria de cada um dos conceitos, mostra-se neste artigo como <em>themata</em> e <em>Pathosformeln</em> têm inegáveis e importantes afinidades. De facto, ambos correspondem a entidades dotadas de longa persistência histórica, natureza cíclica e grande transversalidade disciplinar, cultural e epocal, em conjugação com uma grande capacidade de assumir formas específicas numa determinada época e num determinado contexto. Apesar de terem raízes em áreas muito distintas, as afinidades são suficientemente fortes para reconhecer aos <em>themata</em> e às <em>Pathosformeln</em> a pertença a uma mesma rede conceptual com grande potencialidade para a compreensão, não apenas da ciência e da arte, mas também das dinâmicas históricas e transdisciplinares da cultura em geral.</p> João Barbosa Copyright (c) 2020 João Barbosa http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1837 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 Subjetividade transcendental e Deus: fundamentos da fenomenologia de Husserl https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1833 <p style="margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt; background: white; vertical-align: baseline;"><span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Bodoni MT',serif;">A ciência fenomenológica procura tratar os fenômenos como puras possibilidades. Tudo o que se doa para a consciência tem a possibilidade de ser descrito tal e qual se mostra por si mesmo numa intuição. O sujeito transcendental é o fundamento receptivo para o que é dado e, é dele, que partem os raios intencionais, dos quais os fenômenos ganham um sentido de ser de algo. Deus para ter sentido de “Deus” precisa ser para um sujeito. Mas, como Deus se doa? Ele não é tal como os objetos que são dados de imediato para a consciência, mas mediado por uma teleologia da própria razão. O presente artigo se propõe pensar no tratamento que Husserl dá a sua fenomenologia como metafisica (ciência primeira), partindo da subjetividade transcendental e destacando se “Deus” não excede ou seria outro fundamento ao lado do ego puro. A partir daí, procura-se ressaltar como o “fenômeno Deus” aparece no seu sistema fenomenológico, verificando como isso se dá em seus escritos inéditos apresentados por Jocelyn Benoist e a abertura para uma fenomenologia metafísica com Jean Luc-Marion. </span></p> Rudinei Cogo Moor Copyright (c) 2020 Rudinei Cogo Moor http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1833 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 Aspectos filosóficos da narrativa do Ecce homo de Nietzsche: uma perspectiva em autoencenação https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1827 <p>O último livro escrito por Nietzsche, <em>Ecce homo: como alguém se torna o que se é </em>(1888), é uma de suas obras mais controversas, tendo sido tomada como sinal de prepotência, como autoexposição egocêntrica e como prenúncio do colapso que interrompeu sua trajetória intelectual em janeiro de 1889. As controvérsias foram alimentadas, em parte, pela peculiar narrativa encontrada no livro – ele conta a si sua vida e obra em tom elogioso e hiperbólico –, em parte, pelo fato de que a tardia publicação de <em>Ecce homo</em>, ocorrida apenas em 1908, favoreceu o contraste com o apócrifo <em>A vontade de poder</em> – reunião de anotações publicada em 1901 como ‘obra principal’ de Nietzsche. Nosso propósito neste artigo é refletir sobre as possíveis contribuições do teor ‘autobiográfico’ e ‘autocrítico’ de <em>Ecce homo </em>para o caminho de pensamento do filósofo alemão. Nossa hipótese é que a narrativa experimentada no livro possui uma íntima relação com temas precedentes da obra nietzschiana (sobretudo, o da <em>perspectiva</em>) e com a tarefa da <em>transvaloração de todos os valores</em>. Por meio de uma <em>autoencenação</em>, da colocação de um certo ‘Nietzsche’ em cena, o filósofo avança em sua crítica à metafísica – e à sua versão popular, a moral cristã – enquanto realça a mundanidade de sua perspectiva, seu caráter contingente e seu condicionamento pelas “pequenas coisas”, decisão que nos parece carregar uma relevante dimensão filosófica: Nietzsche assume a parcialidade e explicita o interesse envolvido em sua tomada de posição no seio da cultura.</p> Gabriel Herkenhoff Coelho Moura Copyright (c) 2020 Gabriel Herkenhoff Coelho Moura http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1827 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 O equívoco de Robert Nozick ao interpretar a questão da propriedade em Locke https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1843 <p>Em <em>Anarquia, Estado e Utopia</em> (1974), Robert Nozick defende um Estado mínimo ao qual não deve ser dado o direito de redistribuir a propriedade que já foi distribuída pelos individuos. Nozick se apoia na ideia de estado de natureza tal como Locke propôs no <em>Segundo Tratado Sobre o Governo</em> (1689), aproveitando, inclusive, a maneira de Locke fundamentar a propriedade privada. Locke explicou o direito natural à propriedade por meio do trabalho para superar uma crítica que Robert Filmer havia dirigido a Hugo Grotius anos antes. Grotuis considerava haver, originalmente, um direito comum à posse dos bens e defendia que a propriedade privada surgiu a partir de um contrato entre os indivíduos. Filmer colocou em dúvida que um contrato para dividir a propriedade pudesse ter sido firmado entre todos ao mesmo tempo. Locke também defendia a propriedade privada a partir da propriedade comum, mas precisava superar a objeção que Filmer havia dirigido a Grotius. Nesse sentido surge a ideia de trabalho como fundamentador da propriedade privada, pois é o trabalho que a legitima em vez do contrato. Nozick, apesar de uma longa análise sobre a teoria da aquisição de Locke, em que discorre, inclusive, sobre o papel do trabalho no surgimento da propriedade privada, afirma que Locke pensava os bens naturais originalmente sem dono, quando, na verdade, para Locke eles eram propriedade comum a todos. O propósito do presente texto é elencar e avaliar algumas possíveis consequências desse pequeno equívoco interpretativo.</p> Flávio Gabriel Capinzaiki Ottonicar Copyright (c) 2020 Flávio Gabriel Capinzaiki Ottonicar http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1843 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 Animalidade, loucura e biopolítica em Foucault https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1832 <p>O objetivo deste artigo é analisar a loucura em seu aspecto mais vergonhoso da animalidade humana, particularmente da liberdade nociva e inútil. Assim, podemos encontrar na <em>História da loucura </em>alguns tópicos (ou alguns esboços) do que futuramente iremos designar no pensamento de Foucault como reflexões sobre biopolítica? A indagação não parece estranha se interpretarmos a loucura como grande experimento público em torno do controle da liberdade, do comedimento humano e a categoria da animalidade positiva, resultante da própria objetivação da loucura enquanto fenômeno que vincula o estado patológico e o estado animalesco.</p> Flávio Valentim de Oliveira Copyright (c) 2020 Flávio Valentim de Oliveira http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1832 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 O passado como rememoração e redenção em Walter Benjamin https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1848 <p>A intenção deste artigo é tematizar o pensamento de Benjamin sobre o passado, mostrando não somente como este é o verdadeiro centro propulsor das <em>Teses</em>, mas também como é somente através deste que um novo conceito de história se torna possível. De fato, o passado não somente não é algo concluído, mas é também revolucionário na medida em que permite vingar milhares de oprimidos em seu encontro com o presente. Um passado que contrasta com a versão oficial e com a tradição do <em>continuum</em>, um passado aberto, mas não de fácil leitura, implicado em sinais criptografados para descriptografar, sonhos para interpretar e instantes para segurar. Podemos definir o passado benjaminiano como um “passado próximo” apenas no sentido em que, no entanto, essa proximidade não indica uma adjacência temporal específica, mas apenas sua relevância e urgência sempre explosiva.</p> Deborah Spiga Copyright (c) 2020 Deborah Spiga http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1848 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 Political action in machiavellian republicanism https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1845 <p>Our objective in this brief article is guided by the demonstration of the existence of a theory of political action in Machiavelli's republican thought, with such a theory having its own character that directs it to highlight the action of individuals in the social context. In addition to this objective, we hope to support the thesis that such a theory of political action has a republican scope, not just “republicanist”, in keeping with the Machiavellian preference for institutions that impress on individuals a civic sense based above all on the materiality of political action in the body social. From this assertion, we indicate that our itinerary will be guided by the demonstration of the search for the valorization of political action in Machiavelli's theory, the materiality of such action, to the detriment of its pure intention, the central focus of Florentine's work. This disposition of the centrality of political action in Machiavelli republicanism will underscore its appreciation for outlining the political functions of the search for recognition, glory and especially the benefit of the political body as a whole.</p> Marcone Costa Cerqueira Copyright (c) 2020 Marcone Costa Cerqueira http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1845 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 A crítica à democracia liberal em Carl Schmitt e Robert Kurz: um estudo comparativo https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1902 <p>Este artigo tem por objetivo analisar comparativamente as semelhanças contidas nas críticas à democracia liberal presentes em alguns trabalhos selecionados de Carl Schmitt (1888-1985) e Robert Kurz (1943-2012). A despeito da estreita associação do primeiro autor com o regime nazista após 1933 e do segundo ser normalmente caracterizado como um pensador marxista (embora bastante crítico ao marxismo “ortodoxo”), são verificáveis inúmeras similitudes entre ambos quando se propõem a analisar as características do liberalismo parlamentar das democracias do século XX. Uma hipótese que pode explicar tais semelhanças seria a influência exercida por Schmitt sobre diversos teóricos da escola de Frankfurt, com os quais Kurz frequentemente dialoga em seus escritos e que foram inspiradores de algumas de suas reflexões – em especial, Walter Benjamin, Theodor Adorno e Max Horkheimer, embora Schmitt também tenha influenciado Franz Neumann, Otto Kirchheimer, Karl Korsch e Herbert Marcuse. Outra via de interpretação abordada aqui se refere à possibilidade de Schmitt ter encontrado, em suas teorias sobre o Estado e sobre o direito, os limites epistemológicos do liberalismo moderno, o que constitui o principal objeto de pesquisa de Kurz e foi tema recorrente nos escritos dos teóricos de Frankfurt.</p> David Gonçalves Borges Copyright (c) 2020 David Gonçalves Borges http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1902 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 Educação, resistência e politização: sobre o sentido da educação na literatura indígena brasileira contemporâ-nea https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1891 <p>Argumentamos, no artigo, a partir de uma análise sistemática da produção literária de escritores/as indígenas brasileiros/as, que, desde a segunda metade do século XX, os povos indígenas passaram a afirmar a e a utilizar-se da esfera pública, sob a forma de ativismo, de militância e de engajamento, enquanto a estratégia e o lugar por excelência para a tematização da questão indígena no país, como forma de reação a processos de expansão socioeconômica e de negação político-cultural que punham em xeque a sua própria existência, bem como em termos de recusa seja do paternalismo tecnocrático, seja da ideia de responsabilidade relativa a eles impostos. Com o objetivo de consolidarem-se como sujeitos público-políticos atuantes, eles optaram pela educação escolar e pela apropriação de ferramentas epistemológicas e técnicas digitais que lhes permitissem inserir-se na socialização nacional, modernizar-se política, cultural e epistemologicamente para, com isso, dinamizar uma perspectiva de crítica de nossa modernização conservadora a partir da auto-organização comunitária interna e desde a construção de uma rede de interação entre as nações indígenas. Rompe-se, por meio disso, com a imagem produzida cultural e normativamente pela colonização do/a índio/a selvagem, rude e bárbaro/a, confinado/a ao mais recôndito de nossas matas, incapaz de civilização; e, em seu lugar, consolida-se exatamente esse/a indígena socializado/a, modernizado/a, no pleno uso de sua cidadania política, produzindo e publicizando conhecimento, cultura e arte próprias. Da apropriação da educação escolar e dessas ferramentas e técnicas epistemológico-digitais passa-se, portanto, a uma postura ativista, militante e engajada na esfera pública, política e cultural, por meio da correlação de Movimento Indígena e de literatura indígena, em que a promoção da singularidade étnico-antropológica está na base da própria crítica à modernidade constituída e realizada pelos povos indígenas, seus/as intelectuais e escritores/as.</p> Leno Francisco Danner, Julie Dorrico, Fernando Danner Copyright (c) 2020 Leno Francisco Danner, Julie Dorrico, Fernando Danner http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1891 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 A filosofia da mecânica quântica de Gaston Bachelard https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1906 <p>Gaston Bachelard (1884-1962), filósofo francês, acompanhou um período de rupturas, isto é, de modificações conceituais e metodológicas na física contemporânea. Ele é um dos diversos pensadores que apresentaram reflexões importantes para a compreensão da atomística contemporânea. Este artigo evidencia suas principais reflexões filosóficas acerca dos fundamentos da mecânica quântica. Para tanto, lança-se mão de conceitos importantes de sua epistemologia sem os quais se tornam incompreensíveis suas ideias. Assim, este trabalho remarca como a física rompe com as ideias científicas e filosóficas tradicionais na primeira metade do século XX ao apresentar um novo objeto do conhecimento, a saber, os corpúsculos quânticos. Ademais, a fim de bem caracterizar a filosofia da física quântica bachelardiana, destaca-se, conforme o autor, a natureza das partículas atômicas, como se constitui a atividade científica dessa ciência na criação de novos fenômenos e enfatiza-se seu racionalismo aplicado como filosofia mais adequada. Por fim, ressalta-se neste trabalho que as ideias de Bachelard se diferenciam de outras interpretações da mecânica quântica.</p> David Velanes Copyright (c) 2020 David Velanes http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1906 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 Wittgenstein sobre método teológico e predestinação https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1894 <p> </p> <p>O artigo apresenta algumas contribuições da filosofia wittgensteiniana para a teologia filosófica. Para isso, divide-se em dois momentos. O objetivo do primeiro momento é, por assim dizer, o esclarecimento da semântica do discurso teológico. Veremos que, de acordo com Wittgenstein, a significância deste discurso depende, necessariamente, da ligação das doutrinas com performances; dito de outro modo, as sentenças teológicas só são significativas quando ligam-se às vidas dos usuários da linguagem de um ponto de vista prático e valorativo e não meramente teórico. Ao não cumprir esse critério a doutrina precisaria ser rejeitada ou <em>refraseada</em> (esclarecer o conceito de refraseamento também é objetivo do primeiro momento). Veremos que este, digamos, método teológico, pode ser encontrado, <em>mutatis mutandis</em>, tanto na primeira quanto na segunda filosofia de Wittgenstein. O objetivo do segundo momento é a discussão de um estudo de caso sobre a doutrina da predestinação. Tal discussão nos mostrará de que modo o próprio Wittgenstein aplica o seu método teológico, esclarecido por nós no primeiro momento do artigo.</p> Alison Vander Mandeli Copyright (c) 2020 Alison Vander Mandeli http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1894 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 O lugar da obra de arte na filosofia do sublime do século XVIII https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1935 <p>A relação entre o sublime e a arte, a princípio, soa natural e certa, mas ao longo do século XVIII algumas teorias afastaram essa categoria da produção artística. Foram décadas notadamente frutíferas nas questões sobre o sublime, período em que não só o sublime recebe seu título de categoria estética como destacadamente participa das questões epistemológicas da recém cunhada disciplina Estética. Nesse cenário, alguns pensadores se voltam exclusivamente para o <em>sublime natural</em>. Esse artigo procurará mostrar o caminho percorrido por esse conceito a partir da recepção pelos ingleses, em 1689, do tratado sobre retórica do século I d.C. intitulado <em>Peri Hypsos</em>, traduzido por Boileu-Despréaux como <em>Sobre o Sublime </em>e atribuído ao crítico grego Cassius Longinus. Visitaremos as teorias de pensadores como Joseph Addison, Edmund Burke e Immanuel Kant, que apontam para o sublime exclusivamente como contemplação da natureza, e encerraremos essa jornada na reinserção do drama trágico na categoria sublime por Friedrich Schiller. Fecha-se, dessa forma, o que chamamos aqui de “ciclo do sublime natural”, que se inicia na leitura característica dos britânicos empiristas, encontra sua mais bem acabada teoria na terceira Crítica kantiana e se encerra no trabalho teórico e literário do poeta de Weimar.</p> Renata Covali Cairolli Achlei Copyright (c) 2020 Renata Covali Cairolli Achlei http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1935 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 A psicologia de Evágrio Pôntico: o caminho da práxis https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1895 <p>Os escritos de Evágrio Pôntico, monge do século IV, embora não constituindo um sistema filosófico, são de capital importância para compreendermos o desenvolvimento da cultura ocidental. No presente trabalho, todavia, operamos um corte epistemológico diferente. Buscamos na sua obra <em>Tratado Prático</em>, primeira parte de uma trilogia de teologia espiritual, elementos de uma doutrina psicológica que, é o que pretendemos demonstrar, se constitui em verdadeira terapêutica. Assim, exploramos alguns conceitos fundamentais dessa obra, tais como os de impassibilidade (<em>apatheía)</em>, de pensamentos passionais (<em>logismoí</em>), e o de paixões (<em>páthos</em>), e também doutrinas importantes, como a da divisão tripartite da alma e a demonologia evagriana (onde os demônios, a nosso ver, representariam facetas inconscientes do desejo).</p> Mariana Paolozzi Sérvulo da Cunha, Marcus Vinicius de Souza Nunes Copyright (c) 2020 Mariana Paolozzi Sérvulo da Cunha, Marcus Vinicius de Souza Nunes http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1895 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 Para além do legalismo: Hannah Arendt e a desobediência civil https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1940 <p>Neste artigo, discute-se algumas das contribuições de Hannah Arendt para a reflexão acerca do fenômeno da desobediência civil. Inicialmente, interroga-se em que medida a contestação civil pode ser identificada com a objeção de consciência. Discutir essa questão permite compreender o desenvolvimento da argumentação de Arendt que visa ressaltar o sentido político dos atos de desobediência civil em oposição à caracterização negativa deste fenômeno, defendida por juristas, na tentativa de incluir pelo direito ações extralegais de contestação. Com efeito, essa leitura jurídica, que se baseia na ideia de que a contestação tem por fundamento a moralidade de consciência, negligencia determinados aspectos que são fundamentais para a compreensão da desobediência civil segundo a perspectiva de Arendt, sobretudo seu caráter público, o compartilhamento de um interesse ativo no mundo e, por fim, a não-violência. Em um segundo momento, explicita-se a influência da tradição filosófica na maneira típica de se compreender a desobediência civil, sendo Sócrates e Henry Thoreau elencados por Arendt como seus interlocutores neste debate. Com esse percurso argumentativo, pretende-se mostrar alguns potencias do ensaio de Arendt que contribuem para reatualizar a discussão sobre o papel político central do ato de divergir publicamente.</p> Mário Sérgio de Oliveira Vaz Copyright (c) 2020 Mário Sérgio de Oliveira Vaz http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1940 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 O leitor como sujeito meditante: a maneira de demonstrar e o estilo de escrita das meditações metafísicas de René Descartes https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1912 <p>Nas páginas finais das <em>Segundas Respostas</em>, Descartes fala sobre a maneira pela qual as teses apresentadas nas <em>Meditações Metafísicas</em> são demonstradas e sobre o estilo de escrita por ele adotado para esta obra. A maneira de demonstrar é a análise; o estilo de escrita é a meditação. A leitura das <em>Meditações</em> depende, fundamentalmente, do entendimento sobre essas duas coisas, bem como sobre a relação existente entre elas. Com o presente artigo pretendemos, em primeiro lugar, analisar o modo como Descartes entende o método de análise e o significado de meditação; e, em seguida, compreender a maneira pela qual o método de análise e o exercício da meditação se articulam para constituir a via seguida nas <em>Meditações Metafísicas</em>. Considerando a análise como um método de resolução de problemas, bem como o significado do estilo de escrita meditativo nos tempos de Descartes, defendemos a tese de que que meditar, para Descartes, significa penetrar-se lentamente e com atenção nos problemas a partir dos quais as <em>Meditações</em> são desenvolvidas.</p> Marcos Alexandre Borges Copyright (c) 2020 Marcos Alexandre Borges http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1912 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 Biopolítica no Brasil: o racismo de Estado do Colônia https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1813 <p>Este artigo teórico consiste na avaliação da investigação jornalística de Daniela Arbex acerca do funcionamento do Hospital Colônia em Barbacena, Minas Gerais, a partir da análise biopolítica do pensador Michel Foucault. O processo de internamento dessa instituição representa, a partir das pesquisas foucaultianas acerca do trato da loucura na Europa moderna, um sólido exemplo do funcionamento da biopolítica no Brasil, mais especificamente no que tange ao fundamento de seu “fazer viver e deixar morrer”. Comparamos o projeto de cuidado terapêutico próprio do saber médico com os procedimentos utilizados nesse ambiente de internação no Brasil do século XX. Desse modo, abordamos o desdobramento para racismo de Estado quando o Colônia assume a função não mais de “deixar morrer”, mas de “fazer morrer” dentro das técnicas do biopoder. Por fim, consideramos o papel da luta antimanicomial organizada no Brasil na década de 1990 enquanto alternativa à internação, mas que acaba promovendo, por sua vez, normalizações outras.</p> Guilherme de Freitas Leal Copyright (c) 2020 Guilherme de Freitas Leal http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1813 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 Nietzsche e um jeito diferente de fazer filosofia: da superação à genealogia do pensamento https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1952 <p>Para muitos, Nietzsche não é considerado um filósofo, mas um poeta. Entre os diversos fatores que contribuem para negar o <em>status philosophicus</em> ao filósofo alemão reside, por um lado, no aspecto de seu conteúdo e, por outro, no seu aspecto formal. Quanto ao conteúdo é difícil perceber algum aspecto propositivo em seu pensamento, uma tese construtiva, ao contrário, trata-se de um pensamento desconstrutivo, demolidor, um filosofar a marteladas. Quanto a forma, o estilo da escrita nietzschiana se caracteriza pelo aforismo ao invés do discurso contínuo, cada aforismo abriga um conjunto de metáforas que se destacam como enigmas a serem decifrados. Nossa proposta, neste artigo, é mostrar que apesar do conteúdo e da forma, mediante os quais, o pensamento de Nietzsche se apresenta, há uma filosofia que se dá pela superação de uma concepção racional e moral para estabelecer a genealogia de um pensamento.</p> Adilson Felicio Feiler Copyright (c) 2020 Adilson Felicio Feiler http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1952 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 De que e de quem nós falamos quando falamos dos animais? https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1901 <p>Este trabalho tem como objetivo analisar a reflexão de Hans Jonas acerca do estatuto ontológico do animal que está inserida, neste contexto, em uma análise mais geral sobre o fenômeno da vida e se apresenta como um momento importante na ontologia que pretende combater o dualismo e a ruptura entre animais humanos e não humanos. Ao reconhecer graus diferenciados de atividade espiritual entre os seres vivos, o autor, contudo, não partilha a ideia de uma igualdade plena entre os animais, embora sua perspectiva parta de traços comuns que acentuam a transanimalidade do homem, ou seja, o seu pertencimento e, ao mesmo tempo, a sua diferença em relação às alimárias. Por isso, sua filosofia não se limita ao discurso sobre os direitos animais, mas, antes, pretende pensar uma nova ontologia animal e uma nova animalidade humana a partir da integridade psicofísica e da relação constitutiva dos animais humanos e não humanos no âmbito da natureza.</p> Thiago Vinicius Rodrigues de Vasconcelos Copyright (c) 2020 Thiago Vinicius Rodrigues de Vasconcelos http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1901 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 Sobre a noção de transparência em Byung-Chul Han e a defesa de nossa desacreditada opacidade https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1860 <p>A transparência é um velho ideal moderno que as novas tecnologias rejuvenesceram e tornaram onipresente nas discussões atuais sobre poder, cultura digital e controle. Neste artigo, propomos uma análise da noção de transparência ao longo de quatro obras do filósofo contemporâneo Byung-Chul Han: <em>Sociedade do cansaço</em>, <em>Topologia da violência</em>, <em>Sociedade da transparência</em> e <em>Psicopolítica</em>. Este percurso nos permitirá sugerir uma genealogia desta noção na obra de Han. A noção de transparência será analisada como desdobramento da sociedade de desempenho, como forma de violência, como fenômeno econômico e cultural e como dispositivo neoliberal. Tais abordagens propostas por Han supõem uma mudança do paradigma disciplinar elaborado por Foucault: assim a sociedade contemporânea seria mais uma sociedade do desempenho que uma sociedade disciplinar. Em nossas considerações finais, pontuaremos algumas críticas ao livro<em> Psicopolítica</em>. Se a transparência é um dispositivo que gera uma visibilidade seletiva para reproduzir uma ordem neoliberal, um discurso crítico sobre a transparência não deveria <em>invisibilizar</em> as concepções que se contrapõem a esse dispositivo. Nesta direção, aventamos quatro perspectivas que agrupam linhas de ações coletivas e individuais que confrontam o dispositivo neoliberal da transparência. </p> Martin Domecq Copyright (c) 2020 Martin Domecq http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1860 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 Metáfora, metonímia e método na transição analógica da representação à vontade: o conhecimento da coisa em si na metafísica de Schopenhauer https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1997 <p>Este artigo tem como objetivo geral comentar o estatuto do conhecimento da coisa em si na metafísica de Schopenhauer. De modo mais específico, visa analisar como se inserem neste debate, tradicionalmente enfrentado por estudiosos da filosofia schopenhaueriana como Julian Young, Paul Lauxtermann e David Cartwright, duas correntes interpretativas bastante discutidas neste ciclo, principalmente na última década; ambas lidam com o problema da coisa em si a partir de uma interpretação da transição analógica que Schopenhauer empreende do mundo da representação para o da Vontade. Ao disputarem que tipo de conhecimento, metafórico ou metonímico, esse autor pode almejar da coisa em si, é possível apontar como De Cian e Marco Segala, bem como Jorge Prado, por um lado, e Sandra Shapshay, de outro, se distanciam da tradição exegética que lhes antecede; e, mais ainda, em que medida eles são precursores no esforço de apontar uma espécie de “método” específico, alternativo ao método transcendental kantiano, a partir do qual Schopenhauer realizaria sua empreitada metafísica. A fim de situar nossa própria interpretação entre a desses comentadores, focaremos na análise de passagens de <em>O mundo como vontade e como representação </em>e da <em>Crítica da filosofia kantiana</em>, em que Schopenhauer especifica com mais ênfase como deve ser entendida sua abordagem metafísica.</p> Matheus Silva Freitas Copyright (c) 2020 Matheus Silva Freitas http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1997 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 A questão da convivência sob a ótica das tonalidades afetivas https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1971 <p>O presente artigo aborda a questão do <em>outro</em> no interior do pensamento de Martin Heidegger (1889-1976). Tal problemática, não obstante, será examina a partir da pressuposição das tonalidades afetivas (<em>Stimmung</em>), fenômeno caracterizado em toda a produção filosófica do pensador, embora, nessa ocasião, seja dada ênfase a obras anteriores a 1930. A convivência como modalidade do ser-com mostra-se imbuída e perpassada por afecções que regionalizam o mundo e plasmam espaços de interação e apropriação dos modos de ser. A pesquisa versa sobre algumas dimensões e experiências as quais o ser-aí (<em>Dasein</em>) instaura em seu horizonte hermenêutico de maneira a se orientar por “afecções” específicas, mostrando a dinâmica da convivência em suas relações de proximidade e diferença por meio de tonalidades afetivas, bem como mediante estruturas existenciais, como a preocupação. O estudo pretende, por fim, mostrar alguns meandros da análise de Heidegger quanto ao “tema” do outro, já que esse é um assunto pouco debatido pelo pensador, uma vez que suas reflexões incidem precisamente no esforço de ruptura com a noção tradicional de “homem”, o que justifica seu ensejo por questões distintas daquela que na presente ocasião se visa discutir.</p> Leandro Assis Santos Copyright (c) 2020 Leandro Assis Santos http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1971 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 A filosofia na perspectiva anti-representacionista de Rorty: da imagem mental especular à ênfase na linguagem como prática social https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1974 <p>O objetivo deste artigo é apresentar a perspectiva do filósofo neopragmatista Richard Rorty sobre a filosofia e a atividade profissional de seus praticantes. Nesse contexto, privilegiamos alguns aspectos de sua crítica anti-representacionista ao legado filosófico moderno e também seu prognóstico acerca do que a atividade filosófica pode vir a se tornar na contemporaneidade. No decorrer da argumentação de Rorty, temos uma abrangente crítica à noção epistemológica dominante de uma imagem mental especular e, em contrapartida, a proposição de uma necessária transição para o campo cultural na qual a ênfase filosófica residiria nas possibilidades de uso da linguagem como modo de lidar com o mundo.</p> Heraldo Aparecido Silva Copyright (c) 2020 Heraldo Aparecido Silva http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1974 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 Governo e subjetividade: liberdades insurgentes e mundos possíveis https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1975 <p>Este artigo tem por objetivo geral investigar, numa perspectiva foucaultiana, as relações entre governo e subjetividade, através das artes de governar e a constituição do Estado moderno. Nessa tarefa, consideramos os cursos ministrados por Foucault, <em>Segurança, Território, População</em> e <em>O nascimento da biopolítica</em>, para tratar da presença do poder pastoral na constituição da governamentalidade. O objetivo específico é investigar outras possibilidades de organização social, associados a princípios democráticos, como solidariedade e autogestão em oposição aos efeitos gerados pelo neoliberalismo, com a generalização dos valores mercadológicos nas condutas individuais e coletivas. Em nossa hipótese, consideramos a perspectiva anarquista como o contraponto vital na produção de outras formas de vida social e política, para além dos princípios exclusivamente econômicos. Neste ponto, apresentamos conceitos básicos dos valores anarquistas, como a ideia autogestão, apoio mútuo, a ideia de liberdade, encontrados em Bakunin, Kropotkin e Goldman, e a possibilidade de um pensamento sobre resistências e práticas no presente conforme as reflexões de Rago. Passamos também por uma crítica ao modelo de organização social e à própria ideia de democracia, a partir dos apontamentos de Graeber em <em>Um projeto de democracia</em>. Por fim, nosso esforço visa refletir sobre as possibilidades de um mundo outro, a partir de uma perspectiva que se apresenta radicalmente oposta às práticas políticas e sociais que encontramos hoje. Pretendemos, portanto, pensar no tempo presente e na possibilidade de novas formas de existência.</p> <p> </p> Rafael Rocha da Rosa, Thayana Cristina de Góes Corrêa Netto Copyright (c) 2020 Rafael Rocha da Rosa, Thayana Cristina de Góes Corrêa Netto http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1975 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000 Quem tem medo de ontologia? Graham Harman e o realismo ontológico na teoria social https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2039 <p>O conceito de <em>Ontologia</em> apresenta vários contornos no universo filosófico, seja na tradição analítica ou continental, mas quando entramos nas Ciências Sociais ele é reduzido basicamente a uma abordagem fenomenológica. Esse artigo tem por objetivo compreender esse traço fenomenológico nas Ciências Sociais, além de apontar para outros caminhos no horizonte, principalmente usando a Ontologia Orientada ao Objeto (OOO) de Graham Harman, assim como outros autores dessa tradição contemporânea. Embora famosa no campo filosófico, ela ainda é muito desconhecida na Teoria Social, o que abre um espaço novo de debates, questionamentos e muitas novas articulações.</p> Thiago Araujo Pinho Copyright (c) 2020 Thiago Araujo Pinho http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2039 Tue, 20 Oct 2020 00:00:00 +0000