Griot : Revista de Filosofia https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot <p>A&nbsp;<strong>Griot : Revista de Filosofia&nbsp;</strong>é um periódico quadrimestral do Curso de Filosofia da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, câmpus de Amargosa/BA, Centro de Formação de Professores (CFP), cujo objetivo é&nbsp;divulgar pesquisas de doutorandos e doutores na área de filosofia e promover debates e discussões filosóficos de forma ampla, independentemente da linha e filiação filosóficas dos autores.&nbsp;</p> <p><strong>Ano de criação</strong>: 2009 | <strong>Área de publicação:</strong> Filosofia |&nbsp;<strong>e-ISSN:</strong> 2178-1036 |&nbsp;<strong>Qualis:</strong> B1</p> pt-BR <p>Os autores que publicam na&nbsp;<strong>Griot : Revista de Filosofia</strong>&nbsp;mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a&nbsp;<a href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/">Creative Commons Attribution 4.0 International License,</a>&nbsp; permitindo compartilhamento e adaptação,&nbsp;&nbsp;mesmo para fins comerciais, com o devido reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.&nbsp;<a id="cell-25-path-details-button-5b1d7fbd47b43" class="pkp_controllers_linkAction pkp_linkaction_details pkp_linkaction_icon_" title="Ver item" href="https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/35/_0">Leia mais...</a></p> griotrevista@gmail.com (Griot : Revista de Filosofia) griotrevista@gmail.com (César Velame) Tue, 15 Oct 2019 21:44:46 +0000 OJS 3.1.1.4 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 Na prática envolvente das semelhanças, o mundo renascentista https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1214 <p>Este artigo busca voltar-se ao <em>corpus</em> do saber do século XVI, época compreendida como a Era das similitudes, segundo leitura de Michel Foucault. Interessa-nos a aproximação da ordem prática do período - rica em sinais e grafias - a fim de determo-nos em sua devida concepção de mundo - rica em simbologia. Nesta análise, o mundo renascentista estará envolto a uma intensificação do exercício de ordenamento, regido por formas segundo as quais as semelhanças se dão a conhecer: as chamadas figuras das similitudes - <em>signatura, convenientia, </em><em>aemulatio</em>,<em> analogia </em>e <em>simpatia</em><em>. </em>Além disso, aderente a um fundo de configuração geral, será enfatizado a noção de círculo como referencial figurativo cabível ao entendimento do espaço geral do saber renascentista. Da noção de círculo remeteremos à prática de circulação das similitudes, e através disso, indicaremos um mundo renascentista decifrado ou interpretado segundo uma rede esgotável, no limite das próprias órbitas circulares emanadas do ajustamento de semelhanças. Na prática, o uso de uma marcação simbólica - inclusive, extensa à dimensão cósmica – possibilita-nos a visualizar um arranjo do <em>como</em>, mediante ordenamento do saber, são promovidas certas disposições “entre” e “para” as coisas e pessoas no mundo.</p> Nilton César Arthur ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1214 Tue, 15 Oct 2019 20:30:21 +0000 Enativismo e conhecimento prático https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1296 <p>Em <em>Ser e Tempo </em>(1927), Heidegger argumenta que o conhecimento primordial do <em>Dasein</em> se dá no manuseio de entes mundanos. Merleau-Ponty, por sua vez, descreve na <em>Fenomenologia da Percepção </em>(1945) que o conhecimento é, antes de tudo, uma intencionalidade corporal intraduzível em termos proposicionais. Mais tarde, em <em>What Computers Can’t Do </em>(1972), Hubert Dreyfus usa a obra de ambos para apontar os equívocos do paradigma cognitivista, isto é, a abordagem dominante do então nascente campo da inteligência artificial. Finalmente, em <em>The Embodied Mind: Cognitive Science and Human Experience</em> (1991), a noção de enativismo - elaborada por Francisco Varela, Evan Thompson e Eleanor Rosch - surge como uma tentativa de tomar do cognitivismo e do conexionismo a hegemonia nas ciências cognitivas. Dito isso, o objetivo do artigo consiste em descrever o enativismo e apontar sua herança fenomenológica.</p> Rodrigo Benevides Barbosa Gomes ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1296 Tue, 15 Oct 2019 20:34:52 +0000 John Dewey, reconstrução da filosofia e empirismo imediato https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1270 <p>Este artigo pretende abordar o conceito de filosofia de John Dewey, em sua especificidade em relação à tradição pragmatista. Para isso, partiremos da reconstrução da filosofia apresentada por este autor em <em>Reconstruction in Philosophy, </em>de 1920, obra na qual expõe completa e explicitamente o conceito e o que acredita ser o papel da filosofia. Em especial, caracterizaremos a concepção de filosofia de Dewey a partir das críticas que o pragmatista americano lançou contra certas maneiras de fazer filosofia, por ele denominadas filosofias modernas ou tradicionais. A partir dessa crítica, examinaremos o uso que Dewey faz de seu postulado do empirismo imediato, enquanto uma metodologia filosófica, para evitar os supostos equívocos das filosofias passadas e desenvolver uma filosofia que faz jus à experiência concreta.</p> Thiago Gomes ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1270 Tue, 15 Oct 2019 20:36:13 +0000 G. Bachelard e W. Heisenberg: o problema da linguagem na mecânica quântica https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1207 <p>A mecânica quântica instituiu uma linguagem matemática inteiramente inédita. Essa mudança na física exigiu que físicos e filósofos repensassem os conceitos pelos quais se podiam representar a realidade, uma vez que as noções clássicas se revelaram limitadas na compreensão dos fenômenos atômicos. O filósofo francês G. Bachelard e o físico alemão W. Heisenberg são autores que discorreram acerca das grandes modificações que ocorreram no seio da física, e, com isso, trataram do problema da linguagem na mecânica quântica. Neste artigo, o objetivo é recorrer aos argumentos de ambos os autores para evidenciar relações entre suas ideias acerca da temática referida. Destaca-se que Bachelard e Heisenberg criticam a aplicação da linguagem usual e dos conceitos filosóficos da modernidade na nova física, mas, mediante sua noção de <em>ruptura</em>, o filósofo francês propõe que a mecânica quântica se restrinja à linguagem matemática. Ideia esta que vai contra ao <em>princípio de complementaridade</em> de Bohr, admitido por Heisenberg na compreensão dos fenômenos quânticos e para uma interpretação da física quântica.</p> David Velanes ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1207 Tue, 15 Oct 2019 20:38:40 +0000 Do prazer do sofrimento da culpa ao prazer da produção estética. Considerações sobre má consciência em Nietzsche https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1298 <p>O problema da má consciência, em Nietzsche, ocupa uma parte central de suas reflexões que se depreendem, de maneira particular, da Segunda Dissertação de <em>Para a genealogia da Moral</em>. Dado o fato do sofrimento ser diagnosticado como uma das expressões do niilismo da cultura ocidental, não se tem como negá-lo, mas sim, desenvolver formas de como concebê-lo, ou seja, de como conviver com este. Desse modo, ao invés do sofrimento atuar como prazer na culpa, da qual demanda a fraqueza e a impotência, este atuaria como um sentimento de prazer em criar, ao descarregar um quantum de força que se expresse na obra de arte. Ao otimizar o sofrimento, como produção estética, Nietzsche estaria transfigurando a má consciência ao ultrapassar o niilismo.</p> Adilson Felicio Feiler ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1298 Tue, 15 Oct 2019 20:40:32 +0000 Os traços iniciais da fenomenologia hermenêutica de M. Heidegger na preleção A ideia da filosofia e o problema da concepção de mundo https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1210 <p>O Trabalho pretende expor os traços iniciais da fenomenologia hermenêutica de Heidegger a partir da crítica realizada pelo autor ao método crítico-teleológico do neokantismo de Baden na preleção de 1919 <em>A ideia da filosofia e o problema da concepção de mundo</em>.</p> Christiane Costa de Matos Fernandes ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1210 Tue, 15 Oct 2019 20:42:36 +0000 Pensamento indígena brasileiro como crítica da modernidade: sobre uma expressão de Ailton Krenak https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1277 <p>Neste artigo, desenvolveremos a crítica de Ailton Krenak à modernidade-modernização ocidental como uma monocultura de ideias que se constitui como uma estrutura autorreferencial, autossubsistente, endógena, autônoma e autossuficiente, não necessitando do outro da modernidade em termos de ajuda e de crítica. Utilizando a ideia de colonialismo como teoria da modernidade, identificaremos cinco problemas fundamentais apresentados pela teoria da modernidade-modernização ocidental de Jürgen Habermas que justificam a crítica de Ailton Krenak, a saber: (a) a modernidade como uma sociedade-cultura marcada por uma singularidade absoluta, enquanto universalismo-globalismo pós-metafísico via racionalidade cultural-comunicativa, diferente de todo o resto das sociedades-culturas como tradicionalismo em geral via fundamentações essencialistas e naturalizadas; (b) a compreensão do processo de constituição e de desenvolvimento da modernidade europeia como um movimento-princípio endógeno, autônomo, autossuficiente e fechado relativamente ao outro da modernidade, plenamente capaz de autocompreensão, autorreflexividade e autocorreção desde dentro, por seus próprios meios, sem necessidade de ajuda externa; (c) a redução da dinâmica constitutiva e caracterizadora da modernidade como correlação, separação e tensão-contradição entre modernidade cultural e modernização econômico-social, com o silenciamento sobre o e o apagamento do colonialismo como movimento, princípio e consequência do processo de modernização ocidental; (d) a compreensão restritiva do caminho constitutivo e evolutivo da modernidade-modernização ocidental, como um processo reto, direto e linear que vai da Europa moderna ao Primeiro e Segundo Mundos, mais uma vez silenciando-se sobre e apagando o Terceiro Mundo enquanto parte constitutiva e consequência da modernidade-modernização ocidental como um todo; e, finalmente, (e) a correlação de modernidade cultural (enquanto universalismo-globalismo pós-metafísico via racionalidade cultural-comunicativa) com/como o gênero humano, do gênero humano como um grande processo de modernização e de cada sociedade-cultura particular como uma proto-modernidade, o que sustenta e respalda exatamente a modernidade-modernização ocidental como ápice da evolução humana e, assim, seu sentido e sua vocação universalistas-globalistas, característica negada ao outro da modernidade.</p> Leno Francisco Danner, Fernando Danner, Julie Dorrico ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1277 Tue, 15 Oct 2019 20:44:17 +0000 Vida enquanto absoluto incondicionado: sobre a materialidade da essência da manifestação na fenomenologia de Michel Henry https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1241 <p>A Fenomenologia Material de Michel Henry nos desvela o imenso domínio da vida que nos supõe outro conceito de absoluto, a saber, essa vida originária em cada <em>cogitatio</em> enquanto auto-afecção, onde nem a vida e tampouco o desvelado por ela são meros conceitos abstratos, mas uma realidade <em>carnalmente passível</em>. Este saber da vida se abre contra-redutivamente, de modo que, na passibilidade radical da vida, a partir de um sentimento que sempre ocorre na <em>ipseidade</em> de sua carne patética, Verbo e carne permanecem desde sempre unidos enquanto começo absoluto independente de representações. Nesta medida, ir à ‘coisa mesma’ desta fenomenologia não intencional implica em descobrir o ser na transparência de sua vinda a si, absolutamente autônoma, cujo processo de fenomenalidade dispensa uma distância. Assim, Henry insiste no <em>pathos</em> que <em>ego sum </em>sem nos obrigar a passar por uma representação, graças ao primado do aparecer em sua própria aparição, no entanto, nos permanece como questão latente entender em que consiste essa vida enquanto absoluto incondicionado. Como é possível falarmos desta vida que leva a cabo a experiência de si, identificando com tal movimento? Para tanto, este trabalho tem como base central<em> L’Essence de la Manifestation </em>de Michel Henry que, ao nosso ver, defende como tese o devir fenomênico do ser como pura afecção de si num corpo próprio e, nesta medida, apresentar-se-ia como um bom fundamento por converter da transcendência para uma imanência pura o desvelar do próprio ser.</p> Symon Sales Souto ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1241 Tue, 15 Oct 2019 20:45:53 +0000 Guerra e paz: uma abordagem jurídico-filosófica https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1215 <p>O debate contemporâneo nas teoria das relações internacionais é marcado por duas perspectivas: de um lado a &nbsp;perspectiva do realismo político que concebe a paz como um ideal inacessível e a guerra como meio necessário para a aquisição e manutenção do poder; e de outro lado a perspectiva do normativismo ou idealismo que pensa o fim (<em>telos</em>) das relações internacionais para além dos conflitos de interesse e da luta por poder. A primeira perspectiva trata as relações internacionais em nível do ser (daquilo que é), a segunda em nível do dever ser (nível normativo). Tendo em vista esse cenário, a nossa ideia neste artigo consiste em abordar o problema da guerra e da paz a partir de um estudo interdisciplinar mediante contribuições do Direito Internacional Público e da Filosofia de Kant. Num primeiro momento analisaremos o paradoxo da guerra, em seguida o papel do Direito Internacional Público para a problemática da paz, e por último as contribuições de Kant para a redefinição normativa do direito internacional a partir do seu projeto republicano da liga de paz (<em>foedus pacificum</em>).</p> Francisco Jozivan Guedes de Lima, Cleide Calgaro, Gabriel Dall’agnol Debarba ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1215 Tue, 15 Oct 2019 20:47:38 +0000 A filosofia do direito de Hegel: a moralität e a sittlichkeit https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1225 <p>O objetivo deste artigo é investigar o problema do formalismo dando ênfase à G. W. F. Hegel e sua <em>Rechtphilosophie</em> como proposta de objetivação dos conteúdos normativos do agir. A intenção é apresentar a versão de Hegel para o problema do formalismo em relação às determinações do agir na esfera ética, política e jurídica. Para a concretização de tal tarefa é necessário investigar as considerações acerca da <em>Moralität </em>e da <em>Sittlichkeit, </em>pressupostos básicos para edificar um projeto recheado por uma <em>Filosofia do Direito </em>e pela figura do Estado político. As contribuições de Hegel para a efetivação da proposta de superação do formalismo se encontram em <em>Grundlinien der Philosophie des Rechts, Über die wissenscaftischen Behandlungsarten der Naturrechts e Phänomenologie des Geistes.</em> Enfim, o autor apresenta um esclarecimento realçando alguns dos principais aspectos tanto das objeções quanto das tentativas de resposta ao problema.</p> Alcione Roberto Roani ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1225 Tue, 15 Oct 2019 20:49:22 +0000 Etnocentrismo e liberalismo no neopragmatismo de Rorty https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1211 <p>O propósito deste artigo é investigar a relação entre as noções de etnocentrismo e liberalismo na perspectiva do filósofo neopragmatista Richard Rorty. Nesse sentido, mostramos que essa tênue filosofia política, centrada nas referidas noções, enfatiza a conectividade entre as práticas conversacionais e as questões morais, políticas e sociais compartilhada por culturas diferentes. Na filosofia de Rorty, sua noção branda de etnocentrismo atua como um elemento articulador entre sua perspectiva anti-representacionista de conhecimento e sua versão de liberalismo político. A partir da crítica naturalista que inviabiliza as explicações transcendentais sobre a realidade, Rorty extrai as consequências historicistas necessárias para sua proposição de que há não limites, exceto os de caráter conversacional, para a apreensão e descrição do conhecimento. Nessa proposta etnocêntrica na qual não existe nada que seja transcendente em relação às práticas culturais, contingentes e históricas, tudo é considerado como dependente do provisório consenso intersubjetivo, em termos vocabulares e políticos de determinada comunidade e época.</p> Heraldo Aparecido Silva ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1211 Tue, 15 Oct 2019 20:51:24 +0000 Arte e virtude em Montaigne e Diderot https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1226 <p>Montaigne e Diderot foram filósofos, humanistas e defensores de um ceticismo crítico. Seus escritos se caracterizam por um estilo de escrita fluído, privado e cômico. Em Diderot vemos um filósofo dramaturgo, autor e crítico de peças teatrais. Em Montaigne um filósofo não acadêmico, um magistrado avesso ao perfeccionismo da filosofia escolástica, que instaurou um novo estilo de escrita. Há um traço em comum na forma como ambos compreendem a filosofia. Para Montaigne e Diderot, ética e estética são dois domínios da filosofia que possuem uma estreita relação. A obra de arte é um elemento essencial que possui o poder de despertar o espírito humano e conduzi-lo à vivência da verdadeira virtude.</p> Bruno Alonso ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1226 Tue, 15 Oct 2019 20:53:10 +0000 Intercursos entre a psicologia genética e a ética do discurso de Jürgen Habermas https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1222 <p>Neste artigo visa-se demarcar os intercursos da ética do discurso de Habermas e da psicologia genética de Lawrence Kohlberg. Se, por um lado, para o filósofo alemão a sua proposta ética pode contribuir para suprir os déficits da psicologia genética em relação ao desenvolvimento moral, por outro lado, a ética do discurso se apoia nas pesquisas empíricas realizadas pelos teóricos da psicologia e, com isso, reforçam a tese da universalidade ética defendida por Habermas e Carl Otto-Apel. No entanto, há limites na demarcação da filosofia e da psicologia por se tratar de campos nos quais as metodologias não se identificam e por assumirem perspectivas epistemológicas distintas, descritiva para a psicologia do desenvolvimento e prescritiva para a ética do discurso. Ainda assim, a filosofia de Habermas pretende estabelecer uma relação com campos distintos de saberes, a partir dos quais garante a interdisciplinaridade e a abertura para o diálogo constante entre saberes diversos.</p> Francisco Romulo Alves Diniz, Carlos Henrique de Aragão Cavalcante ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1222 Tue, 15 Oct 2019 20:54:53 +0000 Um ensaio de um “anti-orfeu”: perspectivismo cosmológico como contraponto à esferologia de Sloterdijk https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1284 <p>Este artigo problematiza o antropocentrismo na “esferologia” de Peter Sloterdijk, com sua narrativa da antropogênese como construção imunológica da “casa do ser”, na qual o humano, rompendo a “jaula” animal, constrói esferas, ilhas imunológicas de coexistência humana. O mito de Orfeu simboliza para Sloterdijk a imunologia: ao perder a amada, Orfeu reconstrói imunologicamente o complemento, neutralizando o espectro ausente como linguagem. Propomos um experimento filosófico, o “Anti-Orfeu”, no qual o perspectivismo cosmológico de Viveiros de Castro e Tânia Stolze Lima, pensado de um ponto de vista <em>topológico</em>, serviria de contraponto para pôr em perspectiva a imunologia, apontando para a variação da diferença entre dentro e fora e para a “antropofagia”, como outra distribuição topológica que permite outra relação com a alteridade que não a imunologia. Com isso, apontamos para uma “esferologia do ponto de vista do inimigo”, da alteridade, permitindo <em>modular </em>a esferologia, evidenciando-a como <em>diagnóstico </em>da “autoimunidade” de esferas imunológicas.</p> Maurício Fernando Pitta ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1284 Tue, 15 Oct 2019 21:00:39 +0000 A autonomia da vontade em Kant https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1272 <p class="Standard" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"><span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Bodoni MT','serif';">Ao longo desse texto intencionamos desenvolver a ideia segundo a qual há uma estreita conexão estrutural entre categorias como vontade, razão, autonomia, liberdade e causalidade no interior da filosofia prática de Kant. Assim, partindo da identificação de vontade e razão procuraremos demonstrar que esse paralelismo só é possível por meio da purificação da vontade e pela atribuição de uma função prática à razão. Entretanto, somente a purificação da vontade ainda não será suficiente para permitir a identificação entre vontade e razão. Com efeito, para identificá-las devemos demonstrar como passar da liberdade da vontade, da liberdade considerada negativamente, portanto, para a liberdade da razão prática, enquanto liberdade em sentido positivo.</span></p> Rogério Trapp ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1272 Tue, 15 Oct 2019 21:02:05 +0000 Uma proposta de filosofia além da esfera verbal para um pensamento descolonizado https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1237 <p>Neste artigo investigamos a relação entre a Filosofia e a prática de escrita de textos de maneira a tratar do seguinte problema: Existem formas alternativas de expressão e desenvolvimento da Filosofia além daquelas relacionadas a recursos da linguagem verbal? Como parece haver, na tradição filosófica Ocidental, uma vinculação necessária entre a Filosofia e a linguagem verbal, temos como objetivo repensar as práticas filosóficas dentro da universidade e analisar a potencialidade de pensamentos existente em diversos formatos de pensar. Inicialmente apresentamos as contribuições de uma abordagem inter/multidisciplinar para a Filosofia, de modo a apontar o paradigma da complexidade como um recurso apropriado para investigar problemas filosóficos da contemporaneidade. Entendemos que o paradigma da complexidade tem se delineado de forma a proporcionar uma virada na Filosofia que extrapola o domínio da linguagem verbal. Como um estudo de caso, discutimos características centrais da Filosofia brasileira no contexto da universidade pública. A partir da caracterização da Filosofia na universidade brasileira, analisamos os limites da linguagem verbal como forma de expressão de pensamentos. Por fim, discutimos o potencial de formas não verbais na reflexão filosófica, analisando suas contribuições e limites para o desenvolvimento de um filosofar genuíno.</p> Amanda Veloso Garcia ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1237 Tue, 15 Oct 2019 21:03:39 +0000 A experiência musical e a interpretação simbólico-transcendental a partir de Ernst Cassirer e Susanne Langer https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1224 <p>O presente artigo tem o objetivo de aprofundar o debate sobre a noção de <em>experiência musical</em>, explicitando os aspectos epistemológicos de uma interpretação filosófica a qual chamamos de <em>simbólico-transcendental</em>. Trata-se do projeto teórico iniciado por Ernst Cassirer, e retomado por Susanne Langer, o qual defende que as manifestações da Cultura são formas simbólicas particulares, quais sejam: conhecimento, linguagem, mito, religião e arte, sendo a partir destas que é possível ao espírito humano significar o real de modo objetivo. A capacidade de simbolizar, por sua vez, constitui-se como resultado de uma função operativa, transcendental e válida <em>a priori</em>, a qual é o aspecto fundante que marca a diferença entre o homens e animais, por exemplo. Para que a <em>experiência musical </em>possa ser entendida nos termos da interpretação simbólico-transcendental que construiremos aqui, realizaremos um percurso argumentativo cujo três momentos centrais são: i) a compreensão da arte como uma forma simbólica particular, ii) a distinção entre arte e linguagem enquanto formas simbólicas e como condição necessária&nbsp; para a teoria da arte de Susanne Langer e iii) os aspectos constitutivos da experiência musical (significação, produção e recepção).</p> Ivanio Lopes de Azevedo Junior ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1224 Tue, 15 Oct 2019 21:05:05 +0000 A ampliação do conceito de cidadania na redefinição de uma sociedade decente e civilizada https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1227 <p>O objetivo deste artigo é analisar a ampliação do conceito de cidadania em sua aplicação aos animais não-humanos e a relação com a ideia de sociedade decente e civilizada. Para isso, parte-se das discussões sobre os direitos dos animais na obra <em>Zoopolis: a political theory of animal rights</em>, de Sue Donaldson e Will Kymlicka. Ao contrário de teorias que enfatizam basicamente os aspectos negativos dos direitos animais, ou seja, o direito de não sofrer danos, não ser torturado etc., o presente trabalho fundamenta um aspecto mais positivo do direito, priorizando deveres e obrigações em relação aos animais para além da perspectiva ética. Essa questão leva ao desenvolvimento de uma perspectiva política do conceito de cidadania aplicado aos animais partindo do princípio de que os espaços geográficos e públicos são compartilhados e, assim, as inter-relações entre humanos e animais são inevitáveis. Nesse sentido, o presente artigo analisa esse conceito de cidadania animal e o reflete juntamente com os conceitos de humilhação e sociedade decente e civilizada de Avichai Margalit. Por fim, busca-se fundamentar uma perspectiva homo-zoopolitica da sociedade que inclua os animais nos princípios políticos.</p> Wesley Felipe de Oliveira ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1227 Tue, 15 Oct 2019 21:06:48 +0000 A recepção de Kant na filosofia da física de Heisenberg https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1238 <p>No presente artigo analisamos o entendimento e o uso da filosofia kantiana pelo físico filósofo alemão Werner Heisenberg, prêmio Nobel de Física de 1932, formulador do princípio de incerteza. Heisenberg parece adotar uma compreensão neokantiana da natureza da ciência, segundo a qual a ciência não trataria do real em si, mas apenas do modo como ele aparece, o que depende, inescapavelmente, da interação entre o sujeito e o objeto do conhecimento. No entanto, a despeito de tal posição, Heisenberg considera que as definições kantianas de “espaço”, “tempo” e “causalidade” não são compatíveis com os desenvolvimentos da mecânica quântica. Nesta oportunidade nos deteremos com mais atenção na concepção de ciência e no problema da causalidade.</p> Vinícius Carvalho da Silva, Judikael Castelo Branco ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1238 Tue, 15 Oct 2019 21:08:14 +0000 O prólogo de A condição humana e a pergunta de Arendt: “o que estamos fazendo”? https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1228 <p>este artigo aborda algumas passagens do prólogo de <em>A condição humana</em> de Hannah Arendt e destaca algumas projeções sobre o futuro. O propósito da investigação é acompanhar a pergunta da autora sobre o que “estamos fazendo”? Este acompanhamento assinala que as realizações científicas daquela época, em meados do século XX, circunscreveram o contexto de fundo da autora. Mas, passados mais de meio século, esta pergunta feita por Arendt motivada pelas realizações científicas, deve ser recolocada em um contexto mais atualizado. O artigo se dedica a esta atualização, para tanto aprofunda as principais preocupações de Arendt com o futuro. A resposta encontrada após o desenvolvimento do texto em duas partes, ainda com o foco na pergunta sobre “o que estamos fazendo?”, reflete as dinâmicas tecnológicas e sociais dos anos mais recentes. De forma mais precisa, a resposta assinala uma preocupante ligação entre a geração de um artificialismo e a “objetividade do mundo”.</p> Itamar Soares Veiga ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1228 Tue, 15 Oct 2019 21:09:46 +0000 Dionísio Pseudo Areopagita e o nada de Deus https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1235 <p>Seguindo uma célebre afirmação heideggeriana, poderíamos dizer que a história da filosofia ocidental se constitui como uma onto-teo-logia. Essa assertiva, que em seu contexto crítico possui um sentido teórico-metodológico delimitado para os que buscam compreender a questão norteadora da filosofia grega e, posteriormente cristã, ou seja, a do fundamento do real ou do ser, não se sustenta quando aplicada à tradição apofática dionisiana. Marcado pelo diálogo com o neoplatonismo, o <em>Corpus areopagyticum</em>, por sua radical característica apofática, não somente coloca em suspensão uma certa linearidade histórico-filosófica herdeira do pensamento de Platão, mas instaura um modo de tratamento da linguagem humana para com o divino que permanece em vigor até os dias atuais. Esse artigo tem como finalidade pensar, à luz do diálogo com o pensamento neoplatônico, a noção de Deus como “nada de tudo o que é” e suas consequências para a teologia negativa dionisiana.</p> Cicero Cunha Bezerra ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1235 Tue, 15 Oct 2019 21:11:30 +0000 A formação racional da opinião e da vontade na filosofia de Jürgen Habermas https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1274 <p>A noção de opinião pública como processo, não pode circunscrever-se unicamente sobre as bases empíricas de uma teoria, deve também enfocar a posição que essa noção ocupa no que tange à interpretação da sociedade. A abordagem de Jürgen Habermas sobre a opinião pública surge a partir de sua obra clássica sobre a <em>Publicidade Burguesa</em>. Como desdobramento das análises acerca da opinião pública, Habermas constrói a Teoria Normativa de Democracia, a qual se baseia nas condições comunicativas em que pode ocorrer uma <em>Formação Discursiva da Opinião e da Vontade</em> de um público formado pelos cidadãos de um Estado. Nessa esteira argumentativa, Habermas retoma o projeto histórico-filosófico da modernidade atribuindo à opinião pública a função de legitimar o domínio político por meio de um processo crítico de comunicação sustentado nos princípios de um consenso racionalmente motivado. O escopo do presente artigo é explicitar os elementos constitutivos das reflexões habermasianas acerca da <em>Formação Racional da Opinião e da Vontade</em>, uma vez que é a partir deste primordial conceito que podemos compreender a legitimação do Estado de direito. Rastrear-se-á o que levou a reflexão habermasiana a buscar as condições de uma autêntica participação dos indivíduos em um espaço público, onde há responsabilidade e solidariedade na execução das soluções dos problemas de uma comunidade, e seu consequente desdobramento que desemboca na teoria do poder político.</p> <p>&nbsp;</p> <p>&nbsp;</p> <p>&nbsp;</p> Fábio Abreu Passos ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1274 Tue, 15 Oct 2019 21:13:14 +0000 A ciência como um jogo em Popper https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1239 <p>O objetivo do presente trabalho é analisar a concepção de ciência de Popper recorrendo metáfora com o jogo de xadrez que ele utiliza em sua obra <em>A lógica da pesquisa cientifica</em>. Consideramos que por meio desta metáfora é possível percebermos que a sua concepção de ciência não se reduz ao critério lógico de falseabilidade como muitos de seus comentadores deixam entrever, nem tampouco, em definir regras metodológicas para nortear a prática da ciência. Mas, o próprio filósofo ao estabelecer tal analogia deixa claro que a ciência tem em comum com o jogo de xadrez, a existência de regras. No nosso entender essas regras, assim como o critério de cientificidade, não são suficientes para definir a prática cientifica, pois esta envolve outros elementos como: valores, objetivos, comunidade cientifica e o contexto no qual as pesquisas são realizadas. Popper pressupõe esses elementos em sua metáfora, mas não os deixa explícitos. É somente em obras posteriores, como <em>Conjecturas e refutações e Sociedade aberta e seus inimigos</em> que eles são claramente definidos. Pretendemos assim, trazer a tona esses elementos envolvidos no jogo da ciência em Popper de modo a dar maior clareza a sua concepção.</p> Elizabeth de Assis Dias ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1239 Tue, 15 Oct 2019 21:14:49 +0000 O discurso feminista no cartesianismo de Poulain de la Barre https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1304 <p>A obra de Poulain de La Barre apresenta um empenho sobre a questão da igualdade entre os sexos. A filosofia racionalista, ancorada no cartesianismo desenvolvido em seus discursos, propõe uma superação do preconceito, no que tange ao lugar da mulher na sociedade, ao demonstrar ser essa uma verdade pautada na força da opinião e do costume. Com o uso da razão e o exame minucioso da natureza, o conhecimento permitiria superar a desigualdade instaurada em nome do progresso da humanidade. O presente texto busca discorrer acerca dessa tese e analisar como a condição feminina foi abordada pelo filósofo francês.</p> Elizângela Inocêncio Mattos ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/1304 Tue, 15 Oct 2019 21:16:22 +0000