Griot : Revista de Filosofia https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot <p>A&nbsp;<strong>Griot : Revista de Filosofia&nbsp;</strong>é um periódico quadrimestral do Curso de Filosofia da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, câmpus de Amargosa/BA, Centro de Formação de Professores (CFP), cujo objetivo é&nbsp;divulgar pesquisas de doutorandos e doutores na área de filosofia e promover debates e discussões filosóficos de forma ampla, independentemente da linha e filiação filosóficas dos autores.&nbsp;</p> <p><strong>Ano de criação</strong>: 2009 | <strong>Área de publicação:</strong> Filosofia |&nbsp;<strong>e-ISSN:</strong> 2178-1036 |&nbsp;<strong>Qualis:</strong> B1</p> pt-BR <p>Os autores que publicam na&nbsp;<strong>Griot : Revista de Filosofia</strong>&nbsp;mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a&nbsp;<a href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/">Creative Commons Attribution 4.0 International License,</a>&nbsp; permitindo compartilhamento e adaptação,&nbsp;&nbsp;mesmo para fins comerciais, com o devido reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.&nbsp;<a id="cell-25-path-details-button-5b1d7fbd47b43" class="pkp_controllers_linkAction pkp_linkaction_details pkp_linkaction_icon_" title="Ver item" href="https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/35/_0">Leia mais...</a></p> griotrevista@gmail.com (Griot : Revista de Filosofia) griotrevista@gmail.com (César Velame) Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 OJS 3.2.1.1 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 Simone de Beauvoir: considerações sobre o envelhecimento e a finitude na obra Mal-entendido em Moscou https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2365 <p>Este artigo analisa a obra <em>Mal-entendido em Moscou</em> de Simone de Beauvoir a partir de dois temas específicos: o envelhecimento e a finitude. O livro narra a história de André e Nicole, dois professores universitários aposentados que sentem o peso da idade ao viajar para a União Soviética pela segunda vez na vida. Assim, inicia-se uma série de mal-entendidos: a não comunicação, o medo de envelhecer, o amor de longa data, a pressuposição de uma identidade feminina, as expectativas políticas e a diferença da compreensão de mundo dos personagens. O texto trata desses desencontros principalmente do impacto do envelhecimento e a percepção da finitude para a protagonista, o que nos instiga a pensar como essas inquietações reverberam também em todos nós. O artigo se subdivide do seguinte modo; primeiro aborda de maneira geral a relação entre filosofia e literatura na produção de Beauvoir; a seguir apresenta o enredo da obra destacando alguns elementos importantes para a discussão e; por último, investiga questões sobre o envelhecimento e a facticidade, buscando entender o enfoque original que a filósofa delineia na criação corajosa e realista que faz de seus personagens.</p> Solange Aparecida de Campos Costa Copyright (c) 2021 Solange Aparecida de Campos Costa http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2365 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 Gilles Deleuze e Aristóteles: a diferença no feliz momento grego https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2367 <p>As críticas deleuzianas ao pensamento representacional convergem para o entendimento do pensamento como um processo recognitivo. Reconhecer é pensar. Entre todos os problemas concernentes a tal modelo de pensamento, há um empecilho fundamental na recognição: ela não reconhece aquilo que não cabe em suas premissas previamente estabelecidas e que delimitam a linearidade de um pensamento correto. Assim sendo, a diferença, nos alerta Deleuze, nunca chegou a ser pensada por si mesma. Nessa noção a diferença é apenas uma oposição ao igual. Em um dos seus diálogos com a tradição filosófica, o pensador francês encontrou uma rachadura pontual que tratou a diferença no pensamento do filósofo grego Aristóteles. Um momento em que a diferença emergiu e quase foi considerada por si mesma. Ocasião que Deleuze chamou de “O feliz momento Grego”. É sobre o pensamento aristotélico da diferença, o tal momento grego e a crítica conceitual que Deleuze realiza para compor sua teoria que o artigo irá tratar.</p> Larissa Farias Rezino Copyright (c) 2021 Larissa Farias Rezino http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2367 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 La cultura y el “combate de las formas”. Claves para pensar la dimensión afirmativa de la ética foucaultiana https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2368 <p>Teniendo en cuenta las principales objeciones que se le han planteado a la problematización ética de Michel Foucault, en el presente trabajo proponemos reconstruir dos motivos para pensar su dimensión afirmativa: la cultura y el “combate de las formas”. La cultura como objeto de crítica y transformación posible y las <em>formas</em> como relevo histórico de los universales, ideales y trascendentales, son referencias constantes en el pensamiento de Foucault que, recuperadas a la luz de los planteos y aportes teórico-metodológicos de sus últimas indagaciones, permiten reunir la faz crítica de la genealogía con la orientación propositiva del arte de vivir. Planteando la relación entre verdad y poder como <em>disposición característica de nuestra cultura</em> y precisando una constitución <em>polémica </em>del <em>ethos </em>que enlaza indefectiblemente con las configuraciones de la <em>vida en común</em>, indicaremos los aportes e inquietudes que se abren para continuar pensando la problematización ética de (y a partir de) Foucault.</p> Julia Monge Copyright (c) 2021 Julia Monge http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2368 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 Prolegômenos da teologia natural em Tomás de Aquino: a possibilidade de um conhecimento racional de Deus https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2369 <p>Este artigo visa resgatar os princípios da Teologia Natural no pensamento de Tomás de Aquino no que se refere à possibilidade de um conhecimento racional de Deus. Tomás, influenciado pela filosofia de Aristóteles, vai afirmar que pela razão pode-se chegar à certeza da existência de Deus. Certeza essa que é evidente, mas que precisa ser demonstrada. Para tanto, elabora cinco vias, chamadas de Provas, para comprovar a existência da divindade baseando-se sempre no pressuposto de que todo conhecimento racional tem sua origem na experiência. Todo o trabalho de Tomás de Aquino possui uma continuidade na Filosofia Contemporânea, sendo estudado e desenvolvido por diversos autores que dão forma ao movimento tomista, particularmente dialogando com outras ciências.</p> Anderson Frezzato Copyright (c) 2021 Anderson Frezzato http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2369 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 Originalidade, princípio e ápice dos fundamentos morais no crivo da teoria dos valores de Max Scheler https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2372 <p>Devido à importância da teoria dos valores, elaborada por Max Scheler, este artigo tem a finalidade de descrever a essência e originalidade da fundamentação moral, mostrando a absoluteidade que lhe é inerente, para erigir uma ética de valores morais absolutos. Feito, isto, encontraremos de fato, fundamentos axiológicos capazes de evidenciar os princípios que permeiam e tornam a base da vida ética e moral das pessoas repleta de valor e sentido, dentro da respondente e responsável causalidade de suas ações e decisões que emanam desta capacidade humana e, que está latente em sua essência.</p> Jose Sepúlveda, Ailton dos Santos de Jesus Copyright (c) 2021 Jose Sepúlveda, Ailton dos Santos de Jesus http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2372 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 Flusser’s radical immanent monism https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2378 <p style="margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt; text-align: justify; background: white;"><span lang="EN-US" style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Bodoni MT',serif;">Starting from Flusser’s most explicit statements about irony, self-irony, and the Devil, I try to make some sense of the relations, in Flusser’s thought, between language, reality and scepticism. And, perhaps most importantly, I try to clarify Flusser’s notion of the role of philosophy proper. This analysis will bring us to a puzzling spectrum I see hovering over Flusser’s ideas: the eradication of boundaries between the ontological and the ethical. That is what I call Flusser’s radical immanent monism.</span></p> Wanderley Dias da Silva Copyright (c) 2021 Wanderley Dias da Silva http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2378 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 Os precursores esquecidos de Ludwig Wittgenstein https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2377 <p>No prefácio das <em>Investigações filosóficas</em>, Ludwig Wittgenstein revela que ao “estímulo” do economista Piero Sraffa devia “as ideias mais fecundas” da obra. Curiosamente, porém, segundo Amartya Sen (2003), Sraffa considerava seu ponto de vista – que enfatiza a relação entre a linguagem e o meio sociocultural em que ela é empregada – “um tanto óbvio”, achava tedioso conversar com Wittgenstein e nunca se entusiasmou por ter influenciado decisivamente sua filosofia tardia. Para justificar o comportamento de Sraffa, Sen (2003) argumenta que seu ex-professor julgava trivial a sua abordagem social da linguagem – que se opõe à abordagem lógica do <em>Tractatus logico-philosophicus</em> – basicamente devido à sua formação marxista. Em divergência a essa explicação de Sen (2003), sustenta-se neste artigo que o ponto de vista de Sraffa é realmente “um tanto óbvio”, tendo uma longa lista de precursores que remonta à Grécia Antiga. A fim de comprovar essa afirmação, são retomadas aqui tanto as obras de filósofos com os quais Wittgenstein dialoga em seus textos, como Platão, Aristóteles e Santo Agostinho, quanto autores prestigiados que ele aparentemente desconhecia, entre os quais os linguistas <em>William D. Whitney, Hermann Paul e Ferdinand de Saussure.</em></p> Gustavo Augusto Fonseca Silva Copyright (c) 2021 Gustavo Augusto Fonseca Silva http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2377 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 Subjetividade e desamparo: um olhar winnicottiano sobre a racionalidade neoliberal https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2370 <p>Entendemos os eventuais problemas em discutir subjetividades a partir dos escritos de dois pensadores tão diferentes como Foucault e Winnicott, mas nesse estudo, o objetivo é fornecer um possível contraponto <em>winnicottiano</em> para as análises realizadas por Foucault a respeito da subjetividade na racionalidade neoliberal. Nossa proposta é pensar a constituição da subjetividade na racionalidade política neoliberal, que conforme verificamos, constrói indivíduos psiquicamente voltados para certo individualismo em detrimento da ética e da alteridade. Após uma discussão sobre a dinâmica da formação do capital humano, conforme apresentado por Foucault, e da apresentação das noções fundamentais acerca dessa constituição específica da subjetividade, realizamos um contraponto apresentando os pontos fundamentais da teoria do amadurecimento de Winnicott para pensar a respeito de possíveis consequências psíquicas que a racionalidade neoliberal, produtora de sujeitos voltados para a competição, impõe a essas estruturas subjetivas.</p> Flávia Andrade Almeida, Felipe Sampaio de Freitas Copyright (c) 2021 Flávia Andrade Almeida, Felipe Sampaio de Freitas http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2370 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 Límites que discurren como umbrales: Walter Benjamin y la crítica de la razón moderna https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2379 <p>El objetivo de este artículo consiste en examinar la incardinación de la noción crítica “límite de la razón” y la noción dialéctica “umbral” en el marco de la filosofía de Walter Benjamin. A tal fin, en primer lugar, se indaga la determinación benjaminiana de los límites racionales conforme a la correlación entre el debilitamiento de la experiencia mimética y la instrumentalización del lenguaje. Luego, a partir de un análisis de la dialéctica de los medios, se indica por qué la filosofía benjaminiana puede ser concebida como el intento por transformar dialécticamente los “límites de la razón” en “umbrales” abiertos a otra experiencia racional. De esta manera, se espera mostrar un aspecto del pensamiento de Walter Benjamin: la actualización de la crítica de la razón como uno de los fundamentos de su programa para una filosofía venidera.</p> María Rita Moreno Copyright (c) 2021 María Rita Moreno http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2379 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 A Phronesis como forma de hermenêutica https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2289 <p>A <em>phronesis</em> aristotélica da <em>Ética Nicomaqueia</em> está na base de todo pensamento de Hans-Georg Gadamer, bem como de toda a sua teoria hermenêutica, sob a forma de modelo. Mostro, mediante descrição, que ela é referência para a abordagem gadameriana dos problemas hermenêuticos da aplicação e da natureza da própria hermenêutica. Disso resulta que a <em>phronesis</em> assume uma forma hermenêutica na medida em que contribui para a caracterização da atividade aplicativa do intérprete e para a determinação da hermenêutica filosófica como práxis, as quais se encontram fundamentalmente enraizadas na finitude humana.</p> <p> </p> Edimarcio Testa Copyright (c) 2021 Edimarcio Testa http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2289 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 Discurso e técnica na era da informação https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2382 <p>Trata-se de uma reflexão fenomenológica acerca da essência do homem a partir do sentido da sua discursividade na época da técnica. Considerando a história da metafísica no seu fim, em que todo dizer e pensar estão comandados pelas tecnologias da informação, pergunta-se pela atual situação da linguagem, entendida como o pronunciamento da existência humana. Tendo por base a fenomenologia heideggeriana, em especial, a noção de discurso (<em>Rede</em>) enquanto estrutura fundamental explicitada pela ontologia existencial de<em> Sein und Zeit</em>, demonstra-se que o cerne da discussão não é simplesmente colocar em questão o uso instrumental e a aplicação tecnológica da linguagem. Antes, o fundamental para elaboração da interrelação entre discurso e técnica é captar o sentido pelo qual o homem contemporâneo discursa sua existência-no-mundo, passando de um modo originário de dizer(-se) e entender-se para aquele em que tanto ele como o seu mundo são governados por um poder desafiador e provocador do real em sua realidade. Mostra-se que, para garantir esta posição do homem contemporâneo junto aos entes, é necessário que a técnica seja um sentido para pronunciar a sua existência, conferindo o significado de ser-dispositivo para a existência e suas possiblidades mais próprias, bem como para as coisas mundanas. Simultaneamente, explicita-se que, estando a realização da existência humana guiada por este sentido e poder desafiador representados pela técnica, são exigidas, entre outras consequências, a instrumentalização das línguas e a sua redução a um sistema de comunicação gerido por tecnologias informacionais.</p> Daniel Rodrigues Ramos Copyright (c) 2021 Daniel Rodrigues Ramos http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2382 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 Los impulsos en la concepción materialista de la razón de Max Horkheimer https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2383 <p>El presente trabajo aborda la relación entre la noción de razón (Vernunft) y la de impulsos (Triebe) en Max Horkheimer. Nos centraremos principalmente en el análisis de dos de sus artículos de la década de 1930 para señalar que el filósofo rechaza la idea -propia de la concepción burguesa de razón- según la cual razón e impulsos son radicalmente opuestos entre sí, ya que mediante ella se suele fundamentar la represión de lo impulsivo en nombre de una optimización del pensamiento. Horkheimer entiende que mientras tal represión pretende emancipar a la razón respecto de lo otro de ella, en realidad no hace más que producir una atrofia del pensamiento. Nos proponemos demostrar que Horkheimer concibe a esa oposición radical como falsa por dos motivos: por un lado, por el hecho de que la razón misma adquiere un comportamiento impulsivo cuando se identifica con el pensamiento y busca reprimir todo lo que considera distinto de él. Por otro lado, porque sin un vínculo consciente de la razón con lo impulsivo, ella queda presa de la irracionalidad. Sostenemos que hay en Horkheimer una concepción materialista de la relación entre las nociones de impulsos y razón, según la cual sólo el establecimiento de una relación consciente entre ambos, que no descuide la satisfacción de las demandas impulsivas, puede evitar que el pensamiento se torne irracional.</p> Paula García Cherep Copyright (c) 2021 Paula García Cherep http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2383 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 Medo: o novo mal-estar da humanidade https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2384 <p>Incerteza, insegurança e vulnerabilidade tornaram-se lugares comuns nas sociedades contemporâneas. Este artigo pretende uma reflexão interdisciplinar sobre a construção social e política do medo na modernidade líquida. Zygmunt Bauman, Leonidas Donskis, Martha Nussbaum, Hannah Arendt, Ulrich Beck, Boaventura de Sousa Santos, Bernard Henry-Levy e Umberto Eco são alguns dos autores que iremos colocar em diálogo para melhor compreender as múltiplas narrativas do medo numa era profundamente marcada pela destruição das certezas sociais, pelo agravamento das desigualdades sociais, pelas lógicas de um capitalismo predador, pelo ressurgimento de nacionalismos de exclusão, bem como de particularismos étnico-culturais, que se movem a partir de discursos xenófobos e racistas e, por fim, pelos novos riscos, como a degradação ecológica e como a pandemia COVID19, que atualmente assola as sociedades contemporâneas e domestica os comportamentos sociais.</p> Pilar Damião de Medeiros , Paulo Vitorino Fontes Copyright (c) 2021 Pilar Damião de Medeiros , Paulo Vitorino Fontes http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2384 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 Epidemia da insônia: Kopenawa e a equivocidade do esquecimento https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2310 <p class="Titulo" style="line-height: normal;"><span class="Resumo"><span style="font-family: 'Bodoni MT',serif; letter-spacing: 0pt; font-weight: normal;">Friedrich Nietzsche dizia que a transcendência e a negação da vida, próprias do niilismo reativo que caracteriza a autofagia do Ocidente, eram subprodutos do excesso de memória, plasmado em ressentimento e “espírito de vingança”. Por outro lado, o xamã yanomami Davi Kopenawa, liderança indígena e autor, junto ao antropólogo Bruce Albert, do livro <em>A queda do céu</em>, responsabiliza o esquecimento dos brancos (<em>napë pë</em>) por sua própria derrocada — derrocada que leva todos os povos não-brancos consigo, em um vertiginoso cataclisma ambiental e pandêmico de dimensões planetárias que Kopenawa e os Yanomami chamam de “queda do céu”. Neste artigo, pretendemos lidar com essa equivocidade perspectiva do olvido, vislumbrando nela uma questão filosófica crucial: como compreender esse duplo cruzamento entre olvido e memória, quando saímos do discurso filosófico ocidental e partimos para o discurso de um pensador yanomami? Haveria em jogo, aqui, uma equivocidade do olvido, no sentido em que o esquecimento é outro, a depender de sua direção?</span></span></p> Maurício Fernando Pitta Copyright (c) 2021 Maurício Fernando Pitta http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2310 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 Machiavelli and republicanism in Elizabethan England https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2386 <p>The purpose of this succinct work is to present N. Machiavelli's classic republican view from his proposition of an inevitable paradox, the founding of an expansionist republic, difficult to govern, or the founding of a stable, but small and weak republic. Such a paradox, according to Machiavelli, should direct and condition all the constitutive devices of the republic when choosing what will be its destiny as a political body. The model of republic preferred by the Florentine will be the expansionist model of Rome, leading him to assume all the devices that gave this republic its power. From this presentation of the Machiavellian proposition, we will analyse the assimilation of republican thought in England from the Elizabethan period, as well as the political-social scenario that exists there. This itinerary will allow us to understand, in general, why classical republicanism was received on English soil from the perspective of establishing a mixed, stable government, thus favouring the spread of the Venice myth as a serene republic and delaying the use, even that mitigated, of the republican presuppositions expressed in the Machiavellian work that directed towards a Roman model.</p> Marcone Costa Cerqueira Copyright (c) 2021 Marcone Costa Cerqueira http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2386 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 O que é ‘Metametafisica’? Uma Análise das Metodologias de Meinong, Carnap e Quine https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2336 <p>A Metametafísica é o estudo sobre os fundamentos e a metodologia da Metafísica. Analisaremos neste artigo três metodologias que marcaram as origens da Metametafísica na Tradição Analítica: a de Alexius Meinong, Rudolf Carnap e Willard van Orman Quine. De acordo com Meinong, há uma distinção entre ‘existir’ e ‘haver’ e, para preservar a intuição de que todo ato intencional é direcionado a um objeto, há coisas que não existem. Segundo Carnap, as perguntas em Metafísica podem ser facilmente respondidas por meios empíricos ou inferenciais, desde que adotemos um sistema de referência linguístico (<em>framework</em>) e respondamos às questões internamente a esse <em>framework</em>. Já Quine argumentou que tomar uma entidade com sendo existente é tomá-la como o valor de uma variável ligada. A Metametafísica é relevante porque desambigua o nosso vocabulário e evita que os filósofos e filósofas se envolvam em meras disputas verbais. O nosso objetivo neste artigo não foi explicitar a nossa predileção por alguma dessas metodologias, mas fornecer um ponto de partida para os que não estão familiarizados com essas discussões — de modo que outros pesquisadores e pesquisadoras se engajem com as questões pertencentes à Metametafísica.</p> Italo Lins Lemos, Cristian Kraemer Copyright (c) 2021 Italo Lins Lemos, Cristian Kraemer http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2336 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 O mundo é o grande espelho da consciência: reflexões sobre as implicações quânticas do idealismo absoluto de Hegel https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2389 <p>No campo de estudos em física quântica, o pensamento de Heisenberg suscita reflexões muito relevantes para uma articulação entre ciência e metafísica, dada a importância atribuída ao sujeito no colapso da superposição entre onda e partícula. Sob uma perspectiva idealista, a importância dada ao sujeito na observação dos fenômenos quânticos pode ser considerada uma etapa do desenvolvimento da consciência no âmbito da fenomenologia do espírito de Hegel. A física quântica, sob uma perspectiva idealista, representa um momento fundamental no reconhecimento e superação dialética dos dualismos produzidos pelo próprio sujeito em sua relação com o mundo.</p> Sinésio Ferraz Bueno Copyright (c) 2021 Sinésio Ferraz Bueno http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2389 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 Horizontes trágicos del cuerpo: la invención en Aimé Césaire y Frantz Fanon https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2390 <p>El trabajo aborda los problemas de la tragedia, la invención y el cuerpo colonizado en las escrituras de los pensadores martiniqueses Aimé Césaire y Frantz Fanon. Para ello, en un primer momento nos detenemos en el vínculo que existe entre la tragedia de las experiencias de los cuerpo negros aludidos en las escrituras de los mentados autores con los controles y reificaciones de la modernidad colonial. En un segundo momento, discutimos la invención de la imagen poética de <em>Cuaderno de un retorno</em> <em>al país natal</em> de Césaire y cómo desde ella sobresale la agencia de un cuerpo propio en una reescritura crítica del Triángulo Atlántico. A continuación, en un tercer apartado, reflexionamos sobre la experiencia vivida de Fanon en su trabajo <em>Piel negra, máscaras blanca</em> con el objetivo de rastrear su talante trágico, autodestructivo, y su potencia inventiva. Finalmente se concluye que Césaire y Fanon hacen de la invención una posibilidad de construir otra imaginación histórica del cuerpo por fuera de los ordenamientos raciales de la modernidad colonial.</p> Carlos Aguirre Aguirre Copyright (c) 2021 Carlos Aguirre Aguirre http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2390 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 O direito internacional e o futuro da cidadania democrática na filosofia de Juergen Habermas https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2337 <p>Habermas discute as chances para a instituição de uma cidadania mundial na sociedade contemporânea, marcada pelo multiculturalismo e pelo processo de globalização. Habermas identifica a configuração histórica da constelação pós-nacional, e partir daí tematizada a transição do direito internacional para o direito de cidadãos do mundo, que alinha o conceito de cidadania à ideia de direitos humanos. Habermas analisa a ideia kantiana de estado cosmopolita em que os cidadãos são sujeitos jurídicos de seus respectivos Estados e membros de uma entidade cosmopolita. Kant elabora o conceito de república mundial, que Habermas discorda, mas oferece o exemplo da União Européia para uma discussão sobre a realização de uma ordem internacional justa e pacífica. A partir da orientação kantiana de constituição de uma ordem de cidadania mundial, Habermas discute a conformação e a viabilidade dessa ideia na contemporaneidade. Para Habermas, é possível soletrar a ideia de cidadania cosmopolita. A partir da União Européia, a cooperação entre Estados e cidadãos mostra que se faz necessária uma comunidade cosmopolita em complementação a uma comunidade internacional de Estados.</p> Ilca Menezes Copyright (c) 2021 Ilca Menezes http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2337 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 O λόγος noético: análise da lógica proposicional do Corpus Hermeticum 12.12-14a https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2395 <p>O presente artigo trata de um objeto da Filosofia, estritamente da Filosofia da Linguagem, no que diz respeito ao estudo da lógica e da dialética. Sendo assim, propõe-se a analisar os aspectos conceptuais lógico-dialéticos incidentes no <em>Corpus Hermeticum </em>(<em>Corp. Herm.</em>) 12.12-14a em comparação com os textos lógicos de <em>Stoicorum Veterum</em> <em>Fragmenta </em>(<em>Stoic. Vet.</em> <em>Fr.</em>), com a finalidade de encontrar supostas fontes enquadradas no texto hermético, e saber como elas foram retrabalhadas nele. Para isso, as referências, descrições e citações de Sexto Empírico (séc. II a III E.C.) e de Diocles Magnes (séc I a.E.C.), <em>apud</em> Diógenes Laércio (séc. III E.C.), constituem importantes fontes sobre as doutrinas filosóficas de Zenão, Cleanto e Crísipo. Considera-se que a doutrina da primeira parte do <em>Corp. Herm.</em> 12 é, amiúde, platônica. Contudo, percebem-se sinais de influências do estoicismo. A concepção acerca do <em>νο</em><em>ῦ</em><em>ς</em> [nous] no homem é de origem platônica, mas a expressão <em>π</em><em>ροφοριϰ</em><em>ὸ</em><em>ς</em> <em>λόγος</em> [prophorikos logos] é certamente estoica. Logo, o <em>Corp. Herm.</em> 12 deve-se tratar de um médio-estoicismo ou médio-platonismo, platonismo estoicizante ou de um estoicismo platonizante que não pode ter surgido antes do séc. I a.E.C. Especificamente, o artigo interessa-se pelo problema lógico-dialético que envolve alguns conceitos estoicos, como <em>λόγος</em>, <em>π</em><em>ροφοριϰ</em><em>ὸ</em><em>ς</em> <em>λόγος</em>, <em>φωνή</em> [phōnē], outrossim, o problema da proposição lógica conectiva em flagrante processo platonizante por meio da doutrina do <em>νο</em><em>ῦ</em><em>ς</em> tematizado no <em>Corp. Herm. </em>12.12-14a, assumindo uma dimensão teológica e um caráter divino do <em>λόγος</em>, por ser <em>ἐ</em><em>ν</em><em>διάϑετος</em> <em>λόγος</em>, <em>o pensamento que existe</em> <em>ἐ</em><em>ν</em> <em>τ</em><em>ῇ</em> <em>δι</em><em>α</em><em>ϑ</em><em>έσει</em>, <em>ἐ</em><em>ν</em> <em>τ</em><em>ῷ</em> <em>ν</em><em>ῷ</em> (na mente).</p> David Pessoa de Lira Copyright (c) 2021 David Pessoa de Lira http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2395 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 Einstein’s Local Realism vs. Bohr’s Instrumental Anti-Realism: The Debate Between Two Titans in the Quantum Theory Arena https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2306 <p>The objective of this article is to demonstrate how the historical debate between materialism and idealism, in the field of Philosophy, extends, in new clothes, to the field of Quantum Physics characterized by realism and anti-realism. For this, we opted for a debate, also historical, between the realism of Albert Einstein, for whom reality exists regardless of the existence of the knowing subject, and Niels Bohr, for whom we do not have access to the ultimate reality of the matter, unless conditioning it to the existence of an observer endowed with rationality, position adopted in the Interpretation of Complementarity (1927) – posture that was expanded in 1935 when Bohr assumed a “relationalist” conception, according to which the quantum state is defined by the relationship between the quantum object and the entire measuring device. This is an extremely important debate, as it further consolidates the results of nascent Quantum Mechanics, guaranteeing Bohr the leadership of the orthodoxy based on the interpretation of complementarity. Here, when dealing with Quantum Theory, we will not make any distinction between the terms Quantum Physics, Quantum Theory or Quantum Mechanics. The entire discussion will be held under the name “Quantum Theory”. Theory that tries to analyze and describe the behavior of physical systems of reduced dimensions, close to the sizes of molecules, atoms and subatomic particles. We hope that the reader will appreciate the genius of these two titans in this field of Physics when they magnificently formulate the arguments that support the object of their defenses.</p> Eduardo Simões Copyright (c) 2021 Eduardo Simões http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2306 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 É possível filosofar em português: entre Patativa do Assaré e Manfredo Araújo de Oliveira https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2314 <p>O seguinte artigo tem como objetivo traçar um diálogo entre a concepção de Ethos presente no poeta Patativa do Assaré e no pensamento do filósofo Manfredo Araújo de Oliveira. Da particularidade à universalidade, ambos os pensadores tematizam o Ethos social como característica intrínseca do sujeito. Patativa é um representante da poesia do panteão nordestino, enquanto Manfredo Oliveira, se destaca pelo poder de síntese e de análise dos principais problemas da História da Filosofia. Ambos os pensadores, nos mostram como é possível filosofar em português ou como é possível extrair da especificidade histórica os dilemas da complexidade humana. Este artigo, portanto, faz uma reflexão que parte da literatura popular ao pensamento filosófico nordestino, apresentado como fio condutor a Ética.</p> Halwaro Carvalho Freire, Marcelo Feitoza Muniz Copyright (c) 2021 Halwaro Carvalho Freire, Marcelo Feitoza Muniz http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2314 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 Diferença e oposição: uma controvérsia https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2397 <p>Os trabalhos cumpre dois propósitos. Tem como objetivo amplo relativizar a divisão entre o estruturalismo e sua pretensa superação ou prosseguimento, com o pós-estruturalismo. O faz a partir de um procedimento específico: o modo como Saussure desenvolve e antecede teses caras a filosofia da diferença de Deleuze. Inicia pela crítica que Deleuze endereça ao estruturalismo do primeiro como incapaz de apreender tanto a diferenciação quanto a organização das diversas formas de experiência. O foco em Saussure se deve ao fato de que Deleuze considera este um descobridor da diferença no âmbito da linguagem, embora insista em lê-la em termos opositivos e, portanto, negativos. Um “descobridor encobridor”, pode-se dizer, que traz à luz a dinâmica diferencial do sentido e, ao mesmo tempo, encobre-a pela imagem tradicional do pensamento que é subordinada à identidade. Em seguida, ficará claro como esta leitura não considera as verdadeiras posições da filosofia da linguagem elaborada por Saussure e que esta deve em muito ser afastada de alguns dos seus considerados herdeiros e seguidores (consideramos o caso exemplar de Trubetskoy, tal como o fizera o próprio Deleuze noutro sentido). A conclusão é que a teoria do valor voltada ao sistema linguístico antecede a teoria diferencial das faculdades que Deleuze emprega a compreender cada das estruturas de nossa existência.</p> André Dias de Andrade Copyright (c) 2021 André Dias de Andrade http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2397 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 La ecología epistémica del desacuerdo profundo: un análisis reflexivo sobre la discusión interpersonal https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2323 <p>En este artículo se aborda el tema del conflicto social desde la epistemología de los “desacuerdos profundos”. A diferencia de otros tipos de desacuerdos, los profundos generan <em>inconmensurabilidad</em> y no pueden ser subsanados a través de la argumentación racional, precisamente porque ésta puede amplificar el desacuerdo y agudizar el problema. En la base de estas divergencias subyacen dos posicionamientos epistemológicos irreconciliables: el <em>infalibilismo</em> y el <em>falibilismo</em>. El estilo de argumentación infalibilista se encarna en los intentos por hallar la verdad objetiva mediante evidencia última y concluyente. Tal postura induce a defender las propias creencias a través de ciclos viciosos que Carlos Pereda ha denominado “vértigos argumentales”, generando sobre el interlocutor distintas estrategias de silenciamiento y devaluación basadas en prejuicios identitarios (una suerte de “agravio” que, en palabras de Miranda Fricker, constituye un acto de “injusticia epistémica”). La argumentación vertiginosa puede incluso propiciar una aniquilación epistémica del Otro como interlocutor válido. Este fenómeno es presentado como “epistemicidio” (adaptado del sociólogo portugués Boaventura de Sousa Santos). En este trabajo, el análisis de las fricciones, tensiones y disputas que se pueden activar en el transcurso de la producción y validación de conocimiento es llevado más lejos, para sondear las condiciones bajo las cuales puede ocurrir que la devaluación y aniquilación lleguen a ser perpetradas contra sí mismo. Denomino a este fenómeno “autoepistemicidio”, y trazo una comparación entre dicho concepto y su concomitante en el ámbito clínico: el de “<em>Gaslighting</em>”. Finalmente, extraigo las reflexiones más importantes del artículo, abriendo nuevos horizontes de investigación futura.</p> María Christiansen Copyright (c) 2021 María Christiansen http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2323 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 A crítica do universalismo hegeliano em três tempos: Fanon, Dussel e Freire https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2316 <p>O objetivo deste ensaio é apresentar a crítica do universalismo hegeliano realizada pelo conceito de zona do não-ser de Franz Fanon, pela zona da exterioridade de Enrique Dussel e pela pedagogia do oprimido de Paulo Freire. A (re)leitura da dialética hegeliana operada pelos três pensadores auxilia na compreensão do substrato do pensamento que orientou a concepção europeia sobre a liberdade inscrita no campo da prática política, localizando-a no tempo e no espaço. Além disso, suas propostas de “descolonização da dialética” renovam a imaginação e a práxis filosófico-política dos países subalternizados pelo contexto das relações de força do mundo moderno/colonial, em busca de outras referências simbólico-epistêmicas necessárias à transformação social da realidade de desigualdades do continente latino-americano. O gesto dos três pensadores abre o texto filosófico ou, mais especificamente, o pensamento hegeliano, a um diálogo infinito, não totalizável, a uma crítica às tentativas de fechamento metafísico e/ou ontológico do conhecimento, a sua universalização.</p> Marcos de Jesus Oliveira, Elzahra Mohamed Radwan Omar Osman Copyright (c) 2021 Marcos de Jesus Oliveira, Elzahra Mohamed Radwan Omar Osman http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2316 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 Antropogênese e filosofia indígena: o homem e o animal https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2399 <p>Promovendo uma releitura de <em>L’aperto: l’uomo e l’animale</em> de Giorgio Agamben, o presente artigo tem a dupla intenção de expor a máquina antropológica que opera clássica e modernamente a antropogênese e de apresentar aspectos da filosofia indígena (a filosofia produzida e expressada por ameríndios brasileiros) que orientam a relação entre o homem e o animal, bem como entre o humano e animalidade, em contraste. Arriscamos empregar a expressão <em>filosofia indígena</em>, conscientes de que ela pode ser mal recebida, embora tenha o texto uma implícita defesa dessa possibilidade. Entre os interlocutores indígenas, visitamos Gersem Baniwa, Daniel Munduruku e Davi Kopenawa, entre outros. Se o contemporâneo está absolutamente presente e cativa a nossa atenção com as luzes e obscuridades, nada pode ser mais contemporâneo do que o esforço de ampliar os nossos horizontes epistemológicos.</p> Daniel Arruda Nascimento Copyright (c) 2021 Daniel Arruda Nascimento http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2399 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 Causalidade kantiana e leis científicas contingentes https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2400 <p>A causalidade diz respeito à ligação entre dois eventos em que um causa o outro. Essa ligação deve ser necessária e permanente, ou seja, o primeiro evento causa o segundo sempre e irrevogavelmente. Suspeitas quanto à validade do princípio de causalidade são recorrentes em filosofia, parecendo estar nas investigações de David Hume sua melhor crítica. Contudo a causalidade se põe como essencial e inevitável na formulação de inúmeras leis científicas. Por sua vez, essas leis, desde as críticas da epistemologia do século XX, são tidas por contingentes ou revisáveis. Nossa questão é: como compatibilizar a contingencialidade das leis científicas com a necessidade da causalidade kantiana? Para tanto faremos o seguinte: 1) Analisaremos a vinculação entre tempo e a relação de causa e efeito para a compreensão de Kant da causalidade; 2) mostraremos como se dá a diferença e relação de dependência entre a causalidade kantiana e as leis causais físicas; 3) finalmente nos encontraremos com o sentido kantiano da necessidade e revisibilidade das leis físicas.</p> Irio Vieira Coutinho Abreu Gomes Copyright (c) 2021 Irio Vieira Coutinho Abreu Gomes http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2400 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 A educação do ethos na Antígona de Sófocles https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2402 <p>Antígona, de Sófocles, escrita por volta de 441-440 a.C. é a tragédia mais estuda e interpretada da história do teatro clássico. São diversos os ângulos interpretativos e de análise que a 2500 a.C. desafiam os exegetas e estudiosos das diversas áreas do conhecimento humano. A forma como a peça é, interpretativamente, recebida varia conforme os interesses do tempo no qual ela é estudada e encenada. Objetiva-se, nesse trabalho, por meio de uma análise hermêutico-dialética de revisão de literatura, apresentar possíveis impactos que o descumprimento da lei civil que impedia a jovem princesa Antígona a oportunizar um sepultamento digno a seu irmão, Polinice, possui para a formação de um <em>ethos</em> educativo e emancipador de cidadãos que busquem na sua práxis a plena justiça social, diante de leis tecidas pela lógica excludente de um poder de estado que almeja apenas se perpetuar no poder. Os personagens principais são analisados e contextualizados à luz da compreensão de um <em>ethos</em> formativo que priorize a lógica da justiça em detrimento da lógica fria da lei jurídica. Conclui-se que o interdito de Creonte, ainda, está vivo em nosso tempo, e a educação é um dos principais instrumentos, para transformar o <em>status quo</em> que vitimiza, injustamente, muitas pessoas em nome de uma razão de estado divorciada de princípios ético-morais.</p> Luis Fernando Biasoli Copyright (c) 2021 Luis Fernando Biasoli http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2402 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 Imitação na Ars Politica de Maquiavel: ambiguidades e ambivalências na reinserção da Virtù https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2276 <p>A adequação dinâmica dos bons exemplos, conformando-os às necessidades impostas pelas circunstâncias, insere Maquiavel nos variados usos da <em>imitatio</em> antiga e renascentista. A <em>imitação</em> deve reavivar as práticas civis e as atitudes de <em>Virtù</em>, fornecendo ânimo para a realização das ações políticas e das práticas pedagógicas, conforme a atuação como secretário de Florença e seus escritos políticos, históricos e literários salientam. Desse modo, ao revisar a noção de <em>imitatio</em>, especificamente na antiguidade e na renascença, contextualizam-se os argumentos de Maquiavel sobre a possibilidade dos humanos alcançarem a <em>Virtù</em> pela imitação das ações adequadas nos <em>Discorsi</em>, no <em>Príncipe</em>, nas <em>Histórias Florentinas</em> e na <em>Arte da Guerra</em>. Ao propor investigações e análises do passado que produzam utilidade e deleite, realçando <em>o sabor das ações humanas</em>, os escritos Maquiavelianos realçam a impossibilidade de uma definição pré-determinada sobre quais opções devam ser usadas (<em>ambiguidade</em>) e sustentam a possibilidade de duas perspectivas, aparentemente antagônicas, serem escolhidas simultaneamente (<em>ambivalência</em>).</p> Jean Felipe de Assis Copyright (c) 2021 Jean Felipe de Assis http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2276 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000 O conceito de outrem https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2298 <p>Este artigo combina a extraordinária análise por parte de Deleuze de <em>Sexta-feira ou os Limbos do Pacífico</em>, de Michel Tournier, que apresenta um Robinson Crusoé duplo, perverso, em relação ao de Daniel Defoe, com uma análise crítica de concepções como a de ser-no-mundo, resultantes da hermenêutica fenomenológica de Heidegger. O meu ponto é que sem outrem [<em>Autrui</em>], ou o que Deleuze chama a estrutura-outrem [<em>structure Autrui</em>], não é possível ‘interpretar' ser-no-mundo, que, por outras palavras, o que se descompreende sem esta estrutura é justamente uma compreensão pré-ontológica do ser, não se atingindo a facticidade do ser precisamente por se viver, se sofrer, sem outrem, um processo inverso, o de uma ‘desfactização' do próprio fato ou facticidade do ser. Proponho, portanto, uma nova concepção do limite de ser-no-mundo não em termos da morte mas de outrem, do que é perder outrem, a estrutura-outrem, e como esta perda implica a perda de ser-no-mundo, a possibilidade ela mesma de interpretar, de compreender, as suas diferentes estruturas (ser-aí, ser-com, ser-para-a-morte, etc.) O conceito de outrem funciona assim como uma gigante dobra entre ser-no-mundo e o seu avesso ou o que Artaud definiu como ‘o outro lado da existência’, mas também entre a ausência de outrem e a criação de ‘mundos sem outrem', todos eles ‘menores', ‘ilhas desertas', 'plateaus', constituídos na imanência desta ausência, do próprio ‘fora'.</p> Filipe Ferreira Copyright (c) 2021 Filipe Ferreira http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2298 Wed, 02 Jun 2021 00:00:00 +0000