Resumos dos Simpósios

Simpósio Temático 1
Servir a Deus e a este Santo Tribunal: os recursos humanos em prol do cumprimento e da extensão do poder inquisitorial
Coordenador: Doutor Nelson Vaquinhas – Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades – Universidade de Évora

Servir a Inquisição de Lisboa – Dinâmicas organizacionais e mobilidade interna
Daniel Giebels
Resumo:
Recente estudo sobre a Inquisição de Lisboa, para o século XVI, demonstrou como a organização interna dos tribunais inquisitoriais evidenciava, muitas vezes ao arrepio das imposições normativas, um contínuo esforço de adaptação, nem sempre bem-sucedido, aos diferentes desafios que se foram colocando ao seu funcionamento. A atividade repressiva poderia assim reclamar uma ampliação dos quadros humanos, como ser condicionada pela falta destes. A importância do entendimento das dinâmicas organizacionais para uma melhor compreensão sobre a atividade repressiva da Inquisição portuguesa leva-nos a estender o âmbito cronológico do anterior estudo sobre a Inquisição de Lisboa até ao ano da abolição da Inquisição portuguesa. Procurar-se-á, primeiramente, reconstituir a evolução da composição dos quadros humanos a partir do cruzamento de diversos documentos inquisitoriais, identificar o seu impacto na mobilidade interna dos ministros e oficiais (percursos e mecanismos de transmissão de cargos), e, em última análise, entender essas dinâmicas nas diferentes conjunturas.

Os notários do Secreto do Santo Ofício (1536-1755): perfil social
Leonor Garcia
Resumo:
Os notários da Inquisição eram os oficiais responsáveis por todo o trabalho de escrita que o Tribunal do Santo Ofício produzia. Realizavam as suas funções nos três tribunais da Inquisição portuguesa, nas cidades de Lisboa, Coimbra e Évora. Designavam-se correntemente como “notários do Secreto”. O seu ofício debruçava-se tanto no campo da escrita administrativa, indispensável à organização da estrutura inquisitorial, como também no âmbito da escrita processual. Estes agentes demarcavam-se assim dos restantes “notários do Santo Ofício”, que coadjuvavam os comissários nas diligências realizadas em regiões mais afastadas das três cidades-sede. Esta proposta pretende reflectir, a partir de uma análise macro, sobre o perfil social do notário inquisitorial, definindo a proveniência geográfica, a ascendência, o estatuto social, a formação académica, a evolução das carreiras e as redes de sociabilidade. De que níveis sociais provinham estes oficiais? Com que tipo de formação ingressavam no Santo Ofício? Que “carteira de relações” transportavam consigo ou desenvolviam no tribunal? Como podiam evoluir na carreira? Deste modo, o principal objectivo deste trabalho será poder definir o tipo social do notário do Secreto. As fontes consultadas para sustentar este estudo foram as habilitações de genere, as habilitações para o Santo Ofício, os livros de actos e graus da Universidade de Coimbra e as diligências de património, todos eles presentes no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, no Arquivo da Universidade de Coimbra e no Arquivo Distrital de Évora.

O braço da fé no Ultramar: presença e atuação dos familiares do Santo Ofício na Vila da Cachoeira (1680-1750)
Felipe dos Santos
Resumo:
Esta comunicação tem por objetivo analisar a formação da rede de Familiares do Santo Ofício na Vila de Cachoeira e sua atuação, buscando compreender o engendramento de suas inserções na Vila de Cachoeira no período colonial, sobretudo em fins do século XVII até finais do XVIII, bem como identificar como eram tecidas as relações de poder local entre estes agentes inquisitoriais com a sociedade e com o próprio Tribunal de Lisboa, ou seja, qual era o verdadeiro papel destes agentes na colônia portuguesa, que não abrigou um Tribunal próprio. Os Familiares como agentes inquisitoriais leigos, eram recrutados entre os moradores das localidades, e segundo os Regimentos estes agentes eram responsáveis pelas atividades auxiliares da instituição religiosa, como o sequestro de bens, pelas notificações, prisões e condução dos réus, e a leitura de suas sentenças, servindo como representantes da Inquisição, podendo assim manter suas ocupações fora do Santo Ofício. Para melhor êxito de nossa pesquisa, se fez necessário incluirmos como objeto de estudo a elite baiana, tendo em vista que muitos dos Familiares se enquadravam nesse grupo social do Brasil Colonial. Ignorando a ação inquisitorial, ou até mesmo afirmando a inexistência dela, de forma uníssona e insistente, a maior parte da historiografia brasileira aborda basicamente três motivações para a ambição ao cargo: fazer parte de uma instituição tida como importante e honrada que era o Santo Ofício; desfrutar de todos os privilégios e isenções que o cargo oferecia; além de poder comprovar a sua limpeza de sangue perante toda a sociedade, visto que para ser um funcionário do Tribunal, o candidato submetia-se a uma rigorosa diligência. Fontes tais como o Registro Geral de Mercês, Listas de integrantes das Ordenanças, entre outras, mostram de forma satisfatória que muitos Familiares do Santo Ofício exerciam cargos de importância na Vila da Cachoeira dos séculos XVII e XVIII, faziam parte assim da elite daquele lugar. Pois além de abastados, e Familiares, eles em sua maioria ocupavam cargos dentro da administração colonial, das Ordenanças, das Ordens militares e/ou religiosas, além de ocuparem espaço dentro da Santa Casa de Misericórdia. Cruzando as fontes inquisitoriais com as civis, sempre embasando nossa análise com os Regimentos dos Familiares do Santo Ofício e com as discussões sobre História Social, com a finalidade de poder observar o relacionamento destes agentes com a sociedade, que geralmente teme sua figura, enquanto agentes da Inquisição portuguesa. Acreditamos que essa pesquisa contribuirá ao mostrar os impactos sociais acarretados pela maciça presença dos Familiares na Vila de Cachoeira, mostrando que a importância destes agentes foi muito maior do que os historiadores que estudam os familiares presumem. Consideramos esta pesquisa necessária, tanto quanto inovadora, pois estamos a submergir no campo social destes indivíduos, em seu convívio e interação com a sociedade do período delimitado, baseadas em prerrogativas do Ancien Regime, uma sociedade hierarquizada, guiada por uma ideia de pureza de sangue, além do campo econômico e político, tendo em vista as redes de poder local que estes indivíduos teceram no Recôncavo colonial.

“Por respeito à voz do Santo Ofício”: poder inquisitorial e abuso de funções em Santarém
Maria Fátima Reis
Resumo:
Respeitados e temidos, os Familiares do Santo Ofício eram agentes leigos da Inquisição, cujas funções passavam pela vigilância e denúncia de desviantes da fé, e ainda pela execução de prisões, quando solicitado pelo Inquisidor ou pelos Comissários. Usufruindo de privilégios e requerendo-se um processo de habilitação que comprovasse “limpeza de sangue”, bons costumes e reconhecido capital, sabendo-se de casos de admissão com impedimentos e de excessos no exercício das funções, este estudo incide sobre casos de desempenho indevido do cargo. Tendo por base processos da Inquisição e autos de devassa instruídos a indivíduos de Santarém, procura-se perceber motivações e penalizações, tendo em conta que o cargo de familiar adquiriu um papel importante na hierarquia inquisitorial.

Cónegos, Qualificadores do Santo Ofício e impressores de livros: os lóios Manuel de Santa Marta Teixeira e Lourenço Justiniano da Anunciação perante a Inquisição
Nuno de Pinho Falcão (UNILAB, Campus dos Malês; CITCEM/U. Porto)
Resumo:
Esta comunicação propõe um olhar sobre a investigação que, em 1753, a Inquisição de Lisboa moveu aos cónegos lóios Manuel de Santa Marta Teixeira e Lourenço Justiniano da Anunciação, motivada pela impressão de diversas obras sem as necessárias licenças censórias do Santo Ofício. Eram produto da imprensa instalada no convento de Santo Elói de Lisboa, de que o primeiro era reitor, e de que o segundo já fora.
Entre as obras saídas deste prelo sem as devidas licenças estão obras polémicas da cultura literária de meados do séc. XVIII, como o Verdadeiro Método de Estudarde Verney, ou os escritos do próprio Lourenço Justiniano da Anunciação, destinados a alimentar a polémica que mantinha com Inácio Barbosa Machado.
Particularmente relevante nesta investigação, que não resultou em punições, é que ambos os investigados eram oficiais do próprio Tribunal, de que eram qualificadores, demonstrando como até dentro dos limites da instituição se encontram exemplos de desvio às normas.

O Santo Ofício no Siará Grande: a colaboração de Familiares, Igreja e Sociedade nos processos de Inquisição nos Sertões (1750-1790)
Adson Pinheiro
Resumo:
O presente trabalho tem como objetivo investigar os meios de ação, as experiências e os modos como agentes de instituições locais e a sociedade colaboraram com o Santo Ofício para identificar os crimes da alçada inquisitorial nos anos de 1750 a 1790 no Siará grande por meio da denúncia. Para além de construir uma narrativa que contemple apenas a história institucional, o trabalho proposto visa aproximar-se das práticas, experiências e sentidos dos agentes históricos que participavam da rede social de denúncias para atuarem na vigilância dos comportamentos sociais e religiosos esperados pela igreja Católica e traduzidos pelos mecanismos do poder localmente. A conduta ansiada pela igreja dos seus devotos ou dos agentes que a servia, muitas vezes, ia de encontro às necessidades cotidianas das pessoas que operavam o sistema de denúncia, pois tinham sonhos, interesses e necessidades individuais que muitas vezes poderiam se sobressair às obrigações legais. A base documental analisada se compõe de processos inquisitoriais, cadernos do promotor e de Habilitações de familiares do Santo Ofício, presentes no Arquivo da Torre do Tombo (1750-1790), dos Regimentos Inquisitoriais, das Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia, dos Capítulos das Visitas dos Livros de Tombo de Russas e Arneiroz. A partir dela, pretendem-se analisar, como fonte central da pesquisa as denúncias, as experiências e relações construídas pelos denunciadores, tanto para se tornar um delator, quanto para legitimar seu depoimento.

“Presos de Estado”: el uso político de las carceles inquisitoriales de Palermo
Valeria La Motta
Resumo:
El 27 de septiembre de 1699, el Alguacil Mayor de la Inquisición de Sicilia, Pedro Capero, fue interrogado por el visitador Diego de Vidania sobre las circunstancias que llevaron al arresto de algunos «reos de estado» en las cárceles inquisitoriales de Palermo. Según el relato de Pedro Caprero, el Virrey, así como el Juez de la Monarquía, se servían del Santo Oficio para capturar e incluso desaparecer a los disidentes políticos: entre ellos, Francesco Baronio y Giuseppe Platanella en 1647 (La Motta, 2018), así como Antonio di Noto y Francesco Inzerilli en 1689 (Torres Arce, 2017).  A través los informes y los relatos de los oficiales inquisitoriales es posible no solo reconstruir la composición y el funcionamiento de las cárceles de Palermo, sino también investigar su papel en cuanto a “prisiones de estados”. Este estudio, por lo tanto, pretende abordar la estructura organizativa y el papel político de la Inquisición de Sicilia, y en específico, la red de agentes implementados en la captura y detención de aquellos que eran considerados sospechosos de conspirar contra el gobierno español.

Simpósio Temático 2
Inquisição e finanças
Coordenador: Bruno Lopes (CIDEHUS-UÉvora; CSG-ISEG/ULisboa; CITCEM-FLUPorto)

Inquisición y tabaco: los orígenes de la Renta del tabaco en Aragón a comienzos del siglo XVIII
Santiago de Luxán Meléndez (Universidad de Las Palmas de Gran Canaria)
Resumo:
En 1636 se estableció el estanco del tabaco, primero reducido a los territorios de la Corona de Castilla y, más tarde, desde el advenimiento al trono de Felipe V, ampliado a todo el territorio metropolitano, incluyendo las Islas Canarias, que estuvieron en el ámbito del monopolio desde la fecha fundacional.  En esta comunicación pretendemos abordar la intervención del tribunal de la Inquisición en los asuntos de la Renta al ser detenido por el tribunal su responsable en Aragón. Este asunto se encuadra en los problemas que la Renta tuvo con el Santo Oficio por la persecución que este último realizó en los años veinte del siglo XVIII a los judeoconversos, algunos de los cuales eran arrendadores de la Renta. El tema es de gran relevancia tanto para la historiografía del tabaco, como para la propia historia de la Inquisición en España, puesto que sepamos nosotros ha sido poco abordado hasta ahora. Además pone en evidencia la necesidad de revisar los fondos de la Inquisición con otras miradas.

Desafios e soluções de financiamento da Inquisição de Goa (séculos XVI-XVII)
Miguel Rodrigues Lourenço (CHAM – Centro de Humanidades; CEHR – UCP; CESAB – FLUL)
Resumo:
“Cá tudo falta”. Assim resumia, em 1576, o inquisidor Bartolomeu da Fonseca o estado da Inquisição de Goa, carenciada de recursos do fisco para se pagar os ordenados dos ministros do tribunal e as dívidas ainda por saldar. Distante do reino, sediada num espaço irreversivelmente marcado pelo ritmo das monções, pelas exigências do contexto militarizado do Estado da Índia e pelos fortes interesses de grupo constituídos em torno da figura do vice-rei ou governador, a Inquisição de Goa queixava-se, com frequência, de atrasos nos ordenados e da insuficiência do fisco, o que afectava grandemente a sua dignidade e capacidade de independência em relação à autoridade vice-real. Nesta apresentação propomos analisar os principais problemas colocados ao provimento financeiro do tribunal do Santo Ofício em Goa, bem como as estratégias levadas a cabo pela Coroa para procurar assegurar que as insuficiências financeiras do Estado da Índia não comprometessem o labor e a dignidade dos ministros do tribunal. Para o efeito, recorreremos à correspondência intercambiada entre Goa e Lisboa, às provisões dos inquisidores-gerais, bem como à análise de dois livros de receita e despesa da Inquisição de Goa.

Os pilares financeiros da Inquisição Portuguesa (séculos XVI-XVIII)
Bruno Lopes
Resumo:
Este trabalho pretende responder à questão: como era financiado do Tribunal do Santo Ofício? Pretende-se explorar a questão que o Tribunal dependia do financiamento da Coroa, assim como da sua própria actividade. 
O seu foco analítico estará centrado, sobretudo, entre 1640 e 1773, contudo será possível lançar algumas pistas para os períodos anterior e posterior. 
Apesar de uma bibliografia abundante, que aborda sob múltiplos pontos de vista as várias facetas da organização do Santo Ofício, os aspectos financeiros não têm constado entre os tópicos que mais ocupam os investigadores. Este trabalho pretende contribuir para colmatar esse espaço menos preenchido.
Na base da investigação estão as fontes financeiras produzidas pela organização, à guarda do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa. Esses dados foram cruzados com documentos diversos, que englobam correspondência, documentação avulsa, livros de registo de ordens internas… Do mesmo modo, recorreu-se ao conjunto normativo interno da organização inquisitorial.

Simpósio Temático 3
Cristãos-novos e Inquisição
Coordenadora: Profa. Dra. Suzana Maria de Sousa Santos Severs – Universidade do Estado da Bahia/Brasil

1ª sessão
The problem with apostasy ad ritum Sarracenorum in early modern Inquisition manuals. An anti-Jewish controversy “turned Turk”
Valentina Oldrati
Resumo:
The first Decretum to ever equate heresy and apostasy, the Contra Christianos, was approved by Boniface VIII in 1298. Even if its publication ended up being directly responsible for putting Christian renegades on the Holy Office’s radar, the Decretum was originally designed for Conversos apostates and only later adapted to Islamic conversions. Particularly, as the Ottoman rule began to extend over Northern Africa in the 1520s, it was the anti-Jewish discourse delivered by the first inquisitorial manuals that transformed in order to incorporate those who had “turned Turk”, namely new Muslims of Christian origin. Unsurprisingly, these conversions especially caught the attention of two types of inquisitorial scholars: those who lived in territories that were exposed to Muslim piracy, and those who approached Islam through the challenges posed by the Moriscos population of Spain.  By analysing the writings of authors such as Arnau Albert, Diego de Simancas, and Juan de Rojas, I will focus on the impact that Mediterranean politics had on inquisitorial law-making processes, such as those that gradually shifted the focus away from apostasy ad ritum Judaeorum to its ad ritum Sarracenorum counterpart

Food as a Crime: Examining Inquisitorial Material from Premodern Crown of Aragon
Ivana Arsic; Ljiljana Jovanovic
Resumo:
For Aragonese Crypto-Jews following dietary laws and cooking habits formed a central part of their ethnic identity. The manners in which Judaizing New-Christians slaughter animals and fowl in kosher fashion and prepared them according to traditional culinary laws, were easily noted by any gentiles. These culinary rituals and customs were frequently characterized as “Jewish” and hence served as heretical charges in inquisitorial proceedings. In this article, we will focus on archival sources, such as inquisitorial legal documents and trial proceedings from premodern Crown of Aragon (c. 1400-1500) which served as testimonies of religious and dietary practices of formerly Judaic population, known as Conversos, who continued to follow the Jewish rituals and rites in secret. Through in-depth analysis of these materials, this study will deepen our understanding of Conversos’ forms of resistance and strategies in maintaining its intangible cultural heritage within the deculturalization process conducted by dominant Christian caste.

Sodomia feminina no Brasil colonial: Maria Peralta, a cristã-nova
Iara Silva de Jesus
Resumo:
Mediante a documentação deixada pelo Tribunal do Santo Ofício da Inquisição, tem-se a possibilidade de investigar diversos aspectos da vida dos habitantes da América Portuguesa.  A presente comunicação tem como proposta de estudo abordar a sodomia feminina na Bahia mediante a análise de seis processos inquisitoriais oriundos da Visitação do Santo Ofício, transcorrida entre os anos de 1591 a 1593, bem como os Regimentos e as Ordenações que eram o conjunto de leis que vigoravam naquela época. A análise de tais documentações permite uma melhor compreensão de como a sociedade colonial delimitou a sexualidade socialmente aceita, como encarava com as relações sexuais quando se tratava de pessoas do mesmo sexo e principalmente, quando essas relações se restringiam apenas ao gênero feminino. Para tal análise dialoguei com os estudos de gênero com o objetivo de compreender tal comportamento sexual desviante interligado às discussões de gênero e sexualidade feminina.

Misticismo e religiosidade cristã-nova: imagens e orações presentes em processos inquisitoriais contra cristãos-novos portugueses na Idade Moderna
Gislaine Gonçalves Dias Pinto
Resumo:
O presente trabalho tem por objeto de análise processos inquisitoriais aos quais foram anexados documentos compostos por imagens e orações que pertenciam aos réus. Esses processos foram movidos contra cristãos-novos, naturais e/ou residentes em Portugal, presos e sentenciados pelo Tribunal do Santo Ofício, por crime de judaísmo ou feitiçaria, entre os anos de 1574 e 1725.   Nossa hipótese é que tais imagens e orações eram utilizadas como amuletos de proteção e sua composição apresenta elementos provenientes de matrizes religiosas diversas, demonstrando uma intensa circularidade cultural. Ao analisar tal documentação observamos que o conjunto de crenças dos cristãos-novos apresentava configurações mais complexas do que aquelas percebidas ao longo das denúncias e sessões de confissão. Ou seja, não se restringiam à mera mescla de símbolos cristãos e judaicos tradicionais (cuja base é o Tanach e o Talmud), mas também às crenças africanas e à corrente mística do judaísmo, a Cabala. Em nosso estudo buscaremos rastros e vestígios daquilo que pode ter passado despercebido, tanto pelos inquisidores quando pelos historiadores que se debruçaram sobre os mesmos casos ou outros semelhantes. Tal metodologia é possível, pois esses anexos representam a materialização de algumas crenças que os réus possuíam, sua natureza pode nos dizer algo para além do que foi dito nas sessões de inquirição. Para aprofundamos o debate apresentaremos o processo movido contra Francisco Campos da Silva, entre 1709 e 1711, devido à riqueza de elementos que compunham seus desenhos e orações.

Entre a transgressão e a moralidade. As mulheres e a Inquisição no Portugal moderno (Século XVII). Sentenças do Tribunal do Santo Ofício de Lisboa
Indira Alexandra Vicente Leão
Resumo:
Esta comunicação insere-se no trabalho que temos vindo a desenvolver na dissertação de mestrado intitulada: “Entre a transgressão e a moralidade. As Mulheres e a Inquisição no Portugal Moderno (Século XVII). Sentenças do Tribunal do Santo Ofício – Lisboa, Coimbra e Évora.” A temática desta comunicação inclui-se na designada História das Mulheres, que têm vindo nas últimas décadas a adquirir relevância na historiografia ocidental, constituindo, hoje, um objeto historiográfico de extremo dinamismo. A atual historiografia tem-se revelado muito ativa no que diz respeito às mulheres inseridas em posições sociais mais elevadas, nomeadamente rainhas e nobres. A presente comunicação pretende, num outro sentido, tomar como objeto as “mulheres comuns”, ou seja, as mulheres prevaricadoras que, de algum modo, contrariaram o sistema de cariz patriarcal e religioso que lhes custou a limitação da sua liberdade e, em alguns casos, a morte. O levantamento e análise quantitativa do número de mulheres condenadas pela Inquisição de Lisboa durante o século XVII, através das listagens das pessoas (homens e mulheres) que se apresentaram nos autos-de-fé, revelam-se fundamentais para obtermos algumas informações sobre as condenadas: a idade, estado civil, filiação masculina, se eram cristãs-novas ou cristãs-velhas, crime e pena correspondente. Com esta documentação tentaremos perceber se existe alguma relação entre o crime cometido pela acusada e a respetiva pena.  Além da documentação inquisitorial recorreremos às Ordenações Manuelinas, às Ordenações Filipinas e às Constituições Sinodais que regulam os crimes e respetivas sentenças, permitindo-nos saber quais os crimes de foro misto (da alçada religiosa e civil) e, deste modo, identificar os que eram da responsabilidade do Santo Ofício.  Uma vez que esta comunicação insere-se num trabalho em desenvolvimento, não seremos exaustivos sobre a temática e muito menos apresentaremos todas as respostas para as nossas questões.  Todavia, o nosso intuito é refletir sobre a atuação do Santo Ofício no julgamento e condenação de mulheres e sobre o papel da justiça como fórmula de controlo social e de repressão dos comportamentos que transgrediam a norma estabelecida. Interessa-nos igualmente saber mais sobre estas mulheres e os seus crimes.

2ª sessão
Mobilidades mercantis entre cristãos-novos. Rio de Janeiro, 1650-1773
Elissa Pereira
Resumo:
A pesquisa procura analisar o impacto dos estatutos de limpeza de sangue nas estratégias de mobilidade social dos cristãos novos brasileiros, com enfoque no grupo fluminense. A questão da pureza de sangue cuja incidência se fez sentir na sociedade portuguesa ao longo de três séculos (XVI-XVIII) permanece ainda um tema em aberto para a América portuguesa. Dessa forma, estudo um grupo de cristãos novos que vivia no Rio de Janeiro em meados do século XVII ao XVIII e que procurava ascender socialmente através do comércio interno e ultramarino. O objetivo é entender como se dava a ascensão social de indivíduos mercantis tidos como minoritários em uma sociedade de Antigo Regime, marcada pela estratificação estamental dos estatutos.  A partir da análise de suas atividades e suas escolhas – investimentos comerciais no ultramar, atuação no tráfico negreiro, no mercado de crédito, nas fianças de embarcações, na formação de redes mercantis e no envolvimento com arrematação de contratos reais – mostro algumas das possibilidades disponíveis aos cristãos novos no que diz respeito ao acúmulo mercantil e à transformação de suas riquezas em mecanismos de mobilidade social. O recorte temporal é amplo e compreende meados dos seiscentos até 1773, com o fim da distinção entre cristãos velhos e cristãos novos.

Médicos, boticários e bacharéis cristãos-novos na resistência à Inquisição: Minas Gerais, século XVIII
Daniela Levy
Resumo:
Os médicos, os farmacêuticos e os bacharéis tinham um papel fundamental na circulação de novas ideias. Entre os cristãos novos que viviam nas Minas, foram presos e denunciados, 8 médicos, 1 boticário, 3 bacharéis. Os médicos e os bacharéis haviam passado muito tempo fora da Vila, influenciados pela mentalidade universitária. Ao retornar, o “doutor” passava a frequentar casa da elite, que, muitas vezes os indagavam sobre política e quais eram as novidades de Coimbra. Com uma cultura mais elevada, inclinados à leitura, os médicos e os bacharéis, como já dissemos no capítulo anterior, representavam uma ameaça ao poder instituído, “responsáveis pela infiltração de ideias proibida, as obras de autores franceses penetravam clandestinamente alimentando o espírito e a mentalidade dos brasileiros contra o absolutismo e a intolerância.”  Diversos foram os estudantes brasileiros presos na Universidade de Coimbra por possuírem e lerem livros proibidos, como também ocorreu entre os médicos e bacharéis das Minas, enviados á Lisboa. O controle, que inicialmente teve um caráter aparentemente religioso, se tornou visivelmente político. O livro passou a ser visto como um perigo extremo e, a fiscalização se estendia dos cargos oficiais à intimidade dos lares.

O mistério Cristovão Colombo, terá sido ele também um fugitivo das perseguições e Inquisição?
Simão Draiblate
Resumo:
Além da fama como navegador, a figura de Cristóvão Colombo arrasta consigo 500 anos de mistérios, dúvidas, perguntas e possibilidades várias. Embora sendo uma das personagens históricas do qual muitos pormenores não são conhecidos, muito possivelmente escondidos pelo próprio Colombo, como o lugar de nascença, a honra de ser considerada a sua cidade natalícia é disputada avidamente por inúmeras municipalidades e países. Uma das possibilidades ou teorias, o ter nascido em Portugal em Cuba no Alentejo, faz nos reviver a ligação Zarco, Tomar, Templários, Infante D. Henrique, Judeus e Descobrimentos. O número de opiniões é sem dúvida, bastante largo, como o são também as vastas justificações que as atestam. As perseguições, a Inquisição, a época da expulsão dos judeus de Espanha, são contemporâneas à sua vida e actividade. O que será mais importante, os seus contactos com os Reyes Católicos ou o facto que as 10 cartas que escreveu ao seu filho tem como cabeçalho uma abreviação em hebraico louvando Deus? Serão as palavras que endereçou aos Reyes Católicos a favor da Igreja e da conversão dos indígenas do Novo Mundo, mais significantes que o facto que no seu testamento beneficiou um certo pobre, que vivia à porta do Bairro Judeu em Lisboa, bem como um lar de órfãs judias? Quando o citado anteriormente acontece numa época em que Hernando de Talavera, o confessor da Rainha Isabel, a Católica (promotora da Inquisição) é descendente de uma avó cristã-nova, e importantes personagens do Clero, e também da Inquisição, são portadores de sangue judaico, será que Colombo apresenta duas personalidades, uma a real e intima conhecida a poucos e uma outra que lhe permitirá sobreviver e alcançar os seus sonhos e ambições de navegador e aventureiro?

Cavaleiros da Ordem de Cristo, mas processados por judaísmo
Fernanda Olival
Resumo:
A Ordem de Cristo exigia pureza de sangue nas suas habilitações. Aliás, ser cavaleiro de uma Ordem Militar era relevante por esse motivo e como indicador de nobreza. No entanto, houve um pequeno número de cavaleiros que foram processados pelo Santo Ofício por culpas de Judaísmo. Pretende-se estudar estes casos e caracterizar estes indivíduos do ponto de vista sociológico. Importará também perceber por que motivos a Coroa atribuiu hábitos a elementos de ascendência cristã-nova e qual o impacto sócio-institucional destas ocorrências.

3ª sessão
Tensões luso-espanholas nas Índias de Castela (séc. XVII): sociedade colonial e representações de portugueses
Simão Mata
Resumo:
Apesar de presentes desde a união das Coroas, o aprofundar da crise do mundo ibérico na primeira metade do século XVII iria garantir maior força às representações pejorativas dos portugueses nas Índias de Castela. Seguiam estes discursos e práticas excludentes uma lógica de racialização que, além de recorrer a uma série de acusações recorrentes, frequentemente os identificava como cristãos-novos – tendência que culminaria nas “grandes cumplicidades” inquisitoriais. Neste estudo pretende-se analisar o modo como essas representações refletiam ansiedades especificamente coloniais, explicáveis pelas perturbações políticas e sociais do período em causa.

Os europeus no Brasil do século XVII nos processos inquisitoriais: a representatividade dos cristãos-novos
Diogo Andrade Cardoso
Resumo:
A comunicação proposta tem como objetivo traçar o perfil dos indivíduos presentes no Brasil ao longo do século XVII, quer emigrados a partir da Europa, quer já nascidos no território brasileiro, e perceber, dentro destes, qual o peso dos cristãos-novos. Será explorada a metodologia de análise dos processos inquisitoriais e exposta a forma como, junto de um documento que procurava conter um processo judicial de um único sujeito, pode ser obtida informação relativa à presença de centenas de indivíduos que são figuras secundárias nesta documentação, e, portanto, muitas vezes descartadas pela historiografia. A apresentação procurará também demonstrar os resultados obtidos até ao momento, por um projeto de doutoramento ainda em curso, refletindo sobre os perfis etários, profissionais e familiares, além de debater as naturalidades e rotas de mobilidade dos indivíduos europeus ou seus descendentes, presentes no Brasil do século XVII, destacando-se o percurso dos cristãos-novos alvo de processos por parte da Inquisição de Lisboa, ou somente denunciados a este tribunal. Veremos como o papel de Lisboa no envio de gentes para este território é maior do que aquele que a historiografia lhe tem atribuído, ainda que haja uma forte presença de migrantes do Entre Douro e Minho, e quais as principais origens dos conversos. Será também apresentada a forma como a presença holandesa no Nordeste do Brasil potenciou a mobilidade dos indivíduos presentes neste espaço, quer dentro do território conquistado pela WIC, quer com os próprios estados rebeldes. Particular destaque será dado aos cristãos-novos e àqueles que praticavam o judaísmo abertamente, sendo este um período de enorme circulação para esta população e de forte mobilização da Inquisição, principalmente no Brasil holandês.vvvv

Inquisição e cristãos-novos nos sertões do São Francisco: a trajetória do cristão-novo Antônio Rodrigues Garcia (Século XVIII)
Elaine da Silva Santos
Resumo:
Este estudo contempla as práticas inquisitoriais nos Sertões do São Francisco e a trajetória do cristão-novo Antônio Rodrigues Garcia, que viveu na capitania da Bahia, fixando sua moradia no Sítio do Bom Jesus da Lapa (650 km de Salvador), na primeira metade do século XVIII. A partir da documentação produzida pelo Tribunal do Santo Ofício de Lisboa, custodiados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, foi possível investigar sua trajetória nos caminhos Sanfranciscano. Os rincões sertanejos funcionavam ligando diversas rotas comerciais e religiosas, tanto católica quanto cristã-nova ou criptojudaica, evidenciada pela presença de alguns desses judeus convertidos e de outros que praticavam as leis Mosaicas. Através desses documentos, foi possível mapear os trânsitos de Rodrigues Garcia entre os Sertões baiano e outras partes da Colônia, identificando as várias singularidades em que ele esteve envolvido. Percebemos as dinâmicas da época, as efervescências do contexto histórico. Neste sentido foi perceptível observar as diversas realidades nas quais fez parte. O movimentar desses cristãos-novos e criptojudeus nos mostraram suas redes de sociabilidades e seus desdobramentos. Por meio das vivências desses sujeitos históricos, foi possível descortinar um momento importante para o Sertão do São Francisco. Sua expansão demográfica, o estabelecimento e a consolidação dos caminhos dos Currais de gado e do ouro, que interligaram várias Capitânias no século XVIII. O conglomerado de pessoas atraídas pela busca do enriquecimento e a fuga do Tribunal lisboeta, esses agentes históricos participaram da construção de uma rede de negócios que movimentou as praças no Ultramar. Todavia, o seu relevante êxito com o comércio, não conseguiu apagar a mácula de um sangue estigmatizado pelo Tribunal do Santo Ofício.

A família Sola e a Inquisição em Portugal
Florbela Veiga Frade
Resumo:
A família Sola teve origem nas comunidades judaicas ancestrais de Espanha com ramificações em Portugal e, mais tarde, a sua diáspora estendeu-se por diversos países e continentes. Uns voltaram ao judaísmo, outros converteram-se e mantiveram a religião católica embora sendo alvo de sucessivas vagas de prisões pela Inquisição. Este pequeno estudo debruça-se sobre a realidade duma família e as suas várias opções identitárias e religiosas, reflexo dum espelho de escala multicolor dos vários conceitos que regem e compõem a sociedade portuguesa da Idade Moderna em Sefarad e na diáspora. Por um lado, a família Sola integrou o judaísmo e contribuiu fortemente para o seu reforço e inovação na diáspora, e por outro, os que se mantiveram na Península tentaram sobreviver num espaço que lhes era querido integrando o cristianismo com todas as consequências que isso acarretava de perseguição e sequestro de bens pela Inquisição. Continua-se o esboço do estudo da complexidade das várias realidades que se entrecruzam e dos conceitos que explicam e definem cada uma das formas de encarar a identidade, a religião e o espaço.

Simposio Temático 4
Inquisición, Brujería y Superstición

Coordinadoras: NATALIA URRA JAQUE (Universidad Andrés Bello – Chile) e JAQUELINE VASSALLO (Universidad Nacional de Córdoba, CONICET, – Argentina)

Hombres frente al Santo Oficio. Antonio Hurtado: hechicero y curandero en la Lima del XVIII
Natalia Urra Jaque (Universidad Andrés Bello)
Resumo:
Por medio de la siguiente propuesta, analizaremos y comentaremos el proceso inquisitorial contra Antonio Hurtado, quien fue un mulato libre de 60 años penalizado por el Santo Oficio limeño en 1725. Su expediente detalla las características típicas de los sujetos que practicaban la hechicería: jerarquización étnica, pobreza, movilidad geográfica, reconocimiento por parte de su entorno cercano, conocimientos y prácticas mezcladas, etc. y, sobre todo,  aquellos discursos que perpetuaban la posición “distante” de los hombres frente a este tipo de prácticas, pues principalmente se le vinculó a la curandería y, en menor medida, a la hechicería, muy contrariamente a lo que sucedió con las mujeres. Nuestro objetivo, al respecto, es rescatar aquellos diálogos, acciones e interacciones sociales que nos permitan ejemplificar las singularidades del proceso contra Antonio y, especialmente, las diferencias con otros casos

Conflitos de jurisdição em casos de bruxaria em Aragão entre os séculos XVII e XVIII: entre mutações e reivindicações de delitos
Nicolas Diochon (Universidade Toulouse 1 Capitole)
Resumo:
Este estudo tratará de episódios de bruxaria nas terras altas e montanhas do norte de Aragão entre a segunda metade do século XVII e o primeiro século XVIII. Este campo de pesquisa ainda está inexplorado. Vários casos de cumplicidade em feitiçaria ocorreram ali, nos quais o Tribunal do Santo Ofício de Saragoça teve que se opor à justiça real ou mesmo senhorial, em várias ocasiões, como se pode ver pela correspondência entre as diferentes jurisdições.  Desde as Instruções de Alonso Salazar y Frías de 1614, a Inquisição espanhola teve que parar a acusação de casos de bruxaria. Entretanto, um século depois, o Tribunal Inquisitorial aragonês ainda está ouvindo julgamentos. As acusações parecem ser idênticas; a cadeia de denúncias também está presente. No entanto, o encaminhamento muda. A ação do Santo Ofício não é mais motivada por uma denúncia, mas pelo apelo de ajuda feito por alegadas bruxas nas mãos da justiça secular.  Aqui será a ocasião de estudar os mecanismos postos em prática pela Inquisição para reivindicar estes casos de bruxaria. Quais são as prerrogativas do Santo Ofício? Quais são as suas motivações? Além dos conflitos de competência jurisdicional, estes casos, que se estendem por um século, também nos informam sobre as mutações que o crime de bruxaria parece ter sofrido. Na nossa opinião, isto é o resultado de dois factores. Por um lado, uma adaptação a uma nova era em construção e, por outro, a consequência de duas culturas que continuam em choque: a cultura camponesa – ou popular – que interpreta a inimizade familiar ou comunitária como um ato belicoso e sobrenatural, e a cultura eclesiástica, que reinterpreta esses mesmos atos à luz da religião. Vamos contar com seis casos de cumplicidade, assim como com a pesquisa de Angel Gari Lacruz, María Tausiet, Andrew Sanders e Keith Thomas para formular as nossas hipóteses.

Hechicería y Superstición en el Reino de Guatemala, 1700-1773
Adriana Rodriguez Delgado (Escuela Nacional de Antropología e Historia – México)
Resumo:
Con esta ponencia se pretende analizar un conglomerado de creencias como la superstición, así como una serie de prácticas tales como la hechicería, mismas que estaban vedadas por las autoridades eclesiásticas, sin embargo, se hallaban ampliamente arraigadas entre la población del Reino de Guatemala en el siglo XVIII. Praxis que de continuo dio pábulo a denuncias y procesos inquisitoriales, puesto que la Inquisición era el organismo encargado de vigilar las cosas tocantes a la fe de los eles cristianos. Aunque en este trabajo se hará mención de las 32 causas inquisitoriales que hallamos en el Archivo General de la Nación de México, en específico se examinaran las historias de vida de tres mujeres : María Magdalena Tatuan, María de las Nievas Montiel y María Francisca Garibaldo, cuyo comportamiento “desviante” es un reflejo de como la sociedad  y las autoridades eclesiásticas e inquisitoriales  de la Centroamérica colonial, veía a aquellas personas  que supuestamente podían alterar el destino o la suerte de un individuos, curar enfermedades, quitar embrujos, provocar hechizos o maleficios.

Magas, Hechiceras, Energúmenas y una Judaizante. La mujer Cubana bajo la Inquisición Negrogranadina en el Siglo XVII
Eugenio Alonso Lopez (Universidad de Miami, Coral Gables, FL)
Resumo:
En 1610, al quedar fundado el Tribunal de Cartagena de Indias, Cuba pasa a pertenecer a jurisdicción hasta la abolición del Tribunal en la primera mitad del XIX.  El siglo XVII en particular, ofrece gran cantidad de casos inquisitoriales siendo la mujer acusada innumerables veces de hechicería, sortílega o Judaizante. Su población femenina poseía un alto índice de negras o mestizas.  Muchas participaban en la vida pública y económica de la ciudad sin temor a represalias. Ellas ya habían sido mencionadas en varios documentos de los cabildos de las villas cubanas como poseedoras de tierras, esclavos, como acreedoras, recibiendo mercancías y sobre todo poseyendo propiedades. Gozando de plena libertad de movimiento, integraban la clase comercial con mayor movilidad en la villa La Habana. A partir del establecimiento del tribunal y cayendo esta jurisdicción cubana en manos Cartaginenses, encontramos detalles en varios legajos de la vida religiosa de estas mujeres. Algunos casos por considerar son muy ilustrativos en cuanto a prácticas y formulas religiosas. Se enumerarán detalles explícitos y puntuales de estas en cada caso.  Optaremos por reconstruir así un posible génesis de la transculturación femenina a raíz de descripciones de ritos religiosos desembocando en un sincretismo femenino amalgamando la multiplicidad de creencias africanas, indocubanas y peninsulares.  En estos trece casos a discutir, veremos mujeres nacidas en Sancti Spiritus, Puerto Rico, Portugal, Remedios y Bayamo. Algunas residían en La Habana mientras otras permanecían en sus lugares de origen. Constituyen una visión ampliada que la mención de casos Habaneros con exclusividad. Obtendríamos una diversidad de prácticas religiosas en todo el territorio al analizar todas las acusaciones.  Este trabajo propone explorar ese eje inquisitorial profundizando en la religiosidad femenina. En este, podremos encontrar acusaciones o condenas a mujeres mestizas, negras en Cuba. Discutiremos trece casos en los cuales se verá el protagonismo de la mujer en los casos llevados al tribunal de Cartagena en esta centuria. Investigando los fondos del Archivo Histórico Nacional, Libros 1020 al 1022 del Ramo Inquisición depositados en Madrid, podremos establecer como fueron acusadas o condenadas estas mujeres. Dentro de los legajos se podrán leer las prácticas religiosas y discusiones Inquisitoriales sobre la naturaleza de la religiosidad de estas. Estableceremos el eslabón entre la religiosidad actual de muchas mujeres viendo cuales yerbas o plantas fueron utilizadas en rituales junto a conjuros y prácticas exógenas a la religiosidad imperante. Se discutirán practicas especificas de estas mujeres para establecer como se transculturan creencias africanas y nativas al continente americano que han dado como fruto las actuales religiones Afrocubanas.

Tras los pasos de brujas y hechiceras del Tucumán y el Río de la Plata: documentos para su estudio (siglo XVIII)
Jaqueline Vassallo (Universidad Nacional de Córdoba- CONICET)
Resumo:
Es sabido que el estudio de la persecución de las prácticas mágicas en la América colonial excedió a la justicia inquisitorial. En este trabajo nos proponemos dar cuenta así como problematizar críticamente los múltiples tipos documentales de los que se valieron y produjeron tanto la justicia ordinaria como la inquisitorial del Tucumán y el Río de la Plata (inquisidores, comisarios, alcaldes, entre otros) en el marco del control y las persecuciones que tuvieron lugar en este espacio que dependió del Virreinato del Perú, luego del Río de la Plata, como así también del tribunal de la Inquisición de Lima. Las fuentes con las que trabajaremos se encuentran en el Archivo General e Histórico de Madrid, el Archivo del Arzobispado de Córdoba y Archivo Histórico de la Provincia de Córdoba (Argentina).

Simposio Temático 5
Inquisición, Herejía y Heterodoxia
Coordinadores: MANUEL PEÑA (Universidad de Córdoba – España) e DORIS MORENO (Universidad Autónoma de Barcelona – España)

1ª SESIÓN
El Tribunal del Santo Oficio barcelonés. Un instrumento de persecución contra los seguidores de la secta de Lutero
Alexandra Capdevila Muntadas (Facultad Antoni Gaudí de Historia, Arqueología i Artes Cristianas)
Resumo:
En el transcurso de los siglos XVI y XVII Cataluña y el resto de territorios de la Monarquía Hispánica recibieron una oleada migratoria procedente del Mediodía francés. Al margen de las dificultades económicas, otro de los motivos que propició este ujo migratorio fue el estallido de las Guerras de Religión en Francia que enfrentaron a católicos y hugonotes.  Este hecho y el temor de las autoridades de que el colectivo francés se erigiese en una quinta columna para la propagación de las ideas protestantes favoreció el despliegue de una política de persecución y de control hacia todo aquel individuo o libro procedente de estas latitudes. En este caso, el Tribunal del Santo Ocio se erigió en un instrumento eficaz de represión y control a la difusión de cualquier pensamiento subversivo. La propuesta de comunicación que planteamos para este IV Simposio Internacional de Estudios Inquisitoriales tiene por objetivo analizar, por un lado, la presencia francesa en el Tribunal del Santo Ocio barcelonés durante los siglos XVI i XVII, y por otro lado,  centrarse en el estudio de aquellos procesos inquisitoriales abiertos contra los galos y relacionados con los delitos de herejía, palabras o proposiciones, así como las medidas articuladas por las autoridades para evitar la difusión del protestantismo en tierras hispánicas.   Para abordar estos objetivos se procederá a la consulta de los datos aportados por la bibliografía y a la documentación generada por el Tribunal de Santo Ocio, principalmente, edictos, index librorum y la serie de los procesos inquisitoriales de los siglos XVI y XVII depositada en el Archivo Histórico Nacional.

Inquisición y misticismo femenino: prácticas y actitudes sociales e inquisitoriales en el proceso de Isabel de Briñas (1639-1641)
Juan Ibáñez Castro (Universidad de La Rioja)
Resumo:
La beata Isabel de Briñas fue procesada por el tribunal inquisitorial de Toledo entre 1639 y 1641 por fingir profecías, revelaciones y arrobos. Unas informaciones inquisitoriales conservadas en el Archivo Histórico Nacional de España que nos ofrecen la posibilidad de plantear algunas reflexiones sobre el mundo profético y visionario en un doble sentido:
* Por un lado, las diferentes visiones de una mujer juzgada socialmente bajo el peso cultural de Santa Teresa de Jesús y María de Cazalla –> El impacto del género en la opinión pública y en las actitudes inquisitoriales.
* Por el otro, sobre cómo la necesidad social de intercesión con la divinidad abría la posibilidad de canalizar aspiraciones más mundanas donde encontramos deseos de notoriedad, personales, como los de Isabel y su confesor, o comunitarios, como los dominicos que la respaldaron.
En definitiva, nos proponemos acercarnos a la realidad sociocultural de una mujer que vivió entre los límites de la ortodoxia y la heterodoxia aprovechándose de las grietas culturales que caracterizaban al mundo profético y visionario. Además, creemos de interés descender a las actitudes y procedimientos seguidos por el Santo Oficio para poner luz en la realidad cotidiana de los hombres y mujeres que encontraron su refugio o su forma de vida en el mundo del recogimiento interior y del profetismo. Un tema en el que la fractura social y cultural generó muchas controversias a lo largo de toda la Edad Moderna por las propias necesidades de intercesión divina de la sociedad y las posibilidades de desarrollo personal que esto ofrecía a sus protagonistas, así como de su círculo.

A heresia calvinista no contexto do Brasil holandês: suspeitas sobre Belchior Manoel Garrido
Regina de Carvalho Ribeiro da Costa (Universidade Federal Fluminense)
Resumo:
Com a penetração do protestantismo em Portugal, ainda que dimensões diminutas, o luteranismo apresentou-se como um dos delitos maiores sob a alçada do tribunal inquisitorial, como atestou Isabel Drumond Braga (2002), sendo referido, juntamente com o judaísmo nas bulas Cum ad nichil magis, de 1531, Cum ad nil magis, de 1536 e Meditatio Cordis, de 1647. De acordo com a historiadora, em comparação com a Espanha e a Itália, lugares onde o protestantismo foi um dos delitos mais graves sob a alçada do Santo Ofício, sendo superado apenas pelo judaísmo, pelo islamismo e proposições heréticas, em Portugal, o protestantismo nunca foi significativo, sendo majoritariamente praticado por estrangeiros. Se entre os estrangeiros processados por protestantismo em Portugal fraca era a representação do clero, como contabilizou Braga apenas um religioso, um sacerdote e um clérigo de missa, na América portuguesa, não foram poucos os padres e frades que levaram suspeitas do bispo da Bahia, d. Pedro da Silva e Sampaio, de praticar heresia calvinista, sobretudo no território ocupado pelos holandeses na primeira metade do século XVII. Foi o comportamento herético, sob o olhar da Igreja católica, desenvolvido no contexto do Brasil holandês pelo clero, pelos cristãos-novos e pelos judeus portugueses que levou o bispo da Bahia a levantar uma devassa entre 1635 a 1637. Na presente comunicação, a proposta é investigar as acusações realizadas sobre padre Belchior Manoel Garrido, cujo comportamento levantou suspeitas e denúncias que levaram a João Fernandes Vieira pedir sua prisão no início da insurreição. Embora a Inquisição não tenha considerado suas culpas dignas de um processo, a análise das denúncias que constam nos Cadernos do Promotor da Inquisição de Lisboa permite perceber o conhecimento das práticas protestantes entre os católicos, bem como lança luz sobre a configuração de uma heresia calvinista entre o rol dos delitos sob a alçada do Santo Ofício de Lisboa

As leis do arbítrio no contexto do processo inquisitorial
Lúcia Alexandra da Silveira Coelho Ferreira (Faculdade de Letras da Universidade do Porto)
Resumo:
A presente comunicação pretende fazer uma reflexão sobre a legislação que servia de suporte à existência do Tribunal do Santo Ofício, especificamente a direccionada para a instauração e desenrolar dos processos da Inquisição. A possibilidade de soluções diferentes para situações idênticas previstas em quaisquer normas dificulta a tarefa de quem julga. Neste caso, às divergências doutrinais junta-se inevitavelmente a subjectividade com que se aborda a lei, potenciada por estarmos a falar de um Tribunal de Fé que, mais do que julgar atos, julga intenções, e muitas vezes apenas demonstrações de intenções. Neste contexto centraremos a nossa atenção na arbitrariedade de alguma dessa legislação

Processo inquisitorial do Vicente Nogueira
João Carlos Gonçalves Serafim (CITCEM – Faculdade de Letras da Universidade do Porto)
Resumo:
No ano de 1632, a sociedade Lisboeta é abalada por um escândalo: D. Vicente Nogueira, cónego da Sé de Lisboa – filho de D. Francisco Nogueira, cavaleiro de São Tiago e membro do Conselho de Estado – é acusado de pedofilia e sodomia. Na sentença, publicada a 8 de Janeiro de 1633 – sem apelo nem agravo, porque o cónego era, comprovadamente, reincidente… – é condenado à suspensão do exercício das ordens, ao confisco de todos os bens e ao degredo para a Ilha do Príncipe… Ainda requereu a possibilidade de ficar mais tempo em Lisboa, mas um despacho de 3 de Junho de 1633 mandou que partisse imediatamente . Só partiria, de facto, em 28 de Agosto, mas não chegou a pôr os pês na ilha do Príncipe. Depois de uma fuga arrojada e de uma passagem escusa por Madrid e Bolonha, chega a Roma em 1634, onde viverá, proscrito, até ao fim dos seus dias, servindo, primeiro, o Cardeal Giulio Sacchetti – que fora Núncio apostólico em Madrid… – e, mais tarde, o Cardeal Francesco Barberini. Apesar do desejo manifesto de regressar a Portugal – principalmente depois do movimento restauracionista, na esperança da protecção de D. João IV e de alguns grandes senhores a quem havia prestado prolongados serviços… – nunca conseguiu realizar esse desiderato e foi-se rendendo à desilusão e aceitando a ideia de morrer deportado , fazendo aquilo que mais gostava: comprar, ler, coleccionar e vender livros… Como o próprio D. Vicente Nogueira confessa, o que tinha de mais precioso era a biblioteca então confiscada. Será uma perda que lamentará toda a vida… Na carta para Galileu, por exemplo – Bolonha, 28 de Outubro de 1638 –, escreve: «ma como quella mia infelicissima bibliotheca, che allora era la più scelta, mi fu confiscata, et il Re la tiene hoggi, nell’intessa sua galeria dei Cierco o Transmontano» … Foi Morel-Fatio que, pela primeira vez, deu notícia da existência do inventário da biblioteca confiscada a Vicente Nogueira nos arquivos da Biblioteca Nacional de França  que, neste momento, está a ser objeto de estudo… Na parte final do dito inventário, está um núcleo de cerca de 270 livros que foram censurados e retidos pela inquisição – «Inventario particular dos livros defezos que se separarão de toda a livraria do conego Vicente Noguera confiscado.»…
PROPOSTA: Depois de uma referência sucinta ao processo inquisitorial do Vicente Nogueira, tratar-se-ia com particular cuidado o inventário deste grupo de obras – até agora incógnito – que, no contexto, mereceu condenação. É possível que – identificadas as obras e verificada a sua presença, ou ausência, no index librorum prohibitorum – este espólio proporcione, entre outras coisas, novas notas sobre os critérios inquisitoriais relativamente à censura literária no século XVII.

Quando a Reforma ingressa no convento: o caso de Frei António de São Patrício (O.P.), religioso irlandês do Colégio do Corpo Santo
Maria Luísa Jacquinet (Universidade Autónoma de Lisboa)
Resumo:
No contexto dos conflitos religiosos que afetaram parte da Europa entre os séculos XVI e XVII, e a que a Irlanda e Inglaterra não foram alheias, instalaram-se em Lisboa várias comunidades católicas estrangeiras, movidas ou pela premência de um refúgio, ou pelo intento de preservar um credo cuja prática fora proibida nos seus países de origem. Entre elas se inclui a que viria a originar o Convento dos dominicanos irlandeses do Corpo Santo. O caso de Frei António de São Patrício (O.P.), acusado em 1699 de protestantismo, chama a atenção, pelo seu caráter extremo, para o fenómeno da circulação e penetração dos ideais reformados e para um eventual sincretismo, evidentemente oficioso, vivenciado no seio de comunidades católicas.

El Diablo en una muñeca de trapo: sexualidad, cuerpo y demonización en un proceso inquisitorial en Oaxaca, 1782
Alfa Viridian Lizcano Camona (Universidad Nacional Autónoma de México)
Resumo:
El 16 de marzo de 1782, fray Francisco Xavier Palacios, religioso acólito de la orden de Santo Domingo en Oaxaca, se autodenunció por escapar del convento en repetidas ocasiones, renegar de la fe, blasfemar y haber mantenido una amistad ilícita con una mujer mayor que, además, había manufacturado una muñeca de trapo para que el joven religioso rindiera culto al diablo. Conforme avanzaron las averiguaciones, los funcionarios de la Inquisición de México concluyeron que la pequeña figura femenina, no era más que un instrumento de la lujuria de Palacios. A través de las declaraciones ante el comisario y de la correspondencia entre Palacios y su amante, es posible aproximarse a aspectos culturales considerados heterodoxos por las autoridades. Entre ellos se encuentran la idea del diablo o la sexualidad. Así mismo, es posible observar una relación de poder en la que la mujer tuvo completamente el control.  Por otro lado, si bien en la Inquisición de México las conclusiones fueron enteramente racionales, los funcionarios eclesiásticos en Oaxaca, a casi cuatrocientos kilómetros de la Ciudad de México, creyeron que realmente el Diablo había caminado entre ellos, tras los muros del convento de Santo Domingo.


2ª SESIÓN
What a wonderful day for an auto de fe
T. P. Wilkinson (CITCEM – Umiversidade de Porto)
Resumo:
The modern metaphor of the “Inquisition” alludes to the way in which people accused are tried and convicted in ways that appear to violate our modern sense of justice and due process. This understanding has been confused and aggravated by the creation of special venues, e.g. the Nuremberg Trials and the International Criminal Court: both represent hybrids combining aspects of the inquisitorial and adversarial approaches to judicial process.  Henry Lea showed that the judicial and police apparatus of the Holy Office was not merely driven by doctrinal concerns and that its actual operation was more often than not driven by political and economic interests, especially in conflicts between the Papacy and other potentates. Alexandro Herculano raises similar implications in his study of the Inquisition in Portugal. The “inquisitorial” method seems especially suited for courts whose primary controversies are ultimately political and economic. However, by focusing on the ideological policing (enforcing doctrinal conformity) this modern view is not only anachronistic. It also omits the problem of any “judicial” approach to conflicts that are not ultimately controversies under civil or criminal law.  This communication will discuss the issues raised by modern political courts and how these issues appeared in the practice of the Holy Office.

Teoria Crítica da Inquisição em Tomás de Aquino
Claudio Pedrosa Nunes (Universidade Federal de Campina Grande)
Resumo:
O presente estudo objetiva propugnar as bases introdutórias de uma teoria crítica da Inquisição segundo o pensamento de Tomás de Aquino. Os julgamentos inquisitoriais mereceram significativo destaque no pensamento crítico do aquinate, culminando com o que podemos conceber por uma teoria geral do processo no baixo medievo, rompendo, na devida medida, com os resquícios dos processos ordálios e com os sempre polêmicos procedimentos dos tribunais do Santo Ofício. Assim é que a partir dos escritos consignados na secunda secundae da Suma Teológica, Tomás de Aquino efetivamente desenvolve uma doutrina do processo judicante, com institutos e categorias que afortunadamente perduram com grande proveito até os dias de hoje. Não obstante tal doutrina tenha-se voltado sobretudo ao processo penal, há, sem dúvida, a possibilidade de projeção de suas generalidades para outros segmentos do direito processual, designadamente para o processo civil.

Espaços multiculturais: conflitos e negociações nas fontes inquisitoriais – Bahia 1591-1595
Jamille Macêdo Oliveira Santos (Universidade Federal da Bahia)
Resumo:
Mamelucos participando de rituais indígenas, negros sendo batizados ao modo gentílico, brancos crendo que uma “seita” herética vinha da parte de Deus, índios contrafazendo os ritos católicos. Homens, mulheres, senhores de engenho, lavradores, escravos, capitães: muitos chegaram a crer nessa “abusão” e se “afastaram” da fé católica. Este é o cenário religioso do Recôncavo da Bahia que se descortina através das fontes inquisitoriais dos tempos da Primeira Visitação em fins do século XVI. A presente comunicação lança olhar sobre esse cenário com o objetivo de compreender os conflitos e negociações gerados nos espaços coloniais, sobretudo em Jaguaripe, Cachoeira e Matoim, entre os sujeitos que interagiam no período de emergência da Santidade de Jaguaripe, buscando entender a multiplicidade das identidades que se construíam e reconstruíam nesses espaços a partir das relações interétnicas em um rico e complexo processo de “mediação cultural”. Assim, buscamos analisar as múltiplas relações sociais desveladas a partir das fontes inquisitoriais na Bahia quinhentista, um dos espaços preponderantes da América portuguesa, que no limiar do século XVI recebeu a visita inquisitorial do licenciado Heitor Furtado de Mendonça e sua comitiva

As cartas de auto-defesa de um solicitante ilustre: o Padre Jacinto Manso de Lima
Fernando Perez Soto (Universidade do Minho)
Resumo:
No ano de 1741, a Inquisição de Lisboa procedeu à investigação de um caso cujo indiciado era um quinquagenário sacerdote beneficiado da Igreja Matriz da Sertã, o Padre Jacinto Leitão Manso de Lima, acusado por sete jovens mulheres da região de se as ter insinuado com «palavras e ações torpes e desonestas» em diversas oportunidades em que elas o procuraram no confessionário a fim de cumprir com a sua obrigação sacramental. Dito crime, chamado de solicitação, investigou e penalizou em Portugal, desde 1599, mais religiosos do que qualquer outro delito de «ordem moral» sob alçada do Santo Tribunal, e embora por isso sejam milhares os nomes inclusos nos volumosos Cadernos de Solicitantes, conservados hoje na Torre do Tombo, o presente caso apresenta duas características que o tornam único e por isso merecedor de destaque: a primeira reside no facto de o acusado ter ganho grande fama póstuma como autor de uma monumental obra de genealogia intitulada «Famílias de Portugal», e a segunda, e mais importante, pela presença de quatro longas cartas autógrafas, anexadas ao sumário, em que o delato manifesta estar sendo vítima de uma cilada protagonizada por um casal vizinho. Meio inédito de auto-defesa neste tipo de causas, na presente comunicação nos propomos examinar as cartas na sua qualidade de contraditas: forma de alegação que procurava o descrédito dos depoimentos das testemunhas apontando ódios capitais.

Geografia do além contestada – construções atlânticas e Inquisição
Janete Ruiz de Macedo (Universidade Estadual de Santa Cruz)
Resumo:
Céu, Inferno, Purgatório e Limbo espaços da vida pós-morte, afirmados pela Igreja Católica, atravessam o Atlântico numa rede oceânica transcultural. Foram contestados por moradores da América Colonial portuguesa, que atraíram para si os olhares atentos do Tribunal do Santo Ofício em visitações às terras d’além mar. Esse estudo está apresentado em três partes. Inicialmente, discorreremos sobre a importância do Atlântico enquanto espaço historicamente construído pela economia mundo, e sedimentado por diversas redes socioeconômicas e culturais. Num segundo momento, abordamos a doutrina católica relativa à vida após a morte, buscando elucidar os espaços que esperavam os cristãos a partir do seu desempenho na vida terrena. Concluímos, então com a apresentação daqueles habitantes das Capitanias de Pernambuco e da Bahia que haviam apresentado proposições discordando do papel tão bem estruturado da geografia do além. São confitentes e denunciados que estiveram às barras da Mesa do Santo Ofício durante a Primeira e Segunda Visitação do Santo Ofício às partes do Brasil.

Llorente y la abolición del Santo Oficio en Cádiz
Roberto López Vela (Universidad de Cantabria)
Resumo:
El objetivo de estudio se centra en los primeros pasos de la historiografía sobre la Inquisición española. Desde finales del siglo XVIII, la crítica a la Inquisición se había convertido en un elemento importante en la literatura y en el debate intelectual europeo (Muñoz Sampere, Sciuti Russi), pero lo que se escribió en torno a las Cortes de Cádiz fue distinto, tanto por su objetivo, como por la documentación. A. Puigblanch escribió su Inquisición sin mascara (1811) para alimentar los argumentos de los diputados “liberales” en el debate de las Cortes de Cádiz sobre la abolición del Tribunal. Una polémica que se preveía fundamental en la orientación de la bando “patriótico” y que interesó igualmente al gobierno de José Bonaparte y a los afrancesados. En gran parte, Juan Antonio Llorente, desde el bando enemigo, escribió su Memoria histórica sobre cuál ha sido la opinión nacional de los españoles acerca del Tribunal de la Inquisición, con intención de participar en este debate y tender puentes con los diputados “patrióticos” partidarios de abolir el Santo Oficio. Puigblanch ya mencionó la obra, sin llegar a leerla, pero pocos meses después, sus argumentos ya eran conocidos en Cádiz. Utilizando los fondos de los archivos del Consejo de Inquisición, las afirmaciones de Llorente tenían una base documental de la que habían carecido las obras críticas contra el Tribunal hasta entonces, haciéndoles difícilmente refutables. Se trataría de analizar la obra de Llorente y su incidencia en las Cortes de Cádiz, tanto en lo que dijeron los diputados liberales, como la argumentación de los absolutistas, comparando así mismo el modelo de abolición del Santo Oficio que sugería Llorente, con el que saldría de las Cortes a comienzos de 1813.

La Inquisición predicada
Doris Moreno (Universidad Autónoma de Barcelona) e Manuel Peña (Universidad de Córdoba)
Resumo:
La oratoria sagrada se configuró en los Siglos de Oro como plataforma mediática privilegiada para la transmisión de la cosmovisión cristiana y las fronteras entre ortodoxia y heterodoxia. Los sermones predicados en los autos de fe y otras ceremonias inquisitoriales no han merecido un estudio sistemático hasta ahora. Sin embargo, la expectación social ante el auto de fe, la participación de predicadores de primer nivel y el objetivo contextualizado de estas predicaciones, hace de estos sermones una fuente destacada para conocer las reflexiones que, sobre la ortodoxia, la herejía y el papel del Santo Oficio, se suscitaron en determinadas coyunturas históricas. En esta comunicación analizaremos un conjunto de sermones atendiendo al contexto en que se producen, la identidad de los predicadores encargados y los argumentos que se esgrimen.

Simposio Temático 6
Control religioso en las periferias del Imperio Español. Siglos XVI-XVIII
Coordinadores: MACARENA CORDERO FERNÁNDEZ (Universidad de los Andes – Chile) e GERARDO LARA CISNEROS (Universidad Autónoma de México – México)

Sob o olhar do Santo Ofício. Cristãos-novos portugueses entre as periferias americanas e Lisboa (1606-1610)
Susana Bastos Mateus (Cátedra de Estudos Sefarditas Alberto Benveniste, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
Resumo:
Através do breve Postulat a nobis, emitido a 23 de Agosto 1604, o papa Clemente VIII decretava um perdão-geral para os cristãos-novos portugueses, pondo fim a um longo processo de negociações entre Lisboa, Madrid e Roma. Dentro dos indivíduos que se encontravam abrangidos pela graça pontifícia encontravam-se aqueles detidos ou a cumprir penitência nos tribunais americanos, debaixo da jurisdição da Inquisição espanhola. A aplicação do perdão-geral nos territórios imperiais da Monarquia Hispânica não foi simples e foram apresentados vários obstáculos por parte dos inquisidores em funções nos territórios americanos. No entanto, vários portugueses, presos pelos tribunais de Lima e do México, conseguiram ser abrangidos pelo perdão e regressar à Península Ibérica. Na normativa estipulada por Roma, presente no articulado do breve, previa-se o período de dois anos para que os presos residentes nos espaços americanos se apresentassem diante dos inquisidores de Lisboa. A viagem de retorno também se afigurou como uma realidade complexa e que envolveu diferentes agentes imperiais.  O Santo Ofício procurava evitar qualquer hipótese de fuga. Através de estudos de caso, recolhidos em documentação inquisitorial conservada nos arquivos de Lisboa, Madrid, Lima e México procuraremos reconstruir os trajectos de regresso e verificar os mecanismos de vigilância e controlo promovidos pelos agentes inquisitoriais nos mais diversos e, por vezes, remotos espaços do império. As rotas das viagens foram distintas, de acordo com os locais em que se encontravam os indivíduos agraciados pelo perdão-geral. Em alguns dos casos estudados foram percorridos os mais periféricos territórios americanos. Nestes casos, o papel dos diferentes agentes imperiais foi crucial no acompanhamento dos viajantes, desde os comissários do Santo Ofício presentes nos vários locais, a outros representantes da Monarquia, verdadeiros garantes da aplicação da ortodoxia, mesmo nas partes mais distantes das sedes dos tribunais inquisitoriais.

Usurpaciones y Competencias: Los conflictos de jurisdicción entre las autoridades inquisitoriales, civiles y eclesiásticas en torno de la extirpación de las idolatrías en Yucatán, 1570-1636
John F. Chuchiak IV (Universidad Estatal de Missouri)
Resumo:
Desde 1571 en el obispado de Yucatán existía un comisariado de la Inquisición en la provincia. Con la creación de otro tribunal eclesiástico en la provincia de Yucatán surgió cierta confusión sobre la jurisdicción exacta de cada uno de los dos tribunales eclesiásticos. Para complicar más las cosas, los inquisidores en la ciudad de México muchas veces nombraron como su comisario en la provincia de Yucatán al deán del cabildo de la catedral, u otro oficial del cabildo eclesiástico, causando hasta conflictos internos con los obispos. Los conflictos jurisdiccionales de los obispos del obispado de Yucatán y sus jueces eclesiásticas con los comisarios inquisitoriales y con las autoridades civiles eran frecuentes. A veces los obispos usurparon la jurisdicción de la Inquisición cuando dieron a sus curas y vicarios comisiones en las que se incluían poderes como funcionarios de sus tribunales de la “inquisición ordinaria”. Además, los obispos también añadieron a veces la herejía (cometida por españoles o por las diferentes castas) en sus edictos contra los pecados públicos como uno de los crímenes eclesiásticos debajo del conocimiento de sus tribunales episcopales.  Por otro lado, los comisarios de la Inquisición también a veces trataban, bajo su propio mandato, de castigar a los indios por el crimen de la idolatría.  Esta presentación intentaría de examinar estos conflictos, usurpaciones y las competencias que ocurrieron en torno al castigo del crimen eclesiástico de la idolatría.

Persecución inquisitorial a conversos portugueses en el Tucumán de los Austrias
Federico Sartori (CIECS – CONICET y UNC)
Resumo:
El objetivo principal de este trabajo es estudiar algunos aspectos de la persecución que el Tribunal del Santo Oficio de Lima realizó contra personas tenidas por ‘conversas’, en su mayoría de origen portugués, radicadas en algunas de las principales ciudades meridionales del Virreinato del Perú a lo largo del siglo XVII. Es bien conocido que las gobernaciones del Tucumán, Río de la Plata y Paraguay, periféricas a los centros de poder virreinal, aunque en modo alguno marginales, se convirtieron tras la conquista en un amplio espacio cuya dinámica mercantil interregional, así como su contrabando colonial, tuvo como parte imprescindible de su desarrollo la radicación de comerciantes portugueses en estas regiones. Tras este fenómeno, la justicia inquisitorial del Tribunal de Lima intentó, durante todo el siglo XVII, ejercer un control sobre ellos y, asimismo, enriquecer al Santo Oficio y a sus ministros con los bienes secuestrados a los reos.  Las fuentes documentales utilizadas para esta investigación son, en primer lugar, colecciones de documentos relativos a los antiguos comisariatos inquisitoriales de Córdoba, Santiago del Estero, Buenos Aires y Paraguay. Por momentos escasa, y a veces casi inexistente, esta documentación es útil solo como un disparador de una búsqueda mayor, pues en realidad consta –por el carácter de su propia génesis documental- de cartas de y al Tribunal en Lima, cabezas de proceso, informaciones parciales sobre secuestros de bienes y poco más. Luego, he completado esta documentación con los fondos de los siguientes Archivos:  -Archivo Histórico Nacional de Lima, que conserva la documentación relativa a la sede tribunalicia de la que dependían las ciudades de la región estudiada del Tucumán, así como el Paraguay y Río de la Plata. Documentos repartidos en los 305 legajos de documentos de esta Colección, que representa una mínima porción de lo que fue el Archivo del Tribunal del Santo Oficio de Lima, y corresponde a diversas series que podemos agrupar en dos grandes grupos. Por un lado, series relativas a la Hacienda de la Inquisición, como Libros de Cuentas, Concursos de Acreedores o fundaciones de capellanías, censos y canonjías; por el otro, el más voluminoso y rico de este acervo referido a la serie “Contencioso”, contenida en 230 legajos. Estos documentos comprenden secuestros de bienes y autos de procesos judiciales sobre cobros del Tribunal al patrimonio de los reos sentenciados; concursos de Acreedores, autos ejecutorios para cobranzas y penas pecuniarias impuestas por los Inquisidores, así como los libros de cuentas de los Receptores tribunalicios, entre otros.  Aun cuando resulta imposible suplir la ausencia de las ‘causas de fe’, verdadero corazón de la actividad inquisitorial, alrededor de 20 legajos de esta serie permite observar una parte importante del ejercicio judicial del Tribunal desde 1570 hasta principios del siglo XIX, por cuanto el ámbito ‘contencioso’ alcanza un aspecto fundamental en el trabajo de sus funcionarios sobre la persecución a personas y a sus bienes. En estos expedientes se ha encontrado información relativa a procesos seguidos contra individuos residentes en el área de influencia de los comisarios tucumanos, así como otros documentos vinculados a su historia tales como la correspondencia entre ministros de diferentes comisarías con funcionarios del Tribunal limeño y libros contables, entre otros – Archivo Histórico Nacional de Santiago de Chile. Entre los legajos del Fondo Inquisición de Lima, se han encontrado 13 volúmenes de expedientes relativos a causas vinculadas con la jurisdicción de los comisariatos de Córdoba, Santiago del Estero, Buenos Aires y Santa Fe, así como otros documentos tocantes a la administración de su justicia por parte de diversos ministros delegados a lo largo del siglo XVII. -Archivo Histórico Nacional de Madrid: Fondo ‘Instituciones de la Monarquía’. De sus ingentes series y colecciones, se han revisado, y utilizado como fuentes documentales para esta investigación, expedientes y documentos provenientes de los fondos Relaciones de Causas de Fe (S. XVI-XVIII, Legajos 5345 a 5346. Y Libros 1027 a 1032 S. XVI a XVII).  Como es harto sabido, los documentos históricos inquisitoriales muestran lagunas indescifrables. Por ello, y en parte condicionados por esta fragmentación documental, se ha intentado articular estas fuentes con la indagación de sus trayectorias individuales. Utilizando sus nombres como hilos conductores en la búsqueda de información dispersa en diferentes reservorios documentales, archivos, colecciones y bibliotecas. Esta fase del proceso de investigación tuvo también como fundamento metodológico abordar la problemática histórica de las prácticas sociales criminalizadas a partir de casos concretos. Acusados, testigos, comisarios y demás ministros inquisitoriales, obispos, escribanos y funcionarios civiles recomponen el laberinto de las relaciones sociales de poder dentro de la realidad social de la época y desde la génesis documental de diferentes ámbitos e instituciones. Intentando, con esta reducción en la escala de observación, otorgar un mayor acercamiento hermenéutico acerca de la persecución a conversos portugueses en esta periférica región virreinal surperuana. Con este fin, hemos identificado, procesado y analizado documentos de fondos documentales localizados en diversos archivos históricos, pero fundamentalmente del Archivo Histórico de la Provincia de Córdoba, protocolos notariales, expedientes judiciales, Hacienda y otros. Esta investigación sobre conversos portugueses radicados en las gobernaciones al sur del Perú forma parte de un trabajo mucho más amplio, que abarca todo el ejercicio judicial de la Inquisición limeña en el Tucumán y el Río de la Plata durante los siglos XVI y XVII. Particularmente sobre este tema, intentamos demostrar que, durante el primer siglo de existencia del Tribunal de Santo Oficio limeño, sus políticas tuvieron la mirada puesta en los ‘cristianos nuevos’. Hombres y mujeres, conocidos como ‘conversos’ ‘marranos’ o ‘cristianos nuevos’, con ascendencia judía de condenados o reconciliados por la Inquisición, quienes ante una delación podían ser acusados de falsa conversión al catolicismo y en algunos casos sentenciados a muerte; importando más el origen genealógico que la fe, y en más de una ocasión con el verdadero objetivo de enriquecer al Santo Oficio y a sus miembros.

La Inquisición pontificia en el reino de Nápoles: una historia conflictiva
Pilar Huerga Criado (Fundación Española de Historia Moderna)
Resumo:
El establecimiento de la Inquisición pontificia en el reino de Nápoles chocó desde un principio con la oposición de la población, y más concretamente del gobierno aristocrático de la capital. Por otra parte, el proyecto de la santa sede, también debía superar las exigencias de la monarquía para aceptarlo después de haberse visto obligada a renunciar a la extensión al reino de Nápoles de la Inquisición española. Asimismo, tenía que afrontar la resistencia del arzobispado napolitano a perder la jurisdicción en materia de fe en beneficio de los nuevos inquisidores. En tales circunstancias de tensión permanente, el tribunal inquisitorial pasó por fases en las que intentó sobrevivir procurando evitar los conflictos, pero ello fue a costa de su precariedad institucional y su debilidad operativa. En otros momentos, cuando Roma pretendió fortalecerlo, estallaron los conflictos, que involucraron al regimiento urbano, al gobierno virreinal y a las autoridades eclesiásticas.

Simposio Temático 7
Império da fé, submissão das almas. Africanos e afrodescendentes perante o Tribunal da Inquisição, séculos XVI-XIX
Coordenadora: ANA MARGARIDA SANTOS PEREIRA (Universidade Federal de Alagoas)

A relação senhor-escravo e o Santo Ofício português, séculos XVII e XVIII
Monique M. N. Lima – Universidade Estadual Paulista
Resumo:
Desde as primeiras entradas dos portugueses em África, muitos, entre missionários e diferentes agentes religiosos, empenharam-se em converter e instruir os povos dessa terra, então considerados, em alguns relatos, amaldiçoados. Inseriu-se nessa missão, também, a ação inquisitorial. Não apenas uma rede de funcionários foi pensada para o controle da consciência de homens residentes em territórios como Angola, mas, mais do que isso, os africanos que, compulsoriamente, deslocaram-se para lugares mais vastos do Império português, tornaram-se, igualmente, alvos do exame e julgamento dos inquisidores. Homens e mulheres, nascidos em África ou descendentes, estiveram presentes na Mesa inquisitorial e, não poucas vezes, foram condenados por condutas e pensamentos que configuravam ofensas contra Deus e a Igreja. De forma especial, tanto no reino como na colônia americana, diversos rituais e cerimônias, então considerados feitiçarias, bem como comportamentos contra a moral, nomeadamente a sodomia, constituíram práticas que, constantes no ambiente do cativeiro, chegaram, por diversos meios, à concernência do Santo Ofício. Muitas dessas práticas, ainda, estiveram no cerne de uma relação mais complexa. O contato entre escravos e senhores, balanceado por ações ora mais harmoniosas ora conflituosas, foi, amiúde, atravessado por outro tipo de poder, agora instalado sobre as crenças e consciências. Com o intuito geral de trazer um olhar sobre os processos criminais da Inquisição contra a população africana, reinol e colonial, dos séculos XVII e XVIII, esta comunicação tem por objetivo principal analisar o contato entre senhores e escravos e, a partir disso, pensar a preocupação do Santo Ofício em expurgar a alma de seres considerados, muitas vezes, rústicos e ignorantes na Fé.

Catarina Juliana: uma xinguiladora angolana nas malhas da Inquisição portuguesa (1750-1763)
Daniel Precioso – Universidade Estadual de Goiás
Resumo:
Aos 14 dias do mês de novembro de 1750, a liberta angolana Catarina Juliana chegou aos cárceres da inquisição lisboeta. Pesavam contra ela várias denúncias de uso de práticas gentílicas, adoração de “ídolos” e atuação como xinguiladora. A “Correspondência de Catarina Juliana” – como foi catalogado o processo nos Avulsos da Inquisição portuguesa (ANTT) – reúne: o inventário, a genealogia, o exame, a confissão e os artigos de defesa da ré, além do termo de assentada e das reperguntas (artigos de defesa da ré) feitas às testemunhas. As duas últimas referidas partes do processo têm um notável valor etnográfico, permitindo uma análise etnohistórica aprofundada de uma série de questões relacionadas com as práticas mágico-religiosas de Angola em meados do século XVIII, tais como: as entidades cultuadas, os seus assentamentos, a confecção de “ídolos”, o modo de realização das curas e adivinhações etc. A partir de uma análise morfológica dos rituais descritos pelas testemunhas do processo e pela própria confissão da ré, esta comunicação tem por objetivo apresentar hipóteses sobre as formas e os significados dos rituais e símbolos mobilizados por Catarina Juliana, que faleceu nos cárceres secretos da Inquisição lisboeta em 1763.

A mestiçagem em xeque: as diretrizes avaliativas do Tribunal do Santo Ofício português frente a candidatos de ascendência africana
Luiz Fernando Rodrigues Lopes – Instituto Federal de Brasília
Resumo:
A aprovação em um posto de agente a serviço do Tribunal do Santo Ofício foi um importante mecanismo de promoção social no Império português ao longo do Antigo Regime. O valor dos provimentos inquisitoriais se dava em virtude do que eles significavam enquanto “atestado” de prestígio social e honra. Afinal, naquelas sociedades o bom nascimento era primordial para os que almejavam se posicionar nos patamares mais distintos, e estas dignidades prestavam-se como balizas que definiam quem poderia ou não usufruir de privilégios. Assim, aqueles que se candidatavam a colaboradores da Inquisição na defesa da ortodoxia da católica esperavam alcançar por meio de familiaturas e comissarias o lastro de suas genealogias e capacidades morais e assegurar o reconhecimento público nestas sociedades. No entanto, a conquista destas insígnias não foi desfecho comum para todos os que se candidataram. Parcela significativa dos postulantes ao Santo Ofício tiveram suas habilitações rejeitadas e passaram pelo desgosto de verem suas genealogias e capacidades questionadas. Dentre os muitos aspirantes a familiares e comissários reprovados na carreira inquisitorial é significativa a monta dos impedidos por terem antepassados negros ou mulatos, ou ainda contraírem núpcias ou ter trato ilícito, gerando filhos com mulheres de tais condições. O intuito desta comunicação é discutir como o Tribunal do Santo Ofício português lidou com as candidaturas de descendentes de africanos, especialmente no que tange ao consórcio de critérios e fundamentos manejado pela instituição para vetar provimentos aos candidatos considerados indignos em razão do mulatismo.

Simposio Temático 8
La investigación en Inquisición: metodología de trabajo, heurística y fuentes de información
Coordinadores: IGNACIO PANIZO SANTOS (Biblioteca Nacional de España) e
CANDELA CAMIÑO LÓPEZ (Ministerio de Cultura y Deporte de España, becaria de Archivística, FormARTE)

1ª SESSÃO – 21 DE MAIO
FUENTES DOCUMENTALES Y ARCHIVOS. HISTORIOGRAFÍA Y METODOLOGÍA

Puertas cerradas y secretos olvidados: los otros archivos de la Inquisición española
Bárbara Santiago Medina (Universidad Complutense de Madrid)
Resumo:
El Santo Oficio español suele ser presentado por la historiografía únicamente como un tribunal que, tratando de salvaguardar la ortodoxia de la fe dentro de los territorios de la Monarquía Hispánica, juzgaba a quienes se alejaban de ella. Con el paso del tiempo hemos ido conociendo mejor su funcionamiento como institución, su estructura, sus procedimientos y, como no podía ser de otra forma, a sus víctimas. Los procesos de fe son la principal fuente de consulta de los historiadores, que continúan interesados de manera primordial en las actuaciones de la Inquisición, el control ideológico que ejercía y la reivindicación de aquellos a quienes acusó. Esta documentación se conservaba en el denominado “secreto”, el principal archivo de los tribunales, pero no el único. Lo cierto es que el Santo Oficio tenía, en cada una de sus respectivas sedes, diferentes archivos, en tanto que también actuaba como juzgado de causas criminales y fiscales. Estos fondos, normalmente desconocidos o ignorados por los historiadores, aportan una nueva visión de la Inquisición, la de una institución en conflicto continuo con personas e instituciones que se atrevieron a desafiarla. La presente comunicación tratará, por tanto, de arrojar algo de luz sobre el contenido de estos “otros” archivos del Santo Oficio y las posibilidades de investigación que ofrecen de cara al futuro de los estudios inquisitoriales.

Inquisição de Goa: acervo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro
Célia Tavares (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
Resumo:
A Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro possui um precioso fundo denominado Inquisição dGoa que formado por cerca de 1500 documentos, organizados em 9 códices, os três primeiros já tratados e bem conservados. A Biblioteca Nacional também organizou um catálogo sobre esta documentação e ainda promoveu a digitalização da documentação. Na Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro desenvolve.se o projeto de iniciação científica há 15 anos associando treinamento de leitura paleográfica e composição de um banco de dados que já possibilitou a formação de 20 graduandos em História. O objetivo desta comunicação é apresentar os resultados deste projeto e demonstrar o uso do banco de dados criado para esta documentação inquisitorial.

Funcionarios y colaboradores del Santo Oficio: el comisario, fuentes y documentos para su estudio
Consuelo Juanto Jimenez (Instituto de Historia de la Intolerancia y Uned. Madrid – España)
Resumo:
Entre los miembros y colaboradores del Tribunal de la Inquisición destacan los comisarios, que actúan en los distritos inquisitoriales, en ciudades y zonas alejadas de la sede del tribunal como una prolongación de éste. Al actuar sobre todo en grandes distritos geográficos, tuvieron una especial importancia en América. Nombrados unas veces por los tribunales locales, pero otras por el mismo Inquisidor General, fueron una figura del Santo Oficio familiar para el hombre de la calle.   En ocasiones se ha dado una visión uniforme de los comisarios, pero de hecho existieron tipos muy distintos, en base al título que reciben y a las funciones que desempeñan. Los comisarios, normalmente eclesiásticos, aparecen tardíamente, en el siglo XVI, al compás del desarrollo de la Inquisición, y persistirán hasta entrado el siglo XIX. En esta comunicación se ofrece un resumen de la investigación que estoy llevando a cabo sobre este funcionario, cuya figura es una de las más importantes de la maquinaria del tribunal, regulada por las instrucciones inquisitoriales, pero que también aparece en documentos y manuscritos de muy diversa naturaleza.   El prestigioso historiador de la Inquisición, el norteamericano Henry Charles Lea, en su magna Historia de la Inquisición Española, se ha referido a este oficial como un importante factor para hacer visible la autoridad del Santo Oficio ante el pueblo. Y su figura ha sido destacada también por distintos historiadores desde que Julio Caro Baroja advirtiera la necesidad del estudio de inquisidores y oficiales. En España, se han acercado a los comisarios autores como Contreras, García Cárcel, Blázquez, etc., al estudiar los distintos tribunales. Fuera de España, autores como Borges Coelho o Dedieu se han referido también al comisario, el primero al estudiar la Inquisición portuguesa de Évora, y el segundo en su libro sobre la Inquisición de Toledo. Es conveniente, pues, investigar en el acervo documental inquisitorial la figura de este destacable funcionario, poco estudiado y sin embargo característico de la organización de los tribunales del Santo Oficio.

Griegos ante el Santo Oficio: tipología de delitos
José M. Floristán (Universidad Complutense)
Resumo:
En los siglos XVI y XVII se observa en diversos territorios de la Monarquía Española una notable presencia de griegos emigrados desde levante, estantes o transeúntes. Algunos de ellos fueron procesados por la Inquisición. Los dos delitos más frecuentes por los que comparecieron ante los tribunales fueron los de apostasía y proposiciones heréticas, pero no faltaron otros como los de blasfemia o bestialismo. En esta comunicación haré una presentación global de los diversos delitos cometidos por griegos que encontramos en la documentación inquisitorial conservada en el Archivo Histórico Nacional de Madrid.

La serie ‘calificaciones y censuras’ de los archivos del Consejo de la Inquisición: nueva propuesta de análisis y catalogación
Mathilde Albisson (Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3)
Resumo:
En esta comunicación, estudiaré desde un punto de vista histórico-archivístico la serie «calificaciones y censuras» de los archivos del Consejo de la Suprema Inquisición (secretaría de Aragón). Tras exponer las diferentes etapas de la constitución de la serie, analizaré la organización de su contenido y los diferentes tipos de materiales que contiene. Asimismo, pretendo mostrar en qué medida dichos materiales pueden resultar de especial interés para investigaciones históricas, en particular, las que versan sobre la historia del libro, de las mentalidades y de la religión. La segunda parte de esta comunicación estará dedicada a la presentación de una nueva propuesta de catalogación de la serie. Daré a conocer el proyecto de repertorio que estoy ultimando, el cual pretende corregir y actualizar el único catálogo existente (Antonio Paz y Meliá, Papeles la Inquisición, 1947, 1ª ed. 1914).

O Brasil na correspondência inquisitorial portuguesa – séculos XVII e XVIII
Daniela Calainho (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
Resumo:
Os fluxos de comunicação do Santo Ofício português através de trocas regulares de correspondência foram fundamentais para o bom funcionamento das suas várias instâncias administrativas, sendo veículo estratégico para o cumprimento do exercício do poder inquisitorial no Reino e em terras coloniais na Época Moderna. O Conselho Geral do Santo Ofício, órgão máximo da Inquisição portuguesa, mantinha constante troca de correspondência com os tribunais regionais de Lisboa, Coimbra, Évora e Goa, bem como com outras instâncias eclesiásticas e seculares. O tribunal inquisitorial produziu farto volume de documentação escrita se comparada às outras instituições portuguesas no Antigo Regime. Cada um dos tribunais locais organizava e gerenciava o fluxo de informações recebidas, administrando a guarda de todo este material.  Os temas presentes nesta correspondência expedida e recebida pelo Tribunal lisboeta foram os mais diversos, desde procedimentos específicos relacionados ao cotidiano e funcionamento do Tribunal, como encaminhamento de denúncias, informações sobre habilitações, prisões, envio de editais, rol de livros proibidos, execuções de diligências, dentre outros, até discussões sobre casos de determinados réus, questões econômicas, número de agentes em diversas localidades, modos de processar certos delitos, pedidos de comutação de pena de degredo por parte dos réus, etc. O objetivo desta comunicação é explicitar alguns resultados desta pesquisa, que pretende traçar um quadro temático a partir dos assuntos tratados nos circuitos de correspondências com o Tribunal de Lisboa, especificar seus destinatários e remetentes, os períodos de maior circulação e tentar desvendar o cotidiano daqueles que transportavam os documentos a partir dos processos que sofreram no caso de violações, e roubo da correspondência inquisitorial, enquadrados nos chamados “crimes contra o Santo Ofício”, e percebendo com isso as possíveis fragilidades da estrutura organizacional da Inquisição portuguesa.

Os Cadernos do Promotor da Inquisição de Lisboa: fontes para análise das relações de gênero
Joseane Pereira de Souza (Universidade Federal da Bahia)
Resumo:
Os Cadernos do Promotor ainda são pouco estudados. Trata-se de uma série documental composta por dezenas de livros, que completam a documentação inquisitorial. Neles, encontram-se casos alusivos ao Reino e todas as partes em que o Santo Ofício português possuía jurisdição, incluindo as terras do Brasil. Cada um dos volumes comportam documentos diferentes que vão desde uma pequena denúncia feita através de um bilhete, até anotações de processos quase completos, com inquéritos realizados e ordens para prisão de réus. Através dos Cadernos é possível analisar os dispositivos de gêneros atuantes nas relações entre confessores solicitantes, fiéis solicitadas e demais pessoas envolvidas nos procedimentos referentes aos casos de solicitação. Dessa forma essa fonte inquisitorial nos permite analisar como as relações de gênero e poder foram construídas por meio de instituições como Igreja e Inquisição.

Los fondos del archivo secreto de la Inquisición de Sigüenza (1491-1506), según tres memoriales de la sección de Inquisición del Archivo Diocesano de Cuenca
Eudaldo Aranda (Archivo central del Ministerio de Política Territorial y Función Pública – España)
Resumo:
El objeto de la comunicación es la publicación de tres memoriales de principios del siglo XVI, conservados en la sección Inquisición del Archivo Diocesano de Cuenca, que fueron redactados por mandato inquisitorial con motivo de la clausura de la Inquisición de Sigüenza. Dicho tribunal estuvo activo durante una quincena de años, entre 1491-1506, primero con un territorio jurisdiccional limitado a su diócesis y más tarde formando parte de un macrodistrito compartido con los obispados de Cuenca, Osma y Calahorra. Entre 1507-1522 el obispado de Sigüenza pasó a formar parte de la Inquisición de Toledo y desde 1522 hasta la supresión del Santo Oficio en España a principios del siglo XIX de la de Cuenca. Los tres memoriales contienen sendos inventarios de la documentación que albergaba el archivo secreto del extinto tribunal de Sigüenza elaborados con motivo de la transferencia de su custodia, en un caso al Consejo de la Inquisición y en los otros dos a la Inquisición de Toledo, y permiten saber, por un lado, el tipo de fondos y el volumen documental que custodiaba éste en el momento de su supresión, y por otro, los derroteros por los que pasaron los papeles de la Inquisición seguntina antes de su ubicación definitiva en la sede del tribunal de Cuenca. Por lo demás, realza el interés de los inventarios contenidos en estos memoriales el hecho de que su cotejo con los fondos de la Inquisición de Sigüenza custodiados en nuestros archivos históricos, fundamentalmente el Archivo Diocesano de Cuenca y el Archivo Histórico Nacional, permitiría sin duda hacernos una idea bastante aproximada de la documentación de dicho tribunal que se ha conservado y de la que se ha perdido.

La Serie documental Fontes Iudaerum Regni Castellae y los estudios sobre la Inquisición del tribunal Cuenca-Sigüenza: voces del criptojudaísmo castellano
Ricardo Muñoz Solla (Universidad de Salamanca)
Resumo:
En esta comunicación se realizará una aproximación metodológica a la colección documental Fontes Iudaeorum Regni Castellae, dirigida por el Prof. Carlos Carrete Parrondo, centrada en la edición de textos inquisitoriales relativos al criptojudaísmo castellano del antiguo tribunal inquisitorial de Cuenca-Sigüenza. Se pretende con ello destacar la necesidad de editar fuentes inquisitoriales no solo como recurso aún válido para el estudio de la religiosidad judeoconversa, sino también como instrumento de análisis de los procesos de aculturación, integración y exclusión social que condicionaron las trayectorias personales y familiares de muchas comunidades criptojudías de los s. XV y XVI de este distrito inquisitorial.

Judeoconversos en la fundación del Santo Oficio. Propuesta interpretativa de la historiografía del siglo XX
Erik Michel Luna Velázquez (Universidad Nacional Autónoma de México)
Resumo:
Andrés Bernáldez, uno de los primeros cronistas de los Reyes Católicos ya advertía en su obra el surgimiento de la Inquisición como consecuencia de la llamada “Herejía mosaica”.  Es claro que esta interpretación deviene como la más aceptada de las que se han elaborado para explicar el surgimiento e instauración del Santo Tribunal español. En esta ponencia se pretenden analizar los discursos historiográficos del siglo XX sobre la persecución inquisitorial de los judeoconversos a finales del siglo XV, de tal forma que se ofrezca un panorama general de las concepciones historiográficas de la actividad inquisitorial durante el proceso fundacional del Santo Oficio.  Dicho tema deviene de interés por cuanto algunas enunciaciones historiográficas de los albores del siglo XX recuperaron los discursos tardomedievales sobre los judíos y su linaje, en tanto se les consideraba como agentes perniciosos de la sociedad. Sobra decir, que el contexto de la Segunda Guerra Mundial reanimó los debates sobre dicha persecución, empero la persecución judeoconversa emprendida por el mismo Santo Oficio se utilizó en aquella historiografía para revelar posturas antijudías y xenófobas.  De tal forma fue que el proceso de conformación de la Inquisición española se convirtió en una fuente de debate en la historiografía del siglo XX. Por poner sólo algunos ejemplos, los textos propagandistas de la España franquista temprana asimilaron a esos cristianos nuevos como los enemigos naturales del Estado español, entendiendo de tal forma que eran ellos quienes avivaban la alarma social. A grandes rasgos podemos observar de manera panorámica las distintas interpretaciones de los sujetos de persecución de la Inquisición y los modelos de actuación del Santo Tribunal durante sus años de conformación

O católico-revisionismo em defesa da Inquisição: Discursos historiográficos em disputa no pós-abertura do Arquivo Secreto Vaticano
Isa Maria Moreira Liz (Universidade Federal de Santa Catarina)
Resumo:
Nas últimas décadas, um discurso revisionista vem sendo promovido pela Igreja Católica a fim de apagar as redes de resistência ao Tribunal do Santo Ofício, instaurado na modernidade. Esse discurso sob disputa política se apoia nas análises produzidas sobre os autos inquisitoriais, em razão da abertura do Arquivo Secreto Vaticano (ASV), de 1998. Os documentos oficiais do Santo Ofício são tomados de forma dogmática como verdades irrefutáveis pelo católico-revisionismo, e em nome dessa verdade, da razão e da libertação, a história é novamente vista de cima, ajuizada pelas instituições hegemônicas de poder. A partir das noções foucaultianas de verdade e poder, a presente pesquisa se atenta à uma análise dos elementos discursivos dessa corrente historiográfica em defesa da Inquisição, articulada principalmente pelo pós-abertura do ASV; visando compreender os movimentos institucionais da Igreja Católica na atualidade. Para tanto, serão tomados como fontes os escritos dos/as católico-revisionistas Cristin Iturralde, Marian Horvat e Jean-Claude Dupuis. Este trabalho se volta, portanto, à uma análise da historiografia católico-revisionista e suas metodologias de investigação, a partir de um dos mais centrais eventos institucionais católicos produzidos no século XX, atentando-se à atualidade do seu discurso político e às disputas de memória na contemporaneidade.

Entre lo universal y lo particular: el estudio de un oficio
Gabriel Torres Puga (El Colegio de México)
Resumo:
Presento en este trabajo algunas reflexiones en torno al carácter universal del oficio inquisitorial, surgidas durante la elaboración de mi libro Historia mínima de la inquisición (2019). La ponencia se plantea en términos de una propuesta metodológica, dirigida a fomentar una reflexión y comunicación historiográfica que no se reduzca a la comparación entre tribunales o entre sistemas institucionales. Sin perder de vista las diferencias jurídicas ni las particularidades históricas de los distintos ámbitos de actividad inquisitorial, esta ponencia propone discutir algunos aspectos de esa universalidad y discutir hasta qué punto algunas reflexiones historiográficas formuladas con carácter local, regional o sistémico (estudios sobre Inquisición española, portuguesa o romana) pueden ser útiles para un debate global. Finalmente, intentaré discutir hasta qué punto los estudios locales, de carácter microhistórico, pueden ayudar a reflexionar sobre ese carácter global sin perder de vista los niveles intermedios de análisis. El trabajo busca destacar y debatir los aportes de varios autores, principalmente de Bethencourt y de Prosperi.

2ª SESSÃO – 22 DE MAIO
RECURSOS DIGITALES

Paleografia digital, Inquisição e o Brasil Holandês: uma tentativa de aproximação
Lucia Werneck Xavier (Projeto Resgate/Biblioteca Nacional do Brasil)
Resumo:
Na última década, muitos arquivos europeus vem digitalizando suas coleções, mas quase sempre sem um instrumento de busca. A digitalização em série de fundos documentais muitas vezes mais atrapalha do que facilita o acesso à informação. A documentação inquisitorial da Torre do Tombo está, em boa parte, digitalizada de original ou a cores, mas sem um instrumento de busca. O uso da paleografia digital facilita a leitura de grandes coleções e a criação de bancos de dados que podem ser pesquisados com base em diferentes critérios como nome de pessoa, pena e local somente para apresentar três exemplos. A apresentação divulgará os primeiros resultados da criação de um modelo de inteligência artificial para a paleografia digital de processos inquisitoriais relativos ao Brasil Neerlandês.

Recursos informativos y para la investigación de la Inquisición española en Internet
Candela Camiño López (Biblioteca Nacional de España)
Resumo:
En esta breve comunicación nos proponemos realizar una aproximación a los recursos existentes en Internet para la investigación de la Inquisición española en sus numerosas dimensiones.
Archivos, bibliotecas, museos y diversas organizaciones de nuestro país ofrecen en sus páginas web diferentes instrumentos (catálogos, índices, publicaciones…) que nos permiten descubrir el patrimonio albergado en sus fondos inquisitoriales. Junto a estos, existen otros recursos en línea, a veces menos conocidos, que nos pueden ayudar a profundizar en el estudio de este tema desde muy diferentes perspectivas.
Intentaremos hacer una relación y presentación de estos recursos disponibles en Internet, mostrar la mejor forma de hacer las búsquedas y acceder a los mismos, las posibilidades que ofrecen, así como los trucos o mejores vías para sacarles el máximo rendimiento de cara a la búsqueda de fuentes para llevar a cabo una investigación sobre la Inquisición española.

Aportación de las humanidades digitales para el estudio de la Reforma en la Península ibérica
Michel Boeglin (Université Paul-Valéry Montpellier 3 – France), Ignasi Fernández Terricabras (Universitat Autònoma de Barcelona), David Kahn (Institut National Universitaire Champollion – Albi, França)
Resumo:
1. Entre los concilios de Letrán V y de Trento, frente a las innovaciones doctrinales, la Iglesia y las monarquías de la península ibérica fueron diseñando medidas para regular la controversia religiosa y definir progresivamente los contornos de la ortodoxia. No obstante, en sus vertientes tanto católica como protestante, la Reforma constituía una aspiración común a la cristiandad. Antes de la convocación del concilio de Trento, sería anacrónico oponer dos Reformas considerándolas sistemas meramente antagónicos, irreductibles e impermeables. Así, entre los defensores de la Iglesia de Roma, los partidarios del irenismo erasmiano incorporaban elementos doctrinales propios del protestantismo en sus escritos, con diversos fines. En tiempos de controversia religiosa, las fronteras en materia de fe no resultaban tan evidentes a los coetáneos. Identificar, contextualizar y rastrear diacrónicamente esos matices doctrinales plantean a los investigadores problemas metodológicos en el tratamiento de los corpus de fuentes disponibles que las herramientas disponibles hoy en el campo de las humanidades digitales contribuyen a solventar.
2. Ahora bien, en el ámbito de los estudios inquisitoriales, desde los años 1970, los historiadores trabajaron con sistemas gestores de bases de datos, en particular para explotar los datos de las relaciones de causas y de otras fuentes judiciales (causas de fe, fuentes jurídicas y jurisprudenciales). La contribución de estas herramientas fue trascendente en los trabajos de historia cuantitativa y propició el análisis de los corpus desde una perspectiva social y estudios prosopográficos. A partir de los años 2000, con las tecnologías de Internet y, en particular, con el desarrollo más reciente de la web semántica, y los proyectos de digitalización de los fondos de archivo, se permitió un acceso facilitado para los investigadores y ofreció la posibilidad de cruzar documentaciones heterogéneas.
3. ¿Cuáles son las perspectivas que ofrecen las herramientas digitales disponibles? Queda por proseguir la definición y la implementación de juegos de metadatos, combinándola con la editorialización de los documentos disponibles, para garantizar su accesibilidad. Paralelamente, resulta prometedor el análisis de las diferentes aportaciones del XML en aras de su aplicación a las fuentes inquisitoriales siguiendo las directrices del TEI (Text encoding intiative). Desde sus inicios, el estándar TEI se ha definido con el objetivo de constituir un lenguaje que fuera flexible y extensible, capaz de representar cualquier tipo de texto y de adaptarse a las necesidades específicas de cada proyecto de investigación. Si bien el recurso al TEI en materia de textos literatos o en biblioteconomía ha mostrado todo su interés, su incorporación a la explotación del fondo documental propio de la Reforma en la Península ibérica resulta imprescindible frente a la diversidad de fuentes y frente al estado variable de la documentación disponible para ofrecer nuevas herramientas de trabajo.

Legarad II. Base de datos para la investigación documental en Inquisición
Ignacio Panizo Santos (Biblioteca Nacional de España)
Resumo:
Legarad es una base de datos bibliográfico-documental concebida dentro del Proyecto de Investigación Nacional de España “Legado de Sefarad. La producción material e intelectual del judaísmo sefardí bajomedieval (Legarad II)”, dirigido por Javier del Barco, investigador del Consejo Superior de Investigaciones Científicas (2016-2019). Este recurso, aún en fase de construcción, quiere ofrecer a la comunidad científica todas las referencias documentales conservadas en la Sección de Inquisición del Archivo Histórico Nacional con sus enlaces a otras bases de datos como PARES (Portal de Archivos Españoles en Red), así como instrumentos de descripción impresos y bibliografía con el fin de facilitar la búsqueda de información a la investigación.