Salinidade: reflexo no acúmulo de sódio e de macronutrientes na parte aérea de plantas de arroz irrigado

Authors

  • Elisa Lemes Universidade Federal de Pelotas
  • Andre de Mendonça
  • Sandro de Oliveira
  • Edinilson das Neves
  • Ronan Ritter
  • Silvana Fin
  • Geri Meneghello

Abstract

Resumo: Objetivou-se avaliar o acúmulo de sódio e macronutrientes na parte aérea das plantas de duas cultivares de arroz em função do efeito do estresse salino em diferentes fases do desenvolvimento da cultura. O experimento foi conduzido em casa de vegetação e no Laboratório Didático de Análise de Sementes (LDAS). O estresse salino foi obtido pela irrigação com solução de cloreto de sódio (NaCl) na concentração de12 mM. O delineamento experimental adotado foi em blocos casualizados com esquema de parcelas subdivididas, sendo a parcela composta pelos estádios de desenvolvimento da cultura (C- Sem estresse (controle); EM- da emergência (E) até a maturidade (M); EAN- da emergência até a antese (AN); E35- da emergência até 35 dias após a emergência; 35AN- dos 35 dias após a emergência até a antese; e ANM- da antese até a maturidade) e a subparcela constituída das cultivares de arroz (IRGA 417 e BRS Bojuru)  com quatro repetições. Com base nos resultados obtidos, conclui-se que a salinidade imposta durante todo o ciclo da cultura (EM) e entre a emergência e antese (EAN, E35 e 35AN) influencia no acúmulo de nutrientes em ambas as cultivares. O acúmulo de P, Ca, Mg e N em situação de salinidade nos diferentes períodos de estresse não diferiram do controle. A cultivar IRGA 417 apresenta maior acúmulo de nutrientes do que a BRS Bojuru. A cultivar BRS Bojuru é mais estável no acúmulo de potássio mesmo com alto incremento de sódio nos tecidos. As relações iônicas demonstram que as cultivares apresentam diferentes adaptações frente ao estresse salino.

 

Palavras chave: Oryza sativa L., Estresse salino, Acúmulo de íons.

Downloads

Download data is not yet available.

Author Biography

Elisa Lemes, Universidade Federal de Pelotas

Engenheira Agrônoma graduada pela Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel da Universidade Federal de Pelotas. Tem experiência na área de sementes, com ênfase em análise, fisiologia, tratamento e produção de sementes nas culturas de soja, arroz, milho, trigo, cevada e aveia. Mestre em Ciência, pelo programa de pós-graduaçao em Ciência e Tecnologia de Sementes. Atualmente doutoranda no mesmo programa de pós-graduação. Realizou doutorado sanduíche no Laboratório de sementes do departamento de Crop and Soil Science na Oregon State University (EUA)

References

Azevedo Neto, A. D., & Tabosa, J. N. (2000). Estresse salino em plântulas de milho: Parte II distribuição dos macronutrientes catiônicos e suas relações com sódio. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, 4 (2),165-171.

Azevedo Neto, A.D., et al. (1995). Efeito da salinidade sobre os teores de macronutrientes em duas cultivares de sorgo cultivadas em solução nutritiva. Resumos do Congresso Brasileiro da Ciência do Solo (v. 3, pp.1345-1347). Viçosa, MG: SBCS, 25.

Bernstein, L. (1961). Tolerance of plants to salinity. Proceedings of American Society of Civil Engineering, 87 (4), 1-12,

Blumwald, E. (2000). Sodium transport and salt tolerance in plant cells. Current Opinion of Cell Biology, 12 (4), 76-112.

Carmona, F. C., et al. (2009). Estabelecimento do arroz irrigado e absorção de cátions em função do manejo da adubação potássica e do nível de salinidade no solo. Revista Brasileira de Ciência do Solo, 33, 371-383.

Carmona, F. C., Anghinoni, I., & Weber, E.( 2011). Salinidade da água e do solo e seus efeitos sobre o arroz irrigado no Rio Grande do Sul (Boletim Técnico n. 10, 54p). Porto Alegre: IRGA.

Cavalcante, L. F., et al. (2010). Fontes e níveis da salinidade da água na formação de mudas de mamoeiro cv. Sunrise solo. Semina: Ciências Agrárias, 31 (1), 1281-1290.

Coelho, D. S. (2013.). Influência da salinidade nos aspectos nutricionais e morfofisiológicos de genótipos de sorgo forrageiro (85f). Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Vale do São Francisco, Juazeiro, BA, Brasil.

Comissão de Química e Fertilidade do Solo (2004). Manual de adubação e de calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina (10. ed., 400p). Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo.

Cruz, J. L., et al. (2006). Influência da salinidade sobre o crescimento, absorção e distribuição de sódio, cloro e macronutrientes em plântulas de maracujazeiro-amarelo. Bragantia, 65 (2), 275-284,

D’Almeida, D. M. B. A., et al.( 2005). Importância relativa dos íons na salinidade de um Cambissolo na Chapada do Apodi, Engenharia Agrícola, 25 (3), 615- 621.

Epstein, E. & Bloom, A. J. (2006). Nutrição mineral de plantas: princípios e perspectivas (403p). Londrina: Editora Planta.

Fageria, N. K. (1985). Salt tolerance of rice cultivars. Plant and Soil, 88, 237-243,

Farias, S. G. G. (2008) .Estresse osmótico na germinação, crescimento e nutrição mineral de glicirídia (Gliricidia sepium (Jacq.) (61f). Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande, PB, Brasil.

Farias, S. G. G., et al. (2009). Estresse salino no crescimento inicial e nutrição mineral de Gliricídia (Gliricidia sepium (Jacq.) Kunt ex Steud) em solução nutritiva. Revista Brasileira de Ciência do Solo, 33 (5), 1499-1505.

Ferreira, P. A., et al. (2005). Estresse salino em plantas de milho: II – Macronutrientes catiônicos e suas relações com o sódio. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, 9 (supl.), 11-15. 2005.

Foundation for Statistical Computing. (2014). R core Team: a language and environmental for Statistical computing (Version 3.1.2.) Vienna, Austria: Foundation for Statistical Computing. Recuperado de URL https://www.R-project.org/.

Garcia, A., et al. (1997). Sodium and potassium transport to the xylem are inherited independently in rice, and the mechanisms of sodium: Potassium selectivity differs between rice and wheat. Plant, Cell & Environment, 20 (9), 1167-1174.

Ghafoor, A., Qadir, M., & Murtaza, G. (2004).Salt affected soils: Principle of management (pp.183-215). Lahore, Pakistan: Allied Book Centre.

Gheyi, H. R. (2000). Problemas de salinidade na agricultura irrigada. In: Oliveira, T., et al. (Eds.). Agricultura, sustentabilidade e o semiárido (pp.329-345). Viçosa: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo.

Grattan, S. R., & Grieve, C. M. (1999). Salinity-mineral nutrient relations in horticultural crops. Scientia Horticulturae, 78 (1/4), 127-157,

Greenway, H., & Munns, R. (1980). Mechanisms of salt tolerance in crop plants. Plant Physiology, 31, 149-190.

Kawasaki, T., Akiba, T., & Moritsugu, M. (1983). Effects of high concentrations of sodium chloride and polyethylene glycol on the growth and ion absorption in plants. I. Water culture experiments in

a greenhouse. Plant Soil, 75, 75- 85.

Lucena, C. C., et al. ( 2012). Efeito do estresse salino na absorção de nutrientes em mangueira. Revista Brasileira de Fruticultura, 34 (1), 297-308.

Maas, E. V., & Hoffman, G.J. (1977). Crop salt tolerance - current assessment. Journal of Irrigation and Drainagem Division, 103, 115-134,

Mansour, M. M. F., & Salama, K. H. A. (2004).Cellular basis of salinity tolerance in plants. Environmental and Experimental Botany, 52 (2), 113-122.

Marschner, H. (1995). Mineral nutrition of higher plants (2 ed., 889p). London: Academic.

Munns, R. (2002).Comparative physiology of salt and water stress. Plant, Cell and Environmental, 25 (2), 239–250.

Novais, R. F., & Mello, A. W. V. (2007). Relação solo-planta. In: Novais, R. F., et al. Fertilidade do solo (pp. 133-204). Viçosa: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo.

Parida, A. K., & Das, A. B. (2005). Salt tolerance and salinity effects on plants: a review. Ecotoxicology and Environmental Safety, 60 (3), 324–349.

Qadir, M., & Oster, J. D. (2004).Crop and irrigation management strategies for saline-sodic soils and waters aime at environmentally sustainable agriculture. Science of the total Environment, 323 (1-3), 1-19.

Rhoades, J. D., Kandiah, A., & Mashali, A. M. (2000). Uso de águas salinas para produção agrícola (Estudos da FAO, Irrigação e Drenagem, n. 48, 117p). Campina Grande: UFPB.

Ribeiro, M. R., et al. (2016). Origem e Classificação dos solos afetados por sais. In: Gheyi, H. R., Dias, N. S., & Lacerda, C. F (Eds.). Manejo da salinidade na agricultura: estudos básicos e aplicados (pp.12-20). Fortaleza: INCTSal.

Schossler, T. R., et al. (2012). Salinidade: efeitos na fisiologia e na nutrição mineral de plantas. Enciclopédia Biosfera, 8 (15), 1563-1578.

Streck, E. V., et al. (2008). Solos do Rio Grande do Sul (2 ed. rev. ampl., 222p). Porto Alegre: EMATER/RSASCAR.

Taiz, L., et al. (2017). Fisiologia e desenvolvimento vegetal. (6 ed., 858p). Porto Alegre: Artmed.

Tedesco, M. J., et al. (1995). Análises de solo, plantas e outros materiais (2 ed. rev. e ampl., 174p). Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Agronomia.

Tester, M., & Davenport, R. (2003).Na+ tolerance and Na+ transport in higher plants. Annals of Botany, 91 (5), 503-527.

Willadino, L. & Camara, T. R. (2010). Tolerância das plantas à salinidade: aspectos fisiológicos e bioquímicos. Enciclopédia Biosfera, 86 (11), 1-23.

Published

2021-08-26

How to Cite

Lemes, E., de Mendonça, A., de Oliveira, S., das Neves, E., Ritter, R., Fin, S., & Meneghello, G. (2021). Salinidade: reflexo no acúmulo de sódio e de macronutrientes na parte aérea de plantas de arroz irrigado. MAGISTRA, 31, 768–778. Retrieved from https://www3.ufrb.edu.br/index.php/magistra/article/view/4086

Issue

Section

Artigo Científico